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Corpo, saúde, nutrição e qualidade de vida
 
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 UM EQUILÍBRIO NECESSÁRIO Imprimir Enviar Guardar
 

Foto: Pixabay

Manter uma atividade física regular é fundamental para a saúde. Essa informação já vem sendo amplamente divulgada há muito tempo. O que ainda pode ser mais comentado é a relação entre corpo, saúde, nutrição e qualidade de vida.

Em um país como o Brasil esse assunto é de extrema importância. Cresce a cada ano o apelo por um corpo físico em forma. Academias lotadas e muita gente na busca pela forma física ideal. Por outro lado, tem muita gente repensando suas escolhas e passando a aliar à prática de exercícios físicos os cuidados com a saúde mental. São diversas as práticas cujo objetivo é equilibrar corpo e mente em busca de mais qualidade de vida.

E, em meio a esse contexto, a saúde da população pede socorro. Pede atenção redobrada a alimentação. Nutrir o corpo é mais complexo do que simplesmente saciar a fome. Para o equilíbrio que realmente precisamos vale dedicar algum tempo a cuidar da saúde de forma mais ampla e completa. E, para a surpresa de muita gente, isso não necessariamente custa mais caro ou é muito difícil. Pelo contrário. O equilíbrio se dá naquilo que é natural e simples. Naquilo que sacia e realmente funciona para cada indivíduo, afinal de contas, de nada adianta dietas milagrosas que, semanas depois, fazem a pessoa retornar ao peso anterior, ou ganhar até quilos a mais. De nada adianta passar a semana puxando ferro na academia e chegar no final de semana todo dolorido e precisar tomar medicamentos para curar as dores do exercício mal feito. Inútil para o organismo é se encher de bobagens e, pouco tempo depois, estar com fome novamente. Enfim, nossa saúde depende de um equilíbrio de cuidados que varia conforme o estilo de vida e os objetivos de cada pessoa.


OBESIDADE E DESNUTRIÇÃO

Cuidar da saúde é necessário. É sério e urgente para alguns. Para além da estética e da qualidade de vida, o Brasil conta com uma parte considerável da população que é vítima de dois grandes problemas: obesidade e desnutrição. São problemas aparentemente opostos, mas que podem acometer a mesma pessoa. Sim, é possível estar ao mesmo tempo obeso e desnutrido. É preciso compreender o assunto e observar à sua volta para evitar que esse tipo de situação aconteça.

Desnutrição é a falta de nutrientes essenciais ao corpo humano e que garantem seu bom funcionamento. Esses nutrientes são encontrados principalmente em produtos naturais e integrais. O problema é que muitas pessoas consideradas obesas ingerem poucos alimentos assim.

Obesidade é uma doença crônica caracterizada pelo excesso de gordura corporal, que causa prejuízos à saúde do indivíduo. Ela está relacionada ao aumento de peso, mas nem todo aumento de peso está relacionado à obesidade. Um exemplo disso são os atletas que são “pesados” devido à massa muscular e não adiposa.

Existem diversas maneiras de classificar e diagnosticar a desnutrição e a obesidade. Em ambos os casos, buscar um especialista é o melhor caminho. Para se ter uma ideia, no caso da obesidade uma das formas mais utilizadas para saber a gravidade do excesso de peso é o cálculo do Índice de Massa Corporal (IMC ou Índice de Quetelet), utilizando-se a seguinte fórmula: IMC = Peso (kg) / altura² (m²).

Segundo o Ministério da Saúde (MS), o uso do IMC é prático e simples e a sua aplicação é recomendada para adultos. A avaliação da massa corporal em crianças e adolescentes é feita através de tabelas que relacionam idade, peso e altura. O IMC não é indicado nessas faixas etárias porque crianças e adolescentes passam por rápidas alterações corporais decorrentes do crescimento. A rede pública de saúde usa o “cartão da criança” para verificar a adequação da altura e do peso até os 5 anos de idade. O acompanhamento pode ser feito nos postos de saúde.

