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Mudanças climáticas, o planeta em risco
 
 
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 A TERRA EM PERIGO
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Geleira Perito Moreno (Argentina), declarada Patrimônio da Humanidade pela UNESCO em 1981

Define-se mudança climática como a alteração, comprovada estatisticamente, dos padrões do clima quando essa alteração ocorre por um período de tempo prolongado e significativo. Nesse sentido, mudança climática não é apenas o fenômeno de elevação das temperaturas, pois também se classificam como mudanças climáticas o fenômeno inverso, isto é, as quedas reais de temperaturas médias de uma determinada região.

São muitas as possíveis causas das mudanças climáticas, embora muitos associem essa expressão apenas à ação humana. Desde erupções vulcânicas a mudanças ínfimas na translação ou rotação da Terra, passando por movimentação das placas tectônicas ou variações na radiação solar que incidem sobre o planeta, todos esses eventos podem causar algum tipo de mudança climática, quer aumentando, quer reduzindo as temperaturas médias, afetando assim o clima da Terra.

Quando as mudanças climáticas são decorrência de atividades humanas – queimadas, emissão de gases poluentes, desmatamento, entre outros –, utiliza-se, em geral, a expressão aquecimento global para nos referirmos ao aumento de temperatura média a partir de um determinado momento em função daquelas atividades. Nos meios científicos, porém, a expressão aquecimento global é reservada para o aumento de temperatura superficial da Terra, isto é, a temperatura da superfície do planeta, e mudança climática é utilizada para todo tipo de evento climático – incluindo a temperatura superficial – que sofre algum tipo de modificação.

Algumas pessoas argumentam que as mudanças climáticas são um fenômeno natural para o qual a atividade do ser humano tem pouca importância. Para essas pessoas, a ação humana não teria o poder de afetar o clima da Terra em escala global. Entre os climatologistas – os estudiosos e pesquisadores do clima –, porém, há um consenso de que o clima da Terra está, de fato, mudando e que essas mudanças são, em boa medida, efeito direto dos seres humanos e sua ação no planeta. Segundo esses cientistas, não restam dúvidas de que as temperaturas superficiais da Terra aumentaram nas últimas décadas e esse aumento teria sido causado por emissões de gases de efeito estufa – dióxido de carbono, metano, óxido nitrosos, entre outros – produzidos pelos seres humanos e suas atividades no planeta.


SINAIS DE FUMAÇA
Já em seu tempo, o físico-químico sueco Svante Arrhenius (1859-1927), Prêmio Nobel de Química em 1903, foi um dos primeiros a assinalar que o consumo de carvão por parte do ser humano estava produzindo um aumento de dióxido de carbono presente na atmosfera e que isso iria provocar um aumento da temperatura terrestre. Ele pensava, no entanto, que esse aumento de temperatura poderia representar um aquecimento benéfico, pois nos livraria de possíveis períodos glaciais futuros.

Desde os princípios da Revolução Industrial, as concentrações de dióxido de carbono na atmosfera aumentaram 30%; as de óxido nitroso, 15%; e as de metano chegaram a quase 100% de aumento, isto é, quase dobraram sua presença no ar que todos respiramos. Esses três gases, conhecidos popularmente como gases causadores de efeito estufa, se destacam como os principais responsáveis pelo aquecimento global e são decorrentes da queima de combustíveis fósseis (petróleo, gás, carvão).

A mudança climática é hoje uma ameaça bastante real que implica aumento das temperaturas, elevações do nível do mar, alterações nas precipitações e maior número de acontecimentos meteorológicos extremos. Seus efeitos se fariam sentir de forma especial na saúde humana, na agricultura, nas florestas, nas reservas de água e nos ecossistemas terrestres.


PREVISÕES ALARMANTES
Para precisar os possíveis impactos da mudança climática e quando essas primeiras consequências se fariam sentir no futuro, o Centro Hadley, um centro de estudos científicos a respeito de mudanças climáticas, com sede na cidade inglesa de Exeter e ligado ao serviço nacional de meteorologia do Reino Unido, supôs, em 1999, vários níveis de emissões de dióxido de carbono, o mais importante gás de efeito estufa. Concluiu que, se não fossem tomadas medidas para reduzir tais emissões, a temperatura média global em 2080 seria 3 ºC superior à atual, de modo que a Terra se aqueceria duas vezes mais rápido que o oceano.

