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Movimentos sociais
 
 
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Os movimento sociais estão presentes no cotidiano dos brasileiros. Muitas notícias apresentam vários grupos, quase sempre contrários ao governo, como movimentos sociais. No entanto, os movimentos sociais não são, necessariamente, sempre de oposição. Por exemplo, em 2016, durante o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, saíram às ruas do país movimentos sociais contrários e favoráveis ao governo do Partido dos Trabalhadores. Portanto, nesse período, o país foi palco de manifestações de movimentos sociais pela manutenção e pela retirada de Dilma Rousseff do poder, ou seja, contra e a favor do governo.

Assim, todo movimento social é uma ação coletiva de um grupo organizado de indivíduos que tem uma demanda política, uma pauta, a qual pode ser favorável ou não a um determinado governo. Outro fato importante é notar que um fã clube de uma banda de rock, por exemplo, é um grupo organizado de indivíduos, mas não é um movimento social por não possuir uma demanda social.

Nas últimas décadas, os movimentos sociais moldaram e estão moldando as sociedades em todo o mundo. A Primavera Árabe, os indignados (ou 15-M) da Espanha e o Occupy Wall Street nos Estados Unidos são exemplos de movimentos sociais que alteraram o debate e o cenário político dos países nos quais ocorreram.

Atualmente, a tecnologia e democratização da comunicação através do uso de telefones celulares e das redes sociais colaborou muito para fortalecer e facilitar a formação de novos movimentos sociais.     



História dos movimentos sociais
A luta do proletariado, massa de trabalhadores de uma sociedade industrial que para sobreviver vende sua força de trabalho, foi a grande criadora dos movimentos sociais modernos. O proletariado foi uma classe social que surgiu junto com a sociedade industrial do século 19. Portanto, a Revolução Industrial produziu uma nova divisão social (burguesia e proletariado) e com isso uma série de questões sociais. Entre elas estava, principalmente, as demandas dos trabalhadores.

Com a Revolução Industrial surgiram bairros operários insalubres, aumentou muito a poluição nas cidades, ou seja, uma enorme parcela da sociedade passou a enfrentar novos desafios. A massa de trabalhadores era levada a encarar jornadas de trabalho de até 16 horas. Havia trabalho infantil e feminino sem nenhuma regulamentação. Era comum todo tipo de exploração nessas novas fábricas.

Com o passar dos anos, essa massa proletária iniciou organizações voltadas para conquistar direitos trabalhistas básicos. Surgiam assim os movimentos sociais modernos.

Entre os primeiros movimentos estavam os ludistas e os cartistas.

O ludismo era um movimento social no qual os trabalhadores destruíam os teares em revolta contra a substituição da mão de obra humana pelas máquinas, as quais deixaram desempregados milhares de trabalhadores manuais. Um desses trabalhadores, que respondia pelo nome de Ned Ludd, liderou então um movimento pela destruição dessas máquinas. No entanto, apesar dos ludistas as máquinas acabariam vencendo essa disputa.

Já o cartismo, ou movimento cartista, vinha da Carta Povo, um documento escrito por William Lovett e Feargus O'Connor que defendia, entre outras coisas, o sufrágio universal e secreto a todos os homens acima de 21 anos, no Reino Unido. O cartistas também defendiam que os deputados da Câmara dos Comuns pudessem se candidatar sem a necessidade de uma qualificação proprietária e recebessem salário, ou seja, para elegeram representantes dos trabalhadores era necessário retirar a regra que só permitia que homens ricos e de posses se candidatassem e que os trabalhadores eleitos pudessem receber um salário para trabalhar como deputados. Os cartistas foram o primeiro grande movimento social de massa do século XIX. Milhares de britânicos assinaram petições ao Parlamento do Reino Unido feitas por eles para pedir mais direitos.

Assim, o operariado criava o movimento trabalhista. Que lutou pelas 10 horas de trabalho e depois pelas 8 horas de trabalho, pelo direto às férias, ao décimo terceiro etc. Esse movimento cartista também acabaria desembocando no movimento sufragista — campanhas realizadas a partir de meados do século XIX para garantir às mulheres no Reino Unido e dos Estados Unidos o direito ao voto em eleições políticas.


Tipos de movimentos sociais
Hoje, há vários tipos de movimentos sociais: os conjunturais, os estruturais, os de transformação e os de manutenção.

Os movimentos sociais conjunturais são aqueles com demandas de curto prazo, por exemplo, um grupo de pessoas que decide se organizar para pedir a diminuição no preço dos combustíveis pode ser considerado conjuntural, ou seja, fruto de uma determinada conjuntura socioeconômica. Em razão disso, esses movimentos tendem a ser menos organizados e suas reivindicações, muita vez, não são muito claras. Portanto, ele aparece em certo momento, em razão de alguma demanda surgida por um determinado contexto socioeconômico.

Já os movimentos sociais estruturais são aqueles que defendem pautas mais profundas. Por exemplo, aqueles que lutam por Reforma Agrária (MST) ou pelo direito à moradia (MTST). Esses movimentos costumam ser mais organizados e suas pautas tendem a ser mais definidas. Outros exemplos desse tipo de movimento social são: movimento negro, movimento estudantil, movimento trabalhista, movimento sindical, movimento ambientalista e movimento feminista.

É importante notar também que um movimento social conjuntural pode se manter no tempo e se transformar em um movimento social estrutural. Um exemplo disso é o MPL (Movimento Passe Livre), que surgiu para lutar pela tarifa zero nos transportes coletivos. Com o passar dos anos, o MPL acabou se estruturando e passou a debater e a defender a transformação da atual concepção de transporte coletivo urbano no Brasil.

Esses dois tipos de movimentos sociais, conjunturais e estruturais, podem ser de transformação ou de manutenção. Por exemplo, o movimento pela legalização do aborto é um movimento de transformação estrutural, pois pretende alterar a legislação e descriminalizar o aborto. Já o movimento contra a legalização do aborto é um movimento de manutenção, pois luta para manter válidos os artigos que criminalizam o aborto do Código Penal brasileiro.

Também é possível dizer que o movimento pela legalização do aborto é um movimento progressista, isto é, luta pela mudança de uma norma, enquanto o movimento contra a legalização do aborto é um movimento conservador, ou seja, defende a manutenção de uma norma.


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