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Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA)
 
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São 5,5 mil quilômetros quadrados de uma das mais biodiversas formações vegetais do mundo: a Amazônia. Essa floresta tropical, densa e frondosa reúne ao menos 2 milhões de espécies de animais, 30 mil espécies de plantas e 2.500 espécies de árvores (ou um terço de toda a madeira tropical do planeta), além de abrigar a maior bacia hidrográfica do mundo, 180 povos indígenas e dezenas de outras comunidades tradicionais, como quilombolas e ribeirinhos.

Trata-se de uma riqueza natural e humana única no mundo, o que faz com que a Amazônia seja objeto de estudo de milhares de pesquisas em instituições nacionais e internacionais. Uma delas conquistou lugar de destaque no país e fora dele: o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA).

Criado na década de 1950, o INPA tem o objetivo de produzir conhecimento científico sobre os recursos naturais da Amazônia e sobre o modo de vida dos povos que habitam essa região, sempre visando subsidiar políticas públicas que garantam o desenvolvimento socioeconômico e o bem estar humano.

Após décadas produzindo pesquisas sérias, comprometidas e inovadoras sobre fauna, flora, solo, minérios e sobre populações que vivem na Amazônia, o INPA se tornou um dos principais centros de pesquisa em Biologia Tropical do mundo, com expertise ímpar nas áreas de dinâmica ambiental, biodiversidade, sociedade e saúde. ESTRUTURA DE FUNCIONAMENTO
Atualmente O INPA é um órgão de administração direta do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, subordinado ao governo federal brasileiro. Ao longo de sua história, realizou centenas de estudos científicos sobre o meio ambiente e as condições de vida da população amazônica, de forma a contribuir com o bem-estar humano e o desenvolvimento regional.

Em sua maioria, as pesquisas realizadas no INPA têm foco em ecologia, zoologia e botânica. Pelo trabalho extremamente criterioso e técnico que a instituição põe em prática há décadas, ela se tornou referência e os inventários nela produzidos sobre fauna e flora ganharam o mundo.

O instituto possui doze coordenações de pesquisa, sendo elas: Botânica, Biologia Aquática, Ecologia, Aquacultura (ciência que estuda cultivo e reprodução dos organismos aquáticos), Tecnologia de Alimentos, Silvicultura Tropical (que estuda métodos de regenerar florestas e incentivar o uso sustentável delas), Ciências da Saúde, Produtos Florestais, Produtos Naturais, Entomologia (estudo dos insetos), Ciências Agronômicas, Clima e Recursos Hídricos e um Núcleo de Pesquisas em Ciências Humanas e Sociais.

A sede do INPA está localizada na cidade de Manaus, no estado do Amazonas, porém o órgão possuí três outros núcleos de pesquisa em Roraima, Acre e Rondônia.

O desafio que se apresenta ao INPA na atualidade é o de expandir o pensamento sustentável, de preservação do meio ambiente, no momento em que o mundo olha para a Amazônia interessado em explorar seus recursos naturais.


ESTRUTURA DE FUNCIONAMENTO

Atualmente O INPA é um órgão de administração direta do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, subordinado ao governo federal brasileiro. Ao longo de sua história, realizou centenas de estudos científicos sobre o meio ambiente e as condições de vida da população amazônica, de forma a contribuir com o bem-estar humano e o desenvolvimento regional.

Em sua maioria, as pesquisas realizadas no INPA têm foco em ecologia, zoologia e botânica. Pelo trabalho extremamente criterioso e técnico que a instituição põe em prática há décadas, ela se tornou referência e os inventários nela produzidos sobre fauna e flora ganharam o mundo.

O instituto possui doze coordenações de pesquisa, sendo elas: Botânica, Biologia Aquática, Ecologia, Aquacultura (ciência que estuda cultivo e reprodução dos organismos aquáticos), Tecnologia de Alimentos, Silvicultura Tropical (que estuda métodos de regenerar florestas e incentivar o uso sustentável delas), Ciências da Saúde, Produtos Florestais, Produtos Naturais, Entomologia (estudo dos insetos), Ciências Agronômicas, Clima e Recursos Hídricos e um Núcleo de Pesquisas em Ciências Humanas e Sociais.

