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 O QUE SÃO HORMÔNIOS Imprimir Enviar Guardar
 
O termo hormônio deriva da palavra grega horman, que significa excitar, estimular. Conhecer a etimologia da palavra simplifica a compreensão da função essencial dos hormônios, que é a de induzir uma resposta vegetativa específica – relacionada ao crescimento, à homeostasia, à reprodução e à produção de energia – nas células-alvo que possuem receptores específicos para esse reconhecimento.

A comunicação por meio de hormônios, que permite relacionar entre si partes distantes de um organismo, constitui um ponto-chave para a existência de uma perfeita coordenação entre as distintas funções vegetativas do organismo.

O conjunto de hormônios e glândulas que as sintetizam é conhecido como sistema hormonal ou endócrino, sendo a endocrinologia a ciência que estuda os hormônios ou as secreções específicas das glândulas endócrinas. Juntamente com o sistema nervoso, o sistema hormonal é o coprotagonista de uma elaborada rede de comunicação intercelular na qual existe uma troca exata de informação.

Na prática, os hormônios são substâncias químicas específicas, de classes distintas, produzidos por glândulas endócrinas, que liberam estas substâncias no sangue. Estas substâncias, via de regra, atuam em outras regiões, distintas daquelas onde são produzidas. Estes hormônios ajudam a regular as diversas atividades corporais, como a fome, a libido, a pressão sanguínea, entre outras, sendo fundamentais para o bom funcionamento de todos os nossos sistemas corporais. Cada hormônio é único e utilizado para uma determinada ação, e reage apenas com células alvos que possuam receptores específicos para aquela substância, atuando como um sistema de chave e fechadura.

Os hormônios dos animais podem-se dividir basicamente em duas categorias, dependendo de sua natureza química, forma de síntese e armazenagem, solubilidade, meia vida, forma de transporte e mecanismo de ação. Os principais são os hormônios peptídicos, compostos por aminoácidos, com tamanho de cadeias variáveis, podendo ter desde 3 aminoácidos, até mais de 180 destas estruturas unidas por ligações peptídicas. O outro grupo, menos representativo, são os esteroides que derivam do colesterol, como os hormônios sexuais e os glicocorticoides.

Existem dois tipos de receptores em função da natureza química dos hormônios: se o hormônio for peptídico, o seu receptor encontra-se na membrana plasmática e altera a atividade da célula por meio de mecanismos bioquímicos complexos, que provocam alterações na função celular; por outro lado, se o hormônio for esteroide, une-se a um receptor intracelular e afeta a expressão gênica da célula.

Apesar das diferenças nas estruturas químicas de ambos os tipos de hormônios, eles apresentam algumas características comuns importantes: deslocam-se graças ao fluxo sanguíneo, no qual se encontram em baixas concentrações; são reconhecidos pelos órgãos efetores por mecanismos específicos; e a sua presença no sangue inibe a sua secreção, pelo hipotálamo e pela hipófise, por meio de um mecanismo de retroalimentação, também chamado de feedback. Estes mecanismos de controle da secreção hormonal podem ser simples e dependem diretamente da concentração dos metabólitos, eletrólitos ou fluídos biológicos que eles controlam. Um exemplo simples deste mecanismo de feedback seria a manutenção das concentrações dos níveis plasmáticos de Cálcio no sangue de uma pessoa. Quando os níveis de Ca2+ caem, automaticamente é produzido o paratormônio (PTH) pelas glândulas paratireoides que se liga a células dos ossos, rins e intestino, estimulando a disponibilização de cálcio para o meio extracelular, aumentando a concentração sérica desta substância. O novo aumento da concentração de cálcio, por sua vez, inibe a produção do PTH, o que chamamos de feedback negativo. Existem mecanismos mais complexos de feedback, que envolvem a regulação dos hormônios hipofisários e hipotalâmicos, ou hormônios tróficos, que regulam o funcionamento das outras glândulas endócrinas, chamados de feedback de alça curta. Além das regulações por feedback alguns hormônios podem ainda ter influências ambientais em relação a sua produção e liberação. Em aves, por exemplo, o número de horas de exposição à luz influencia na secreção de hormônios gonadotróficos, determinando os períodos reprodutivos. Estas ações regulatórias dos hormônios ocorrem de maneira tão silenciosa e natural que são praticamente imperceptíveis no nosso corpo, a não ser em casos específicos quando ocorrem desregulações nas quantidades de hormônios liberados.

