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Home office, o escritório em casa
 
 
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 O TRABALHO À DISTÂNCIA
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O home office permite que os empregados de uma empresa conciliem a vida profissional com a familiar

Um trabalhador atende as chamadas de seu chefe de seu domicílio. Este chefe responde um e-mail por meio do telefone celular enquanto espera que seus filhos saiam do colégio. A empresa de ambos, com sede na efervescente cidade londrina, tem empregados trabalhando em idílicas vilas rurais. São apenas três amostras de como hoje é possível trabalhar sem a necessidade de pisar no escritório.

A sociedade da informação e as novas tecnologias permitem que algumas profissões sejam exercidas de qualquer lugar onde haja cobertura telefônica e conexão à internet. Desde o surgimento da internet e da telefonia móvel, o home office se transformou em uma opção que ganha cada vez mais adeptos por causa das vantagens que gera para um empregado, que pode conciliar sua vida pessoal com o trabalho, e para a empresa, que corta gastos com o escritório.

Divulgada em 2017 pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) e pelo Eurofound, a pesquisa "Trabalhar a qualquer hora, em qualquer lugar: efeitos sobre o mundo do trabalho" foi efetuada em 15 países: Brasil, Alemanha, Bélgica, Espanha, Finlândia, França, Hungria, Itália, Holanda, Suécia, Reino Unido, Argentina, Estados Unidos, Índia e Japão.

O relatório conclui que o home office, embora seja um "fenômeno que está em alta" e já beneficia até um terço dos empregados em alguns dos países analisados, "não é ainda uma prática generalizada".

O percentual de empregados que exercem home office e trabalho à distância varia de 20% em média nos Estados Unidos, 19% na economia formal da Índia e 16% no Japão, para apenas 2% na Argentina.

No caso do Brasil, não há dados concretos, mas os serviços de telemídia dobraram na última década e alcançaram 1% do emprego formal antes da crise econômica.

Na União Europeia, uma média de 17% dos empregados efetuam home office, um método que os países escandinavos lideram e são seguidos, a certa distância, por Bélgica, França, Holanda e o Reino Unido. Por outro lado, quatro dos países europeus estudados estão abaixo da média: Alemanha, Hungria, Itália e Espanha.

A modalidade home office aumentou desde o princípio do século XXI, mas com diferenças consideráveis nos países. Nos Estados Unidos, 37% dos empregados indicaram em 2015 que trabalhavam a distância ou de casa, contra 30% de uma década atrás. Na Europa, a proporção de trabalhadores que utiliza este método passou de 7% em 2007 na França, para 12,4% em 2012, enquanto na Suécia este número subiu de 36% em 2003 para 51% em 2014.

No entanto, sua penetração é muito baixa em outros países e a expansão do home office foi inclusive interrompida em alguns estados nos últimos anos, como é o caso da Hungria.

Na maioria dos países, um percentual importante de empregados efetua ocasionalmente, e não de maneira regular, o home office, e esta prática é mais comum entre profissionais qualificados, frequentemente em posições de direção, e entre trabalhadores comerciais e autônomos.

Quanto ao gênero, os homens recorrem mais a este tipo de regras trabalhistas (54%) do que as mulheres (36%), mas estas o fazem de maneira mais regular de casa do que os primeiros.


COBRAR SEM IR AO TRABALHO
O home office é uma forma flexível de organização trabalhista que significa trabalhar à distância, ou seja, desempenhar as funções profissionais de um lugar fora do escritório. Surgiu em Los Angeles (Estados Unidos) nos anos 1970, quando a crise energética de 1973 e o alto preço dos carburantes fizeram do trabalho em casa uma solução para eliminar os deslocamentos diários dos empregados até o centro de trabalho. O físico Jack Nilles foi quem promoveu esta ideia após detalhar as vantagens do telecommuting e assegurar que com esse conceito de trabalho à distância seriam reduzidos os gastos imobiliários e energéticos e o tempo podia ser mais bem administrado. Levar trabalho para casa se tornou uma atividade muito comum – e muito discutida – entre os cargos de direção estadunidenses dos anos 1980, que foram apelidados de yuppies (young urban professionals). Naquela época, entretanto, os yuppies ainda não dispunham de ferramentas tecnológicas que colocariam esta atividade à altura da jornada de trabalho em um escritório.

