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Antígenos e Anticorpos
 
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Os antígenos e os anticorpos são substâncias bioquímicas, ao mesmo tempo opostas e complementares. Em interação no organismo, agem por meio do mecanismo de estímulo-resposta, o que desencadeia ações de defesa do corpo e ativação do sistema imunológico. In vitro, os primeiros podem ser usados no preparo de vacinas e os últimos podem ser indicativos para o diagnóstico de diversas doenças.


ANTÍGENOS

Chama-se genericamente de antígeno toda substância estranha a um organismo que, ao ser nele introduzida, é capaz de desencadear uma resposta imune. Tal substância é de origem orgânica, isto é, presente em seres vivos; geralmente uma proteína ou um polissacarídeo, encontrados em vírus, bactérias, fungos, protistas, vermes parasitas e no pólen de flores. A resposta imune é desencadeada porque o organismo não reconhece a substância em circulação e, por isso se defende, produzindo uma reação que leva à produção de anticorpos. Cabe frisar que a capacidade do antígeno de induzir à produção de anticorpos não garante a imunidade do organismo, isto é, estar protegido contra um determinado agente invasor. Defesa e imunidade são, portanto, coisas diferentes.

EpicTop10.com por VisualHunt / CC BY.



Podemos classificar os antígenos de várias maneiras, sendo uma delas a capacidade de efetivamente produzir imunidade. Nesta classificação, os antígenos podem ser do tipo imunógenos (os quais levam à produção de anticorpos específicos, garantindo a imunidade), haptenos (os quais são tão pequenos que dependem de ligações com outras proteínas para produzir imunidade) e os alérgenos (que promovem excesso de produção de anticorpos, mas não imunidade).

De outro ponto de vista, os antígenos também podem reagir in vitro quando em contato com os anticorpos, por isso podem ser classificados em completos (quando estimulam a produção dos anticorpos e reagem com estes in vitro) ou incompletos (quando não estimulam a produção de novos anticorpos, mas são capazes de reagir com anticorpos já formados); conjugados (quando produtos da combinação de proteínas com certos radicais orgânicos) e marcados (quando se combinam com isótopos radioativos).

Os antígenos também podem ser classificados, de acordo à natureza da substância de que é constituído e à localização dessa sustância no corpo do ser vivo que lhe dá origem. Eis alguns exemplos: antígeno O ou somático é o que se encontra no corpo das bactérias, de natureza lipopolissacarídica; antígeno H ou flagelar, de natureza proteica, se acha nos flagelos das bactérias, antígenos K, são os encontrados em grupos de enterobactérias (aquelas que vivem no sistema gastrointestinal); há ainda os antígenos alergógenos, os que provocam alergia ou hipersensibilidade e cuja origem são os pólens das flores. Finalmente, podemos classificar os antígenos de acordo à sua incidência no organismo. Eles podem ser chamados antígenos de histocompatibilidade, ou seja, quando se localizam nos tecidos do corpo, como aqueles responsáveis pela ativação de anticorpos nos casos de rejeição dos enxertos e transplantes;. Há ainda os aglutinogênios sanguíneos, presentes nas células do sangue, os quais permitem que as hemácias humanas possam compor um mosaico de células aglutinadas, favorecendo processos de cicatrização, evitando perda sanguínea e quadros hemorrágicos.

Entre as aplicações práticas, destacam-se as pesquisas com os antígenos ditos comuns (por serem provenientes de vários microrganismos), comumente encontrados nos glóbulos brancos dos organismos para efeitos preventivos em situações de transplantes de órgãos, buscando verificar a identidade imunológica entre doador e receptor. Outras aplicações práticas, relacionadas aos antígenos são o preparo de vacinas e sua utilização em testes para detecção de anticorpos in vitro.


ANTICORPOS

Denominam-se anticorpos as substâncias moleculares de origem proteica (imunoglobulinas) secretadas por células que circulam no sangue chamadas plasmócitos, as quais são capazes de neutralizar ou ainda destruir os antígenos. Os anticorpos são resultado de processos de diferenciação celular dos linfócitos B, produzidos no saco vitelino e no fígado (durante a fase embrionária) e depois na medula óssea. A principal função dos anticorpos é a de reagir à presença de antígenos, ligando-se quimicamente às suas moléculas, uma vez que essas não são reconhecidas pelo organismo. Os anticorpos possuem uma estrutura física formada por uma combinação de cadeias de peptídeos leves e pesadas e cuja forma em Y é capaz de se ligar às macromoléculas do agente invasor, de modo específico, neutralizando sua ação.


Foto: Freepik.


Quando um antígeno penetra no organismo, o anticorpo que lhe é estruturalmente complementar liga-se a ele por contato físico, ou seja, se acoplam na superfície das células estranhas, por sua capacidade de reconhecer as moléculas do antígeno de forma específica. Assim que ocorre essa ligação, linfócitos B – ainda não diferenciados - são ativados e se multiplicam, transformando-se em novos plasmócitos que produzem novos anticorpos que passam a circular no sangue. A união do anticorpo com o antígeno faz com que os agentes infecciosos se aglutinem, evitando que se espalhem pelo corpo e facilitando a ação dos glóbulos brancos e dos macrófagos, células que têm capacidade destrutiva. Alguns linfócitos que são ativados ainda se transformam nas chamadas células de memória, capazes de reagir rapidamente em uma nova infecção pelo mesmo tipo de antígeno; graças a elas o organismo garante uma proteção mais rápida e eficaz, tornando-se imune à várias doenças como sarampo, catapora etc.

Os anticorpos são denominados genericamente imunoglobulinas, cuja notação é Ig. De acordo com seu peso molecular e coeficiente de sedimentação distinguem-se cinco espécies de imunoglobulinas: IgA, IgG, IgD, IgM e IgE.

Os anticorpos podem ser divididos fundamentalmente em dois grupos: circulantes e fixos ou cutissensibilizadores. Os primeiros são detectados na circulação através de numerosas provas realizadas in vitro ou in vivo (prova de Prausnitz-Küstner) também chamada "transferência passiva de anticorpos". Os anticorpos fixos são detectados na pele através de reações cutâneas com os antígenos competentes. Estão presentes em diversos tipos de manifestações alérgicas, bem como em numerosos processos infecciosos e parasitários. A denominação dos anticorpos depende das reações que promovam in vitro ou in vivo. Assim, anticorpo imobilizador é o que, em contato com microrganismos móveis, ocasiona sua paralisação; anticorpo neutralizante ou protetor é o que neutraliza a toxina, veneno ou vírus; anticorpo inibidor, o que em combinação com o antígeno não promove uma reação visível; aglutinina ou anticorpo aglutinante, o que promove aglutinação (floculação celular); anticorpo precipitante, o que determina precipitação (floculação unicelular); anticorpo fixador do complemento, o que fixa uma substância na presença do antígeno. Diz-se ainda anticorpo natural àquele que resulta de imunização natural por doença, e artificial, o que é inoculado por meio de vacinação.

A pesquisa dos anticorpos e a revelação do seu título ou teor apresentam grande valor, pois muitas doenças são diagnosticadas por meio desses recursos. São também comumente usados para o controle, e tratamento de doenças em estudos epidemiológicos..


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