Em 2050, o aumento da temperatura seria de 2 °C e mais um bilhão de pessoas sofreriam escassez de água. Em caso de não se tomar nenhuma medida, a cifra subiria ainda mais e a falta de água poderia afetar até três bilhões de pessoas. No que diz respeito à questão sanitária, os especialistas do Hadley calcularam que, em 2080, o número de pessoas expostas a contrair malária aumentaria em 290 milhões de indivíduos. Com as emissões estabilizadas, esse número poderia baixar para 175 milhões de pessoas.

A contenção das emissões estabiliza o clima e os impactos de longo prazo, exceção feita à elevação do nível do mar. O problema se deve ao fato de que o calor demora a penetrar nas regiões mais profundas das águas oceânicas e seu efeito, uma vez desencadeado o aquecimento, se mantém durante muito tempo. Por isso, a elevação do nível de mar, causada pela expansão da água fruto do degelo continental e ártico é o aspecto menos beneficiado pela atenuação da mudança climática. Previsões indicam que o mar subirá 40 centímetros até 2080 se não forem tomadas medidas para conter as emissões de dióxido de carbono, e 27 centímetros no melhor dos casos. Prevê-se, ainda, que a elevação do nível do mar chegue a quase um metro dentro de dois séculos, o que, certamente, inundaria inúmeras cidades litorâneas ao redor do mundo, inviabilizando a vida nessas cidades.

Além do Centro Hadley, outros locais de pesquisa estudam os efeitos da mudança climática na Terra. Pesquisadores da Universidade de East Anglia, localizada na cidade inglesa de Norwich, por sua vez, prevêm que na península ibérica as temperaturas subirão de 0,8 °C a 0,9 °C até 2020, no caso mais favorável de emissões, e quase 6 °C, no caso mais desfavorável, até 2080.

O relatório global GEO-2000, realizado pelo Programa de Meio Ambiente das Organizações das Nações Unidas (ONU) sobre a situação ambiental do planeta no começo do terceiro milênio, chegou à conclusão de que “o atual curso das coisas é insustentável, e já não é possível adiar as soluções por mais tempo”. O relatório alertou especialmente para o problema emergente do nitrogênio: “Estamos fertilizando a terra em escala global de forma experimental e descontrolada”. Uma das organizações ambientalistas mais importantes do mundo, a Worldwide Fund (WWF), denunciou que a liberação de nitrogênio no ambiente pode alterar tanto o crescimento quanto a composição das espécies e reduzir sua diversidade. Essa mesma organização está há anos aplicando o que chama de “Índice Planeta Vivo”, uma combinação de três indicadores diferentes: a superfície da área florestal do planeta, as populações de espécies de água doce presentes no mundo e as populações de espécies marinhas ainda existentes na Terra. Com esses indicadores, constatou que, entre 1970 e 1995, o planeta havia perdido um terço de sua riqueza ambiental.  


OS RELATÓRIOS DO IPCC
O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês para Intergovernmental Panel on Climate Change) é uma organização científica formada por membros de diversos países, sob os auspícios da Organização das Nações Unidas (ONU).

O grupo foi formado para analisar estudos sobre as mudanças climáticas e auxiliar a ONU e sua Convenção sobre Mudanças Climáticas, o principal tratado internacional sobre o tema, a mitigar o problema. O trabalho do IPCC é produzido por centenas de cientistas e resulta na publicação dos seus famosos relatórios. As observações nas quais eles se baseiam são extraídas de medições diretas do clima em locais determinados e de dados produzidos à distância por satélites e outros aparelhos remotos. Medições climáticas tiveram início em meados do século XIX e tornaram-se sistemáticas a partir da década de 1950. Até o momento, foram produzidos cinco grandes relatórios, em 1990, 1995, 2001, 2007 e 2013.

Em 2001, por exemplo, o IPCC apresentou um relatório elaborado por cerca de 700 cientistas sobre os efeitos do aquecimento terrestre ao longo do século XXI: um documento de mais de mil páginas que foi considerado então uma das análises mais completas sobre os efeitos da mudança climática no mundo.

