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MANAUS - MUNICÍPIO DO BRASIL
 
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A história de Manaus começa, pelos povos que ocupavam a região que hoje, compreende o seu território. Entre os povos nativos se destacam os Manaós e os Barés. Os Manáos era o grupo étnico mais importante da área, habitando as duas margens do baixo rio Negro, desde a foz do rio Branco até a ilha Timoni. No período da chegado dos europeus, eles pareciam estar em um processo de expansão territorial em direção ao Oeste, no sentido da região do rio Japurá. Sua população foi estimada (considerando já as perdas em confrontos armados com os portugueses) em mais de 10 mil pessoas. Em 1542, pela primeira vez uma expedição europeia (espanhola), chefiada por Francisco De Orellana, chegou às margens do rio Negro.

Sua fundação, provavelmente, tem origem na construção de um forte em 1669. O objetivo era proteger a entrada de invasores (em especial, franceses e holandeses). Assim nascia o Forte de São José da Barra do Rio Negro. Com o crescimento vertiginoso da população, viu se a necessidade de construir uma capela, a capela de Nossa Senhora da Conceição, que é a padroeira da cidade.

Entre os anos de 1723 a 1728, aconteceu a Guerra dos Manaus. O conflito se deu entre os portugueses e os indíos manaós. A tribo dos manaós resistia à dominação portuguesa e o embate terminou apenas quando os militares portugueses começaram a estreitar os laços com os manaós, casando-se com as filhas dos tuxauas. Esse processo de miscigenação deu origem ao que é chamado de caboclo.

Em 3 de março de 1755, surge a Capitania de São José do Rio Negro, com sede em Mariuá (atual Barcelos). A administração da capitania alternou entre Barcelos e o Lugar da Barra até que, em 1807, estabeleceu-se, definitivamente, no Lugar da Barra. A partir de 1832, o Lugar da Barra transforma-se em vila e passa a ser denominada de Vila de Manaus. Em 1848, é elevada à categoria de cidade. A cidade foi chamada por vários nomes: Cidade da Barra do Rio Negro, Cidade de Nossa Senhora da Conceição da Barra do Rio Negro e Vila da Barra do Rio Negro. Em 4 de setembro de 1856, a cidade recebeu o nome de Manaus, em homenagem à tribo nativa dos Manaós.

Um ponto de grande destaque na história de Manaus foi o chamado “ciclo da borracha”. Tendo o látex, que é a seiva da seringueira e matéria-prima fundamental para a criação da borracha, como impulsionador da economia da região amazônica, esse período foi de intenso desenvolvimento. Um segundo momento de desenvolvimento da cidade está ligado à implantação da Zona Franca de Manaus em 1967. O governo militar queria, assim como já foi citado, no início da república e o ciclo da borracha, ocupar a região, buscando aumentar a rentabilidade econômica.

O crescimento da cidade trouxeram vários pontos negativos. A sociedade de Manaus se viu obrigada a alojar uma série de migrantes que chegavam naquele território, que acabaram ocupando a cidade de maneira desordenada.

Durante os anos de 1970, Manaus passou por um processo de industrialização. Com esse processo vieram as redes comerciais, de comunicações e de serviços. Pode-se dizer que a cidade é a grande metrópole da Amazônia ocidental. Manaus dobrou o seu número de habitantes em apenas 23 anos. Em 1991, ela atingiu, pela primeira vez, 1 milhão de habitantes. Em 2014, sua população já era de 2 milhões.


ASPECTOS GEOGRÁFICOS E AMBIENTAIS


Nascer do sol em Manaus.
Foto: Lubasi via Flickr.

Manaus possui uma área de 11.401,092 km² (a segunda maior capital estadual no Brasil em área territorial) e densidade demográfica de 191,45 habitantes por km (dados de dezembro de 2019). Manaus é também a quarta maior área urbana do país com 427 km² (e a primeira se tomarmos as regiões Norte e Nordeste). Com relação à vegetação, podemos dizer que a cidade, que está inserida no contexto da floresta amazônica, possui uma vegetação fechada. Existem plantas bem próximas umas das outras, o que torna a vegetação úmida e impenetrável. Um dos destaques é a presença da vitória-régia. Pode-se dizer também que os animais que costumam ocupar florestas tropicais úmidas, como é a floresta amazônica, também podem ser encontradas na cidade.

A hidrografia de Manaus é formada por quatro bacias: Educandos, São Raimundo, Tarumã e Puraquequara, além de várias microbacias ou sub-bacias. As bacias hidrográficas urbanizadas possuem uma grande extensão territorial e, em seu entorno, possuem um grande número de pessoas. Os famosos peixe-boi e boto-cor-de-rosa são encontrados em diversas localizações. Ao longo do rio Negro, em lagos no bairro do Tarumã em reservatórios da cidade (como, por exemplo, o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA)).


Ponte do Rio Negro, ao fundo a cidade de Manaus, AM. Foto: Lubasi via Flickr.

