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Dia Mundial do Livro, tinta, papel e fama
 
 
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 DIA MUNDIAL DO LIVRO
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A conferência geral da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) aprovou por unanimidade o dia 23 de abril como Dia Mundial do Livro e do Direito de Autor. Tal decisão ocorreu durante a 28ª reunião anual do organismo internacional celebrada em Paris, em 1995, sob a presidência do espanhol Federico Mayor Zaragoza. Os objetivos básicos relacionados a importância da data são o reconhecimento do livro como máximo responsável pela difusão da cultura e, além do conhecimento, promoção da indústria do setor e o respeito aos direitos do autor.

Nesse sentido, a celebração do Dia do Livro pretende fomentar a leitura e estender o hábito aos rincões do planeta. Não se pode esquecer que muitos dos males que assolam a humanidade têm relação direta com a falta de cultura e informação. Para promover o livro e a leitura, é indispensável valorizar a indústria da edição e os profissionais que se dedicam à produção e venda de livros. Da mesma forma, também é importante promover o respeito aos direitos do autor, já que sem ele não haveria uma obra. Por outro lado, a Unesco quer ressaltar o papel que desempenha o livro como portador das ideias básicas para estabelecer uma cultura de paz, tolerância e diálogo em escala universal.



23 DE ABRIL
A data de 23 de abril não foi escolhida por acaso. Nela há uma série de curiosas coincidências. A mais importante delas: o fato de dois dos escritores mais importantes da história da literatura, o espanhol Miguel de Cervantes (1547-1616) e o inglês William Shakespeare (1564-1616) terem morrido nesse mesmo dia em 1616, ainda que a data de falecimento deste último corresponda na realidade à do calendário juliano. Para aumentar ainda mais a coincidência histórica, em 23 de abril de 1616 também morreu o escritor Garcilaso da Vega, o Inca (c. 1539-1616), filho do militar espanhol destacado em Cuzco, no Peru, Sebastián Garcilaso da Veja (m. em 1559) e da princesa índia Chimpu Ocllo. Outra curiosidade: 23 de abril é a data de nascimento de muitos escritores, entre eles, Halldor Kiljan (1902-1998), prêmio Nobel de Literatura em 1955; Vladimir Nabokov (1899-1977); Manuel Mejía Vallejo (1923-1998); Maurice Druon (n. em 1918) — o qual é bisneto do poeta maranhense Manuel Odorico Mendes (17990-1864) —; e Josep Pla (1897-1981).

ESPANHA
A Espanha foi a principal articuladora da celebração do dia do Livro. A aprovação da Unesco veio precedida por uma proposta apresentada pelo governo espanhol e respaldada pela União Internacional de Editores, à qual se encontra vinculada a Federação de Grêmios de Editores da Espanha.

Segundo a Unesco, o êxito de uma iniciativa desse tipo depende do apoio que ela recebe dos meios interessados (autores, editores, livreiros, educadores e bibliotecários, entidades públicas e privadas, ONGs e meios de comunicação), mobilizados em cada país por meio das Comissões Nacionais para a UNESCO, as associações, os centros e clubes Unesco, as redes de escolas e bibliotecas e todos aqueles que queiram participar dessa festa de âmbito internacional.


A CAPITAL MUNDIAL DO LIVRO
Paralelamente à festividade mundial do livro, em 2001, a União Internacional de Editores estabeleceu — a pedido da Unesco — a Capital Mundial do Livro, a qual, em sua primeira edição, correspondeu à capital da Espanha, Madri. Essa iniciativa tem como objetivo fomentar a leitura e aproximar a sociedade da realidade da indústria do livro. Em edições posteriores, já foram capitais mundiais do livro Alexandria (Egito, 2002), Nova Déli (Índia, 2003), Amberes (Bélgica, 2004), Montreal (Canadá, 2005) e Turim (Itália, 2006). Em 2007, pela primeira vez uma cidade da América Latina foi a escolhida: Bogotá, na Colômbia.

Como ato prévio à celebração, no início da XIX Feira Internacional do Livro de Bogotá, ocorrida entre 22 de abril e 7 de maio de 2006, foram feitas várias homenagens às Capitais Mundiais do Livro. Os tributos consistiam em uma mostra da produção editorial e várias conferências acerca do fomento da leitura, da literatura e da arte de cada uma dessas cidades. Para isso foram convidados escritores, editores, designers e demais profissionais do livro procedentes de tais cidades.

De 2007 para cá, muitas outras cidades sediaram a celebração, dentre elas: Amsterdã (2008), Beirute (2009), Liubliana (2010), Buenos Aires (2011), Erevan (2012), Bancoque (2013), Port Harcourt (2014), Incheon (2015), Breslávia (2016), Conqui (2017) e Atenas (2018). Em 2019, a capital mundial do livro será Sharjah, nos Emirados Árabes. E já tem até cidade definida para 2020: Kuala Lumpur, na Malásia.