Segundo o relatório, a mudança climática, causada principalmente por gases poluentes emitidos por indústrias e veículos, havia levado a um aumento das temperaturas em escala global. Isso provocaria, por um lado, a evaporação de mais água dos oceanos e, em consequência, o aumento das precipitações. Por outro lado, aceleraria o degelo dos gelos polares, o que faria subir o nível do mar. Tudo isso redundaria em mudanças nas correntes de circulação oceânica, reguladoras do clima mundial, e nas correntes de circulação atmosférica. O resultado final afetaria todas as regiões do mundo, embora nem sempre no mesmo sentido.

Nesse terceiro relatório, falou-se, ainda, dos principais efeitos globais da mudança climática: aumento das temperaturas, aumento das precipitações, extinção de espécies e deslocamento de boa parte da população mundial.

Na Europa, haveria mais seca nos países mediterrâneos, mais produção agrícola no norte do continente e menos no sul, mudanças no turismo devido às ondas de calor no verão e à redução de nevadas no inverno, bem como o desaparecimento de metade das geleiras de montanha em um século.

Na África, a redução das precipitações provocaria safras menores, agravaria os déficits de água potável e redundaria em mais desertificação. Não bastasse tudo isso, a elevação do nível do mar causaria, além da erosão costeira, grandes deslocamentos de populações no oeste e no sudeste do continente e, em especial, no Egito.

O continente asiático seria açoitado por mais ciclones e precipitações torrenciais no sul, mais catástrofes naturais, menor segurança alimentar, ainda que melhorassem as safras no norte.

Na Oceania, a elevação de cinco milímetros anuais no nível do mar levaria à redução da superfície habitável nas ilhas do Pacífico, ao deslocamento de populações inteiras, à destruição dos recifes e à modificação das áreas de pesca.

A América do Norte sofreria o aumento dos furacões na costa atlântica, a redução das pradarias e o avanço de doenças infecciosas como a malária. A América Latina teria mais precipitações catastróficas, mais secas, mais cólera e malária.

Nos polos, o derretimento parcial da área de gelo provocaria mudanças na circulação oceânica que afetariam o clima de todos os continentes.


A COP-8
Em parte para tratar dessas previsões catastróficas, teve lugar, em 2006, no Brasil, na cidade de Curitiba, a 8ª Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica da ONU (COP-8). Nela, foram debatidas questões como o “Desafio Micronésia”, que consiste em garantir a existência terrestre de pequenos países do Pacífico que lutam contra o aquecimento global e a degradação ambiental, os quais podem fazer com que os territórios das Ilhas Marshall, dos Estados Federados da Micronésia, de Guam, Mariana do Norte e Palau, em boa parte, desapareçam.

Palau, por exemplo, é um minipaís de vinte mil habitantes na Micronésia, em pleno oceano Pacífico e pode, em virtude do aquecimento global e da degradação ambiental — e dos diversos problemas que eles acarretam —, ter sua existência ameaçada, podendo, literalmente, ser apagado do mapa: o aumento do nível do mar pode colocar boa parte do pequeno país embaixo d’água. Além de destruir um país de vinte mil pessoas, o aquecimento global pode causar a extinção de 442 espécies nativas, na Micronésia. São pássaros, répteis e peixes de água doce em perigo.

Na Bolívia, por outro lado, o aquecimento global tem destruído a mais alta pista de esqui do mundo — localizada 5300 metros acima do nível do mar —, nos Andes bolivianos. As geleiras do lugar estão derretendo tão rapidamente que o local utilizado para a prática do esporte pode desaparecer dentro de poucos anos em razão das mudanças climáticas. Segundo Jaime Argollo, do Instituto de Investigação Geológica da Universidade Mayor de San Andres, em La Paz, capital do país, o aquecimento global pode se transformar em um gigantesco problema, pois “a água das geleiras é fonte de água potável e também é usada para gerar energia elétrica” para a cidade.

Em 2006, a revista Science publicou uma série de artigos nos quais se apontou que os últimos estudos responsabilizam o efeito estufa pela aceleração do derretimento das geleiras da Groenlândia e da Antártida, e que o mar pode subir até seis metros em 2100. Se isso de fato ocorrer, mais de meio bilhão de pessoas teria de fugir da orla marítima mundial para o interior mais elevado.


