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Turismo urbano, férias sem descanso
 
 
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 O NEGÓCIO DA DIVERSÃO
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Antigamente, as férias representavam repouso, diversão e descanso. Constituíam a antítese do cansaço próprio do trabalho. Na realidade, o direito ao descanso e às férias remuneradas foi uma das maiores conquistas alcançadas pelos trabalhadores. Seu reconhecimento, incorporado ao direito trabalhista na maioria dos países, estendeu às mais amplas camadas da sociedade o que até certo período era privilégio de uma minoria. Muitas organizações de classe de trabalhadores, pequenos comerciantes e profissionais passaram a administrar planos de férias, negociando com hotéis para oferecer a seus afiliados pacotes a preços módicos. Foi mais uma forma de garantir o caráter indiscutível do direito ao descanso.

O campo, a montanha ou a praia eram os destinos mais frequentes, já que descansar implicava, mais do que tudo, fugir da cidade. Em contraposição ao meio urbano, castigado pela agitação cotidiana, pelo ruído ensurdecedor e pela atmosfera insalubre, surgiam a alegria de dias ensolarados, o silêncio das sestas prolongadas e o ar puro nos pulmões. Por outro lado, o tempo escapava pelos ponteiros do relógio e da folhinha do calendário para transcorrer por outros leitos, irregulares e prazerosos, cujo único defeito era a hora marcada em que o trem, o ônibus ou o carro levavam os ociosos de volta para a cidade.

Gradualmente, a globalização da economia, a desarticulação da vida trabalhista, o retrocesso nas conquistas legais dos trabalhadores, a fragmentação da produção e a flexibilização dos contratos e horários de trabalho alteraram o direito ao descanso e conferiram novos significados ao conceito de ócio. As férias deixaram de ser sinônimo de descanso para se transformar no exercício de uma atividade diferente, mas não menos cansativa que o trabalho. Ócio não significa mais deixar de fazer ou fazer menos, mas fazer algo diferente ao habitual, inclusive com um gasto de energia igual ou maior que o ritmo próprio da produção. A fragmentação da realidade — individual, familiar, nacional e mundial — que culminou na modernidade, resultou também na fragmentação do espaço e tempo da atividade produtiva e ociosa. Curiosamente, o fim dos antigos contrastes das estações do ano — atualmente, os verões já não são tão quentes nem os invernos marcadamente frios —, gerada pelas mudanças climáticas, coincide com a imposição de novos períodos de férias, como os que surgem nos feriados prolongados.

Após essas transformações impôs-se outra realidade: o turismo de massa se transformou em uma das atividades mais importantes e rentáveis da economia mundial. Muitos países com graves problemas econômicos têm sido estimulados e até recuperados graças ao turismo, como foi o caso da Espanha, na década de 1960, e de Cuba, após a desintegração do regime soviético. A aceleração das possibilidades de deslocamento e a proliferação de infraestruturas viárias mais rápidas e diretas — como as rodovias — facilitaram notoriamente essas mudanças. Também surgiram novas formas de turismo, como o rural, o de aventura e o histórico. Confira, ainda neste texto, mais informações sobre essas boas possibilidades de turismo.

A construção do Museu Guggenheim em Bilbao potencializou a cidade como destino turístico. Foto By PA/Own work.



TURISMO URBANO
O sucesso do turismo urbano faz parte da grande diversificação dessa atividade. Até o surgimento do turismo de massa, as cidades ostentavam um status especial como destino das viagens. Por exemplo, no início do século XIX, a aristocracia britânica era consumidora do chamado grand tour, formado principalmente por Paris, Gênova, Roma, Florença, Veneza e Nápoles. Esses núcleos urbanos ofereciam tanto um verniz de alta cultura como de diversões mundanas. Em ambos os sentidos, para os jovens britânicos, realizar o grand tour significava uma espécie de viagem iniciática. Na década de 1850, a partir da consolidação das classes burguesa e média, o inglês Thomas Cook (1808-1892) iniciou o turismo de massa organizando pacotes turísticos ao velho continente. As cidades foram promovidas a grandes centros culturais.

Até as primeiras décadas do século XX, a glorificação da tecnologia e do progresso proporcionaram um fio condutor através de feiras e mostras realizadas nas grandes cidades, como a exposição do Palácio de Cristal em Londres (1851) e a Feira de Paris (1867). Essa modalidade de turismo urbano cruzou o oceano e se estendeu aos Estados Unidos, como aconteceu com a Feira Mundial de Chicago (1893), St. Louis (1904) e Nova York (1938). A Primeira e a Segunda Guerras Mundiais (1914-1918 e 1939-1945) alteraram essa dinâmica, já que os grandes centros urbanos europeus foram seriamente afetados pelas atividades bélicas. Junto à reconstrução das cidades, os agentes de turismo planejaram modificar o imaginário urbano dos turistas, com o objetivo de torná-lo de massa.

