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Redes sociais no Brasil
 
 
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 REDES SOCIAIS NO BRASIL
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A sociedade brasileira está em evidente transformação. Boa parte dessa mudança é resultado do poder que as redes sociais atingiram no país. O Facebook, por exemplo, se transformou em uma ferramenta para muitos ativistas. Nele, são combinadas manifestações que acabam repercutindo no cenário político nacional e na nossa sociedade. Essa nova forma de se comunicar ajuda a aumentar o número manifestantes e propicia um espaço onde são discutidos e esclarecidos os principais pontos de embate político.

As redes sociais e a internet reinventaram vários setores da economia. O Uber e Airbnb são exemplos disso. Também ocorreu uma mudança drástica na forma como as pessoas acessam as informações nos dias atuais. Prova disso é que cerca de 70% dos brasileiros ativos no Facebook se informam pela rede social – o país é um dos que mais acessa informações dessa maneira. Quanto à velocidade da informação, é muito difícil algum veículo da mídia convencional superar atualmente o Twitter em rapidez. Portanto, essa rede social é imprescindível para quem quer ficar por dentro de tudo que ocorre. Até mesmo os jornalistas passaram a utilizar essas ferramentas para acessar informações.

O problema, na maioria das vezes, é que essa informação horizontalizada é produzida sem os cuidados necessários. Há nesses ambientes virtuais muitos boatos. Apesar, desse ponto negativo, as redes sociais acabaram também se tornando um plataforma para inúmeras organizações políticas que anteriormente estavam praticamente excluídas do debate político.

A transformação do fluxo de informações no Brasil segundo a pesquisa “Democratização da Mídia”, divulgada, em 2013, pelo Núcleo de Estudos e Opinião Pública (NEOP) da Fundação Perseu Abramo alterou-se profundamente. Cerca de 70% da população tem a internet como fonte primária de informação. Isso significa que o caminho para chegar à informação se modificou. Hoje, ferramentas como o Google e redes sociais como o Facebook oferecem os materiais produzidos pela grande mídia, mas também oferecem espaço para outros atores. É possível que um jornalista ou um blogueiro consiga oferecer seus textos e levar sua visão de mundo para milhares de pessoas sem necessariamente estar vinculado a um grande veículo. Certamente, esse caminho é mais difícil, porém, ele não é mais impossível como era no passado.

Essa nova brecha abriu espaço para vários coletivos voltados a produzir informação sobre determinados assuntos. Dessa forma, os mais variados temas ganharam as telas dos smartphones, dos tablets e dos computadores. Há hoje coletivos voltados para a produção de informações sobre assuntos que vão desde a defesa dos direitos humanos à promoção da alimentação vegetariana. Tais comunidades virtuais abriram através desses aparelhos um novo campo para a comunicação e acabaram ajudando a promover renovações das condições da vida pública.

Nos últimos anos, as redes sociais foram utilizadas por revolucionários, como ocorreu durante a Primavera Árabe, mas também por movimentos conservadores em vários países do mundo. Essas redes, que segundo as definições mais aceitas, são plataformas onde os usuários são capazes de gerar e compartilhar conteúdo, também estão servindo de palco para a criação de novas marcas e novos produtos.

No Brasil, as redes sociais têm sido muito importantes não só para ampliar um debate político que já existia. A participação de pessoas nessas redes serviu para chamar a atenção para problemas como o machismo e o racismo. Um exemplo do primeiro caso ocorreu quando mulheres brasileiras utilizaram as hashtags #meuamigosecreto e #meuprimeiroassédio para narrar atitudes sexistas e preconceituosas de pessoas próximas. No final, esses eventos acabaram representando vitórias importantes para o movimento feminista, o qual, anteriormente, existia mas não possuía tanto espaço de mídia. Já nos casos de racismo, se tornaram muito conhecidos ataques a atores, atrizes e jornalistas negros no Brasil. Tais ataques racistas foram duramente condenados pela sociedade civil e, alguns deles, se tornaram inclusive alvo da ação da Justiça. Portanto, a rede social serviu como plataforma para que as pessoas atacadas pudessem não apenas se defender de tais crimes, mas também se tornou um espaço no qual outras pessoas também que sofreram com o preconceito pudessem expor suas ideias e criticar os criminosos que praticaram os atos de racismo. De certa forma, as redes ajudaram a ampliar o poder de resposta de todos os movimentos de afirmação racial que antes teriam mais dificuldade para atingir tantas pessoas de forma tão rápida e constante.

Segundo a filósofa Márcia Tiburi, as rede sociais “propiciam ferramentas práticas para um feminismo possível nesse momento. Um feminismo que ainda enfrenta o medo da violência que nos faz não dizer o nome de nossos amigos secretos e que nos faz falar do assédio que nunca tivemos coragem de mostrar. A transição para sua própria realização é o objetivo final do feminismo que usa esses meios para ir mais longe”. O mesmo pensamento pode ser utilizado no combate ao racismo no Brasil. As redes assumiram a função de ferramenta que facilita a luta contra a violência sofrida pelos afrodescendentes.

