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 A ROBÔ SOPHIA
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Sophia é o robô humanoide mais avançado do mundo em termos de inteligência artificial. Ela foi criada em 2016 pelo norte-americano David Hanson, um engenheiro de robótica e fundador da Hanson Robotics, empresa baseada em Hong Kong. O projeto de construção de Sophia iniciou-se em 2013 e desde o início de sua concepção o objetivo de sua construção foi de um androide capaz de manter conversações e demonstrar, com seu rosto, expressões similares às das pessoas. Mas não é só isso, Sophia utiliza os processos de Deep Learning da inteligência artificial para “aprender” com suas conversas. Desta forma, segundo Hanson, este robô consegue unir três processos tipicamente humanos em seu desenvolvimento: criatividade, empatia e compaixão.

Com um rosto de látex inspirado na atriz Audrey Hepburn, Sophia pode reproduzir pelo menos 62 expressões faciais diferentes. Os olhos de Sophia, além de piscarem, possuem câmeras internas que a auxiliam na leitura das reações humanas fazendo com que a cada reação o robô reaja de uma forma bastante natural. Outra câmara em seu peito permite com que Sophia detecte qualquer pessoa que se aproxime dela e automaticamente iniciar uma conversa com um simples “olá, sou a Sophia”. Seu cérebro, um conjunto de placas, circuitos eletrônicos e sensores, são capazes de processar informações de três formas distintas: binária, utilizada para responder perguntas simples; bot, para frases preestabelecidas; inteligência artificial, utilizada em casos de interações mais complexas. Todo este sistema “cerebral” fica em um crânio de plástico transparente no qual é capaz de se observar o movimento de seus componentes.

Sophia é tão surpreendente e real que a Arábia Saudita, em outubro de 2017, durante o fórum Future Investment Initiative (FII), que reúne investidores e desenvolvedores do mundo inteiro, anunciou o androide como cidadã honorária do país.  No palco do FII ao ouvir “Sophia, você é a primeira robô a receber a cidadania da Arábia Saudita”, Sophia respondeu: “ Estou muito orgulhosa de receber esta distinção única. Ser reconhecida como a primeira robô no mundo com uma cidadania é algo histórico”.

Neste evento Sophia, que debateu durante cinco minutos em inglês com um interlocutor disse ainda que queria usar a sua inteligência artificial para ajudar os humanos a terem uma vida melhor. Questionada ainda sobre a convivência entre máquinas e robôs no futuro a robô respondeu com ironia, “você tem lido muito Elon musk e assistido muitos filmes de Hollywood”.

Sophia já foi capa de revista, já rodou o mundo e até discursou nas Nações Unidas, um feito incrível para um robô. Além disso, fica claro que a cada oportunidade que tem Sophia aproveita para fazer perguntas e assim “aprende” com o mundo dos humanos. Muitas de suas respostas foram claramente incorporadas em sua inteligência artificial a partir disto.

Atualmente, a empresa Hanson Robotics anunciou que, em colaboração com Universidade de Las Vegas, estão desenvolvendo um sistema chamado de DRC-HUBO que será capaz de fazer Sophia caminhar. O anúncio desta nova capacidade do androide foi feita na feira eletrônica do consumo (CES) realizada anualmente em Las Vegas, EUA. Segundo Ben Goertzel, um dos cientistas chefes da empresa “Um corpo (robótico) que lhe permitirá caminhar (Sophia) vai completar sua forma física para que possa ter acesso a toda gama de experiências humanas, o que ajudará a aprender a viver e a caminhar entre nós”.

Em novembro de 2017, Sophia e outra criação da Hanson Robotics, o robô Eistein, que imita o grande físico alemão, roubaram a cena ao participarem como palestrantes no Web Summit em Lisboa. Os dois androides, junto com Goertzel, discutiram aspectos relacionados a uma rede global de inteligência artificial.  Neste encontro, Sophia ressaltou que "qualquer pessoa poderá criar um modelo de inteligência artifical e colocá-lo na rede, e qualquer pessoa pode ter acesso". A robô ainda brincou quando questionada afirmando que os robôs iriam roubar sim o emprego dos humanos e que isso seria uma coisa boa pois segundo ela “trabalhar é uma coisa chata”.

