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Virada Cultural
 
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Teatro Municipal, em São Paulo. Foto: Pixabay

Desde 2005, a Prefeitura Municipal de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal de Cultura, promove a Virada Cultural. O evento anual conta com o apoio de vários parceiros artísticos e institucionais e tem como objetivo promover na cidade 24 horas ininterruptas de atividades culturais, como espetáculos musicais, peças de teatro, exposições de arte e história, entre outras atrações gastronômicas e atividades, inclusive para o público infantojuvenil.

A Virada Cultural foi inspirada no Festival Noite Branca (em francês, Nuit Blanche), que acontece todo ano em Paris, na França, desde 2002. Em São Paulo, a ideia é convidar a população a ocupar o centro da cidade, incentivando o convívio social através da cultura, possibilitando o acesso a diversas formas de arte e juntando diversas classes sociais. O evento também visa reverter o esvaziamento da região central de São Paulo que por anos parecia esquecida.

O evento foi pensado para agregar os vários estilos brasileiros, característica desse país miscigenado e agregar também estilos internacionais. A Virada Cultural possui palcos temáticos como a Avenida São João, cujo estilo apresentado é o rock nacional. Na Praça da República, o samba ganha espaço. No Largo do Arouche é o estilo popular e na Estação Júlio Prestes a música popular brasileira (MPB) toma conta dos palcos.

Para a logística do evento funcionar integralmente, durante toda a realização o Metrô de São Paulo permanece aberto em tempo integral para que os participantes possam se deslocar entre os diversos palcos e assistir às apresentações espalhadas por toda a cidade que fica, literalmente, em festa. Ao longo dos anos, algumas modificações nos locais das apresentações foram sendo necessárias para acomodar a quantidade cada vez maior de participantes.


GESTÃO PÚBLICA

A Virada Cultural foi criada durante a gestão dos então governadores José Serra (2005-2006) e Gilberto Kassab (2006-2008) visando oferecer gratuitamente para a população atrações artísticas e culturais.

Em sua primeira edição, a Virada trouxe a proposta de realizar atividades em toda a cidade utilizando equipamentos da Prefeitura, como as unidades do Centro Educacional Unificado, e parceiros, como o Serviço Social do Comércio e o Governo do estado de São Paulo. A proposta inicial permaneceria em outras edições. A escolha do mês de realização se mostrou, contudo, inadequada por conta dos altos índices pluviométricos característicos da primavera.

Mas a festa fez tanto sucesso que deu origem a Virada Cultural Paulista, que segue um modelo semelhante e acontece em vários municípios do interior de São Paulo.


HISTÓRICO

Em 2005, acontecia a 1ª edição da Virada Cultural entre os dias 19 e 20 de novembro, com início às 14 horas do sábado (19) e encerramento às 14 horas do domingo (20). O evento foi responsável por criar o esqueleto do que viria a ser nos próximos anos a Virada Cultural, focado na realização de atividades, em sua maioria gratuitas, operadas na região central da capital paulista, incentivando a descentralização dos espetáculos por meio de cooperação com as redes SESCs, CEUs e Governo do Estado de São Paulo, além de parques como, o Parque da Aclimação e o Parque do Ibirapuera, e alguns museus privados (Museu da Casa Brasileira etc).

A primeira edição contou com mais de 200 atrações e recebeu um investimento de 600 mil reais para a realização dos eventos. A abertura oficial aconteceu no Vale do Anhangabaú com uma apresentação do Coral Paulistano, do Theatro Municipal de São Paulo. Já o encerramento foi empreendido pela artista Adriana Calcanhoto, no Parque Independência, no Ipiranga, atraindo mais de 10 mil pessoas para o show e contando com cerca de 3 mil artistas.

Já em 2006, a 2ª edição da Virada Cultural aconteceu em grande parte da cidade devido ao sucesso da primeira, em 2005. Aproveitando os aprendizados do ano anterior, o evento aconteceu no primeiro semestre, entre os dias 20 e 21 de maio de 2006, com o intuito de fugir da instabilidade meteorológica do mês de novembro, que causou problemas e atrapalhou algumas apresentações na madrugada da edição de 2005. Os espetáculos começaram às 18 horas do sábado (20), com o show no Vale do Anhangabaú do cantor de MPB João Bosco e da Banda Mantiqueira, que toca clássicos da música popular brasileira em formato de orquestra de choro.

A 2ª edição da Virada Cultural terminou às 18 horas no domingo (21), no Parque da Independência, com apresentação de Luiz Melodia. Ao mesmo tempo, no Largo São Bento, foram celebrados os 20 anos do hip hop brasileiro, com artistas expoentes do ritmo, como Z’África Brasil, Thaíde, DMN e DJ King e DJ Bui. A Virada Cultural de 2006 recebeu um investimento de 3 milhões de reais da prefeitura e registrou um público de cerca de 1,5 milhão de pessoas, distribuídas entre as 300 atrações nos dois dias.

