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Álcool e drogas na adolescência
 
 
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A adolescência é uma fase muito delicada do indivíduo, representando a passagem da infância para a fase adulta. Nesse momento da vida, não só o corpo passa por mudanças importantes, como também começam a mudar os papéis, as relações sociais e o comportamento. É uma fase de incertezas, experimentações e descobertas, em que as possibilidades da vida adulta começam a se abrir ao mesmo tempo em que ainda não se adquiriu experiência e maturidade suficientes para se responsabilizar totalmente pelas próprias escolhas.

É exatamente nessa fase da vida que sentimentos de antipatia e simpatia são mais percebidos e sentidos pelos jovens, que passam a buscar nas amizades o conforto e o consolo para seus principais dilemas. Aliás, dilema é o que mais aparece nesta fase. Amores não correspondidos, baladas não permitidas, objetos de consumo fora das possibilidades, pais ausentes, muito rígidos ou permissivos de mais, amigos com maior ou menor poder aquisitivo, viagens dos sonhos, enfim, são tantas as questões vividas pelos jovens que daria para preencher uma grande lista aqui. Mas, o assunto aqui não é a adolescência em si, e sim a escolha de se envolver com drogas e trilhar rumos incertos, que podem levar a destinos não tão agradáveis e prazerosos.

Drogas na adolescência. Quem já passou por essa fase sabe que a realidade é bem complexa. Seja para quem se envolve com elas, seja para quem convive com quem se torna, na maioria das vezes, dependente. Quem ainda não passou por essa fase é ótimo estar lendo esse texto e refletir um pouco sobre esta que é uma preocupação nacional.

Experimentar drogas tem sido uma prática muito comum entre os adolescentes. Se há alguns anos os jovens tinham que rodar a cidade em busca de um baseado (maconha), hoje já é possível trocar uma ideia com alguns amigos e saber ao certo onde encontrar. E não só maconha. Diversas outras drogas estão cada vez mais fáceis de serem acessadas, inclusive por crianças. Sim! Infelizmente elas também são alvo deste círculo vicioso que envolve usuários e traficantes

A seguir, o assunto será abordado em diferentes aspectos. Mas, claro que não é possível esgotar a questão, afinal de contas, sempre há diferentes pontos de vista a considerar quando se trata de qualidade de vida e saúde. Também há de se levar em conta que esse é um tema de cunho social e com um pano de fundo político e cultural bem marcante.


DROGAS LÍCITAS
A discussão acerca do uso de entorpecentes pode ser muito mais ampla do que imaginamos, uma vez que a tendência é que se enxergue como drogas nocivas aquelas cujo uso é proibido, mas temos que levar em consideração que existem drogas lícitas e ilícitas. Entre as drogas lícitas, ou seja, aquelas cujo uso não é proibido, estão o álcool e o cigarro, que não podem ser considerados menos prejudiciais à vida e à saúde das pessoas pelo simples fato de serem legalizados.

No Brasil, além de as propagandas de bebidas alcóolicas serem numerosas e explorarem o desejo dos jovens pela busca do prazer imediato, associando o álcool a humor, diversão e relaxamento, a lei que proíbe o uso destas bebidas para menores de 18 anos não é seguida à risca e os adolescentes normalmente não encontram dificuldades para comprá-las e consumi-las em festas ou até mesmo em bares.

Além disso, também existem medicamentos que podem ser usados de forma abusiva, como calmantes e descongestionantes nasais, por exemplo; bem como solventes que são vendidos para outros fins, como a “cola de sapateiro”, mas que têm o poder de causar alterações no estado da mente quando inalados.


DROGAS ILÍCITAS
As drogas ilícitas são aquelas consideradas proibidas de serem produzidas, comercializadas e consumidas, são aquelas consideradas mais perigosas, como, por exemplo, a maconha, a cocaína, o ecstasy, a heroína e o crack. Essas substâncias podem deprimir (relaxamento), estimular (excitamento) ou perturbar (alteração na percepção, alucinações) a atividade cerebral, às vezes combinando mais de um efeito. Em alguns países, determinadas drogas são permitidas sendo que seu uso é considerado normal e integrante da cultura.

A proibição, muitas vezes, dá a falsa impressão de que o uso de drogas ilícitas é incomum ou eficazmente combatido. Isso, porém, não corresponde à realidade. Além de não ser difícil ter acesso a essas substâncias, o fato de serem ilegais pode mascarar a necessidade de maior controle de seu uso e dificultar a ajuda ao dependente, que muitas vezes precisa de auxílio médico e psicológico, mas acaba sendo tratado como um criminoso.