A sede do INPA está localizada na cidade de Manaus, no estado do Amazonas, porém o órgão possuí três outros núcleos de pesquisa em Roraima, Acre e Rondônia.

O desafio que se apresenta ao INPA na atualidade é o de expandir o pensamento sustentável, de preservação do meio ambiente, no momento em que o mundo olha para a Amazônia interessado em explorar seus recursos naturais.


HISTÓRICO

A ideia e a necessidade de se criar um instituto de pesquisa focado em estudos sobre a Floresta Amazônica era antigo, porém ela só ganhou força após a Segunda Guerra Mundial, mais precisamente a partir do ano de 1945.

A Organização das Nações Unidas para a Educação (Unesco) desejava criar o Instituto Internacional da Hiléia Amazônica (IIHA), mas a ideia não foi bem aceita no Brasil. Grande parte da população, imbuída de um forte nacionalismo, pressionou o Congresso Nacional e o então presidente Getúlio Vargas a substituir o IIHA por um instituto nacional, com recursos do Estado e com pesquisadores brasileiros. A exigência ganhou apoio da imprensa brasileira. Para não receber críticas negativas, Getúlio Vargas aprovou, em outubro de 1952, a criação do INPA.

A partir daí foram dois anos até que o INPA começasse suas atividades em julho de 1954. As dificuldades já se apresentaram a partir desta data: havia falta de recursos, de pessoal qualificado e de infraestrutura para pesquisa. A sede do órgão, em Manaus, ficava muito distante do centro de poder político e econômico do país, dificultando o intercâmbio de informações e a possibilidade de se cobrar melhorias para o órgão. A falta de infraestrutura da cidade na época era também um obstáculo para atrair e receber cientistas.

Em seus primeiros anos, o INPA investiu em grandes expedições para conhecer a região amazônica. A primeira delas foi ao território de Rio Branco, atual estado de Roraima, já em outubro de 1954. No mesmo ano, o instituto passou a ser responsável também pela administração do Museu Paraense Emílio Goeldi. Foi inaugurada a biblioteca do instituto, cujo acervo é formado também por amostras provenientes do Museu Botânico Amazonense, que foi extinto em 1890.

Na década de 1960, o INPA recebeu doações de terras para a criação de uma área de reserva denominada Reserva Florestal Adolfo Ducke, que ainda existe em Manaus. Em 1969, foi realizada a primeira pesquisa conjunta com grupos internacionais, através de um convênio bilateral com pesquisadores alemães, focado em estudar as áreas alagáveis do Rio Amazonas.

Embora o INPA estivesse realizando diversos trabalhos de relevância, foi somente nos anos 1970 que sua atual sede, denominada Campus da Ciência, foi construída. Ele ficou pronto no fim de 1973 e atraiu recursos para o instituto, que passou a contar com o apoio da Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam) – criada em 1966 pelo governo federal com o objetivo de promover o desenvolvimento da região amazônica –, e da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), criada em 1967 para promover os polos industrial, comercial e agropecuário da região. O órgão recebeu também o apoio do Conselho Nacional de Pesquisas, que em 1974 se tornou o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), cujo objetivo é prover incentivo financeiro ao desenvolvimento das pesquisas científicas brasileiras.

Também em 1973, o INPA inaugurou um dos primeiros cursos do mundo de pós-graduação em botânica tropical, temática que deu ao instituto este destaque mundial durante os anos seguintes. Ainda na década de 1970 foi lançada a revista científica ACTA Amazônica, utilizada para divulgar as pesquisas do INPA ao público externo. Na época, tais estudos se concentravam em avaliações sobre o impacto ambiental de empreendimentos e projetos governamentais na Amazônia, com destaque para as hidrelétricas.

Com o aumento do número de publicações, pesquisas e cursos, o prestígio do INPA cresceu e o instituto recebeu apoio público para atualizar equipamentos técnicos, aumentar o acervo da biblioteca e capacitar pesquisadores, sobretudo na década de 1980.

Nos anos 1990, o plano estratégico de pesquisa e atuação do INPA mudou e o órgão se voltou ainda mais para a conservação do meio ambiente e para a promoção do desenvolvimento sustentável, tendo como objetivo beneficiar a população local. As pesquisas deram origem ao Programa Piloto para Proteção das Florestas Tropicais do Brasil, criado para buscar maneiras de conservar as florestas da Amazônia e da Mata Atlântica.

