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Fast-food, contra a dieta equilibrada
 
 
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 COMER SEM SE ALIMENTAR
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O mundo atual tem algumas características singulares que influenciam o modo de vida da sociedade. Por exemplo, na atualidade é habitual que marido e mulher trabalhem fora de casa. Esse fato se explica pela incorporação crescente da mulher no mercado de trabalho, e por uma grande desproporção entre salários e preços, que obrigam os cônjuges a terem um emprego remunerado. Dessa maneira, os que são pais têm de deixar os filhos em creches ou em escolas de período integral, contratar uma pessoa para cuidar das crianças – quando isso não é feito pelos avós – ou buscar atividades extraescolares que mantenham as crianças ocupadas durante sua ausência.

A vida na sociedade de hoje em dia precisa de uma meticulosa administração do tempo. Isso leva muitas vezes a se optar por minimizar aquelas atividades necessárias que interrompem o dia a dia. Uma dessas obrigações é a compra do mês. Outra mais importante é a alimentação diária. Foi nesse contexto de falta de tempo que se popularizou o fast food ou “comida rápida”, que alude a uma forma de comer que permite ganhar tempo e dinheiro. Mas também pode, na maioria dos casos, destruir nossa saúde. Por isso é possível tomar como sinônimo a expressão “comida lixo”, do termo inglês junk food.



UM POUCO DE HISTÓRIA
Antes de analisar o fenômeno da fast food vale a pena contar um pouco de história. A indústria alimentícia dedicada a esse tipo de comida surgiu nos Estados Unidos com a popularização dos hambúrgueres, filetes de carne picada que vinham da Europa. Até o século XVIII, os chefs da cidade alemã de Hamburgo utilizavam uma receita que 500 anos antes havia se popularizado no continente dos bárbaros nômades conhecidos como tártaros. Era conhecido então como o filete tártaro, um punhado de carne moída e crua temperada com sal, pimenta e cebola. Os cozinheiros hamburgueses o serviam ligeiramente cozido.

Hamburgo era, no século XVIII, o porto mais importante da Europa e, portanto, o principal ponto de onde partiam os barcos para a América. Por isso, a citada especialidade culinária acabou ganhando espaço também nos Estados Unidos. Ali, o prato foi batizado como carne ao estilo Hamburgo e começou a popularizar-se em função da proliferação de postos de comida frequentados por imigrantes alemães e da progressiva adoção da receita pelos restaurantes estadunidenses. Paralelamente, outro processo seguia seu curso. A Revolução Industrial estava mudando os hábitos alimentícios da sociedade. Em meados do século XIX, a ingente classe trabalhadora era caracterizada por sua pobreza e o pouco tempo que dispunha para comer. Por isso se multiplicaram os carros ambulantes que ofereciam hambúrgueres próximos às fábricas.

Entretanto, o prato procedente de Europa foi adotando novas formas. Se no velho continente a carne era servida sem acompanhamentos, nos Estados Unidos ela passou a ser oferecida no meio de um pão. Apesar de existirem diferentes teorias, as mais generalizadas afirmam que o inventor do novo conceito foi um rapaz do estado de Wisconsin chamado Charlie Nagreen. Esse jovem, quando contava 15 anos, tinha um posto de comida na Feira Estatal. Seus clientes queriam poder comer enquanto visitavam a mostra. Por isso ele idealizou um sanduíche que acabaria chamando-se hambúrguer. Essa foi a primeira pedra do negócio de fast food nos Estados Unidos. Anos depois, em 1916, foi inaugurado o primeiro estabelecimento desse setor: o White Castle.

Depois, a marca McDonald’s chegou à essência do conceito, ao substituir pratos e talheres por papel e copos descartáveis. Era o que depois se denominou como self service ou autosserviço, no que se simplificava todo o ritual da comida: o cliente solicitava os alimentos, e o empregado do restaurante cobrava imediatamente e lhe dava sua comida pré-empacotada e sobre uma bandeja. Então, cada comensal se sentava à mesa que queria com sua bandeja e, após comer, recolhia os restos e os depositava ele mesmo nas lixeiras.

O modelo combinava também com o autosserviço para motoristas de carro, que podiam fazer, pagar e comer seus pedidos sem sair do veículo. Com isso as pessoas ganhavam tempo para fazer outras coisas. Esses dois sistemas perduram até hoje. Foi a partir deles que surgiram as cadeias, hoje globais, de restaurantes fast food.


ATUALIDADE
Hoje o hambúrguer segue sendo a rei do fast food, ainda que a esse tipo de alimentação tenha se somado alimentos como o frango, a pizza, os hot dogs, o kebab, os tacos e os salgadinhos (esfirra, quibe, coxinha, pastel e pão de queijo). Os estabelecimentos de fast food se popularizaram tanto durante o último século que agora os clientes podem escolher entre as diversas cadeias de alimentação fast food como McDonald’s, Burger King, Bob’s, Habib’s, Pizza Hut, Girafa’s, Casa do Pão de Queijo e tantas outras.

