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Sócrates
 
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filósofo Sócrates (469–399 a.C.) permanece um grande mistério. Apesar de não ter escrito nada, é considerado o filósofo que mudou para sempre como a própria filosofia deveria ser entendida. Tudo que sabemos dele são de segunda mão, em especial, obtidas pelos escritos de Platão, e por isso, é sempre difícil afirmar com precisão suas doutrinas filosóficas. No entanto, seu julgamento e morte tiveram uma influência determinante na história da filosofia.

Neste texto, iremos contar um pouco de sua história. Por exemplo, como foi sua educação e qual foi a sua relação com o exército ateniense, bem como, quais os motivos que o levaram a um julgamento e, posteriormente, sua condenação à morte. Na sequência, iremos apresentar as principais teses filosóficas de Sócrates, tendo sempre como referência fundamental, os escritos de Platão. Por fim, vamos olhar com detalhes como funcionava o método socrático de fazer filosofia.


A VIDA DE SÓCRATES

Sócrates nasceu em Atenas no ano 469 a.C., filho de Sofronisco (um pedreiro) e Fenareta (uma parteira). Ele cresceu no deme político ou distrito de Alopece e, quando completou 18 anos, começou a desempenhar os deveres políticos típicos exigidos dos homens atenienses. Isso incluía o serviço militar obrigatório e a participação na Assembleia.


Foto: Acrópole em Atenas - Grécia - Christo Anestev via Pixabay

Em uma cultura que adorava a beleza masculina, como a Grega, Sócrates parece ter tido o azar de nascer extremamente feio, algo que foi apontado por Platão e outros pensadores gregos em vários momentos (Teeteto (143e) e Banquete (215a-c, 216c–d, 221d–e) de Platão; Banquete (4.19, 5.5-7) de Xenofonte; e As nuvens (362) de Aristófanes)).

Sócrates recebeu uma boa educação. Tanto nas obras de Platão como nas de Xenofonte, temos um Sócrates cujo conhecimento no campo da poesia e de música parece bastante amplo. Ele também se destaca na prática de exercícios físicos, algo que era extremamente importante para os atenienses daquela época.

Ele passava os seus dias na ágora (o mercado ateniense), fazendo perguntas a quem falasse com ele. Rapidamente, ele conquistou alguns seguidores, dentre eles, Platão.

No campo afetivo, Sócrates teve duas esposas: Xântipe e Mirto (alguns relatos apontam para a possibilidade dele ter sido casado com as duas mulheres simultaneamente, devido à escassez de homens em Atenas na época). E muito provavelmente com Xântipe, teve três filhos: Lamprocles, Sofronisco e Menexeno. Para além de suas esposas, de acordo com o costume ateniense de sua época, Sócrates se relacionava abertamente com jovens rapazes.

No âmbito da cidade de Atenas, Sócrates teve sempre uma participação ativa, em especial, no exército. Na guerra do Peloponeso, ele lutou pelas forças armadas atenienses, os ajudando a vencer a batalha de Potideia (432 a.C.) e também lutou como um dos 7.000 hoplitas (principal classe de soldados gregos na antiguidade) na batalha de Délio (424 a.C.). Além disso, esteve na batalha de Anfípolis (422 a.C.).

Apesar de seus serviços prestados à cidade, muitos membros da sociedade ateniense consideravam Sócrates uma ameaça à sua democracia, e o motivo disso, pode estar, justamente, nas relações que ele estabeleceu durante a guerra.


A GUERRA DO PELOPONESO E O SEU JULGAMENTO

A guerra do Peloponeso, travada entre Atenas e Esparta, entre os anos de 431 e 404 a.C., teve uma significativa importância na vida de Sócrates. Primeiro, como já vimos, ele participou de boa parte das batalhas (uma pessoa dificilmente passaria de maneira indiferente por uma guerra). Mas para além disso, a guerra foi relevante, porque as relações lá estabelecidas podem ter influenciado o seu posterior julgamento. Muitos daqueles que se relacionavam com Sócrates durante este período se tornariam simpatizantes de Esparta ou traidores de Atenas.