Entre os dias 5 e 6 de maio de 2007 aconteceu a 3ª edição da Virada Cultural que contou com mais de 350 atrações musicais, teatrais e artísticas.

O público estimado foi de 3,5 milhões de pessoas que estiveram presentes para curtir e aproveitar o movimento cultural. Foram muitos espetáculos, com destaque para Alceu Valença, Nação Zumbi, Cauby Peixoto, Camisa de Vênus, Tom Zé, Arlindo Cruz, Leci Brandão e Racionais MC's. O encerramento do evento, no dia 6, às 19h30, ficou por conta de Zélia Duncan.

Infelizmente, essa edição ficou marcada por um grave confronto entre policiais e participantes durante o show dos Racionais MC's, às 5h do dia 6, na Praça da Sé. Segundo informações divulgadas pelos organizadores, o centro da cidade ficou depredado com diversos carros, orelhões, banheiros químicos, grades de parques e lojas violadas. Onze pessoas foram presas por furto em flagrante pela Polícia Militar de São Paulo e outras 6 ficaram feridas.

Na 4ª edição da Virada Cultural, realizada entre os dias 26 e 27 de abril de 2008, cerca de 4 milhões de pessoas participaram. Foram mais de oitocentas atrações e cinco mil artistas, dentre eles: Gal Costa, Cesária Évora, Fernanda Takai, Jorge Ben Jor, Marcelo D2, Zé Ramalho, Titãs, Jair Rodrigues, Luís Melodia, Paula Lima, Orquestra Imperial, Vanguart, O Teatro Mágico e Mutantes. No Teatro Municipal, as apresentações duraram 24 horas e eram gratuitas, ao passo que uma série de músicos revezavam-se em um piano instalado na Praça Dom José Gaspar.

A edição de 2009 homenageou, no palco da Estação da Luz, os 20 anos de morte do cantor Raul Seixas. O evento foi realizado entre os dias 2 e 3 de maio e contou com a apresentação de diversos artistas interpretando as canções de Raul. A Virada Cultural de 2009 também foi marcada pela reunião da banda Novos Baianos, com a presença de Baby do Brasil, Pepeu Gomes, Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão, Jorginho Gomes e Didi Gomes. Para melhorar a organização, o evento contou com o acompanhamento de 2.500 policiais e não teve nenhuma ocorrência grave. Parte da crítica, no entanto, ficou para a limpeza da rua, a qualidade dos banheiros químicos e o transporte público.

A edição da Virada Cultural de 2010 aconteceu entre os dias 15 e 16 de maio e, pela primeira vez, contou com palcos no bairro da Luz, totalizando 47 espaços de atrações espalhados pelo centro da capital paulista. A abertura do evento foi feita pelos cubanos Barbarito Torres e Ignácio Mazacote, ex-integrantes do grupo Buena Vista Social Club, que tocaram no palco montado na Avenida Duque de Caxias. Foi um ano de muitas atrações internacionais. Teve show do ABBA The Show, homenagem ao grupo sueco que contou com presença de Ulf Andersson e Janne Schaffer, do grupo original, além de Big Brother & The Holding Co., primeira banda da famosa Janis Joplin. Esteve presente também a banda de hard rock, Living Colour.

A novidade da edição de 2010 foi o palco montado na Avenida Barão de Limeira, que contou com uma programação exclusiva de reggae. Além do roteiro da música, a Praça Roosevelt recebeu o evento "Dimensão Nerd”, disponibilizando ao público mesas de RPG, jogos de tabuleiro, live-action de RPG, parada Cosplay e desfile de fantasias. Na Galeria Prestes Maia diversas atividades dedicadas à arte corporal e tatuagem completaram o evento.

A 6ª edição do evento, essa mesmo de 2010, foi marcada pela ampliação das atividades para outras cidades do estado: Presidente Prudente, Jundiaí, Marília, Araçatuba, Araraquara, São José dos Campos, Franca, Sorocaba, Santos, Santa Bárbara d’Oeste, Bauru, São José do Rio Preto, Caraguatatuba, Bertioga, Assis, São Vicente, Mogi das Cruzes, São Bernardo do Campo, Piracicaba, São Carlos, Guarujá, Mongaguá, Ribeirão Preto, Praia Grande, Mogi Guaçu, Cubatão, São João da Boa Vista, Indaiatuba, Peruíbe e Itanhaém.

Em 2011, a 7ª edição foi realizada entre os dias 16 e 17 de abril e foi marcada por atrações diferentes, tais como um ringue de luta livre, palco de apresentações das equipes BWF – Brazilian Wrestling Federation e CMLL – Consejo Mundial de Lucha Libree. Outras atrações especiais foram os stand-ups, espetáculos de humor onde artistas como Comida dos Astros, Danilo Gentili, Léo Lins, Márcio Ribeiro, Fábio Rabin apresentaram-se e fizeram a plateia se divertir com 24 h de humor.