Como resultado, as cadeias de fast food, principalmente as estadunidenses, são grandes impérios com poucos benefícios para a população. O McDonald´s, a empresa líder do setor, aumenta seus lucros anualmente em bilhões. Apesar de os especialistas indicarem que o crescimento desse segmento vem diminuindo, as cifras ainda são consideráveis.

Contudo, esse tipo de alimentação também contribui para o aumento dos índices de obesidade, os quais registraram, nos últimos anos, crescimentos substanciais. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), um bilhão de adultos no mundo sofre de excesso de peso. Desses, quase 300 milhões são considerados obesos. No que diz respeito à obesidade infantil, a situação é ainda mais preocupante. A própria OMS estima que são mais de 20 milhões de crianças que sofrem desse problema. Segundo a Abeso (Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica), a obesidade infantil “está se apresentando como uma epidemia global. Nas últimas décadas duplicou a incidência da obesidade entre as crianças e adolescentes. Nos Estados Unidos aproximadamente 25% das crianças entre 6 e 17 anos são obesas ou apresentam risco de sobrepeso. A obesidade representa nos Estados Unidos a doença nutricional mais prevalente entre crianças e adolescentes. Nas nações em desenvolvimento, a obesidade coexiste com a desnutrição, provavelmente pela modificação dos hábitos e estilo de vida, que se tornaram mais ‘americanizados’. A obesidade infantil está associada a consequências negativas para a saúde da criança e do adolescente, incluindo dislipidemias, inflamações crônicas, aumento da tendência a coagulação sanguínea, disfunção endotelial, resistência à insulina, diabetes tipo 2, hipertensão, complicações ortopédicas, alguns tipos de cânceres, apneia do sono, estatohepatite não alcoólica. Um quadro psicológico conturbado, com diminuição da autoestima, depressão e distúrbio da autoimagem também está associado à obesidade infantil”.

No Brasil, a obesidade infantil aumentou cinco vezes nos últimos 20 anos, segundo a nutricionista Sylvia Elisabeth Sanner, de São Paulo. Para ela, os maiores estragos causados por esse quadro são o aumento de casos de diabetes e dos problemas cardiovasculares, além do aumento dos níveis de colesterol e triglicérides. Segundo o médico-nutricionista Fábio Ancona Lopez, “a obesidade infantil já atinge cerca de 10% das crianças brasileiras”.

A OMS aponta a obesidade como um dos maiores problemas de saúde pública no mundo. A projeção é que, em 2025, cerca de 2,3 bilhões de adultos estejam com sobrepeso; e mais de 700 milhões, obesos.

Em 2016, segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), já eram mais de 381 milhões de crianças e adolescentes (até 19 anos) acima do peso ou obesas no mundo. Dessas, 41 milhões tinham menos de 5 anos. No Brasil, a incidência de crianças com sobrepeso triplicou da década de 1970 até 2009, ano da aferição do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Ano que apresentou a taxa de 51,4% dos meninos, entre cinco a nove anos, acima do peso recomendável, sendo que 16,6% deles já estavam obesos. Na mesma faixa etária, o índice das meninas foi de 43,8% com sobrepeso, sendo que destas, 11,8% com obesidade. Dados que precisam ser considerados, visto que quadros como este favorecem o desenvolvimento de diabetes, hipertensão e alterações de colesterol.


PROPAGANDA INFANTIL
Discutida mundo a fora, a publicidade infantil é associada a estatísticas preocupantes, como a da obesidade. A ligação com a publicidade infantil surge devido aos alimentos industrializados apresentarem composições altamente calóricas e com baixo teor nutricional. Ao ler as tabelas das embalagens, é possível perceber a concentração de açúcar, sódio e gordura trans, os vilões que favorecem o ganho excessivo de peso.

Aqui no Brasil ainda se discute muito sobre a publicidade voltada ao público infantil. Mas, é importante saber que não são apenas os países europeus que já têm leis claras quanto à publicidade infantil. Países vizinhos como o Uruguai, o Peru, a Colômbia e a Argentina, e próximos como o Chile, já possuem leis específicas que garantem proteção aos menores de idade. No Uruguai, as propagandas têm de ser identificadas, a fim de não gerar confusão na interpretação dos pequenos. Infiltrar produtos entre as apresentações de programas também é vetado, além de que — entre as 6h e 22h — todo conteúdo audiovisual focado no público infantil deve ser educativo. Restrições mais duras podem ser encontradas no Canadá, cuja província Quebec proibiu qualquer iniciativa, em qualquer mídia, direcionada a menores de 13 anos.


FAST-FOOD E A SAÚDE
Numerosos estudos sobre nutrição já certificaram nos últimos anos que a fast food é ruim para a saúde. Para se ter uma ideia disso, somente um hambúrguer triplo – frequente nos menus de muitos restaurantes do setor, e muito solicitado – traz em si 50% das calorias recomendadas para todo o dia de uma pessoa adulta. Se a ele é somado um refrigerante e uma porção de batatas fritas grande, o cardápio já cobre os valores aconselháveis para toda uma jornada. A OMS estabelece que um homem adulto deve ter um aporte calórico diário entre 2.000 a 2.500 calorias, enquanto os valores de uma mulher devem estar entre 1.500 e 2.000 calorias.