No Brasil, segundo dados governamentais, o excesso de peso cresceu 26,3% em dez anos, passando de 42,6% em 2006 para 53,8% em 2016. A situação é mais recorrente entre os homens. Já a obesidade cresceu 60% no mesmo período, passando de 11,8% para 18,9%. Nesse caso, a frequência é semelhante entre homens e mulheres.

A obesidade infantojuvenil é assunto dos mais importantes na atualidade. Segundo dados do IBGE, o consumo de biscoitos recheados e sanduíches entre os jovens é crescente e preocupante.

O aumento do consumo de comidas preparadas em grandes redes de fast-food ou de alimentos industrializados e repletos de corantes, aromatizantes e conservantes faz com que muitos pratos sejam calóricos, mas nada nutritivos. Ou seja, não só é possível que existam obesos desnutridos, como isso é bastante comum.

A obesidade entre crianças e jovens está relacionada ao aumento do consumo de alimentos ricos em açúcar e gorduras, fato que há algum tempo só acontecia em ocasiões especiais. Por outro lado, perdeu-se um bom tanto de estímulo à alimentação saudável em casa e nas escolas, onde hoje em dia é comum ver salgadinhos, balas, sorvetes e frituras. Também a falta de atividade física está atrapalhando a qualidade da saúde das crianças e jovens da atualidade. Andar a pé ou brincar na rua deixaram de ser hábitos frequentes e foram, em grande parte, substituídos por assistir televisão, jogar videogame, ficar no computador e andar de carro.

E então, a ansiedade e o estresse, para os quais a forma de escape muitas vezes é comer em excesso, tornaram-se mais frequentes entre crianças. Segundo dados da Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde (PNDS), de 2006, uma em cada três crianças de 5 a 9 anos estava acima do peso recomendado pela OMS. Abaixo dos cinco anos, o índice estava em 7,3%.

Enquanto isso, o brasileiro vem percebendo, aos poucos, a necessidade de se alimentar melhor. O consumo regular de frutas e verduras cresceu de 33% em 2006 para 35,2% em 2016. Mas ainda é pouco pensar que apenas 1 em cada 3 adultos consomem frutas e hortaliças em 5 dias da semana. Educação alimentar é fundamental para a qualidade de vida tão sonhada.


FITNESS E WELLNESS

Profissionais do Brasil e do mundo se dedicam a estudar as melhores maneiras de manter o corpo em equilíbrio. Ser fitness já não é mais suficiente. Hoje se busca também a qualidade de vida e o termo para isso é wellness.

Wellness é um termo utilizado para mostrar que a atividade física tem uma essência muito mais ampla do que simples sessões de treinos, que visam “mais músculos” ou “menos gordura”. Há quem diga que a prática de atividade física fica com ainda mais sentido assim.

O termo fitness, quando usado, tem como objetivo enfatizar a dimensão biológica. A expressão correta é physical fitness, ou aptidão física. O fitness enfatiza o condicionamento físico do indivíduo, tornando a estética seu principal foco. Já o wellness, tem a característica de englobar o fitness, mas também prioriza a qualidade de vida e o bem estar. Embora o wellness englobe o fitness, os termos podem ser diferentes em suas aplicações. O fitness está mais relacionado à busca pelo físico perfeito, sem considerar outros aspectos. Já para o wellness, a estética não deixa de ser destacada, porém, a saúde é muito importante nessa busca.

Nas academias que seguem o wellness como paradigma, os profissionais se preocupam em passar conhecimentos em relação à saúde, tais como os possíveis prejuízos da prática excessiva de exercícios físicos, ou o uso de anabolizantes, e até mesmo a alimentação adequada. Dessa maneira, o fitness não deixa de ser trabalhado, contudo de uma forma que englobe o wellness.


EQUILÍBRIO

Pense em uma pessoa que acorda cedo para correr todos os dias e trabalha os seus limites para melhorar a sua performance. Se ela faz isso feliz e considera esse momento uma parte essencial do seu dia, possivelmente ela encontrou um equilíbrio entre os dois mundos.