ANTECEDENTES DO DIA DO LIVRO
O artífice da celebração do Dia Mundial do Livro foi o editor e jornalista valenciano Vicente Clavel Andrés, então vice-presidente da Câmara do Livro de Barcelona. Clavel foi um apaixonado por livros, literatura e, principalmente, pela vida e obra de Cervantes. Tanto que o autor mais importante das letras espanholas serviu para dar o nome à editora que ele fundaria, em 1916, em Valencia e que posteriormente se trasladaria para Barcelona. Clavel acreditava que não podia haver data melhor para a celebração do dia do livro que a do nascimento de Miguel de Cervantes, que, para a maioria dos estudiosos, é 7 de outubro.

Depois de muito trabalho de Clavel, o escritor e então ministro do Trabalho, Comércio e Indústria da Espanha, Eduardo Aunós (1894-1967), acolheu a proposta de Vicente e se encarregou de que a mesma acabasse se materializando. Efetivamente, um Real Decreto de 6 de fevereiro de 1926, assinado por Alfonso XIII (1886-1941) declarava 7 de outubro o Dia do Livro Espanhol. O êxito da data foi tal que a festa das letras se estendeu a outros países de língua espanhola como Argentina, Panamá, Peru e El Salvador.

Posteriormente, em outro Real Decreto promulgado também por Alfonso XIII, se alterava a data de outubro para abril, concretamente o dia 23. Nesse caso se tomava o dia da morte de Cervantes, ocorrida em 23 de abril de 1616.


A FESTA DE SÃO JORGE
O 23 de abril também é conhecido como dia da festa de São Jorge, patrono de Catalunha, na Espanha. Por esse motivo, a celebração do dia do livro foi acolhida ali com especial entusiasmo. Ao tradicional mercado de rosas que era montado naquele dia pelos cidadãos de Barcelona, somou-se um mercado de livros e pouco a pouco a tradição de que, no dia de São Jorge — dia dos namorados na Catalunha —, o rapaz presenteasse sua namorada com uma rosa, ao que ela retribuiria um livro. Essa tradição se mantém até hoje, porém, atualmente, homens e mulheres se presenteiam, indistintamente, tanto com livros quanto com rosas. O dia 23 de abril é uma verdadeira festa do livro, e para estimular sua difusão e venda é habitual que se aplique, em muitas cidades do mundo, ao menos um desconto de 10% nessa data.

O Dia do Livro no Brasil
No Brasil, o mês de abril tem duas datas comemorativas. Em 18 de abril, comemora-se o Dia Nacional do Livro Infantil, data em que é prestada uma homenagem ao autor e editor Monteiro Lobato (1882-1948); em 23 de abril, comemora-se o Dia Mundial do Livro e do Direito do Autor. Há ainda, no Brasil, o Dia Nacional dos Livreiros, comemorado todo 14 de março, data na qual também se presta homenagem ao poeta Castro Alves (1847-1871) e em que também se comemora o Dia Nacional da Poesia e o Dia do Vendedor de Livros.

Em 7 de janeiro, comemora-se, no Brasil, o Dia do Leitor; em 25 de julho, o Dia Nacional do Escritor; e, em 29 de outubro, o Dia Nacional do Livro.

Segundo a Unesco do Brasil, a celebração do “Dia Mundial do Livro e do Direito de Autor representa uma excelente oportunidade para refletir sobre a contribuição dos livros ao patrimônio cultural, com vistas a desenvolver novas iniciativas baseadas na fecunda interação entre as páginas, impressas em papel ou em novos meios, e a riqueza cultural, tangível e intangível, da humanidade. Proteger e enriquecer o patrimônio cultural da humanidade é manter uma sinergia da qual o livro é, essencialmente, um dos melhores artífices”.


HISTÓRIA DO LIVRO
O livro é um veículo de transmissão do saber e do conhecimento humanos, e ao largo da história foi o máximo responsável pela difusão da cultura, das ideias, da educação e da informação. O suporte físico do livro foi evoluindo com o passar do tempo: desde as tablitas de argila da Antiguidade até os e-books (livros eletrônicos) que podem ser comprados diretamente pela internet.

Seu nascimento se produziu de forma quase simultânea ao nascimento da escrita, em razão da necessidade de que certas mensagens se mantivessem inalteradas para a posteridade. Assim, os primeiros testemunhos escritos são de tipo jurídico ou legal, já que se tratava de códigos que deveriam se tornar fixos e serem mantidos.

O primeiro suporte para a escrita que se conhece foi o das tablitas de argila, às quais foram sucedidas por novos materiais, mais práticos e duradouros. No Antigo Egito se desenvolvia o papiro, o que procedia de uma planta de mesmo nome que abundava às margens do rio Nilo. O papiro podia ser enrolado, e seu uso se manteve durante três mil anos. Foi utilizado e aperfeiçoado pelas culturas grega e romana.

Outras culturas preferiram o couro ao papiro. Isso ocorreu no Oriente Médio, onde persas e hebreus plasmavam todo seu saber em pergaminhos procedentes do manipulado e curtido de certas peles de animais. Os pergaminhos também se apresentavam em forma de rolo — igual aos papiros —, mas pouco a pouco foi-se desenvolvendo um novo formato: o códice. Tratava-se de uma espécie de caderno de formato retangular com folhas dispostas umas sobre as outras. O protolivro fazia, assim, sua primeira aparição. A etimologia da palavra “livro” procede, precisamente, das folhas de madeira cobertas de cera que formavam muitos códices e sobre as quais se escrevia com algum objeto pungente. Essas folhas de madeira procediam normalmente do liber, palavra latina que designa a entrecasca das árvores.