Durante a guerra, muitos acontecimentos fizeram deteriorar a imagem de Sócrates, foi um período em que Atenas vivia uma série de destruições e profanações. A mutilação das estátuas dos Hermes e a profanação dos mistérios de Elêusis são exemplos disso. Entre os suspeitos de envolvimento nestes crimes estava Alcibíades, um famoso general ateniense e um dos associados de Sócrates. Alcibíades acabou retirado de suas funções no exército e acabou pedindo asilo em Esparta. Importante notar que, ainda que Alcibíades não fosse o único associado a Sócrates, ele parece ser o mais importante. Em vários textos de Platão ele parece indicar uma grande admiração de Sócrates por ele (Banquete (213c-d), Protágoras (309a), Górgias (481d), Alcibíades I (103a-104c, 131e-132a).

Em 404 a.C., Esparta derrotou Atenas, cinco anos antes do julgamento e execução de Sócrates. Em Atenas, imediatamente após a guerra, ao invés de uma democracia, instaurou-se um governo ligado aos interesses espartanos, a chamada “Tirania dos trinta”, que foi liderada por Crítias, um conhecido parceiro de Sócrates. Ainda que Crítias tenha proibido Sócrates de se associar a jovens, a relação anterior de Sócrates com ele e o fato dele ter permanecido em Atenas, não se opondo, aparentemente, à tirania dos trinta, contribuiu para que se aumentasse as suspeitas acerca dele.

A Tirania dos Trinta executou uma série de Atenienses ricos, além de confiscar propriedades e prender aqueles que eram simpáticos à democracia, até serem derrubados em 403a.C. Crítias foi morto e, após um acordo de paz patrocinado pelos espartanos, a democracia foi restaurada. Ficava proibida, então, qualquer condenação por motivos políticos.

Um democrata que havia sido exilado e que retorna à Atenas é Ânito, aquele que viria a ser um dos principais acusadores de Sócrates. Ânito e Sócrates aparecem em Mênon de Platão, discutindo sobre o ensinamento da virtude. Neste diálogo, o debate acerca do modelo democrático de governo aparece bem claro. Ânito alega que a virtude poderia ser ensinada por qualquer pessoa (uma visão democrática), enquanto Sócrates defendia que o ensinamento da virtude deveria ser de exclusividade de especialistas.

Apesar das inúmeras suspeitas do povo ateniense contra Sócrates, há também muitas evidências de seu apreço à democracia. Isto pode ser visto, por exemplo, pela sua vida militar. Aliás, Sócrates teria se recusado a escapar da prisão, justamente mencionando o fato de que ele teria vivido toda a sua vida com um acordo implícito com as leis da democracia. A despeito disso tudo, Sócrates foi levado a julgamento e como estavam impedidos de entrar com uma ação contra Sócrates por motivos políticos, Ânito e seus companheiros optaram por acusar Sócrates por motivos religiosos. Após tantos anos de guerra, os cidadãos atenienses se preocupavam não mais com os inimigos externos, mas com aqueles de dentro da própria cidade.


INTRODUÇÃO DE NOVAS DIVINDADES E DEGENERAÇÃO DA JUVENTUDE

De acordo com o historiador grego Diógenes Laércio (1.5.40), as acusações foram as seguintes: “Sócrates comete um erro criminal ao não reconhecer os deuses que a cidade reconhece e, além disso, introduzindo novas divindades; e ele também comete um erro criminal ao corromper os jovens”. Em Atenas, a interpretação dos deuses em seus templos era um domínio exclusivo dos sacerdotes nomeados e reconhecidos pela cidade e Sócrates teria violado tais regras. Em suma, ele foi acusado de impiedade ou profanidade.