O clima de Manaus é considerado tropical úmido de monção. A umidade do ar é relativamente alta, sendo o inverno, tipicamente, chuvoso e o verão, seco. A cidade está muito próxima da linha do equador e por isso, o calor é constante. A estação quente permanece por 2,6 meses, de 12 de agosto a 31 de outubro.

A estação fresca permanece por 5,1 meses, de 21 de dezembro a 24 de maio, com temperatura máxima diária em média abaixo de 31 °C. Esses dados mostram que não há uma variação muito grande de temperatura ao longo do ano.

A industrialização e a migração na cidade de Manaus tiveram consequências para o meio ambiente. A poluição atmosférica é intensa, devido ao grande número de veículos circulando, bem como as indústrias do Polo Industrial de Manaus.

Nos anos 1970 e 1980, a forte migração, oriunda da criação da Zona Franca de Manaus, fez como que muitas áreas da cidade fossem ocupadas de maneira irregular. Já em 2006, havia um desmatamento de 22% da área urbana. Além disso, a cidade possui problemas de poluição em algumas partes dos rios Negro e Solimões, bem como irregularidades no sistema de esgoto. A defasagem de saneamento básico é responsável por boa parte dos problemas sanitários da cidade.


ECONOMIA

Segundo o IBGE, em 2017, Manaus era a cidade com o oitavo maior PIB do Brasil. O setor de serviços representa quase 50% desse PIB, sendo também bastante relevante a indústria. O setor industrial de Manaus só perde para os das cidades de São Paulo e Rio de Janeiro. Vejamos como cada setor contribui para a economia geral da cidade.

O setor primário tem pouca representatividade, uma vez que as grandes atividades agropecuárias se estabelecem às margens das rodovias. De acordo com o IBGE, em 2014, a cidade contava com apenas 6.178 bovinos, 605 caprinos, 218 equinos, 4.899 ovinos e 3.126 suínos. Na lavoura permanente, também em 2014, a cidade foi destaque na produção de laranja. Foram produzidas 2.800 toneladas. De qualquer modo, o setor primário está em pleno desenvolvimento no Amazonas. O agronegócio de floresta pode ser uma segunda alternativa econômica para a cidade e o estado, Amazonas. De acordo com a lei, 80% da área de uma propriedade rural tem que ser preservada ambientalmente. Mas graças à tecnologia, é possível produzir mais em espaços menores.

Já o setor secundário, que havia sido por muitos anos o carro-chefe da economia de Manaus, hoje ocupa o segundo lugar. Na petroquímica, destaca-se a Refinaria de Manaus (REMAN), que foi fundada em 1957 e incorporada à Petrobras em 1974. O Polo Industrial de Manaus, é um dos principais parques industriais do Brasil e sua origem está ligada aos incentivos fiscais oferecidos pelo governo brasileiro a partir do ano de 1967 (tendo como objetivo, integrar as diferentes regiões do país). Como está previsto no art. 1º do Decreto-Lei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, a Zona Franca de Manaus é um território de livre comércio de importação e exportação e de incentivos fiscais especiais, oferecendo diversas benesses fiscais e minimizando os custos amazônicos. No nível Estadual, o incentivo é uma redução de 55 a 100% do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS). No nível Federal, os incentivos incidem em diversos impostos, a saber: Imposto de Importação (II), Imposto sobre Produto Industrializado (IPI), Programa de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS), além do Imposto de Renda (IRPJ). O pedido de redução é fixo de 75% ou de isenção, se o produto confeccionado for um bem de informática.

A Argentina é o maior importador de produtos da Zona Franca de Manaus. Venezuela, Colômbia e México são outros dos países que também importam produtos consideravelmente.

Agora, o setor terciário é atualmente o setor mais relevante para produto interno bruto de Manaus, em especial, na área do comércio. Manaus é o maior centro financeiro da Amazônia e vem assumindo um importante papel de polo de serviços e negócios não só para região, mas para todo o país. A cidade é o maior centro comercial de toda a região Norte e ocupa a 9.ª posição quando comparadas a outros centros comerciais do Brasil.


CULTURA

Boa parte da cultura manauara está ligada aos registros históricos e geográficos. Tais aspectos influenciam a culinária, a linguagem e o artesanato. A influência europeia também pode ser bastante observada na arquitetura da cidade. As grandes construções do ciclo da borracha são exemplos disso. Além disso, devido à grande migração, a cultura nordestina é bastante presente, em especial na música (com o forró).

A literatura de Manaus tem sua base no chamado Clube da Madrugada, que foi um movimento de grande ebulição nas décadas de 1950 e 1960. Depois, nos anos de 1970 e 1980, tivemos o surgimento de novos nomes: Márcio Souza, Aldísio Filgueiras, Zemaria Pinto e, principalmente, Milton Hatoum.