No Oriente, a cultura chinesa levava séculos (desde o VII a.C.) escrevendo sobre tablitas de madeira e de seda, e foi assim até princípios do século II d.C. quando se deu a invenção do papel, um suporte de edição que se mantém até os dias atuais, agora com muito mais tecnologia envolvida. A difusão do novo suporte se estendeu pelos países árabes e chegou à Europa com a dominação árabe do século IX.


SURGIMENTO DA IMPRENSA
Outro grande invento que revolucionou o mundo do livro foi a imprensa. Ela permitiu baratear os custos de produção e permitir a aquisição de exemplares, e, portanto, o acesso à cultura a um número maior de pessoas. A imprensa supôs um avanço cultural e social de primeira magnitude. O invento é atribuído ao alemão Johannes Gutenberg (c. 1390-1468), que em 1456 publicou sua famosa Bíblia utilizando tipos móveis. Esse procedimento de impressão já era conhecido na China, porém, deve-se a Gutenberg o aperfeiçoamento do invento e sua posterior exploração comercial e empresarial.

Desde os tempos de Gutenberg até hoje as técnicas de impressão evoluíram drasticamente, mas os fundamentos básicos do invento seguem os mesmos.

Depois, o surgimento do processo litográfico para reprodução de ilustrações, descoberto no século XVIII, e as técnicas mecanizadas de impressão, aperfeiçoadas no século seguinte, proporcionaram os meios necessários para atender à crescente demanda de livros nas sociedades industriais. Os livros passaram a ser um produto de consumo em massa. No século XX, graças ao progresso tecnológico que, dia a dia, cria métodos de reprodução cada vez mais rápidos e possibilita grandes tiragens, o livro se tornou um instrumento de difusão cultural acessível à maioria dos povos. Seu papel prioritário, nesse aspecto, se mantinha no fim do século, a despeito do grande progresso de outros meios de comunicação.


O livro no Brasil
Os prelos estiveram proibidos no Brasil até 1808, quando D. João VI (1767-1826) criou a Imprensa Régia, a qual produziu um acelerado movimento editorial, com tipografias surgindo por toda parte. Contudo, o grande surto editorial no Brasil se deu somente na década de 1930, momento de grande transformação nacional, quando Monteiro Lobato fundou a Companhia Editora Nacional. Outros momentos importantes da atividade foram a criação, no Rio de Janeiro, da Francisco Alves e Cia. e a Livraria José Olympio Editora, que lançou grandes nomes da literatura brasileira de 1930 a 1940, entre eles Graciliano Ramos (1892-1953), José Lins do Rego (1901-1957), Rachel de Queiróz (1910-2003) e outros.

Após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), o movimento editorial brasileiro continuou a crescer, com o avanço da tecnologia, e o mercado nacional assimilou um produto de influência americana: o best-seller (livro de elevada vendagem). Com ele, o êxito dos empreendimentos literários passou a ser medido pelo custo dos direitos autorais e pelo número de edições vendidas.

Com o crescimento dos setores mais dinâmicos da economia brasileira, cresceu também a indústria editorial. Houve iniciativas governamentais, como os convênios com editoras privadas, em 1970, pelos quais o Instituto Nacional do Livro passou a adquirir 20% das tiragens (especialmente de livros didáticos) para distribuição em escolas. A Fundação Nacional do Material Escolar (Fename) lançou livros didáticos a preços subsidiados. Na década de 1980, a atividade editorial se diversificou, com o lançamento de autores brasileiros e de traduções de todos os gêneros e países. Mesmo assim, em meados dessa década, havia no Brasil apenas 150 editoras de peso. A média de títulos editados era de sete mil e as tiragens não chegavam a cinco mil exemplares.


O LIVRO: FRASES DE AUTORES FAMOSOS
“A verdadeira universidade de hoje em dia é uma coleção de livros.” (Thomas Carlyle, Reino Unido, 1795-1881)

“Um livro, como uma viagem, começa com inquietude e termina com melancolia.” (José Vasconcelos, México, 1882-1959)

“Os livros têm os mesmos inimigos que o homem: o fogo, a umidade, os animais, o tempo e seu próprio conteúdo.” (Paul Valéry, França, 1871-1945)

“As recordações que um livro deixa são muita vez mais importantes que o livro em si.” (Adolfo Bioy Casares, Argentina, 1914-1999)

“Ali onde se queimam livros, queima-se também os homens.” (Heinrich Heine, Alemanha, 1797-1856)

“Eu sigo julgando não ser cego, pois sigo comprando livros, sigo enchendo minha casa de livros.” (Jorge Luis Borges, Argentina, 1914-1986)

“Os que escrevem com claridade têm leitores; os que escrevem obscuramente têm comentaristas.” (Albert Camus, França, 1913-1960)


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