É possível ainda intercalar momentos fitness e wellness, com treinos mais intensos e outros mais holísticos durante a rotina. Outro detalhe que não pode ser esquecido por aqueles que têm o desejo de conciliar as duas vertentes é saber que wellness não compreende apenas a atividade física.

A ideia é promover a qualidade de vida e o bem-estar como um todo, mantendo não só uma rotina de exercícios como uma alimentação equilibrada, eliminando maus hábitos (como o excesso de álcool, cigarro e outras drogas), cuidando da mente, entre outros.

O mais importante é fazer com que a saúde seja sempre uma prioridade, seja qual for o estilo ou o tipo de exercício que você escolher. Se for para ser fitness ou wellness, que seja com saúde, concorda?


TENDÊNCIAS

As tendências quando o assunto é cuidados com o corpo envolvem atividades diversas. A informação é do Colégio Americano de Medicina do Esporte (ACSM, na sigla em inglês), que divulgou a 14ª edição do relatório que indica tendências do universo fitness para o próximo ano. Pela primeira vez o levantamento apontou resultados específicos para a América do Sul. Dentre as 10 principais, estão:
  • Treinamento para perder peso: no emagrecimento, destacam-se os cuidados com pessoas que precisam queimar calorias mas que, por estarem acima do peso, demandam cuidados especiais ao praticar atividades físicas.
  • Medicina do exercício e estilo de vida: vertente dedicada a implementar hábitos saudáveis que ajudam a prevenir e controlar doenças e que coloca a atividade física como protagonista. Pois é: hoje em dia, o ato de suar a camisa integra o tratamento de diversas enfermidades, como o câncer.
  • Treinos com personal: com a alta no número de academias e maior facilidade em contratar profissionais, os treinos acompanhados por personal trainer ficaram um pouco mais acessíveis. Entre as vantagens, vale destacar a prescrição individualizada de exercícios e o estabelecimento de metas supervisionadas por um especialista.
  • Programas para pessoas mais velhas: o fato é que as pessoas estão vivendo mais! Só que, nessa fase da vida, o esforço físico exige alguns ajustes para preservar a massa muscular e a saúde óssea e controlar doenças que costumam aparecer com o avançar da idade. Não à toa estão surgindo treinos específicos para a turma que já passou dos 60 anos.
  • Treinos funcionais: usam movimentos naturais — pular, correr, agachar e levantar — para desenvolver força, resistência e equilíbrio. Eles ajudam a executar atividades diárias, o que garante autonomia por muitos anos.
  • Qualificação profissional: destaca a importância de se exercitar com a supervisão de profissionais certificados em práticas específicas. Essa tendência tem sido mencionada e vale a pena dar atenção a ela.
  • HIIT: são treinos intervalados de alta intensidade (HIIT, na sigla em inglês) que alternam momentos leves com picos de bastante esforço para otimizar o gasto calórico e reduzir o tempo na academia. Eles ganharam popularidade há alguns anos e, pelo visto, a tendência é permanecerem em alta. Mas, pelo risco de lesões, devem ser realizados sempre com acompanhamento especializado.
  • Treinos em turmas: profissionais do ramo precisam ficar atentos à tendência sul-americana de contratar um educador físico para malhar em pequenos grupos. O benefício é duplo: acompanhamento profissional próximo e motivação extra de suar a camisa coletivamente.
  • Aulas online: os aplicativos que oferecem treinos pela internet com diferentes objetivos estão ganhando espaço na América do Sul. Geralmente, eles trazem vídeos ensinando a fazer os exercícios — ou mesmo elaboram uma rotina personalizada, em geral por um preço pré-estabelecido.
  • Treino específico para um esporte: a ideia é aperfeiçoar na academia o movimento que será realizado na sua modalidade favorita. As sessões podem ser focadas em adquirir mais força, velocidade ou resistência, dependendo do objetivo de um.


