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Memória, sem ela somos nada
 
 
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Que dia é hoje? O que você comeu ontem no café da manhã? Qual a data do aniversário de casamento dos seus pais? Como é mesmo o nome daquela rua que você morava na infância? Quantas perguntas... e, para responder todas elas, é preciso uma boa memória. Também é preciso memória para dar conta de grande parte do que fazemos. Aliás, tudo o que somos depende dela.


A memória é uma das funções mais importantes do cérebro humano e é responsável por tudo o que movimenta nossa vida, das coisas mais simples às mais complexas. É ela a responsável por armazenar dados e conhecimentos, por nos fazer recuperá-los quando temos que agir, por nos colocar em sintonia com o ambiente e com as pessoas que estão a nossa volta e com as quais nos relacionamos.

A memória também tem relação com todo nosso organismo e pode ser afetada quando alguns problemas aparecem, como é o caso do Alzheimer, doença na qual o armazenamento de lembranças é prejudicado.

Foto: Free-Photos por Pixabay



SEM MEMÓRIA SOMOS NADA
Tem gente que diz que só quando começamos a perder a memória é que passamos a valorizá-la. Esquecer-se do aniversário da mãe, de pagar uma conta ou de buscar uma encomenda pode afetar algumas coisas em nossa vida. Mas, já parou para pensar em como seria esquecer quem são as pessoas com quem você vive ou até mesmo o lugar onde você mora?

A nossa memória é a nossa coerência, a nossa razão, o nosso sentir e até mesmo as nossas ações. Sem memória somos nada. A função dela é armazenar dados, conhecimentos e recuperá-los para as ações rotineiras. A memória também é responsável pela adaptação do homem ao meio em que vive, orientando atividades internas e externas do organismo.

Quando exercitamos nossa memória estimulamos nossa criatividade e avançamos em ideias. Você sabia, por exemplo, que o modo como o coração bate e a produção de substâncias pelo estômago podem ser alterados conforme o resgate de sensações vivenciadas no passado?

Com boa memória, na antiguidade, o homem era capaz de recuperar informações a respeito de predadores, aumentando as chances de sobrevivência. Isso é incrível, pensa bem.

Temos em nosso cérebro mais de 100 bilhões de neurônios conectados em um sistema de rede. São essas células as responsáveis por gravar as experiências da vida por meio das conexões, também chamadas de sinapses. Nada passa despercebido pelo cérebro. Qualquer vivência que tenhamos tido é captada e armazenada por ele, registrando tudo o que está passando em nossos cinco sentidos (tato, audição, olfato, paladar e visão). Em consequência do processamento de um grande número de informações, a atividade integrada dos neurônios determina e modula o comportamento dos indivíduos.

Assimilar experiências vividas e armazená-las na região do encéfalo, chamada de lobo frontal, é uma capacidade da memória feita de maneira involuntária. Este é um comportamento inerente ao ser humano. Cabe ressaltar que fatores cognitivos e emocionais podem influenciar na estrutura das memórias. O cérebro faz, naturalmente, uma seleção do que considera mais importante armazenar, descartando algumas informações para abrir espaço para outras.


COSTUMES E CULTURA
Já parou para pensar como nossos costumes e, até, a cultura na qual somos criados influencia em nossa capacidade de armazenar e assimilar informações? Um bom exemplo são os números de telefone. Há algum tempo, era comum armazenarmos informações em agendas telefônicas. Quando precisávamos daquele número consultávamos a caderneta para ligar para alguém. Muita gente memorizava os números dos telefones de pessoas mais importantes ou para quem as ligações eram frequentes. Decorar números telefônicos era importante até em caso de urgência.

E hoje? Basta um simples clique no celular, em cima do nome da pessoa, para realizar a chamada automática. Quando muito, olhamos o número e gravamos por alguns segundos.

Diversos estudos tem demonstrado que o uso constante da tecnologia também está mudando a relação entre a memória e o arquivamento de informações, tornando ambos mais seletivos e superficiais.