Sócrates e seus contemporâneos viviam em uma sociedade politeísta. Os seres humanos deveriam temer os deuses, se sacrificar por eles e honrá-los com festas e orações. Sócrates, no entanto, parecia ter uma concepção distinta de divindade. Para ele, uma divindade deveria ser benevolente e sempre operar de acordo com os padrões da racionalidade. Isto de certo modo tornava totalmente inúteis os rituais e sacrifícios da cidade. Neste sentido, e isto deve ter sido considerado pelos juízes, Sócrates estava desconectando a religião de suas raízes.

A crítica a interpretação dos deuses não era algo inédito em Atenas. Sólon, Xenófanes, Heráclito e Eurípides haviam se manifestado contra os caprichos e excessos dos deuses sem incorrer em penalidade. O problema maior parece ter sido sua aparente lealdade a um ser divino inteiramente novo, desconhecido de qualquer pessoa na cidade.

Esse novo ser divino é o que ficou conhecido como o “Daímôn” de Sócrates. Sócrates alegava ter ouvido um sinal ou voz quando criança que o acompanhava e o proibia de seguir certos cursos de ação. Esta crença teve um papel extremamente influente em sua acusação de adorar novos deuses desconhecidos da cidade. Pode-se dizer que sua insistência em ter acesso direto e pessoal ao divino o fez parecer culpado diante dos jurados que o condenaram à morte. Nos concentremos, agora, nas principais teses filosóficas atribuídas a Sócrates.


A FILOSOFIA SOCRÁTICA

Dada a natureza das fontes, não é fácil definir o que seria, de fato, uma filosofia socrática. Isto é o que os intérpretes chamam de problema socrático, a saber: encontrar, dentre as várias pessoas escreverem sobre Sócrates, cujos relatos diferem em aspectos cruciais, quais são as representações precisas do histórico Sócrates, se é que isso é possível.

As dificuldades aumentam porque todos aqueles que conheciam e escreviam sobre Sócrates viviam em um tempo em que não havia qualquer padronização sobre o que constitui precisão histórica ou licença poética. Na prática, todos os autores acabam apresentando suas próprias interpretações das personalidades e da vida de seus personagens. Isto certamente aconteceu com Sócrates.

As principais fontes antigas de informações sobre Sócrates são: Aristófanes, Xenofonte e Platão. Neste texto, tomaremos com base central a obra Apologia, escrita por Platão. Sócrates abre seu discurso de defesa se defendendo de seus acusadores mais velhos, afirmando que eles teriam envenenado a mente de seus jurados que eram todos mais jovens. Podemos dizer que a filosofia socrática se opõe a duas tradições: os sofistas e os pré-socráticos.

A melhor definição do termo “pré-socráticos” é a de um grupo de pensadores que não foi influenciado por Sócrates e que tem como principal característica a tentativa de explicar o mundo em termos de primeiros princípios. Tales de Mileto, por exemplo, acreditava que o princípio fundamental era a água, Anaximandro defendia que era o indefinido, Anaxímenes dizia ser o ar, etc. A preocupação filosófica de Sócrates não está voltada a estas questões cosmológicas.

Já com relação aos sofistas, a divergência parece ser de atitude. Os sofistas eram homens instruídos que viajavam de cidade em cidade, oferecendo-se para ensinar os jovens em troca de pagamento de uma taxa. Sócrates se dizia incapaz de ensinar (por não ter, ele próprio, o conhecimento da virtude humana) e não aceitaria, certamente, dinheiro por isso. Vamos nos concentrar agora nos principais conceitos desenvolvidos por Sócrates.

Um dos pontos mais difundidos é a chamada ignorância socrática. Um dia, o oráculo de Delfos teria dito a um amigo de Sócrates, de nome Querofonte, a seguinte frase: "ninguém é mais sábio que Sócrates". Sócrates, que afirmava não ter qualquer sabedoria, passou então a investigar qual seria o significado daquelas palavras.