A partir dos anos 2000 o desafio do INPA passou a ser a modernização de sua infraestrutura, o desenvolvimento de tecnologia e o fortalecimento da linha de trabalho voltado ao desenvolvimento sustentável da Amazônia.


ESTRUTURA

A sede do INPA mantém uma área de 379 mil metros quadrados, dividida em três campus. O órgão administra também três reservas florestais e duas biológicas, quatro estações experimentais, duas bases flutuantes de pesquisa, um laboratório flutuante e um barco de pesquisa.

O instituto oferece nove cursos de pós-graduação e quatro núcleos de apoio à pesquisa em quatro estados diferentes: Acre, Pará, Rondônia e Roraima. Possui ainda uma Divisão de Suporte para as Estações e Reservas (DISER), que foi criada em 1998. Seu papel é fazer a manutenção e o gerenciamento das reservas, bases de apoio e estações experimentais e flutuantes.

O INPA possui também um herbário com a maior coleção de plantas amazônicas do mundo. Seu acervo conta com 237 mil exemplares, 25 mil fototipos, 2.500 frutos e uma xiloteca (arquivo de madeiras) com 10.445 amostras de madeira. É possível conhecer parte da coleção pela internet, garantindo assim, acesso ao público externo e interno.

A Coordenação de Pesquisas no INPA, identificada pela sigla Copes, faz a gestão dos recursos financeiros e administrativos da instituição. O objetivo desse setor é estimular a produção científica e tecnológica em áreas que podem atender demandas da sociedade. A Copes coordena e gerencia atividades científicas propondo melhorias e acompanhando seu progresso. Ficam sob sua gerência, desde 2018, quatro programas institucionais, quatro projetos institucionais, cinco laboratórios temáticos e 66 grupos de pesquisa.

Uma das formas do público geral conhecer o INPA é através do Bosque da Ciência, inaugurado em 1995, com uma extensão de 130 mil metros quadrados. O bosque nasceu para difundir a produção científica desenvolvida pelo instituto e para oferecer educação ambiental para a população. Além disso, reúne diversas espécies de animais e de vegetais típicos da Amazônia.

De acordo com seu site oficial, o Bosque da Ciência recebe 100 mil visitas por ano, em sua maioria de crianças, estudantes e de turistas brasileiros e estrangeiros. Todos podem visitar o bosque pagando R$ 5,00 de entrada. Crianças com menos de dez anos e idosos maiores de 60 não pagam, assim como grupos escolares e acadêmicos, que podem requerer gratuidade. Todas as atividades e exposições realizadas no Bosque da Ciência são abertas ao público.


CONTRIBUIÇÕES DO INPA

O INPA fez grandes contribuições para o meio ambiente da região amazônica. Em 1998 conseguiu garantir o primeiro nascimento de um peixe-boi em cativeiro, no Amazonas. Em 2019, conquistou o marco de soltar de 12 peixes-boi de volta ao meio ambiente, a maior reintrodução desta espécie na natureza da história.


Foto: Bianca Paiva/ Agência Brasil.

No fim dos anos 1990, o laboratório de biologia molecular do INPA integrou o Projeto Genoma Nacional, junto a outros 24 laboratórios brasileiros. A iniciativa visava mapear geneticamente o DNA de organismos vivos, impulsionando a área de pesquisa molecular do instituto.

Os pesquisadores do INPA Philip M. Fearnside e Niro Higuchi são os únicos cientistas da Amazônia que integram o Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas da Organização das Nações Unidas (IPCC, na sigla em inglês). O IPCC conquistou o Prêmio Nobel da Paz 2007 pela sua contribuição para a sociedade. Os relatórios sobre mudanças climáticas na Amazônia, produzidos pelos estudiosos contribuem para pesquisas internacionais sobre o tema.

É responsabilidade do INPA a descoberta de uma nova espécie de golfinho de rio, em 2014, que foi batizado de Boto-do-Araguaia ou Boto-Araguaiano, cujo nome científico é Inia Araguaiaensis.

Dois anos depois, o INPA recebeu pela primeira vez royalties pela invenção de um purificador de água denominado Água Box, desenvolvido pelo cientista Roland Vetter. Usando energia solar, o equipamento purifica água de rios e igarapés por um processo de radiação ultravioleta. Ele é extremamente importante para que indígenas e comunidades ribeirinhas tenham acesso à água potável.