Entretanto, o alto nível calórico não é o único fator que torna a fast food uma alimentação ruim. Outro elemento habitual em seus cardápios são as gorduras trans, algumas gorduras tratadas industrialmente para prolongar a vida útil dos produtos e aumentar o sabor dos alimentos.

Para comprovar os efeitos devastadores da fast food no organismo, basta assistir ao documentário Super Size Me (2004), do estadunidense Morgan Spurlock. Nele, o próprio Spurlock mostra como sua saúde vai se deteriorando após um mês de alimentação unicamente com produtos da cadeia de restaurantes McDonald’s. O cineasta chegou a engordar onze quilos, ultrapassou os níveis recomendáveis de colesterol e registrou problemas respiratórios. Seus médicos disseram que ele devia abandonar essa dieta, pois, do contrário, não responderiam pelo que poderia acontecer com ele.

Não obstante, enganam-se aqueles que pensam que o perigo simplesmente desaparece se não comermos mais em restaurantes fast food. A necessidade da rapidez também incrementou o consumo dos alimentos pré-cozidos ou enlatados, produtos que também reúnem características prejudiciais e que muita vez comemos em casa. Esses alimentos contêm elevada quantidade de sódio, porque se utiliza sal para conservá-los.


FAST-FOOD E A SAÚDE
Numerosos estudos sobre nutrição já certificaram nos últimos anos que a fast food é ruim para a saúde. Para se ter uma ideia disso, somente um hambúrguer triplo – frequente nos menus de muitos restaurantes do setor, e muito solicitado – traz em si 50% das calorias recomendadas para todo o dia de uma pessoa adulta. Se a ele é somado um refrigerante e uma porção de batatas fritas grande, o cardápio já cobre os valores aconselháveis para toda uma jornada. A OMS estabelece que um homem adulto deve ter um aporte calórico diário entre 2.000 a 2.500 calorias, enquanto os valores de uma mulher devem estar entre 1.500 e 2.000 calorias.

Entretanto, o alto nível calórico não é o único fator que torna a fast food uma alimentação ruim. Outro elemento habitual em seus cardápios são as gorduras trans, algumas gorduras tratadas industrialmente para prolongar a vida útil dos produtos e aumentar o sabor dos alimentos.

Para comprovar os efeitos devastadores da fast food no organismo, basta assistir ao documentário Super Size Me (2004), do estadunidense Morgan Spurlock. Nele, o próprio Spurlock mostra como sua saúde vai se deteriorando após um mês de alimentação unicamente com produtos da cadeia de restaurantes McDonald’s. O cineasta chegou a engordar onze quilos, ultrapassou os níveis recomendáveis de colesterol e registrou problemas respiratórios. Seus médicos disseram que ele devia abandonar essa dieta, pois, do contrário, não responderiam pelo que poderia acontecer com ele.

Não obstante, enganam-se aqueles que pensam que o perigo simplesmente desaparece se não comermos mais em restaurantes fast food. A necessidade da rapidez também incrementou o consumo dos alimentos pré-cozidos ou enlatados, produtos que também reúnem características prejudiciais e que muita vez comemos em casa. Esses alimentos contêm elevada quantidade de sódio, porque se utiliza sal para conservá-los.


COMER RÁPIDO
Portanto, fast food é pouco recomendável. Contudo, é possível comer bem sem renunciar à rapidez? Em princípio, os médicos recomendam não comer rápido demais, pois devemos mastigar bem os alimentos. Só assim é possível digeri-los melhor.

Porém, não basta apenas mastigar. O chiclete é um exemplo disso. Ele representa o ponto alto da tragédia alimentar industrializada, pois leva a pessoa a mastigar fora das refeições uma coisa que não é comida. A mastigação – achatamento, trituração e fragmentação dos alimentos sólidos na boca por meio dos maxilares e dentes, com a ajuda da língua, dos lábios e das bochechas, como preparo para a digestão gástrica – é uma das partes mais importantes da alimentação.

Portanto, mastigar devagar é essencial para a boa alimentação. Comer devagar significa também aproveitar mais a hora da alimentação, a qual deve estar ligada ao prazer e à tranquilidade. Comer com calma nos faz sentir a textura e o sabor dos alimentos.

O ideal é mastigar em média 15 vezes cada porção, levando à boca pequenas porções. Mastigar mais os alimentos, além de proporcionar mais saciedade, torna a digestão mais fácil e diminui a sensação de má digestão.

O certo é que nos dias de hoje, onde a falta de tempo nos empurra muitas vezes para a comida rápida, quase sempre a busca por uma alimentação saudável se torna também uma luta contra a tentação das refeições prontas em poucos minutos. Porém, já está provado que a saúde e a fast food não caminham juntas. Coma bem e viva mais. Esse é o mote dos dias atuais.


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