CONSCIÊNCIA ECOLÓGICA
Em termos globais, a consciência ecológica da humanidade despertou tardiamente. Em meados da década de 1970, a preocupação com o estado da Terra fez surgir uma série de movimentos civis que combatiam o modo de vida da moderna sociedade industrial, pois além de expansionista, seu ritmo de consumo dos recursos da natureza era insustentável.

Antes disso, já no ano de 1970, Edward Goldsmith fundou em Londres a revista The Ecologist (O ecologista). Um ano depois, nasceu o Greenpeace, entidade ambientalista, na Colúmbia Britânica, no Canadá, com ações diretas não violentas contra os testes nucleares norte-americanos no Alasca. Em 1972, Goldsmith publicou o "Manifesto pela sobrevivência", texto que abriu caminho para a criação de partidos ambientalistas nos países desenvolvidos.

Em 1974, o francês René Dumont concorreu nas eleições legislativas francesas como candidato ambientalista e conseguiu 1,5% dos votos. Essa década seria marcada pelo escapamento de dioxinas – substâncias altamente tóxicas e teratogênicas –, de uma fábrica química, em Seveso, na Itália, em 1976; pela maré negra nas costas da Bretanha provocada pelo naufrágio do navio Amoco Cádiz, em 1978; e pelo acidente na central nuclear americana de Three Mile Island, no estado da Pensilvânia, em 1979, que provocou o fechamento das instalações da usina e a evacuação de mais de duzentas mil pessoas.

Na década de 1980, o chamado movimento "verde" liderou as manifestações antinucleares na Europa e se consolidou como alternativa política no continente europeu.

Foram anos de desastres ecológicos anunciados em diversos continentes. Na Europa, denúncias a respeito dos efeitos da chuva ácida nas florestas locais. Em Bhopal, na Índia, o escapamento de gases venenosos na filial indiana da Union Carbide, em 1984, causou a morte de três mil pessoas. Os acidentes continuaram com a explosão no reator 4 da central nuclear soviética de Tchernobil, em 1986, a maior catástrofe nuclear da história, com trinta mil óbitos causados pelos efeitos da radioatividade nos dez anos seguintes. O remate trágico da década ocorreu em 1989, na pior maré negra da história, causada pelo naufrágio do petroleiro Exxon Valdez nas águas do Alasca.

A consciência ecológica chegou às Nações Unidas em 1987. A Comissão do Meio Ambiente e Desenvolvimento da ONU, presidida pela norueguesa Gro Harlem Brundtland, falou pela primeira vez, naquele ano, em desenvolvimento sustentável, argumentando que o progresso econômico e a proteção ambiental eram compatíveis. Na Cúpula Mundial das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, realizada no Rio de Janeiro, em 1992 — conhecida como Eco 92 —, reuniram-se governantes, cientistas e ativistas pedindo medidas para a redução das emissões de gases de efeito estufa e a proteção da biodiversidade do planeta. Tudo isso culminou, em 1997, com a assinatura do Protocolo de Quioto pelos países industrializados. Estabeleceu-se que o conjunto dos países desenvolvidos deveria reduzir em média, entre 2008 e 2012, 5% de suas emissões com relação às de 1990. A II Cúpula da Terra se realizou em 2002 na cidade sul-africana de Johannesburgo, com poucos avanços, porém.


OS ÚLTIMOS DADOS
Em 2013, o IPCC divulgou seu último relatório com os dados mais recentes sobre as mudanças climáticas no planeta e a análise de seus especialistas. Nele, os cientistas do IPCC escrevem que o “aquecimento do sistema climático é inequívoco e desde os anos 1950, muitas das mudanças observadas não tem precedentes quando comparadas em escala de décadas ou milênios. A atmosfera e o oceano subiram de temperatura, a quantidade de neve e gelo diminuiu, o nível do mar se elevou e as concentrações de gases do efeito estufa aumentaram”.

O clima da atmosfera
Em relação à atmosfera, o relatório apresenta um dado importante: cada uma das três últimas décadas tem sido mais quente que a anterior e estas têm sido mais quentes que qualquer década anterior do planeta desde 1850, quando as medições da temperatura atmosférica da Terra tiverem início de forma continuada. Além disso, no hemisfério norte do planeta, o período compreendido entre 1983 e 2012 foi o período de longa duração – 30 anos – mais quente dos últimos 1400 anos.