Primeiro ele foi aos políticos, mas os encontrou sem sabedoria. Em seguida, visitou os poetas e descobriu que, por trás dos belos versos, havia uma inspiração divina, e não uma sabedoria de qualquer tipo. Por fim, Sócrates descobriu que os artesãos tinham conhecimento de seu próprio ofício, mas que seu conhecimento era limitado. A conclusão de Sócrates foi a de que ele estava melhor do que seus concidadãos, pois ainda que ele também não tivesse qualquer conhecimento, ele estava ciente de sua própria ignorância.

Vale a pena destacar que Sócrates não afirma não saber nada, ele simplesmente constata a sua ignorância. Assim, por exemplo, podemos encontrar, nele, uma série de fortes convicções sobre o que contribui para uma vida ética, ou de como não devemos prejudicar um amigo ou inimigo. No entanto, o que Sócrates faz é relativizar o valor de verdade destas convicções.

Um segundo aspecto importante da filosofia socrática é cuidado da alma. Isto é ressaltado em vários momentos em sua defesa no tribunal. Sócrates percebeu que seus concidadãos se importavam mais com riqueza, reputação e seus corpos, enquanto negligenciavam suas almas. Assim, Sócrates supõe ser o seu objetivo, agitar os que estão ao seu redor para que eles comecem a se examinar.

Como afirma Angelo (1998), Sócrates não estuda ética com o objetivo de apresentar um relato acadêmico (uma espécie de dissertação) sobre esse assunto (como Aristóteles pode ter feito), mas com o objetivo de se tornar o melhor ser humano possível, aquilo que ele deseja para si e para seus concidadãos.

Isto nos leva a um terceiro aspecto importante da filosofia de Sócrates, a vida examinada. Como afirma o próprio Sócrates, “a vida não examinada não vale a pena ser vivida por seres humanos” (Apologia, 38a). Sócrates não entra em muitos detalhes nesta passagem sobre o que exatamente constitui a vida examinada ou por que "a vida não examinada não vale a pena ser vivida".

Uma boa forma de começar, diz Lenoxx Johnson, é com a ideia de que a vida examinada envolve "discurso diário sobre a virtude". Isto significa questionar a si e aos outros sobre o que significa viver uma vida boa e tentar a cada dia encontrar uma resposta para a pergunta de como devemos viver. Tal frase nos mostra a relevância que ele dava para a reflexão sobre as nossas crenças e conhecimento. O sentido de uma da vida examinada é refletir sobre nossas motivações e valores cotidianos e, assim, investigar qual o real valor, se houver algum, de cada uma destas coisas. Se não encontrar qualquer valor ou se elas nos prejudicam, caberia a nós passar então a perseguir as coisas que são, de fato, valiosas.

Para além das posições e argumentos apresentados na Apologia, podemos encontrar mais algumas características da filosofia socrática em outras obras de Platão. Em Protágoras (329b-333b), por exemplo, aparece a ideia de unidade da virtude. De acordo com esta tese, todas as virtudes – justiça, sabedoria, coragem, piedade, etc – seriam a mesma coisa. De acordo com Cooper, dada essa unidade das virtudes, uma pessoa não poderia possuir uma sem possuir todas. E, ao falar de justiça e piedade em particular, Sócrates parece ir além, implicando que toda ação produzida pela virtude é igualmente um exemplo de todas as virtudes reconhecidas de maneira conjunta.

Também em Protágoras (352c, 358b), encontramos a tese de que ninguém erra conscientemente. A ideia aqui é de que quando alguém erra, erra por falta de conhecimento. Neste sentido, Sócrates nega a possibilidade da akrasia, ou fraqueza da vontade: casos em que alguém agiria de maneira errado, mesmo sabendo qual deveria ser a ação correta. Isto está em acordo com mais uma tese socrática, a de que as pessoas fazem tudo buscando o bem. Neste contexto, mesmo as coisas ruins, seriam feitas tendo em vista algum bem (como quando algum tirano mata alguém porque ele acha que isto pode ser benéfico de alguma forma). Isto aparece em Górgias (467c-468b).

