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Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC)
 
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 MOVIMENTO GUERRILHEIRO COLOMBIANO Imprimir Enviar Guardar
 
Constituído em 1964, depois que o Exército colombiano atacou camponeses em um assentamento organizado por grupos de esquerda após uma revolta na região de Marquetalia, no centro-oeste colombiano. Os sobreviventes desse ataque criaram as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Portanto, o grupo guerrilheiro tem as suas origens em um movimento surgido ao longo das décadas de 1940 e 1950 e destinado à autodefesa camponesa. Dirigidas por Manuel Marulanda, também conhecido por Tirofijo, até a sua morte, em 2008, as Farc tinham como objetivo a redistribuição da riqueza e da terra por meio da luta armada. Era um grupo armado de esquerda em um país com altas taxas de pobreza. Em 1984, as lideranças do grupo assinaram um cessar-fogo. Em 1985, as Farc fundaram um partido político, a União Patriótica (UP), que em 1986 obteve representação parlamentar. Após o fim da trégua, em 1987, foi criada a Coordenadora Guerrilheira Simón Bolívar (CGSB), que reunia a maioria dos rebeldes colombianos. Depois, na década de 1990, forças paramilitares de direita passaram a atacar os rebeldes, os quais utilizavam cada vez mais o comércio de drogas para financiar suas ações. Em 1998, iniciou-se um processo de paz que levou à desmilitarização completa de uma zona importante do departamento de Caquetá, no sul da Colômbia.

A participação cada vez maior dos EUA, que vinculava a luta contra a guerrilha ao combate ao cultivo e a exportação de cocaína, aumentou as dificuldades no processo de paz, agravadas desde o início do ano 2002. Em dezembro de 2005, pela primeira vez desde sua chegada ao poder em 2002, o presidente da Colômbia Álvaro Uribe aceitou negociar um acordo humanitário com representantes das Farc. O processo de negociação implicou a desmilitarização de territórios e a libertação dos reféns sequestrados pela guerrilha, trocados por rebeldes em prisão. A princípio de 2008, depois da mediação do presidente venezuelano Hugo Chávez, a guerrilha cedeu em liberar duas reféns sequestradas havia seis anos: Clara Rojas, candidata à vice-presidência nas eleições de 2002 na candidatura de Ingrid Betancourt, e Consuelo González de Perdomo, ex-senadora. Pouco depois, a guerrilha libertou mais cinco reféns. Em março do mesmo ano, Raúl Reyes, um dos líderes das Farc, morreu junto com mais 16 guerrilheiros em um ataque do Exército colombiano. Ao produzir-se em território equatoriano, a operação provocou uma crise diplomática entre a Colômbia e o Equador, agravada pelas ofensivas do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, contra Uribe. Em maio de 2008, as Farc confirmaram o falecimento do seu líder, Manuel Marulanda, e anunciaram que Alfonso Cano havia sido designado seu sucessor na direção da guerrilha. Em julho do mesmo ano, uma operação do Exército colombiano que permitiu a libertação da ex-candidata à presidência da Colômbia Ingrid Betancourt, sequestrada pelas Farc desde fevereiro de 2002, e de outros 14 reféns da guerrilha supôs um duro golpe as Farc. Também em outubro, destacou-se a fuga de Óscar Tulio Lizcano, refém que esteve em poder da guerrilha por oito anos. Em janeiro de 2009, foi liberado o ex-governador do departamento de Meta, Alan Jara, depois de sete anos de sequestro e cárcere.

Em setembro de 2010, o chefe militar das Farc, Víctor Julio Suarez Rojas, conhecido como Mono Jojoy, foi abatido pelo Exército colombiano.



Homem segura um jornal que anuncia a morte do então chefe militar das Farc Julio Suarez Rojas.
23 de Setembro de 2010. Medelín, Colômbia.
Foto: RAUL ARBOLEDA / AFP

Em novembro de 2011, Alfonso Cano morreu em uma operação das forças militares colombianas e Rodrigo Londoño Echeverri, conhecido como Timochenko, foi escolhido como novo líder do grupo guerrilheiro.

Em fevereiro 2012, tiveram início os Dialogos de la paz, em Havana, capital cubana. Desse encontro saiu o documento Acuerdo General para la Terminación del Conflicto (Acordo Geral para o Fim do Conflito).

Depois, em setembro de 2012, as negociações seguiram em Oslo, na Noruega. Nesse momento, o então presidente colombiano Juan Manuel Santos confirmou publicamente, pela primeira vez, que as negociações estavam caminhando.

Em seguida, no período que vai de 2013 até o anúncio de cessar-fogo em 2016, as duas partes negociaram, entre outras coisas, acordos em torno do combate ao narcotráfico e aos cultivos ilícitos, além das punições aos guerrilheiros. Nesse meio tempo, em 30 de julho de 2014, uma série de atentados perpetrados pelas Farc à infraestrutura energética da Colômbia quase encerrou o processo de paz.

No final, depois de muitas negociações, no dia 24 de agosto de 2016, o presidente colombiano Juan Manuel Santos, assinou, em Havana (Cuba), um acordo de paz com a liderança das Farc. O pacto costurado em terras cubanas prevê reforma rural, participação política dos ex-combatentes da guerrilha, cessar-fogo bilateral e definitivo, solução ao problema das drogas ilícitas, ressarcimento das vítimas e mecanismos de implementação e verificação. Segundo esse acordo, os guerrilheiros que confessarem seus crimes poderão evitar a prisão e receber penas alternativas.

Em 28 de agosto de 2016, a liderança das Farc e o governo colombiano anunciaram o cessar-fogo. Essa decisão encerrou 52 anos de um conflito armado que deixou cerca de 260 mil mortos. Em 2017, a maioria dos guerrilheiros se desmobilizou e passou a integrar o partido político Força Alternativa Revolucionária do Comum. Foram cerca de 9 mil armas entregues à ONU pelas mãos de 7 mil guerrilheiros. No entanto, alguns deles não aceitaram os termos e outros criticaram o fato de os rebeldes poderem se candidatar sem terem cumprido penas pelos crimes de que foram acusados.

Em agosto de 2019, o ex-número dois das Farc, Iván Márquez, anunciou por meio de um vídeo de 32 minutos que iniciaria uma nova fase da luta armada contra o que chamou de oligarquia "excludente e corrupta". Em um dos trechos declara: "Anunciamos ao mundo que a segunda Marquetalia (local de origem das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, as Farc) começou sob a proteção do direito universal que ajuda todos os povos do mundo a se armarem contra a opressão."

A decisão de pegar em armas novamente, segundo o manifesto lido por Márquez, é uma continuação da luta guerrilheira em resposta à traição do Estado em relação aos acordos de paz. Para o guerrilheiro, o Estado colombiano não cumpriu nem mesmo as mais importantes de suas obrigações, as de garantir a vida de seus cidadãos e, principalmente, evitar assassinatos por razões políticas. Além disso, declarou que, em dois anos, mais de 500 líderes do movimento social foram mortos e 150 guerrilheiros já morreram em meio à indiferença e indolência do Estado.

Após a divulgação do vídeo, o ex-comandante das Farc, Rodrigo Londoño, atualmente um líder da Força Comum Alternativa Revolucionária, negou a retomada da luta armada. Ele diz que a grande maioria continua comprometida com o acordo, apesar de todas as dificuldades e perigos, “estamos com a paz", disse.



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