De uma maneira geral, a secreção dos hormônios é regulada por biorritmos modulados por fatores neurais e ambientais. Cada hormônio tem o seu ritmo associado. Isso significa, por exemplo, que o hormônio do crescimento e a prolactina obedecem a uma secreção pulsátil; o cortisol se submete ao ritmo circadiano; os hormônios que controlam o ciclo menstrual seguem ritmos semanais; e a tiroxina é segregada em prolongados períodos sazonais.



O SISTEMA NERVOSO COMO REGULADOR HORMONAL

O bom funcionamento dos organismos animais depende, em grande parte, da coordenação entre o sistema hormonal e o sistema nervoso, sendo este último o que controla diretamente a maioria das secreções hormonais. O sistema nervoso se encarrega de integrar a informação que o organismo capta tanto do meio externo como do interno, e decide o momento no qual deve sintetizar um determinado hormônio que, além de controlar as funções vegetativas dos animais, pode desencadear uma série de ações que explicam certos modelos de comportamento.

Em consequência de estímulos procedentes tanto do meio externo como do meio interno, os hormônios são segregados de acordo com um esquema muito ordenado. Independentemente da natureza do estímulo, este é captado por receptores sensoriais que estimulam o hipotálamo, uma estrutura situada na base do encéfalo que, apesar do seu pequeno tamanho, controla o sistema nervoso, o sistema endócrino e, além disso, as condutas relacionadas à sobrevivência da espécie.

A estimulação do hipotálamo provoca a segregação dos fatores liberadores, que induzem a hipófise a produzir hormônios tróficos (do grego trofos, que significa alimentação). A hipófise é uma glândula encefálica dividida em dois lóbulos, a adenoipófise e a neuroipófise, situada na base do hipotálamo e unida a este pela haste hipofisária. Os hormônios hipofisários estimulam uma glândula periférica, que segrega outros hormônios que irão agir em determinadas células de diferentes partes do organismo, incluindo o cérebro.



ALGUMAS FUNÇÕES REGULADAS POR HORMÔNIOS

O sistema hormonal regula uma grande diversidade de funções vegetativas, desde a sensação de sede até as mudanças de cor da pele. Para cada função são necessários hormônios e glândulas endócrinas específicas, embora os mecanismos de regulação hormonal sejam, essencialmente, muito parecidos, como se verifica ao analisar, por exemplo, a regulação do metabolismo e da alimentação celulares, o aparecimento dos caracteres sexuais, a estimulação da secreção de leite nos mamíferos e a regulação do crescimento. As principais glândulas do sistema endócrino são: hipotálamo, pineal, hipófise, tireoide, paratireoides, suprarrenais, pâncreas e as glândulas sexuais (ovários e testículos). E os principais hormônios do corpo humano são: hormônio do crescimento (GH), antidiurético (ADH), tiroxina (T4), adrenalina, glucagon, insulina, estrogênio, progesterona, prolactina, testosterona. cada um destes hormônios, como dito anteriormente, tem uma função específica na homeostase corporal, abaixo estão indicadas algumas dessas funções e regulações.



A REGULAÇÃO DO METABOLISMO

A adenoipófise, ao ser estimulada pelo hipotálamo, libera TSH (hormônio estimulante da tireoide,), que se dirige para a tireoide, uma glândula endócrina situada na parte anterior do pescoço. Deste modo, na tireoide, estimula a síntese dos hormônios tireoidianos – a tiroxina, que é praticamente inativa, e a triiodotironina –, que passam para os vasos sanguíneos e viajam pelo sangue unidos a proteínas plasmáticas. A principal função dos hormônios tireoidianos é a estimulação de todo o metabolismo corporal, ou seja, a promoção da síntese das proteínas em todas as células corporais, proporcionando assim um crescimento normal. Além disso, são muito importantes no desenvolvimento do nascituro.



O CONTROLE DA ALIMENTAÇÃO CELULAR

Os hormônios produzidos no pâncreas estão envolvidos na homeostasia do açúcar no sangue, que sofre aumento da concentração de glicose (glicemia) após as refeições. Esta deve ser absorvida por muitas células do corpo, uma vez que é o seu principal substrato energético. O hormônio que estimula esta absorção é a insulina, que se ativa quando aumenta a glicemia, de maneira que a concentração de glicose no sangue diminui novamente.

Além disso, a insulina, tal como o hormônio do crescimento, incrementa a síntese das proteínas.