Ainda em Górgias, temos a alegação de que é melhor sofrer uma injustiça que cometer uma. Sócrates argumenta que, se algo é mais vergonhoso, isto superaria em maldade ou em dor, ou em ambas. Uma vez que cometer uma injustiça não é mais doloroso que sofrer uma, cometer uma injustiça não supera em dor. Assim, cometer uma injustiça supera sofrer uma injustiça em maldade. Este argumento pode ser entendido em termos de cuidado da alma, na medida em que cometer uma injustiça corrompe a alma.

Sócrates também se debruçou sobre a busca da felicidade ou do bem-estar (Em grego, eudaimonia). A esse respeito, ele parece defender o seguinte princípio: é requerido racionalmente que uma pessoa faça de sua felicidade a consideração fundamental de sua ação. Em uma série de passagens da Apologia (36b-d, 37e-38a, 40e-41c) e, também, em Górgias (507a-c), Sócrates parece defender que a busca da felicidade está ligada a uma vida contemplativa e em concordância com a sabedoria.

Um último aspecto que perpassa toda a filosofia socrática é a ironia. Não se sabe se de maneira proposital ou não, Sócrates é sempre retratado, por Platão e outros, como um interlocutor irônico.


O MÉTODO SOCRÁTICO

Nesta última seção, abordaremos qual o procedimento adotado por ele para chegar àquelas conclusões expostas na seção anterior. Sócrates conduzia sua atividade filosófica por meio de perguntas e respostas. A tática típica dele, em suas investigações filosóficas, era tomar uma determinada posição, proposição ou definição de um interlocutor e testá-la até o ponto de ser refutada.

Podemos resumir o método do seguinte modo: duas pessoas estabelecem um diálogo cordial e com um objetivo claro. O inquisidor é o professor que faz perguntas (nos livros de Platão, quem faz este papel é o próprio Sócrates). O interlocutor é o aluno que responde a essas perguntas. Em resposta a uma pergunta feita pelo inquisidor, o interlocutor responde gerando uma hipótese inicial. O método procede como uma forma de diálogo argumentativo, chamado elenchus. Os participantes pensam criticamente, identificam pontos fracos na hipótese, o inquisidor coloca a próxima pergunta, o interlocutor responde e a hipótese é revisada para refletir o novo entendimento. Isso continua até que qualquer fraqueza identificada os obrigue a refutar a hipótese.

Assim, o primeiro passo do método socrático é questionar o tópico a ser investigado, que fica explícito na pergunta “O que é isto?”. Para alguns comentadores, com esta pergunta, Sócrates estaria, neste primeiro momento, procurando pelas definições dos conceitos.

Para além de um tópico, o método também exige um objetivo: como Sócrates pode afirmar que a posição W é falsa, quando a única coisa que ele estabeleceu é sua inconsistência com outras premissas cuja verdade ele não tentou estabelecer no seu método? A esse respeito, temos duas interpretações mais aceitas. A primeira, é chamada de posição construtivista. De acordo com isso, o método socrático estabelece a verdade ou falsidade das respostas individuais. Neste viés, Sócrates substitui uma premissa falsa de seu interlocutor por uma crença dele. A segunda interpretação é a não-construtivista. De acordo com esta outra visão, Sócrates não pensava ser possível estabelecer a verdade ou falsidade das respostas individuais. Tudo o que o método poderia mostrar é apenas a inconsistência de W com as premissas X, Y e Z.

Outra característica famosa do método socrático é a maiêutica. Etimologicamente, o termo “maiêutica” tem sua origem na palavra grega maieutike, cujo significado é “arte de fazer partos”. Sócrates afirma em Teeteto (149a) que sua mãe era parteira e que ele próprio fazia partos intelectuais. Assim como a arte da obstetrícia alivia as dores do parto e auxilia as mulheres a darem à luz, Sócrates cuidaria da alma e ajudaria seu interlocutor com as dores de uma ideia. Sócrates enfatiza que ele, assim como as parteiras, não podem dar à luz seus próprios filhos. O que explica sua postura. Sócrates não coloca palavras na boca de seus interlocutores, mas as retira deles, por meio de suas perguntas.


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