As drogas ilícitas, por serem proibidas, entram no país de forma ilegal. É o tráfico de drogas que promove a comercialização, feita sem a autorização das autoridades. Dentre as consequências das drogas ilícitas é possível citar a violência gerada em todas as fases de produção até o consumidor final. As demais consequências são: arritmia cardíaca, trombose, AVC, necrose cerebral, insuficiência renal e cardíaca, depressão, alterações nas funções motoras, perda de memória, disfunções no sistema reprodutor e respiratório, câncer, espinhas, convulsões, desidratação, náuseas e exaustão.

Vale dizer que a dependência de drogas é algo que tem tratamento. Com auxílio médico e familiar o indivíduo pode deixar de usar drogas e voltar a ter uma vida social normal.


ADOLESCÊNCIA
Na adolescência, fase em que se busca autonomia e fortalecimento da identidade, é comum que o indivíduo se aproxime mais dos amigos do que da família, buscando novas referências. E é justamente por ser um momento delicado e de muitas incertezas que os adolescentes se tornam vítimas fáceis do abuso de drogas lícitas e ilícitas, buscando aventuras, prazer imediato, fuga ou até mesmo uma aproximação do mundo dos adultos.

Nesse período, um profundo mergulho no mundo do álcool e de outras drogas pode acarretar grandes danos à saúde e à vida da pessoa. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o alcoolismo é uma doença que causa dano triplo ao indivíduo, prejudicando o corpo, a mente e a vida social (família, trabalho, estudos etc.). No que diz respeito aos adolescentes, o risco de dependência se difere do que acontece com os adultos, pois além dos demais riscos, o álcool deixa os adolescentes mais vulneráveis à violência e a acidentes, bem como atrapalha o aproveitamento escolar e o desenvolvimento, uma vez que o cérebro ainda está em processo de amadurecimento, podendo sofrer danos irreversíveis e acarretar problemas futuros, como doenças hepáticas e problemas psiquiátricos. Além disso, por terem um metabolismo mais rápido, os adolescentes vivenciam os efeitos das drogas de forma potencializada.

No que diz respeito aos adolescentes, é comum que o uso de tóxicos diminua ou cesse com a chegada da vida adulta, com seus consequentes compromissos e obrigações. Para aqueles que desenvolvem dependência, será mais difícil encarar os desafios da nova fase, uma vez que sua relação com a droga pode afetá-los em todos os aspectos. Esse processo nocivo passa pela experimentação, normalmente por curiosidade e influência de amigos, passando pelo uso eventual, depois pelo uso frequente, até chegar à dependência.


DADOS
Dados divulgados no estudo Prevalência do uso de drogas e desempenho escolar entre adolescentes, de Beatriz Franck Tavares, Jorge Umberto Beria e Maurício Silva de Lima, mostram que álcool e tabaco são de fato as drogas mais utilizadas por jovens e adolescentes. O uso de outros tóxicos, no entanto, se difere em países mais desenvolvidos daqueles ainda em desenvolvimento. Nos primeiros, a maconha é o entorpecente ilícito mais usado, enquanto nos segundos, os solventes têm mais adesão.

Os números apresentados pelo Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid), da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) apontam que entre os brasileiros de 12 a 17 anos, 5,2% são dependentes de álcool; 2,2%, de tabaco; 0,6%, de maconha; 0,2, de tranquilizantes. A média de início de consumo de álcool é de 12,5 anos, com uma tendência de que os jovens comecem cada vez mais cedo. Além disso, 15,5% dos estudantes do ensino médio e fundamental admitem que já usaram solventes e inalantes pelo menos uma vez. E segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2012, cerca de 15 mil alunos da rede pública fumaram crack pelo menos uma vez.

A Pesquisa Nacional de Saúde Escolar (PeNSE/IBGE) de 2015, com alunos entre 13 e 15 anos, trouxe como dados de adolescentes que já experimentaram bebidas alcoólicas o percentual de 55,5% (56,1% de meninas e 54,8% de meninos) e de jovens que já experimentaram drogas ilícitas, 9%. Em relação ao cigarro, 19% afirmaram já tê-lo experimentado. Dessa forma, é possível concluir que, de fato, a porta de entrada para outras drogas é mesmo o álcool, que mata mais do que qualquer outra droga em nosso país, seja por causas diretas, como o coma alcoólico, por exemplo, como indireta, como acidentes de carro.



EFEITOS
Em um primeiro momento, o uso da maior parte das drogas provoca efeitos muito positivos como sensação de bem estar, felicidade e coragem. O problema é que seus efeitos a longo prazo podem ser muito graves, especialmente quando utilizadas por muito tempo.

