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Equipe produz a primeira foto de um Buraco Negro
 
 
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 BURACO NEGRO
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Um grupo de cientistas chamado Event Horizon Telescope, formado pela colaboração e os trabalhos conjuntos durante quase uma década de 200 cientistas em 20 países, revelou a primeira imagem de um buraco negro no centro da galáxia Messier 87, que fica cerca de 55 milhões de anos-luz de distância do planeta Terra.

Katie Bouman, uma estudante de doutorado em ciência da computação e inteligência artificial no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), foi a criadora do algoritmo que levou à geração da imagem do buraco negro no coração da Galáxia Messier 87. Sem o trabalho de Bouman seria impossível chegar à imagem que ficou famosa em todo planeta.

O algoritmo criado por Katie Bouman permitiu unificar gigantescas quantidades de informações coletadas por oito telescópios espalhados por regiões como Antártica, Chile e Espanha. O algoritmo foi capaz de tornar essa avalanche de dados em uma única imagem coerente.

O buraco negro da imagem criada pelo algoritmo de Bouman tem 40 bilhões de quilômetros de diâmetro e uma massa estimada equivalente à de 6 bilhões de Sóis. Em razão desse tamanho praticamente inimaginável, o buraco negro foi descrito pelos cientistas como "monstro".

A imagem que correu o mundo mostra um círculo iluminado em torno de um buraco negro meio sombreado. Essa sombra é produzida, segundo os cientistas, pela curvatura gravitacional e captura de luz que ocorre na fronteira entre o material circundante e a atração gravitacional do buraco negro. Tal fronteira é chamada de horizonte. Dentro dele não é possível saber o que ocorre. O que há dentro de um buraco negro os físicos chamam de singularidade, local onde as leis da física que nós conhecemos não se aplicam.

Segundo o físico Marcelo Gleiser, “o conceito básico de um buraco negro é extremamente simples: se um objeto chega perto o suficiente de um, jamais escapa. Nem mesmo se esse objeto for simplesmente um raio de luz. Daí o nome, ‘buraco negro’, já que nem mesmo a luz escapa. Uma imagem que vem à mente é a de um redemoinho cósmico, atraindo tudo o que se aproxima dele”.

A imagem produzida pelo trabalho de Bouman e centenas de outros cientistas é a conclusão de uma pesquisa que teve início nos anos 1990, quando o telescópio espacial Hubble descobriu que buracos negros supermassivos se acumulam nos centros de galáxias. Aliás, isso também ocorre no centro da nossa Via Láctea, onde existe um buraco negro com a massa de 4 milhões de Sóis. O buraco negro cujas imagens foram anunciadas na quarta-feira é mais de mil duzentas vezes maior do aquela que está no centro da Via Láctea.


Divulgado pelo projeto 'NASA Planetquest', a imagem mostra a sombra do buraco negro no centro do Messier 87 (M87). FOTO: Event Horizon Telescope collaboration/NASA.