O hormônio com ação antagônica à da insulina é o glucacon, encarregado de aumentar os níveis de glicose do sangue por meio da ativação da glicogenólise ou degradação do glicogênio no fígado, órgão que armazena a glicose. Pode-se verificar a sua ação em situações de jejum, quando o corpo utiliza suas reservas para obter energia necessária ao correto funcionamento celular.

Tanto o glucagon como a insulina satisfazem as necessidades metabólicas do animal. A produção desses dois hormônios é inibida pela somatostatina pancreática e hipotalâmica. Em geral, este hormônio, com funções inibitórias, torna mais lenta a absorção dos alimentos, o que faz diminuir a atividade digestiva.



OS CARACTERES SEXUAIS DIFERENCIADORES

O "correio biológico" sexual é ativado no início da puberdade, quando o hipotálamo segrega os hormônios liberadores de gonadotropinas (GnRH ou LHRH), que estimulam a adenoipófise a produzir e liberar hormônios gonadotrópicos. Estes mensageiros, cujos representantes são o FSH (hormônio folículo-estimulante) e o HL (hormônio luteinizante; proteína reguladora da secreção de progesterona), dirigem-se para as gônadas, nas quais executam a sua ação principal: iniciar a maturação sexual na mulher.

A resposta das gônadas femininas e masculinas a estes mensageiros é a segregação dos hormônios sexuais: os ovários produzem principalmente um estrogênio, o estradiol, e os testículos sintetizam a testosterona, um androgênio. Por um lado, ambos os hormônios são responsáveis pela inibição do crescimento ósseo, pela ativação da maturação dos órgãos genitais e pelo desenvolvimento dos caracteres sexuais secundários. Por outro lado, interagem diretamente com o sistema nervoso, afetando o comportamento dos organismos.



A ESTIMULAÇÃO DA SECREÇÃO DO LEITE

A prolactina é um hormônio associado à reprodução e ao comportamento maternal, uma vez que cria as condições prévias para cuidar das crias. É produzida nas células da hipófise e a sua síntese e secreção são reguladas pelo controle tônico inibidor do hipotálamo por meio da dopamina e também pelos fatores liberadores de prolactina, o PRH, assim como pelo TRH, a angiotensina e os estrogênios circulantes.

As células-alvo da prolactina são as glândulas mamárias, nas quais se dá a lactação, estimulando a produção de leite e o aumento das mamas. Mais concretamente, a prolactina induz a síntese de caseína, um composto lácteo importante. Além disso, este hormônio regula a secreção de gonadotropinas na hipófise anterior e, consequentemente, a função gonadal de ambos os sexos.



A REGULAÇÃO DO CRESCIMENTO CORPORAL

Outros dois hormônios fundamentais para o desenvolvimento é o STH (somatotropina ou hormônio do crescimento, também conhecido com GH). A sua produção e liberação são reguladas pelo hormônio hipotalâmico GHRH (hormônio liberador do hormônio do crescimento) e por um hormônio inibidor chamado somatostatina.

A hipófise segrega o hormônio do crescimento, ocasionalmente, sem nenhum estímulo aparente, tanto durante uma intensa atividade física quanto durante o sono profundo. Atua sobre o crescimento somático e sobre o metabolismo, ou seja, potencializa o desenvolvimento corporal normal, estimula a condrogênese ou formação do tecido ósseo, mobiliza os ácidos graxos do tecido adiposo para obtenção de energia adicional e inibe a absorção de glicose das células. O HCG é apenas um dos fatores fisiológicos que controlam o crescimento. Deve-se levar em conta que quase todas as glândulas endócrinas, além de diversos fatores não endócrinos, como a genética e a alimentação, desempenham sempre um papel no crescimento.



DESEQUILÍBRIOS HORMONAIS

Os hormônios são regulados de formas extremamente refinadas e, devido a isso, nem sempre são produzidos nas quantidades ideais em que deveriam ser produzidos. Sempre que isso acontece, seja para mais ou para menos, sintomas característicos e até o desenvolvimento de determinadas doenças, como a diabetes, por exemplo, podem ocorrer. Os desequilíbrios hormonais podem ser caracterizados por processos de fadiga, estresse, alterações no desejo sexual, problemas para dormir, para controlar o peso, ou até mesmo em alterações de humor. Na realidade várias alterações na homeostase corporal podem estar relacionadas à alteração na produção e na secreção de hormônios.