Quem usa drogas pode vir a ter problemas sérios no funcionamento do coração, do fígado, pulmões e até mesmo do cérebro. Além disso, drogas em geral causam vício, ou seja, uma boa parte delas causa habituação, o que significa que o corpo vai precisando de uma dose cada vez superior para conseguir obter os mesmos resultados positivos. Essa habituação aumenta muito o risco de morte por overdose – para alguns tipos de drogas.

A overdose acontece quando se usa uma dose excessiva de uma droga ou medicamento, o que pode provocar sérios problemas, especialmente a nível respiratório, podendo surgir dificuldade para respirar e acúmulo de líquido nos pulmões, o que acaba impedindo a respiração e pode levar à morte.

Os sintomas podem variar de acordo com o tipo de droga, a forma como foi utilizada e se houve ou não mistura de outras drogas. Portanto, se houver suspeita de que alguém está tendo uma overdose é muito importante chamar imediatamente a ajuda médica ou levar a pessoa ao hospital, iniciando o tratamento para overdose o mais rápido possível.


EFEITOS NA GRAVIDEZ
Os efeitos das drogas na gravidez podem ser observados na mulher e no bebê, e pode levar a aborto, parto pré-maturo, restrição do crescimento, baixo peso para a idade gestacional e mal formação congênita.

O bebê poderá sofrer uma crise de abstinência das drogas logo após o nascimento, pois o seu organismo já estará viciado. Nesse caso, o bebê poderá apresentar sintomas como chorar muito, ficar muito irritado e ter dificuldade para se alimentar, dormir e respirar, necessitando de internação hospitalar.


PRINCIPAIS TIPOS DE DROGAS
- Drogas naturais: como a maconha que é feita da planta cannabis sativa, e o ópio que tem origem nas flores da papoula;

- Drogas sintéticas: que são produzidas de forma artificial em laboratórios, como o ecstasy e o LSD;

- Drogas semi-sintéticas: como heroína, cocaína e crack, por exemplo.


PREVENÇÃO
A família do adolescente que se envolve com drogas pode ajudar reconhecendo sua parcela de participação no que está ocorrendo. Depositar toda responsabilidade no adolescente ou nas amizades chamadas de “más companhias”, não solucionará o problema. Isso sem contar que pensar assim não parece muito condizente com a realidade. Há estudos que apontam quem quando um adolescente usa drogas está, na verdade, dando um “grito”por limites ausentes. Deixar a situação seguir sem tomar atitudes pode fazer a situação se agravar e fugir do controle.

Ao descobrirem que o filho adolescente está usando drogas, alguns pais tendem a se sentirem culpados, questionando-se onde erraram na educação do filho, o motivo de tal fato estar acontecendo com eles já que nunca deixaram faltar nada em casa. Outros pais buscam a internação de seus filhos esperando um método de cura imediata. Há alguns que recebem a notícia acusando o grupo social a qual o filho pertence.

Uma das formas de prevenir o uso de drogas entre os adolescentes é a informação, para que o adolescente tenha consciência dos riscos e dos efeitos do uso de drogas no organismo. É importante lembrar que, sim, existe um prazer momentâneo causado pelo uso dessas substâncias, mas que os danos são muito maiores do que esse prazer, sem falar que aquele que experimenta nunca sabe que tipo de relação irá desenvolver com a droga, podendo se livrar dela facilmente, mas também podendo desenvolver uma nociva e destrutiva dependência.

Se o adolescente, em seu próprio lar, está exposto ao abuso de álcool e outras drogas, suas chances de se envolver com elas aumenta muito, não só pelo fator genético, como também ambiental. O “exemplo” conta muito nesse momento, levando em consideração que a lei de que menores de 18 anos não devem ingerir álcool seja cumprida, mesmo no ambiente do lar e sob a vigilância dos responsáveis.

Além disso, proporcionar um ambiente rico em atividades prazerosas, buscando despertar aptidões e novos interesses, evita que o jovem se interesse pelas drogas por puro tédio ou falta de perspectivas.

A atenção e o diálogo em casa, no entanto, são as principais armas no combate à adição. É importante que os pais estejam atentos ao comportamento dos filhos e que sinceramente se interessem e participem de suas vidas e de suas questões pessoais, compreendendo que problemas que possam parecer irrelevantes e bobos para um adulto podem ter um peso grande na vida do adolescente, como uma briga com os amigos ou com o(a) namorado(a). Cabe ao adulto ouvir, procurar compreender e oferecer possíveis recursos para enfrentar todos os tipos de questões sem recorrer a artifícios.


Para saber mais, leia também:
Dependência, quando o hábito vira vício