O home office, do modo como é conhecido na atualidade, requer o uso das novas tecnologias de comunicação. Assim, troca o conceito de levar trabalho para casa pelo de trabalhar de casa, como fazem muitos trabalhadores por conta própria. Contudo, diferentemente dos autônomos ou freelance, os teletrabalhadores são assalariados, ou seja, são empregados por conta de uma empresa que lhes permite trabalhar de seu domicílio ou de qualquer outro lugar. Segundo menciona o Acordo do Marco Europeu sobre Teletrabalho, esta atividade é uma opção voluntária para o trabalhador e o empresário afetados, sendo que nenhum deles é obrigado a aceitá-la.

O teletrabalhador costuma ter uma estação remota de trabalho, que é uma área especial em sua casa, onde dispõe de computador, impressora e conexão à internet. Trabalha sozinho e, embora sua jornada de trabalho costume ser flexível, tem que aceitar alguns horários nos quais deve sempre estar disponível e, sobretudo, deve cumprir os prazos de entrega de cada projeto. Isto não o exime de se reunir com outros trabalhadores da empresa quando for necessário. Por meio das ferramentas como as mensagens instantâneas (WhatsApp, Google Talk, Skype, entre outras) e o e-mail, pode se comunicar a qualquer momento e em tempo real com seus chefes e colegas. Um computador ou tablet com conexão à internet e um telefone celular são as ferramentas básicas que permitem, hoje em dia, trabalhar de qualquer lugar.

O home office não significa trabalhar menos horas, mas gerenciar melhor cada minuto e fazê-lo mais produtivo. Por meio deste sistema de trabalho, o empregado ganha tempo para sua vida privada ao reduzir os deslocamentos, ao evitar as horas mortas no escritório e ao marcar o ritmo de sua própria jornada. O trabalho à distância permite pouco controle e exige um bom planejamento por parte da empresa, que deve fixar prazos e datas de entrega para que todos os trabalhadores atinjam um alto índice de sinergia.


LIBERDADE PROFISSIONAL
O home office tem vantagens profissionais tanto para o empregado quanto para a empresa, muito embora não seja o sistema adequado para todas as atividades profissionais. Em geral, adapta-se melhor às tarefas de escritório que às de campo, fabris ou industriais. O perfil ideal de um teletrabalhador é aquele cujas funções não estão atreladas ao atendimento do público pessoalmente nem o uso de maquinário que se localize exclusivamente no local de trabalho. As profissões liberais são, portanto, as que melhor se adaptam ao home office, enquanto que as industriais, que normalmente exigem que o trabalhador esteja na cadeia de montagem, são as menos aptas para este sistema de organização de trabalho.

As atividades mais adequadas para o trabalho em casa são aquelas relacionadas com o comércio eletrônico, a informação, os serviços de consulta on-line ou de atendimento telefônico, as funções administrativas, a vigilância eletrônica e a tradução, redação e correção de textos. O campo que teve maior crescimento dentro de home office nos últimos anos é o relacionado com a internet e com as novas tecnologias (programação, comércio e criação de conteúdos). No entanto, outros setores profissionais também se direcionaram para esta modalidade, buscando uma opção mista, que combina o trabalho de casa com o presencial. Assim, cada vez mais, há entidades bancárias que permitem que seus empregados atendam os clientes no escritório pela manhã. Durante as tardes, quando as filiais estão fechadas para o público, continuam trabalhando confortavelmente de casa. Inclusive no âmbito do ensino, nos últimos anos, a formação por meio da internet, com tutores e professores on-line, que ministram suas matérias em centros virtuais como a Universidade Aberta da Catalunha, na Espanha, popularizou-se muito. Hoje em dia são inúmeros os cursos no formato Educação a Distância (EAD).

Do mesmo modo, as profissões que requerem certa criatividade, como a publicidade e o desenho, costumam recorrer ao home office para que seus empregados quebrem a rotina e ampliem seu universo de influência. Os estudos demonstram que, fechados no escritório oito horas por dia (às vezes, até mais), a criatividade se reduz cerca de 80%. Ao dispor de mais tempo livre e circular em outros meios alheios a sua profissão, os publicitários podem compreender outras realidades e criar campanhas que se adaptem melhor às novas tendências que surgem nas ruas, assim como têm novas ideias para promover produtos e captar novos públicos. Para ter uma perspectiva correta do mundo é necessário se distanciar e ver as coisas de diferentes ângulos, não apenas daquele oferecido pelo escritório e pelos companheiros de trabalho. A inspiração poucas vezes surge entre quatro paredes, cercada por telefones que não param de tocar e quebram a concentração do trabalhador.