Junto à imagem registrada pelo cérebro em um acontecimento marcante são também salvos dados específicos sobre aquela experiência. Diferentes áreas cerebrais controlam funções distintas, e a memória depende de várias delas, afinal de contas, quando consideramos um evento na vida, diversos elementos estão relacionados a ele: sentimentos, sensações, lembranças, batimentos cardíacos, respiração, funcionamento do estômago, do intestino, entre outros. Tem muita gente que, ao sentir o cheiro de determinado perfume, se lembra de uma época boa da vida. Já ouviu algo parecido? Tente se lembrar de algum tipo de relação que você faça entre algum dos cinco sentidos e um lembrança antiga.


TIPOS DE MEMORIZAÇÃO
O cérebro é um grande arquivo de informações. Dentro dele, existem 86 bilhões de estruturas, chamadas de neurônios, responsáveis por captar, transmitir, armazenar e resgatar essas informações. Nossa memória e nosso raciocínio dependem deles, por isso é importante protege-los. Mas você sabia que existem alguns tipos de memorização?

A memorização sensorial é caracterizada como imediata e tem conexão com os cinco sentidos. Com o estímulo de algum dos órgãos sensoriais, a memorização sensorial é gerada em décimos ou milésimos de segundo, seja percepção de um som ou de um toque. Esse tipo de memorização não está sujeito ao controle da cognição.

Já a memorização de curto prazo acontece após a captação por meio dos sentidos, explicada anteriormente. As áreas responsáveis por essa memória recebem as informações, retêm e organizam, para então ganharem uma utilidade ou sofrerem um descarte.

Diferentemente da memória de curto prazo, a memória de longo prazo é considerada pelos especialistas como ilimitada. Ela pode armazenar inúmeros acontecimentos e informações com seus sentimentos correspondentes, além de permitir a recuperação desses e a criação de novos fatos, novas ideias em infinitas combinações que a criatividade humana pode fazer. A memória de longo prazo é dividida por especialistas em: explícita (acontece, por exemplo, quando alguém faz uma pergunta sobre a qual não estávamos pensado e a resposta vem imediatamente na cabeça; é aquele tipo de informação recordada conscientemente como quando nos perguntam qual a capital do estado onde moramos); semântica (está ligada a conhecimentos gerais, não relacionados a um episódio pessoal); episódica (é considerada a mais importante, pois é aquela que nos faz lembrar um fato relacionado a uma experiência de nossa vida, por exemplo, ao responder sobre a capital do estado onde você mora, neste caso da memória episódica poderia a resposta estar relacionada a uma lembrança de ter estado naquele local); implícita (também conhecida como inconsciente ou não-declarativa, esse tipo de memória acontece quando não percebemos que estamos acessando tais informações; inclui os hábitos, diversas habilidades adquiridas, como jogar pingue pongue ou tocar um instrumento, e o condicionamento clássico que, acredita-se, ser o gerador de fobias).


MEMÓRIA E FELICIDADE
Você sabia que quanto mais memórias alegres mais chances de ser feliz? Pois é. Então, faça agora mesmo um exercício simples. Feche os olhos, concentre-se, respire fundo por três vezes e, em seguida, tente se lembrar de um momento feliz. Um acontecimento simples, mas que te trouxe felicidade.

Um café com pão quentinho. Uma brincadeira descontraída com o filho pequeno. Um trajeto rotineiro feito com uma boa música ou até um belo pôr do sol. Essas são lembranças de acontecimentos que ficam na memória e que, se acessados, podem contribuir para gerar no organismo a sensação de felicidade, abrindo nossos canais para sentimentos melhores.

Pode ser que algumas memórias não tão agradáveis tenham sido armazenadas com uma espécie de etiqueta “assunto desagradável, melhor evitar lembrar”. Neste caso, sua recordação será dificultada ou até mesmo impedida.

Sabe aquela famosa frase: “recordar é viver”? Pois bem, há memórias que estão ligadas à sensação de prazer e são causadas pelo neurotransmissor dopamina. De acordo com os cientistas, ao provocar uma "enxurrada" de satisfação no cérebro, a dopamina fica ligada a eventos gratificantes, que tendem a ser lembrados por um longo tempo.