As causas dos distúrbios hormonais são várias, sendo algumas mais conhecidas do que outras. Um exemplo comum de alteração hormonal que pode levar a complicações mais sérias está relacionado aos hormônios da tireóide. Chamados de tironina (T3) e tiroxina (T4) eles regulam o metabolismo e sua disfunção mais comum é o hipotireoidismo, acarretado pela baixa produção destes hormônios. Esta doença provoca sonolência excessiva, fadiga, facilidade para ganhar peso, pele fria e comportamento depressivo. O tratamento é realizado pela reposição destes hormônios por via oral. O hipertireoidismo, apesar de menos comum, também pode ocorrer e é caracterizado por um aumento no metabolismo e seus efeitos são praticamente o inverso do hipotireoidismo.

Outro tipo de desregulação hormonal bastante conhecido é a diabetes mellitus, que pode ser causada pela diminuição ou ausência de produção de insulina pelo pâncreas. Assim, a absorção de glicose pelas células fica prejudicada, aumentando as concentrações plasmáticas desta substância, o que acarreta em diversos outros problemas para o diabético. Outros problemas comuns como osteoporose também pode ser influenciado pela desregulação hormonal, o controle dos níveis de paratormônio e calcitonina pode influenciar diretamente na deposição ou retirada de cálcio nos tecidos mineralizados, resultando em ossos frágeis e com diversos “poros”.

Um dos mais importantes efeitos da desregulação hormonal está envolvido com os hormônios sexuais. No caso das mulheres os efeitos destas substâncias são mais evidentes, os hormônios estrógeno e progesterona são essenciais na manutenção da saúde feminina e qualquer alteração em seus níveis normais pode alterar processos básicos como o humor, o sono, o controle de peso, perda da libido, entre outros. Logo, quando é detectado uma alteração destes hormônios, que estejam fora dos padrões normais de alteração comuns ao ciclo menstrual, é necessária uma investigação mais aprofundada. A falta destes hormônios pode acarretar em processos de infertilidade e, em alguns casos, levar a alterações nos caracteres sexuais secundários. Quando a mulher entra na menopausa ela para de produzir estrógeno, o que leva a perda da libido, dor durante a relação sexual, alterações repentinas de sensação térmica e ressecamento da pele e mucosas. Pode ainda acelerar a perda de massa óssea que, por sua vez, levar a processos de osteoporose. Estes casos podem ser resolvidos também com reposição hormonal, entretanto, deve-se ressaltar que este processo deve ser realizado com acompanhamento específico de um especialista, pois doses elevadas de estrógeno e progesterona podem levar a problemas mais sérios, elevando o risco de tromboses e de câncer de mama por exemplo. Nos homens as desregulações hormonais são mais incomuns, tendo em vista que a testosterona é liberada diariamente de forma praticamente constante. Obviamente que a diminuição dos níveis deste hormônio também deve ser acompanhada de perto por endocrinologistas, podendo acarretar problemas semelhantes aos que ocorrem com as mulheres. Entretanto sua reposição também é menos perigosa do que as feitas com hormônios femininos.


Foto: wayhomestudio via Freepik



O "CORREIO BIOLÓGICO" NAS PLANTAS

O sistema nervoso é quem dirige e administra o "correio biológico". Apesar de tudo, não é imprescindível para a existência dos hormônios. Muitos micro-organismos eucariontes, como as leveduras e os protozoários, e as plantas – seres vivos que não possuem sistema nervoso – são capazes de sintetizar hormônios.

Os hormônios vegetais são substâncias químicas segregadas por células que viajam pelo sistema vascular em direção aos distintos órgãos vegetais e, tal como os hormônios animais, controlam processos biológicos como o crescimento e a diferenciação celular.

As auxinas, giberelinas e citocininas são exemplos de mensageiros vegetais. As primeiras estimulam o alongamento das células nas plantas superiores. Pode-se comprovar que muitas partes das plantas se curvam em direção à luz, um tipo de movimento designado fototropismo que ocorre porque a luz inibe a auxina, de maneira que existe mais hormônio na parte menos exposta à luz, o que provoca, consequentemente, um maior alongamento. As giberelinas provocam a germinação das sementes, enquanto as citocininas induzem à divisão celular. As giberelinas provocam a germinação das sementes, enquanto as citocininas induzem à divisão celular.

Outros hormônios vegetais são o ácido abscísico, que promove a senescência e inibe o crescimento geral, e o etileno, que estimula a maturação dos frutos e a abscisão. Muitas plantas produzem as suas flores em função da duração do dia. Sabe-se também que as folhas são capazes de reconhecer estas situações, gerando um hormônio que serve de sinal para que se inicie a floração.



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