Milton Hatoum atingiu notoriedade internacionalmente, levando o nome e as paisagens de Manaus para o mundo. Seu principal sucesso foi Dois irmãos (2000). Tal obra vendeu mais de 140 mil exemplares e foi traduzido para mais de 16 países, além de ter sido adaptado por Luiz Fernando Carvalho e transformado em minissérie pela Rede Globo. Além de Hatoum, se destacam Astrid Cabral, vencedora dos prêmios Olavo Bilac (1987), Prêmio Nacional de Poesia Helena Kolody (1998) e Prêmio Nacional de Poesia da Academia Brasileira de Letras (2004), além do escritor e autor de telenovelas Antônio Calmon.

Entre os nomes musicais se destacam: Teixeira de Manaus (saxofonista), Chico da Silva (sambista), Vinícius Cantuária (autor do hit Só Você), Eliana Printes (cantora de MPB) e a Lorena Simpson (cantora de música pop eletrônica). O grupo Carrapicho ganhou fama internacional, em 1996, com a música Tic, Tic Tac, que é uma toada de boi-bumbá (ritmo típico do Amazonas). O grupo vendeu mais de 15 milhões de discos e ficou em primeiro lugar nas paradas de sucesso em diversos países, em especial na França.


Foto: Apresentação Bumba meu Boi. Foto: Mondale on Visualhunt.

A cidade também é berço de grandes festivais. No teatro e no cinema, se destacam: o Festival de Teatro da Amazônia (que acontece desde 2003 e conta com espetáculos nacionais de caráter adulto e infantil), o Festival Breves Cenas de Teatro e o Amazonas Film Festival (que é um festival de cinema internacional com foco na Amazônia como cenário). Na música, temos o Festival Amazonas de Ópera (FAO), o Carnaval de Manaus, o Festival Amazonas de Jazz, além de vários eventos da cultura regional como: o Festival do Mestiço, o Festival Folclórico do Amazonas e o Boi Manaus.


Fachada do Teatro Amazonas durante o 9º Amazonas Film Festival, em 2012. Foto: Mondale on Visualhunt.

A riqueza histórica da cidade, bem como sua origem ligada aos povos indígenas, se reflete nos museus da cidade. A esse respeito temos: o Museu do Índio (dedicado a peças e utensílios de grupos indígenas da Amazônia), o Museu Amazônico (cujo acervo está ligado à Amazônia e suas culturas), Museu de Ciências Naturais da Amazônia (especializado em animais e espécies de peixes da floresta amazônica empalhados), Museu de Numismática do Amazonas (com exposição de coleções de moedas, cédulas e documentos históricos), Museu do Porto (dedicado à história da navegação e comércio no período da borracha), entre outros museus. É em Manaus também que se encontra a maior biblioteca do estado, a Biblioteca Pública Estadual do Amazonas.


TURISMO

Manaus é uma cidade muito requisitada do ponto de vista do turismo. Em 2013, por exemplo, ela foi considerada o maior destino de turistas na Amazônia e o 8.º destino brasileiro mais visitado pelos estrangeiros. Entre as principais atividades turísticas estão, os inúmeros hotéis de selva, o Teatro Amazonas e o Mercado Municipal de Manaus (Mercadão), que foi tombado como Patrimônio Histórico e Artístico Nacional pelo IPAHAN em 1 de julho de 1987. Em 2009, em uma votação feita pelo mercado mundial de turismo, a região recebeu um prêmio de melhor destino verde da América Latina. Devido ao fácil acesso de transatlânticos pelo rio Amazonas, a cidade recebe um grande número de navios de cruzeiro.


Mercado Municipal Adolpho Lisboa, Manaus - AM. Foto: Alex Lanz via Visualhunt.

O ecoturismo (ou, simplesmente, o turismo de natureza) é um dos pontos altos da cidade no que diz respeito ao turismo. Talvez a atração mais famosa, nesse sentido, seja o Encontro das Águas, que é o encontro das águas barrentas do rio Solimões com as águas escuras do rio Negro. As águas desses rios percorrem cerca de seis quilômetros sem se misturar, fenômeno que acontece devido à temperatura e densidade das águas, conjuntamente com a velocidade de suas correntezas. Existem ainda as praias nas proximidades da cidade como: a Praia da Ponta Negra (que possui uma orla urbanizada, com quadras de esportes), Praia da Lua (que tem o formato de uma Lua crescente e chama à atenção pela beleza da vegetação local), a Praia do Tupê e a Praia Dourada. A cidade conta ainda com um parque: o Parque Nacional das Anavilhanas.


Praça São Sebastião, Manaus – AM. Ao fundo, o Teatro Amazonas. Foto: Mondale on Visualhunt


PARA SABER MAIS


HABILIDADES BNCC

EF07GE11, EM13CHS302, EF09GE01, EF07HI08, EF07HI09, EF08HI17, EF08GE03, EF07CI07, EF04GE11, EF02HI11