DESENVOLVIMENTO PESSOAL
Exceto no caso do atendimento telefônico ou on-line, nos quais o home office mantém um horário fixo, a flexibilidade costuma ser um traço característico dos empregos à distância. Algumas empresas que baseiam sua atividade no lazer e no entretenimento advogam a favor da permissão de uma maior liberdade de horário para seus funcionários exatamente porque a disponibilidade de tempo os beneficia: sabem que a falta de tempo livre repercute negativamente no consumo de cinema, livros, teatro, videogames, etc. A jornada de trabalho nas empresas que recorrem ao home office não é medida em horas, mas em prazos, quotas, objetivos cumpridos. Com este sistema, que prioriza os resultados sobre as horas investidas para alcançá-los, o trabalhador obtém um rendimento maior. Frente ao pensamento tradicional herdado dos tempos do trabalho em série que considerava que quanto maior o número de horas de trabalho, maior a produção, os psicólogos concordam, na atualidade, ao afirmar que as atividades de escritório e uma longa jornada são traduzidas em uma menor produtividade. O cansaço, somado ao ritmo de trabalho lento imposto pelo horário fixo, repercute no rendimento do funcionário e na quantidade dos relatórios. Entretanto, o home office elimina as horas mortas que existem em jornadas fixas e permite que o ritmo de trabalho seja adaptado à situação de cada dia. A liberdade do empregado para distribuir o tempo como desejar e realizar pausas quando precise delas melhoram sua motivação e seu rendimento.

O trabalho de casa permite, além de tudo, a conciliação da vida laboral com a pessoal, fato que também se reflete de forma positiva na produtividade, reduzindo o estresse do funcionário. Ao reduzir os deslocamentos até o escritório, o trabalhador ganha tempo livre (por volta de uma hora e meia por dia, no caso das grandes cidades) para dedicar a sua família. As grandes capitais estão saturadas e há pessoas que preferem viver no campo ou em povoados menores, porém não estão dispostas a renunciar à sua profissão. De acordo com o que explicam os analistas e os psicólogos, é frequente que, uma vez que tenham atingido certas metas na carreira profissional, os empregados comecem a cobrar de seus chefes mais tempo para atender suas famílias. Procuram, assim, melhorar sua qualidade de vida, ainda que isso acarrete seu afastamento do núcleo urbano no qual se encontra seu escritório. As novas tecnologias permitem que a empresa continue contando com os melhores profissionais embora estes não estejam na mesma cidade. O home office facilita que estes empregados exerçam seu trabalho com eficácia e sem a necessidade de renunciar suas expectativas pessoais nem uma melhor qualidade de vida para suas famílias. Não se trata de viver para trabalhar, mas de trabalhar e viver em perfeita sintonia, algo que atualmente é possível graças às novas tecnologias.


VANTAGENS DO TELETRABALHADOR
O home office requer um alto nível de autogestão por parte do funcionário. Não somente é necessário que ele domine as ferramentas de comunicação, como também é imprescindível que seja capaz de organizar seu tempo de maneira disciplinada. O mais habitual é que trabalhe sozinho, o que exige que possua uma inteligência emocional muito forte, uma vez que não contará com as implicações pessoais que acontecem em um escritório. A produtividade do trabalho em casa costuma ser mais alta que a obtida em um escritório, pois a solidão resulta em uma maior concentração, sem que toquem os telefones de seus colegas de trabalho e sem que sejam impostas reuniões inesperadas que interrompam o planejamento diário. A comunicação com os demais trabalhadores se limita, desse modo, aos aspectos profissionais, sem cafés, almoços em grupo nem conversas nos corredores que distraem da atividade puramente produtiva. A solidão do teletrabalhador é o principal inconveniente desta forma de trabalho, pois tende a provocar um desconhecimento de alguns aspectos da empresa que podem ser importantes na hora de compreender seu funcionamento. Segundo os sindicatos, a falta de relação entre os trabalhadores pode dificultar a associação destes na defesa de seus direitos diante da empresa ou que sejam criadas diferenças no tratamento em virtude do desconhecimento da situação dos outros trabalhadores. Cada empregado à distância deverá renegociar sua situação de trabalho com a empresa por si mesmo e não de forma coletiva, o que poderia ser solucionado por meio dos sindicatos ou associações de trabalho on-line que funcionem de forma similar a uma rede social. Do mesmo modo, a flexibilização horária também pode afetar negativamente o teletrabalhador, pois pode fazer com que haja dias em que trabalhe mais horas do que as combinadas ou que sejam cometidos excessos no volume de trabalho encomendado. Todos estes inconvenientes ficaram regulados pelo Acordo Marco Europeu sobre o Teletrabalho, assinado em Bruxelas (Bélgica) em 2002.