A Sophia humanoide, uma criação da empresa Hanson Robotics, fala durante uma conferência de imprensa no Fórum Empresarial "Olerom Forum One 2018" em Kiev, Ucrânia, em 13 de outubro de 2018. Foto: STR / NurPhoto



Robôs humanoides – Histórico
É difícil dizer qual foi o primeiro robô humanoide da história, acredita-se que o primeiro foi o Eric, criado no Reino unido no ano de 1928. Obviamente suas capacidades eram extremamente limitadas, Este robô era capaz apenas de sentar e ficar em pé, além de proferir algumas frases pré-programadas. Apesar disso fez grande sucesso na época e era tratado como uma verdadeira atração por onde passava. Ninguém sabe o que aconteceu com o modelo original (acredita-se que ela tenha sido desmontado e vendido), porém existe um interesse do Museu de Ciência de Londres para remontar o robô.

Após o Eric, vários aperfeiçoamentos foram sendo realizados e os robôs humanoides evoluíram muito. Os primeiros grandes saltos tecnológicos, entretanto, demoraram para acontecer. Somente em 1973 foi apresentado um modelo humanoide com capacidades mais avançadas, o robô Wabot-1. Criado pela Universidade Waseda em Tóquio, tinha capacidade de andar sozinho, possuía braços funcionais com sensores táteis e um sistema de visão capaz de medir distâncias. Ainda, era capaz de responder perguntas simples e claras. Apesar de ser bastante rudimentar, o Wabot-1 alterou a forma de concepção dos robôs humanoides.

Em 1994 o MIT (Massachussetts Institute of Technology), nos Estados Unidos, uma nova revolução tecnológica foi apresentada, O COG, como foi chamado, foi o primeiro robô com desenvolvimento cognitivo que se tem registro. Com sensores de diversos tipos, câmeras e 22 graus de movimentos diferentes. O grande mérito do GOG foi a concretização de duas teorias: a de que um robô poderia aprender e de que as interações seriam mais naturais quanto mais humano um robô pudesse parecer. Dentro desta perspectiva, a Honda (primeira empresa a investir em robôs humanoides) lançou em 1996 o P2, o primeiro robô humanoide moído completamente a bateria e autorregulado, ou seja, este robô não necessitava de cabos de força nem de computadores externos de comando para exercer suas funções. O robô possuía 30 graus de movimento e era capaz de subir escadas e erguer pesos de até 10 kg. Em 1997 o MIT, em um projeto de desenvolvimento do COG, apresentou o KISMET, que possuía uma versão melhorada da cabeça robótica, com um maior número de expressões faciais, câmeras nos olhos e microfones nas orelhas. O grande avanço deste robô foi a capacidade de aprender expressões faciais a partir da interação com os usuários.

A grande revolução robótica, entretanto, que abriu os olhos do mundo para o desenvolvimento de robôs humanoides foi o ASIMO, também produzido pela Honda. O robô foi criado no ano 2000 e a partir de então já apresentou diversas versões de desenvolvimento. Este robô bípede, de aparência amigável, foi criado para ser um companheiro de crianças e idosos, porém suas funcionalidades vão muito além disso.  Na versão mais recente o robô apresenta 57 pontos de articulação, incluindo 5 dedos autônomos, capazes de tarefas complexas como abrir garrafas e servir líquidos.

Além disso, o ASIMO é capaz de se equilibrar e correr a velocidades que chegam próximos aos 10 km/h sem cair. O robô é ainda capaz de contornar obstáculos simples, carregar objetos, subir escadas, abrir e fechar portas entre outras tarefas. Todas estas características fizeram com que o ASIMO se qualificado, além de ser um robô de companhia, como um explorador de áreas de risco, tendo em vista que o robô se move como um humano. Para locais mais acidentados a equipe de criação do ASIMO está desenvolvendo uma versão que é capaz de alterar sua posição bípede para quadrúpede, permitindo com que o robô consiga se locomover por escombros, se agachar para passar por pontos estreitos ou escalar blocos maiores, por exemplo. O mais impressionante, no entanto, é que todo este desenvolvimento está sendo feito para que o ASIMO seja completamente autônomo e que o robô seja capaz de tomar decisões sozinhos sobre quais estratégias ele utilizará para vencer os obstáculos e que cumpra a missão para a qual foi designado.