ALIMENTE-SE MELHOR!

O Ministério da Saúde elaborou algumas dicas para ter uma alimentação saudável e sugeriu atitudes que devem ser seguidas no dia a dia para garantir uma dieta equilibrada. É importante lembrar que estas são recomendações para pessoas saudáveis. São elas:
  • Comer frutas e verduras. Esses alimentos são ricos em vitaminas, minerais e fibras.
  • Para cada 2 colheres de arroz, comer 1 de feijão. Esses dois alimentos se complementam, principalmente no que diz respeito às proteínas (a proteína que falta em um, tem no outro e vice-versa). O hábito bem brasileiro de comer o arroz com feijão tem sido bastante recomendado!
  • Evitar gorduras e frituras. Comer muitos alimentos ricos em gorduras pode provocar o aparecimento de doenças como a obesidade, doenças cardiovasculares, hipertensão e diabetes, entre outras.
  • Usar 1 litro de óleo para cada 2 pessoas da casa por mês. Essa medida serve para a pessoa ter uma ideia da quantidade de óleo que deve ser usada no preparo dos alimentos.
  • Realizar 3 refeições principais e, pelo menor, 1 lanche por dia. Isso evita longos períodos em jejum. O ideal é comer mais vezes por dia, mas em menores quantidades (aumentar a frequência e diminuir o volume). Quem fica muitas horas sem se alimentar acaba sentindo muita fome e comendo exageradamente — o mesmo acontece com quem não tem hora certa para comer ou “pula” uma das refeições.
  • Comer com calma e não na frente da TV. Quando comemos com pressa, não saboreamos o alimento e demoramos mais tempo para ficar satisfeitos. Por isso, comemos mais. É como se o organismo não tivesse tempo suficiente para “perceber” a quantidade de alimento ingerida. Comer e assistir à televisão ao mesmo tempo faz com que a pessoa se distraia e não controle a quantidade de alimentos que está consumindo. Além disso, as propagandas de produtos alimentícios despertam ainda mais o apetite e, por consequência, a gula. Atenção plena na hora da comida é uma dica fundamental.
  • Evitar doces e alimentos calóricos. Devemos prestar atenção não só na quantidade, mas também na qualidade dos alimentos, pois existem aqueles que são pobres em nutrientes e ricos em calorias. São chamados “calorias vazias”. O consumo exagerado desses alimentos, que em geral são os doces e alimentos gordurosos, facilitam o surgimento de doenças como a obesidade, diabetes e doenças do coração, entre outras.
  • Comer de tudo, mas caprichar nas verduras, legumes, frutas e cereais. Não é preciso “cortar” nenhum alimento da dieta. Basta estar atento às quantidades e dar preferência aos alimentos ricos em nutrientes ao invés de calorias. É importante ainda não esquecer os “sagrados” 8 copos de água por dia.
  • Atividade física: duração e frequência. O ideal é fazer um pouco de atividade física todos os dias. Você não precisa ficar várias horas fazendo exercícios e suando sem parar. “Pegar pesado” é para atletas. A criança, assim como as pessoas em geral, deve procurar uma atividade que lhe agrade, convidar um amigo para participar e contar com o professor de Educação Física para dar orientações sobre o assunto. O que você não pode é ficar parado!
Comece agora mesmo a construir o futuro que deseja: liste atividades e práticas que deseja mudar e faça o seu plano de ação. É simples: escreva o que quer fazer, como vai fazer, quando vai fazer e o que precisa para realizar a atividade. Por exemplo: (o que) praticar exercícios físicos com frequência aliando fitness e wellness; (como) caminhada, Yoga e Exercício Funcional; (quando) caminhada duas vezes por semana; Yoga duas vezes pode semana; Funcional duas vezes por semana. O que é preciso? Disciplina e força de vontade.

Esse foi um exemplo. A meta é viver melhor e isso todo mundo quer. Para mudar, basta começar.


PARA SABER MAIS