Os princípios do trabalho à distância trazem também o componente econômico para o funcionário, pois evita os gastos com transporte. Mas se a empresa não compensá-lo economicamente, ele pode ver os aumentos em suas contas de eletricidade e de telefone. Além da economia energética (luz, calefação, ar condicionado...) e dos benefícios para o meio ambiente resultantes de evitar que milhares de pessoas se desloquem diariamente para chegar a seu local de trabalho, esta modalidade de emprego também permite a integração de pessoas com deficiência que podem desempenhar sua função de sua casa, adaptada às suas necessidades.

home office


TRABALHAR MENOS É MAIS PRODUTIVO
Não apenas o empregado se beneficia com este método de trabalho à distância. A empresa também tira vantagens do home office, pois economiza cerca de 80% com os custos imobiliários e energéticos. Ao dispor de menos infraestrutura física, a própria empresa pode se diversificar e se expandir melhor geograficamente. Além disso, o home office evita os conflitos pessoais entre os trabalhadores, melhora os prazos de entrega e a conquista de objetivos e elimina as ausências trabalhistas e o número de baixas. Apesar destas vantagens para ambas as partes, o principal obstáculo para a adoção do home office é uma cultura laboral baseada no número de horas que se passa no escritório, mas não na produtividade real. Estar mais horas na empresa não significa ser mais produtivo, conforme afirmam os relatórios do Euroíndice IESE-ADECCO (EIL) que comparam a situação do mercado de trabalho nos países europeus. Segundo este estudo da União Europeia, Holanda, Alemanha e Bélgica, ou seja, os países que têm as jornadas de trabalho mais curtas (38 horas semanais em média), são os mais produtivos do continente. No entanto, Espanha e Itália, que utilizam jornadas de 40 horas semanais são os que menos produzem. O estudo assegura que, embora tradicionalmente se associe uma jornada de trabalho mais extensa a uma maior produtividade, existe uma relação inversa entre ambos os conceitos: “Ao trabalhar mais horas, a tendência é diminuir o aproveitamento que se faz de cada uma delas”, concluem os especialistas que elaboraram o estudo. O mesmo relatório afirma também que a falta de tempo livre e os salários baixos (na Itália e na Espanha os salários quase não aumentaram em uma década) são as principais causas da desmotivação dos trabalhadores, o que se reflete no rendimento do trabalho.

O home office obriga o empresário a abandonar sua tradicional atitude paternalista para confiar plenamente nas capacidades do empregado, algo que nem sempre é fácil, sobretudo nas companhias mais hierarquizadas. A maioria dos empresários considera que o fato de não ter fisicamente o trabalhador diante de sua sala pode reduzir sua autoridade. Contudo, os especialistas garantem que esta distância proporciona maiores vantagens, pois a empresa tem que se preocupar somente com a produtividade, livrando-se de controlar os horários de seus funcionários. Da mesma maneira, um diretor que não tem que se preocupar com o número de horas trabalhadas por seus empregados é também um trabalhador mais produtivo.

Neste sentido, o empresário deve aprender a valorizar seu empregado de acordo com o cumprimento de objetivos e não com as horas de trabalho. Isto significa a construção de uma cultura empresarial baseada na confiança entre empregados e dirigentes, um sistema de avaliação que leve em consideração os resultados e que não esteja centrado nas horas de presença no escritório.

Até alguns anos atrás, este método de trabalho era considerado prejudicial à imagem corporativa das empresas tradicionais. Entretanto, hoje, o home office promove uma imagem de empresa jovem, dinâmica, moderna e atualizada, que vive em dia com os últimos avanços tecnológicos e que trata com cuidado seus trabalhadores, aos quais permite conciliar sua vida privada com a familiar. Além disso, dota as companhias de uma imagem ecológica, comprometida com o desenvolvimento sustentável e com o equilíbrio do meio ambiente.