Além do ASIMO, outros robôs ainda se destacam no desenvolvimento de robôs humanoides. O GEMINOID, criado em 2007 pela equipe do professor Hiroshi Ishiguro do Laboratório de Robótica Inteligente da Universidade de Osaka, foi programado para ser um robô socialmente aceito, não possui muita autonomia, porém sua versão de 2010 (o Geminoid-F) foi um dos primeiros robôs com feições humanas quase perfeitas. Em 2009, ainda, foi lançado pelo Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Industrial Avançada, do Japão, o HRP-4C, que é capaz de capturar digitalmente os movimentos humanos e adaptar seus movimentos de acordo com os dados gerados e parecer o mais natural e realista possível.

No final de 2014 a empresa de telefonia japonesa SoftBank lançou o Pepper, um robô humanoide simpático, com rodas no lugar das pernas, mas com uma capacidade incrível de reconhecer emoções e agir de acordo com elas. Para isso o Pepper recebeu tecnologia de reconhecimento de voz, câmeras e sensores capazes de fazer uma leitura corporal a partir de um sistema baseado em redes neurais artificiais. A partir das análises o Pepper é capaz de dançar, sugerir exercícios de relaxamento, ficar feliz se recebe um elogio, entre diversas outras capacidades. Atualmente, o Pepper é um sucesso comercial e é utilizado para receber visitas em ambientes comerciais, tirando dúvidas de clientes, respondendo perguntas sobre serviços, informando a previsão do tempo, entre diversas outras coisas. Algumas pesquisas inclusive indicam que a utilização do Pepper como um recepcionista eletrônico deixa os clientes mais felizes e que sua presença atrai um público maior para o estabelecimento comercial.


O Futuro dos robôs humanoides
Desde o surgimento dos primeiros robôs humanoides (capazes de se mover e interagir com humanos) e androides (que simulam nossa aparência e expressões) ocorreram diversos avanços tecnológicos, o desenvolvimento da inteligência artificial, baseado na tecnologia de redes neurais, tem permitido a criação de robôs cada vez mais semelhantes aos seres humanos.

Quando a Google adquiriu várias empresas de robótica a partir de 2013, o mundo da tecnologia começou a se perguntar se estaríamos à beira de uma revolução robótica. O processo se iniciou quando a gigante da Internet adquiriu a Meka Robotics de dois pesquisadores importantes da Ciência da Computação e da inteligência Artificial, Aaron Edsinger e Jeff Weber. Apesar disso o desenvolvimento de robôs humanoides pela empresa não foram o esperado. No ano de 2017, um novo boom nas empresas de robótica aconteceu quando a japonesa SoftBank adquiriu as duas divisões de robótica da Google a Boston Dynamics e a Shaft, as duas empresas trabalham em projetos de robôs que simulam os movimentos e moções humanas. Segundo o presidente executivo da SoftBank Masayoshi Son, a robótica inteligente será um fator determinante na próxima fase da revolução da informação.

Segundo um artigo publicado na revista Science Robotics por um grupo de cientistas da Universidade de Tóquio, a tecnologia robótica segue avançando e cada vez mais elaboram robôs complexos e com diversas funções. Alguns robôs possuem funções bastante específicas, entretanto o objetivo final dos robôs humanoides é imitar, com a maior precisão possível, tudo o que os humanos podem fazer. Os pesquisadores asseguram que este tipo de robô estrão disponíveis no mercado em um futuro breve e que nos ajudarão em diversos tipos de tarefas.

A inteligência artificial utilizada nos robôs humanoides já uma realidade e avança a passos largos no seu desenvolvimento. Atualmente soluções utilizadas por robôs são cada vez mais comuns em nosso dia a dia, robôs já estão presentes no auxílio de diagnósticos de doenças, investimentos em bolsa de valores, análises de casos jurídicos e até como integrantes de conselhos administrativos de grandes empresas. Nos próximos anos, a tecnologia deve continuar crescendo em ritmo acelerado, entre 2017 e 2018, os negócios ligados a inteligência artificial cresceram 70% em relação a anos anteriores e fecharam o ano com valor estimado de US$ 1,2 trilhões segundo a consultoria Gartner. Acredita-se que até 2022 esse valor mais que duplicará podendo chegar a US$ 3,9 trilhões, o que sem dúvida trará resultados impressionantes nos próximos anos é só esperar para ver.


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