O purificador filtra 5 mil litros por dia. Foto: Maiana Diniz/Agência Brasil.



Os aparelhos funcionam com energia solar e fornecem água limpa para pessoas que vivem em locais remotos, sem acesso à energia elétrica.
Foto: Maiana Diniz/Agência Brasil.

O INPA conquistou, em 2019, nota 6 em sua pós-graduação em Ecologia, a maior já recebida no Amazonas na avaliação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Cape), que atribui notas que vão de 3 a 7. Os cursos ajudam a atrair e a fixar pesquisadores de ponta na região amazônica, contribuindo para o desenvolvimento das ciências no norte do país. Além disso, promove intercâmbios de especialistas internacionais, em especial dos Estados Unidos, de Singapura e da Austrália.

Em 2020, com a pandemia do novo coronavirus, o INPA mais uma vez saiu na frente e mapeou casos confirmados de Covid-19 em Boa Vista, capital de Roraima, a pedido da Superintendência de Vigilância em Saúde (SVS) e da Secretaria Municipal de Saúde (SMSA).

Por meio desse mapeamento, os bairros do município foram divididos por setores para auxiliar no panorama semanal de confirmações de doentes, com monitoramento da evolução e da dispersão de casos. Estas informações ajudam a planejar a distribuição de recursos, profissionais, materiais e equipamentos, além de produzir boletins que subsidiam as ações da prefeitura de Boa Vista.


CRISE INSTITUCIONAL

Em 2019 o INPA entrou em uma crise financeira e institucional, denunciada em diversos protestos estudantis, sobretudo em setembro daquele ano. Houve corte de verbas em vários setores, em especial no de pesquisa. Para se ter ideia, entre 2003 e 2015 o total investido pelo governo federal em ciência, educação e tecnologia era de 1,3% do PIB. Em 2019, esse percentual caiu para 0,2%. A título de comparação, a França investe 3% do seu PIB no setor.

Além da redução da verba destinada ao instituto houve corte de bolsas de estudo de pós-graduação e queda no número de pesquisadores e técnicos ativos no instituto. Os concursos foram suspensos, mesmo para repor as aposentadorias previstas, e as contratações reduziram significativamente. O Museu Paraense Emilio Goeldi também foi afetado.

A crise começou em 2017 quando o orçamento aprovado para o INPA passou a sofrer cortes expressivos. Na sequência houve uma diminuição significativa no número de servidores: em 2018 o número de cientistas na instituição reduziu de 561 cientistas para somente 158.

Em 2019, o Bosque da Ciência anunciou que fecharia as portas por falta de pessoal e de recursos para manter o espaço. A prefeitura de Manaus interferiu inclusive por se tratar de um ponto turístico do município, e acionou a Secretaria Municipal de Finanças, Tecnologia da Informação e Controle Interno para que repassasse verbas para a instituição para que ela se mantivesse funcionando. O município também cedeu estagiários e bolsistas para trabalhar no local, com planos de terceirizar trabalhadores. Assim, o Bosque pôde continuar funcionando e só paralisou temporariamente as atividades em março de 2020, devido as medidas de isolamento social para conter o avanço da pandemia do novo coronavírus.

Outra ação que prejudicou o INPA foi a redução do número de bolsas de pós-graduação concedidas pelo CNPq e pela Capes, instituições ligadas ao Ministério da Educação. Os cortes afetaram a possibilidade do INPA realizar novos projetos e de renovar a equipe de pesquisadores bolsistas. Outra preocupação com os cortes é a impossibilidade de alunos mais pobres conseguirem cursar pós-graduação, já que não contariam com o respaldo das bolsas de estudos. Sobre esse problema, o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicação afirmou que trabalha junto ao Ministério da Economia e ao Congresso Nacional para disponibilizar futuramente mais verbas para a instituição e que se preocupa em dialogar com o INPA para que as atividades de pesquisa não sejam impactadas.


PARA SABER MAIS


HABILIDADES DA BNCC
EF06GE11, EF07GE01, EF07GE11, EF08GE13, EM13CHS202, EM13CHS401, EM13CHS403, EM13CHS504