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Bollywood: a Hollywood indiana
 
 
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Pessoas dançando animadamente uma coreografia nas pirâmides do Egito, casais namorando nas montanhas suíças ou nos trigais da bacia do rio Ganges são alguns dos cenários de filmes de Bollywood. Nome dado à indústria cinematográfica indiana, é uma fusão de “Bombaim”, antigo nome de Mumbai, cidade indiana onde se concentra a indústria, e de “Hollywood”, nos Estados Unidos.

Hoje, as produções de Bollywood têm mais espectadores do que a indústria norte-americana. E ela não para de crescer. Os filmes falados em hindi são sucesso de bilheteria na Ásia, Europa e Estados Unidos, geralmente em países onde a comunidade de imigrantes indiana é bastante expressiva.

O mercado audiovisual indiano cresce em ritmo frenético, mais do que o resto da economia do país. Em 2006, arrecadou US$ 1,75 bilhão e em 2010 esse número saltou para US$ 3,4 bilhões, sendo que em 2001 foram apenas US$ 617 milhões faturados. Bollywood produz mais de mil filmes por ano e, junto com as áreas de televisão e mídia, a previsão é de que movimente US$ 28,7 bilhões (R$ 109 bilhões) até 2019, de acordo com a KPMG.



História
Dadasaheb Phalke (1870-1944) é considerado o pai do cinema indiano, pois foi o primeiro a fazer uma obra completa em 1913, o filme mudo Raja Harishchandra (O Rei Harishchandra), baseado na lenda de Harishchandra, personagem mencionado no Mahabharata. Primeiro longa-metragem indiano, nele os personagens masculinos e femininos são interpretados por homens. A partir de então, muitas pessoas inspiradas no diretor começaram a fazer filmes ou trabalhar na área audiovisual – só na década de 1930 foram 200 filmes produzidos na Índia.

Foi nessa década que o primeiro filme indiano com som foi feito, Alam Ara, em 1931. Em 1937, Kisan Kanya foi o primeiro filme colorido indiano. Esses primeiros longas indianos se inspiravam em textos antigos e poemas indianos antigos ou inspirados pelo teatro tradicional da Índia.

Nos idos de 1940 os temas históricos e mitológicos foram gradativamente sendo substituídos por filmes que passaram a criticar práticas sociais como o sistema de dote, a poligamia e a prostituição. Em 1950, cineastas como Bimal Roy e Satyajit Ray passaram a abordar temas sociais, como as vidas das classes mais baixas.

Mais tarde, o Novo Cinema Indiano, movimento surgido na década de 1960, trouxe produções em prol de mudanças sociais e políticas, inspirado nos movimentos cinematográficos dos Estados Unidos e da Europa, principalmente na nouvelle vague francesa e no neorrealismo italiano. Dentre seus principais diretores estão Satyajit Ray (1921-1992), Mrinal Sem (1923-2018) e Ritwik Ghatak (1925-1976).

Posteriormente, a Masala tomou conta dos cinemas indianos e pretendia oferecer ao público escapismo e não o realismo da época anterior. Nasceu da mistura de gêneros, incluindo ação, comédia e melodrama, com a média de três horas de duração, cenários mirabolantes e marcados por cerca de seis números de música e dança – elemento ainda muito utilizado pela maioria dos filmes contemporâneos de Bollywood. O nome é uma referência à masala, uma mistura de especiarias indianas muito utilizada na culinária do país.

A partir de então, as produções foram tomando um contorno cada vez mais comercial e sendo exportados para o mundo. Hoje, Bollywood é o centro da indústria cinematográfica indiana, apesar de os filmes serem feitos também em outras regiões e línguas locais. A Índia tem o hindi como a língua oficial do governo, porém o país tem outras 22 línguas consideradas oficiais e um total de mais de 400 idiomas e dialetos falados em todo o país.


Música
Parte imprescindível do filme, as produções indianas costumam ter uma média de seis a dez músicas. Além disso, a maioria é composto de faixas de áudio que raramente são gravadas ao vivo. Os diálogos são gravados em um estúdio pelos próprios atores e eles próprios se dublam posteriormente. Já as músicas são gravadas normalmente por profissionais, sincronizados com os lábios dos atores. As letras e a coreografia dos filmes são extremamente sincronizadas, fazendo com que os espectadores fiquem com a impressão de que a música é parte do ato.