A INFORMÁTICA É A BASE
O principal obstáculo para a aplicação do home office é o fato de exigir tanto do empregado quanto do empresário que possuam conhecimentos de informática bastante amplos e que sejam capazes de solucionar pequenos problemas técnicos sem o apoio de outros trabalhadores. Isto fez com que as empresas tecnológicas como a IBM tenham se transformado nas pioneiras deste sistema de trabalho e inclusive se atrevessem a contratar programadores em lugares muito afastados de suas sedes: grande parte da folha de funcionários da IBM nos Estados Unidos é formada por técnicos informáticos da Índia, das Filipinas e de outros países asiáticos. Em 1995, a IBM iniciou o Plan Mobility, por meio do qual permitiu que mais de 4.300 empregados trabalhassem em casa com um computador cedido pela companhia. A empresa afirma que assim "melhora a produtividade até cerca de 15% e aumenta a satisfação dos funcionários, que podem administrar seu tempo com mais eficácia e equilibrar sua vida profissional e pessoal". Na América Latina, a IBM se consolidou como a companhia pioneira no fomento do home office, seguida de outras multinacionais como a petroquímica Dow, os laboratórios farmacêuticos Roche ou a empresa tecnológica Siemens.

No entanto, na maioria das empresas a desconfiança dos diretores e a brecha tecnológica são os grandes obstáculos para expansão do home office. De acordo com um estudo do portal de empregos Monster, 61% das empresas não têm nenhum interesse na introdução desta fórmula em virtude do desconhecimento das amplas possibilidades oferecidas pelas novas tecnologias.

Por causa desta realidade, as empresas de novas tecnologias estão à frente no home office e viram como sua produtividade é duplicada só por permitir que seus trabalhadores realizem toda ou parte de sua jornada de trabalho de casa. Segundo o Instituto Great Place to Work, as companhias de informática e internet que utilizam as tecnologias da informação e da comunicação (TIC), como a Microsoft, a Google e a Softonic, aparecem nos primeiros lugares da lista de empresas que proporcionam maior índice de satisfação aos seus funcionários. E, além disso, são as que mais crescem e mais faturam.


A OPÇÃO INTERMEDIÁRIA
Embora o home office em jornada integral não desperte muito a simpatia das empresas, há fórmulas intermediárias que estão tendo mais aceitação. A partir de 1998, a ampla difusão da internet e da telefonia móvel colocou na moda o home office em tempo parcial entre os executivos de cidades como Londres, Paris e Nova Iorque. Esta modalidade permitia que os trabalhadores realizassem seu trabalho um ou dois dias por semana de seus domicílios ou inclusive de uma segunda residência. Assim podiam conciliar sua vida familiar enquanto se comunicavam com outros empregados por videoconferência, celular ou e-mail. De forma similar, algumas empresas atuais permitem que seus trabalhadores realizem parte de sua jornada de trabalho diária de casa, porém fixam a presença obrigatória em reuniões quando é necessário. Esta fórmula soluciona alguns problemas de conciliação da vida profissional com a familiar e, em alguns casos, inclusive reduz o tempo de baixa de alguns empregados. Assim, por exemplo, com o home office, alguns pais que acabaram de ter um filho podem se reincorporar antes aos seus postos, pois o exercício de suas funções de seu domicílio não lhes impedirá de atender a seu recém-nascido. Do mesmo modo, uma mãe não terá por que renunciar ao período de lactância por ter que se reincorporar ao seu cargo. Basta que possua uma conexão à internet com a qual possa consultar seu e-mail e ativar o desvio de chamadas do telefone do escritório para o celular para cumprir suas obrigações profissionais e familiares. Dessa maneira, os empregados não renunciam às suas vidas pessoais e a empresa tem redução do tempo de baixa em função da maternidade e economiza a contratação de pessoal para cobrir esta baixa.

A União Europeia propôs o home office como uma ferramenta eficaz para reduzir o número de licenças de trabalho que viram aumentar por causa da adoção de políticas sociais que defendem a conciliação familiar. Entre 2005 e 2006, o Ministério das Administrações Públicas do Governo da Espanha colocou em prática a experiência piloto de home office com 30 funcionários públicos que aceitaram trabalhar de suas casas voluntariamente. Os resultados demonstraram que a produtividade destes funcionários à distância se manteve ou até mesmo aumentou. Além disso, os teletrabalhadores que participaram do projeto expressaram um alto índice de satisfação, pois muitos puderam conciliar sua vida profissional com a pessoal e atender melhor suas responsabilidades familiares e, ao mesmo tempo, aumentar seu tempo pessoal, de lazer e de formação. A experiência criou ânimo para desenvolver um plano, por meio do qual se incentiva a administração pública a criar postos de home office.