Durante as décadas de 1980 e 1990, a construção de um conglomerado de instalações e serviços — hotéis, casas de shows, centros de convenções, estádios desportivos e zonas de entretenimento — foi concebida para criar um espaço separado do resto da cidade, mas complementar aos atrativos culturais e históricos tradicionais. Os novos locais destinados aos visitantes adquiriram caráter de encrave, por concentrar uma oferta diversificada e auto suficiente e por contar com sistemas de segurança que permitiram ao turista manter-se a salvo de alguns dos grandes problemas do turismo urbano: a delinquência. A construção de grandes superfícies comerciais, dotadas de hotéis, lojas, restaurantes, lanchonetes, centros de informática, cinemas e teatros, conduziu ao modelo do encrave turístico em seu nível máximo.

Atualmente, os encraves existem no interior de uma complexa estrutura urbana que oferece aos visitantes várias oportunidades para passear e — o que é parte importante nesse modelo de turismo — consumir. Num mesmo dia, um visitante pode curtir as “diversões Disney”, ver uma exposição de Monet, assistir a ciclos de conferências e encerrar o dia num “restaurante étnico” que sirva uma versão globalizada de alguma cozinha nacional ou regional transformada em “prato exótico”. São verdadeiras cidades dentro da cidade, que surgem, inclusive, nos destinos turísticos urbanos do Terceiro Mundo, como São Paulo, Rio de Janeiro, Cairo ou Nova Délhi. Uma das variantes da construção de encraves urbanos destinados ao turismo é a dos parques temáticos. São autênticas macro cidades de diversão, nas quais se concentra um amplo conceito lúdico e cultural. Na Europa foi a Disney que deu o pontapé inicial, com a criação de um grande parque em Paris.

O novo boom do turismo urbano transformou-se em motivo de preocupação para as autoridades e instâncias envolvidas no fenômeno. Em 2000, a Direção Geral da Empresa —Unidade Turismo, por encomenda da União Europeia, realizou um estudo sobre os destinos turísticos urbanos na Europa, cujo resultado foi publicado em 2001 com o título de “Por um turismo urbano de qualidade”. Para realizar o trabalho de campo, pensou-se em cidades com diferentes extensões territoriais e que pudessem estimular o turismo por diversos motivos: infraestrutura hoteleira, acervo artístico, qualidades paisagísticas, razões históricas, recursos culturais, ofertas de entretenimento etc. A pesquisa foi realizada em Amsterdã (Países Baixos), Aix-en Provence (França), Coimbra (Portugal), Dublin (Irlanda), Glasgow (Reino Unido), Gotemburgo (Suécia), Leipzig (Alemanha), Loutraki (Grécia), Málaga (Espanha), Orléans e Blois (França), Rhodes (Grécia), St. Andrews (Reino Unido), Estocolmo (Suécia), Volterra (Itália) e Winchester (Reino Unido).

Com base no “Quadro de atuação para o desenvolvimento urbano sustentável na União Europeia”, firmado em 1998 por todos os países membros do bloco, a reunião do Conselho de Ministros realizada em 21 de junho de 1999 decidiu destinar uma parte dos Fundos Estruturais comunitários para o desenvolvimento turístico urbano, levando em consideração não apenas o interesse dos visitantes, mas também da cidade visitada, no sentido de “reforçar a prosperidade econômica, gerar emprego e garantir o entorno cultural e natural”.

Como apontado na publicação “Por um turismo urbano de qualidade”, “o turismo surge como eixo estratégico de uma política de ordenação urbana que deve propor, ao mesmo tempo, uma oferta competitiva destinada a satisfazer as expectativas dos visitantes e uma contribuição positiva ao desenvolvimento da cidade e ao bem-estar de seus habitantes”.

Contra essa intenção de racionalizar o fenômeno, atua o desenvolvimento não planejado das cidades, marcadas pelas oscilações da economia mundial num contexto de deterioração ecológica. Nesse contexto, as viagens internacionais aumentaram 6% em 2018, em comparação ao ano anterior, resultando em 1,4 bilhão de chegadas. Os dados são do último Barômetro Mundial de Turismo, elaborado pela Organização Mundial do Turismo (OMT). Os números consolidam os importantes resultados registrados em 2017 e fazem de 2018 o segundo ano mais forte desde 2010.  Interessante é ressaltar que a previsão de longo prazo da OMT, emitida em 2010, indicava que a marca de 1,4 bilhão seria alcançada apenas em 2020, mas o notável crescimento das chegadas internacionais adiantou em dois anos esta meta.

Ainda segundo informações da OMT, questões como o forte crescimento econômico, viagens aéreas mais acessíveis, modernizações tecnológicas, novos modelos de negócios e facilitação de vistos em torno do mundo aceleraram essa alta nos últimos anos. Os dados são interessantes: Oriente Médio (+ 10%), África (+ 7%), Ásia e Pacífico e Europa (ambos a + 6%) lideraram o crescimento em 2018. Os desembarques para as Américas, por sua vez, ficaram abaixo da média mundial, com aumento de 3 %.

Esses dados mostram a importância do turismo para o desenvolvimento econômico. A boa gestão do setor gera emprego e fortalece o empreendedorismo.