Bollywood em Hollywood
Os astros indianos cada vez mais entram com força em Hollywood. Um desses atores é Irrfan Khan (1967), de 49 anos, com mais de cem filmes no currículo, a maioria em Bollywood. Khan ficou famoso nos Estados Unidos depois de fazer o papel de um policial no aclamado filme Quem Quer Ser um Milionário, que ganhou oito estatuetas no Oscar de 2009. Em 2015, participou de Jurassic World – O Mundo dos Dinossauros, com faturamento recorde de US$ 511 milhões (R$ 1,9 bilhão) em sua semana de estreia.

Outra celebridade indiana nos Estados Unidos é Priyanka Chopra (1982), que em 2016 apresentou uma das categorias do Oscar e no mesmo ano se tornou a primeira personalidade indiana a ganhar o People’s Choice Award por conta de sua atuação no seriado norte-americano Quantico.

Ambos os atores abriram ainda mais as portas para colegas mais jovens, como a atriz Deepika Padukone (1986), que protagonizou xXx: The Return of Xander Cage, ao lado de Vin Diesel. Outros rostos indianos famosos na televisão são os de Nimrat Kaur (1982) e Suraj Sharma (1993) (Homeland), Kunal Nayyar (1981) (The Big Bang Theory) e Anil Kapoor (1956) (24), com papéis em seriados de sucesso mundial.


Filmes notáveis
Ao contrário do que se pensa, o aclamado filme Quem Quer Ser um Milionário (2008), ganhador de oito Oscars em 2009 (Melhor Filme, Melhor Trilha Sonora Original, Melhor Diretor, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Fotografia, Melhor Mixagem de Som, Melhor Montagem e Melhor Edição de Som), está distante dos grandiosos musicais feitos em Bollywood. O longa não é autenticamente indiano, já que foi dirigido pelo britânico Danny Boyle (1956) e o ator principal, Dev Patel (1990), é nascido e criado na Inglaterra. Porém, mesmo assim o filme é uma celebração da Índia, desde suas favelas até o Taj Mahal, e homenageia Bollywood ao incorporar diversos elementos daquela indústria, como as cores vibrantes, edição ágil, uma história de amor e uma animada coreografia de encerramento.

Abaixo estão alguns filmes clássicos de Bollywood:

Dilwale Dulhania Le Jayenge (1995): esse filme quebrou recordes na época de seu lançamento, sendo o primeiro a ganhar mais de 1 bilhão de rúpias na bilheteria e dez prêmios Filmfare (espécie de “Oscar indiano”). O longa conta a saga de Raj e Simran, dois jovens de ascendência indiana nascidos e criados na Inglaterra. Durante uma viagem à Suíça se apaixonam e quando estão prestes a fugir o pai da moça à leva para o Paquistão, onde já tem um casamento arranjado por seu pai.

Sholay (1975): talvez o filme de Bollywood mais famoso no Ocidente, é muito influenciado pelos westerns norte-americanos de Hollywood. Ação, romance, comédia, drama aventura, entre outros elementos, compõem esse filme, formando a típica masala de Bollywood. O filme conta a história de um chefe de polícia, Thakur Baldey Singh, que quer deter o facínora Gabbar Singh, psicopata que está aterrorizando o vilarejo Ramgar. Para esse feito, pede aos bandidos Veeru e Jai o detenham.

Lagaan (2011): indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro, também ganhou diversos prêmios internacionais e na Índia, muitos deles pela atuação de Aamir Khan (1965), um dos atores mais prestigiados de Bollywood. O filme se passa na época colonial britânica, quando um vilarejo indiano recebe a oportunidade de se salvar dos impostos opressivos dos colonizadores por meio de um jogo de críquete contra os oficiais coloniais.

3 Idiotas (2009): primeiro filme a ganhar mais de 2 bilhões de rúpias na bilheteria, sendo popular na China, Estados Unidos e Inglaterra. O filme conta a jornada de Farhan e Raju, que partem em busca de Rancho, um amigo que está desaparecido. Durante a viagem eles percorrem a o tempo e a história do amigo, que os inspirou a viver sem preocupações.


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