Entre 1880 e 2012, a temperatura média global combinada da superfície terrestre e oceânica apresentou um aumento de 0,85 ºC. Como resultado desse aumento e de sua influência no clima como um todo, é bastante provável que o número de dias e noites mais frios diminua e o inverso se apresente, ou seja, dias e noites mais quentes, assim como ondas de calor aumentem de número na Europa, Ásia e Austrália.


O clima do oceano
O oceano possui uma característica peculiar: ele armazena boa parte da energia produzida pelo clima sob a forma de calor fruto das mudanças climáticas. Entre 1971 e 2010, 90% da energia assim produzida foi armazenada pelo oceano. Os cientistas do IPCC acreditam que a faixa superior do oceano, isto é, aquela que vai do nível do mar até 700 metros de profundidade, sofreu um aumento de temperatura entre 1971 e 2010. Nesse período, a faixa mais próxima da superfície, aquela que vai até 75 metros de profundidade, teve um aumento de 0,11 ºC por década.

Outro fenômeno mostra que o aquecimento do oceano é real: a salinidade de diferentes regiões oceânicas do planeta. Em locais de grande salinidade, a maior evaporação causada pelo aquecimento tornou essas regiões ainda mais salinas. Já em regiões de baixa salinidade, o aumento das chuvas, também causado pelo aquecimento, diminuiu ainda mais a presença do sal nos locais afetados.


As geleiras e o nível do mar
Nas duas últimas décadas, as geleiras da Groenlândia e da região antártica têm perdido massa – fenômeno que se repete com geleiras de outras regiões frias do planeta, como o Ártico – e a extensão da camada de neve do hemisfério norte tem continuado a diminuir. Nos meses de junho, por exemplo, essa diminuição é da ordem de 11,7% por década.

Em parte atingido por esse fenômeno, o nível do mar tem subido de forma contínua e entre 1901 e 2010 aumentou 19 centímetros. Os cientistas acreditam que 75% desse aumento tenham sido causados pelo derretimento de geleiras e pelo aquecimento das águas daí decorrente.


Os gases do efeito estufa
A concentração na atmosfera do dióxido de carbono, metano e óxido nitroso, os principais gases do efeito estufa, aumentaram em níveis jamais alcançados anteriormente. Utilizando reconstruções paleoclimáticas, isto é, referentes ao clima em um passado muito distante, por meio de fósseis e modelos matemáticos, os pesquisadores chegaram à conclusão que esse aumento é significativo em relação a no mínimo os últimos 800 mil anos.

A partir do período conhecido como Revolução Industrial, cujo início se deu no século 18, as concentrações de dióxido de carbono na atmosfera aumentaram 40%, resultado, em especial, da queima de combustíveis fósseis. No mesmo período, a concentração do metano na atmosfera aumentou 150% e a do óxido nitroso, 20%.


O QUE O FUTURO NOS RESERVA
As projeções referentes às mudanças climáticas no futuro não são muito promissoras. Tudo indica que elas continuarão a ocorrer, causando, assim, continuados problemas ambientais e sociais.

Essas projeções são feitas por meio da utilização de modelos de clima e modelos de sistemas da Terra. Esses modelos vão dos mais simples aos mais complexos que a ciência pode elaborar, atualmente.

Com esses modelos em mão, os cientistas projetam o que pode acontecer com o clima da Terra e que consequências as mudanças climáticas podem causar. Em todos os cenários modelado até o momento, as projeções indicam que as continuadas emissões de gases de feito estufa causarão maior aquecimento e mudanças em todos os componentes climáticos. Para diminuir as mudanças climáticas nesse sentido, a emissão dos gases de efeito estufa terá de ser reduzida de forma substancial e contínua.

Em função disso, espera-se que a temperatura de superfície global aumente em cerca de 1,5 ºC até o final do século 21 em relação às temperaturas medias entre os anos de 1850 e 1900. O aquecimento global continuará em expansão após 2100 e a variação da temperatura poderá alcançar até 2 ºC de elevação.

O oceano continuará a ter sua temperatura em elevação ao longo do século 21 e o calor das partes mais superficiais das águas penetrará com mais intensidade as águas mais profundas, o que afetará a circulação e as correntes oceânicas. Da mesma forma, a cobertura de gelo do ártico continuará a diminuir, assim como as coberturas de neve dos meses mais frios do hemisfério norte.