Ainda conforme a OMT, as Américas (+ 3%) receberam 217 milhões de chegadas internacionais em 2018, com resultados variados entre destinos. O crescimento foi liderado pela América do Norte (+ 4%), seguido pela América do Sul (+ 3%), enquanto América Central e Caribe (ambos -2%) refletem o impacto dos furacões Irma e Maria de setembro de 2017.

Com base nas tendências atuais, perspectivas econômicas e o Índice de Confiança OMT, a organização prevê que as chegadas internacionais cresçam de 3% a 4% este ano.

É difícil calcular quanto desse total será absorvido pelo turismo urbano, mas os agentes de turismo não duvidam que, para os turistas, em sua imensa maioria de origem urbana, as cidades são um destino cada vez mais tentador.


TURISMO RURAL
Segundo Anna Laurytha Gonçalves, mestre em Turismo pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), “a partir de 1990 o turismo rural surge no Brasil como campo do turismo ao interessar-se pela dinâmica do espaço rural. A prática do turismo em área rural propõe ao produtor rural uma alternativa de renda, dando-lhe condições econômicas para a permanência na propriedade. As potencialidades turísticas encontradas nas comunidades rurais têm caráter histórico e cultural que podem ser agregados à visitação de turistas as suas propriedades”.

Dados publicados pela pesquisadora em artigo intitulado “Turismo Rural: uma abordagem conceitual” (2016), apontam que o “turismo rural na agricultura familiar é o segmento que propicia a inclusão do homem do campo em sua instância participativa com o agricultor rural. Dentre as atividades não agrícolas destacam-se: os serviços e equipamentos turísticos, hospedagem, transporte e alimentação”.

Se você é daqueles que ainda valoriza férias longe da correria dos centro urbanos e tem interesse em aproveitar a simplicidade e o aconchego do campo, o contato com a natureza e as delícias da comida caseira, é hora de pensar em praticar o turismo rural na próxima viagem. Bento Gonçalves (RS), Parelheiros (SP), Valinhos (SP), Vinhedo (SP), Holambra (SP), Betim (MG), Corumbá (MS), Valença (RJ), Rio das Flores (RJ), Domingos Martins (ES) e Cabaceira (PA) são alguns dos destinos mais procurados.


TURISMO DE AVENTURA
Mas, se você gosta mesmo é de aventura, é hora de pensar nessa possibilidade de passeio.

Uma atividade de aventura é basicamente uma experiência física e sensorial recreativa que envolve desafio, porém com riscos avaliados, controláveis e assumidos. E que, além disso, proporcionam sensações incríveis, como liberdade, superação e prazer. Engana-se quem pensa que o turismo de aventura envolve perigo. Como uma atividade devidamente regulamentada, as agências e operadoras de turismo são especializadas em realizar turismo de aventura com profissionais capacitados. Além disso, é prática comum disponibilizar um treinamento prévio antes da realização das atividades, de forma a preparar o turista.

Atividades como Rafting, Boia-cross, Tirolesa, Canionismo e Arvorismo estão entre as mais procuradas pelos turistas de aventura. O Brasil possui diversos parques turísticos que disponibilizam a prática do turismo de aventura. Mas, com certeza, um destaque nacional é a cidade de Brotas. Localizada a aproximadamente 250 Km da cidade de São Paulo, as rodovias são seguras e duplicadas, resultando em uma viagem de 2 horas e meia por diversas belas paisagens do interior paulista.


TURISMO HISTÓRICO
Há milhares de anos o homem se movimenta. Mas em nenhum outro momento das civilizações foi tão fácil viajar quanto hoje. Seja por terra, mar ou ar, por onde passa, o homem marca sua história. A facilidade atual de ir e vir tem um grande benefício: ver cada lugar histórico de perto, seja aquele que mudou o rumo das navegações ou aquele que abriga templos sagrados.

Alguns dos destinos mais procurados quando o assunto é turismo histórico são:

Japão, com sua história milenar. O país é uma potência econômica que atrai gente para fazer negócios e turistas em busca de diversão, e que tem ainda cenários deslumbrantes, as famosas flores de cerejeira e o Monte Fuji. Lá estão templos sagrados e famosos construídos séculos antes de Cristo, além de cidades feudais. Também é um país com festivais milenares, rituais das gueixas e muitas informações sobre o passado recheado de imperadores e samurais. Quem se aventura pelo país pode ainda conhecer o Parque Memorial da Paz que guarda a Cúpula da Bomba Atômica em Hiroshima, um belo exemplo de reflexão sobre o homem mais moderno.

Grécia, o berço da civilização ocidental. São mais de 3 mil anos de história para contar, dos primórdios da democracia e da filosofia, passando por belas paisagens e construções. Platão e Aristóteles perambularam por ruelas que continuam vivas em Atenas, e a arquitetura daquela época permanece de pé.

Turquia, Índia e África do Sul também estão entre os 5 destinos mais procurados quando o assunto é turismo histórico.


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