Portanto, as redes sociais ajudaram a inserir discussões no cotidiano de muitas pessoas que anteriormente simplesmente as desconsideravam. Porém, não podemos esquecer que as próprias redes sociais se tornaram espaço para ofensas e ataques a pessoas que defendem bandeiras como o feminismo e os direitos humanos.

Hoje, temos plataformas como Facebook, Twitter, Google+, Blogger, Linkedin, Reddit, WhatsApp, Messenger, Instagram, Snapchat e Pinterest. Todas elas são redes sociais, onde milhões de pessoas produzem, compartilham e acessam diariamente milhões de informações. A quantidade de usuários ligados a essas plataformas é tão grande que as redes sociais se tornaram uma indústria com vida própria ao ponto de inúmeras empresas gastarem boa parte de seu tempo analisando os dados dessas plataformas. Hoje, muitas companhias baseiam suas decisões na maneira como as redes sociais se comportam e nos resultados na análises dos números que elas produzem.


Redes sociais na economia
Segundo o Fórum Econômico Mundial, as redes sociais mudaram o mundo dos negócios. Elas migraram para um patamar mais elevado. Anteriormente, eram vistas como algo bom para a companhia. Hoje, no entanto, são entendidas como um componente essencial para qualquer estratégia de mercado. Para Fórum Econômico Mundial, as redes sociais estão transformando inúmeros setores da economia, entre eles, os serviços bancários, de saúde e as maneiras dos governo funcionarem.

Já uma pesquisa feita pela consultoria PricewaterhouseCoopers, em 2015, apontou que as redes sociais influenciam a maneira como as pessoas consomem. De acordo com o levantamento, 77% dos cerca de mil entrevistados afirmaram que o relacionamento direto com varejo por meio das redes sociais impactou na decisão de compra, ou seja, quanto mais os varejistas postam informações nas redes sociais, maior é a chance de vender seus produtos.

Outro setor que mudou muito com as redes sociais é da busca de empregos. Manter um perfil atualizado e detalhado pode ajudar muito quem pretende mudar de trabalho. Sites como LinkedIn, por exemplo, oferecem serviços para pessoas que estão procurando uma recolocação.


História das redes sociais
A primeira rede social surgiu em 1969 com a criação da CompuServe. Depois, em 1971, foi criado o primeiro e-mail. Já no final da década de 1970, surgiu um sistema, o Bulletin Board System (BBS), criado para que as pessoas pudessem convidar amigos para eventos e realizar anúncios pessoais.

Em 1985, American Online (AOL) liberou programas com os quais os usuários podiam criar perfis virtuais e grupos de discussão. Esse tipo de ferramenta foi utilizada até 1994, quando surgiu o GoeCities, que permitia que qualquer pessoa que tivesse acesso a um computador conectado à internet poderia criar uma página. Em pouquíssimo tempo GeoCities atingiu mais de 30 milhões de usuários.

Depois veio a plataforma Classmates, onde era possível encontrar antigos amigos da época da faculdade ou do ensino médio. Em pouco tempo mais de 50 milhões de pessoas se conectaram ao Classmates. Em seguida surgiram os primeiro sites voltados para compartilhar fotografias.

Em 2003, surge o LinkedIn e o MySpace. Plataformas que já carregavam em si uma versão mais próxima do que seriam as próximas plataformas: Orkut, Flickr e Facebook. Durante alguns anos, Orkut foi a rede social mais utilizada do planeta. Porém, em 2011, ele perdeu o posto para o Facebook. Quatro anos depois, a plataforma criada por Mark Zuckerberg, atingiu a fantástica marca de 1 bilhão de usuários todos os dias. Isso significa que atualmente boa parte da população do planeta se conecta diariamente a essa plataforma.


Críticas
Há também muitos críticos às redes sociais. Entre os mais famosos estão Umberto Eco e Zygmunt Balman. O primeiro acredita que as redes sociais deram direito à palavra a uma "legião de imbecis". Segundo Eco, anteriormente essas pessoas falavam apenas "em um bar e depois de uma taça de vinho, sem prejudicar a coletividade". Agora, falam de tudo a todo momento.

Já o sociólogo polonês e criador do conceito de “modernidade líquida”, as redes sociais nos obrigam o sujeito a “se envolver em um diálogo”. Para Balman, “as redes são muito úteis, oferecem serviços muito prazerosos, mas são uma armadilha”.

Especialistas do programa de dependência de internet do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (IPq-HCUSP) afirmam que o uso excessivo de redes sociais pode tornar o indivíduo um viciado.


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