FASES DA MEMORIZAÇÃO
  1. Atenção: é fundamental para iniciar o processo de memorização. O cérebro tenta se antecipar para adivinhar o que vai acontecer;
  2. Compreensão: compreender a informação é entender a lógica, as conexões das informações. Você tende a memorizar com muito mais facilidade a informação que você entende e não a que você decora;
  3. Armazenamento: internet, livros, jornais e novas ferramentas de comunicação trazem mais informações para nosso cérebro, mas o homem sempre var ter acesso a mais informações do que o cérebro consegue armazenar;
  4. Recuperação: nosso cérebro é capaz de hierarquizar as informações e uma prova disso é a recuperação. Associações como cor, cheiro e som dão pistas sobre a informação que precisamos lembrar e facilitam a recuperação dela.


ALZHEIMER
No Brasil estima-se que cerca de 1,2 milhão de pessoas tenham a doença de Alzheimer. No mundo, são mais de 15 milhões de pessoas, predominantemente acima dos 60 anos de idade, apesar de existirem casos em pessoas mais jovens.

Trata-se de uma doença neurodegenerativa, ou seja, que atua debilitando os neurônios, além das células responsáveis pela nutrição e proteção dos mesmos, até leva-los a sua destruição. A debilidade acontece, na maioria das vezes, no hipocampo, região do cérebro responsável pela memória recente.

É comum que os sinais da doença sejam confundidos com o processo de envelhecimento normal. A doença começa com falhas sutis e desculpáveis da memória. Isso pode atrapalhar o diagnóstico e prejudicar muito o paciente. Apesar de não existir cura para a doença, quanto mais cedo ela for identificada, melhor a evolução do tratamento.

O cérebro, assim como outras partes do corpo, deve ser exercitado para se manter saudável. Não é possível anular as chances de contrair a doença, mas diversos hábitos podem contribuir para diminuir a probabilidade de o Alzheimer aparecer. Boa alimentação, evitar excesso de estresse e treinar o raciocínio são algumas das recomendações. Os exercícios regulares ajudam a fornecer os nutrientes necessários para o cérebro. E mais, conhecer coisas novas, seja por meio de leituras ou de experiências, ajuda a criar novas sinapses, o que contribui para o funcionamento do cérebro.


AMNÉSIA
Existem diversos tipos de amnésias, que podem ter diversas causas, desde traumas até fatores psicológicos, como também o alcoolismo. A doença pode ser desencadeada por doenças degenerativas, como o Alzheimer, ou ainda por álcool e drogas, e até por traumas (pancadas).

A amnésia é um dos transtornos de mais difícil tratamento, raramente sendo possível a cura. Depende muito da causa e da gravidade, mas basicamente os acompanhamentos psicológicos e a reabilitação cognitiva ajudam o paciente a lidar com a perda de memória.

A amnésia causada pelo uso crônico de álcool é pouco comentada, mas quando se manifesta costuma ser irreversível. Quem sofre com o problema não só perde a capacidade de reter novas informações como também de realizar operações simples, embora possa se lembrar de fatos e completar tarefas complexas que tenha aprendido antes. Ou seja, o que se perde é a capacidade de assimilar coisas novas.

Sabe quando dizemos “deu um branco”? Nem sempre isso é realmente amnésia. Esquecer a chave do carro, esquecer de comprar algo no mercado ou o nome de uma pessoa são lapsos de memória normais. Qualquer pessoa pode ter. Mas, vale sempre uma visita ao médico caso as situações aumentem, afinal, até 50% da população adulta tem queixas de memória eventualmente.

Desatenção, muitas tarefas ao mesmo tempo, excesso de informação, falta de tempo, sono inadequado, sedentarismo, uso de álcool e drogas, medicamentos, ansiedade e depressão são algumas das influencias para as perdas ocasionais de rendimento cognitivo.


DICAS
O bom funcionamento do cérebro está diretamente relacionado a determinados hábitos. Cuidar do corpo e da mente é a dica para ter sempre viva as lembranças de vida. Algumas dicas importantes são: cuide da alimentação, hidratação frequente, fazer anotações, usar agenda, fazer passatempos (cruzadinha, quebra-cabeça, caça-palavras, etc); realizar pequenas mudanças no dia a dia, tais como um novo caminho, escovar os dentes com a outra mão. Também é muito importante administrar o estresse, prestar atenção na respiração e cuidar do sono.

São atitudes simples que somadas contribuem para uma vida melhor, mantendo a mente equilibrada e uma excelente memória.


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