Ainda nesta edição, o palco de rock – hoje, nacional e internacional – foi transferido de lugar. Antes era localizado na Avenida São João e em 2011 foi levado para a Estação Júlio Prestes – que sediava, até então, os shows de MPB. O palco da Júlio Prestes sediou um dos shows mais esperados da noite, o grupo americano Misfits. Mais uma vez houve confusão entre participantes, dessa vez com a Guarda Civil Metropolitana.

A edição de 2012 contou com uma novidade: restaurantes de São Paulo levaram alguns de seus pratos para o Minhocão (Elevado Presidente João Goulart) a preço popular. Além das atrações culturais, a 8ª edição da Virada inovou ao fazer parceria com o Projeto Chefs na Rua e levar para o centro de São Paulo chefs famosos, tais como Alex Atala, que apresentou ao público seu prato Galinhada. Tom Cavalcante foi o comediante que abriu o evento num stand up na Praça da Sé. Gilberto Gil encerrou o evento em um show de MPB na estação Júlio Prestes.

Em 2013 teve mais novidade. Antes da abertura oficial da 9ª edição, aconteceu a Viradinha. Foram vários eventos destinados ao público infantojuvenil. No dia 18 de maio, no palco da Estação Júlio Prestes, a cantora Daniela Mercury abriu oficialmente o grande evento, discursando contra a homofobia e a favor do casamento gay. O público aproveitou mais de 900 atrações culturais, além de ter sido o primeiro ano em que o evento teve a contribuição de uma curadoria colegiada de especialistas das áreas de cinema, dança, teatro, música e cultura digital.

Em 2014 foi a vez do Ira subir ao palco da Virada Cultural. Outras atrações foram MC Flora Mattos, O Teatro Mágico, Karol Conka, Projota, Valeska Popozuda e o encerramento contou com o show da cantora Roberta Miranda. No palco de stand up comedy, localizado na Praça da Sé, os comediantes Bruno Motta, Rafael Cortez, Rafinha Bastos e Marcelo Tas fizeram a plateia rir bastante. O Teatro Municipal de São Paulo, Casa das Rosas, Teatro Oficina, unidades do CEU, do Centro Cultural e outros espaços fechados também tiveram suas programações.

Em junho de 2015, dias 20 e 21, a Virada Cultural homenageou a Jovem Guarda, movimento do rock brasileiro que completava 50 anos. Na ocasião, símbolos musicais da época, como Wanderléa, Paulo César Barros e Erasmo Carlos estiveram presentes alegrando o público. Foi feita uma homenagem à Inezita Barroso, cantora e compositora que havia falecido em março daquele ano. Ainda naquele ano, a Orquestra Paulistana de Viola Caipira se apresentou e outras duplas do mesmo gênero, como Zé Mulato & Cassiano e Pedro Bento & Zé da Estrada também ganharam destaque. O encerramento ficou por conta de um show do cantor, compositor e escritor Caetano Veloso.

Ney Matogrosso abriu a 12ª Edição da Virada Cultural, realizada em 2016. Foram 100 locais, entre ruas, palcos e equipamentos culturais que contaram com atrações diversas. A noite seguiu com um concurso de drag queens e com shows de Gaby Amarantos, Valesca Popozuda e Baby do Brasil. No domingo, entre os espetáculos da manhã, estavam Fafá de Belém, Elba Ramalho e MC Bin Laden. À tarde foi a vez de Arlindo Cruz, MC Soffia, Maria Rita e Roberta Miranda. Também fizeram shows: Nação Zumbi, Elza Soares, Nx Zero, Detonautas, Clarice Falcão, Cícero, Gilberto Gil, Céu, Armandinho, Erasmo Carlos e Emicida.

O ano de 2017 foi marcado por algumas mudanças históricas na Virada Cultural. No final do ano anterior, o então Prefeito de São Paulo, João Dória, anunciava que o evento seria transferido para Interlagos devido aos transtornos que estavam ocorrendo na região central. O evento tinha crescido muito. Esse anúncio causou controvérsias, mas os artistas confirmaram presença e a 13ª edição aconteceu nos dias 20 e 12 de maio, com diversas atrações também no centro da cidade, como já havia virado tradição. Shows e apresentações aconteceram no Centro, Sambódromo do Anhembi, Parque do Carmo, Campo Limpo, centros culturais, Autódromo de Interlagos, Chácara do Jockey e CEUs. Daniela Mercury, Guilherme Arantes, Negra Li, Ballet da Cidade, Vanusa, Fafá de Belém, Tiê, Banda Olodum, Diogo Nogueira, Titãs e Alcione foram algumas das atrações.

Já a edição seguinte, em 2018, aconteceu entre os dias 19 e 20 de maio, segundo a Secretaria Municipal da Cultura, em quatro regiões de São Paulo: Itaquerão, Praça do Campo Limpo, Parque da Juventude, Centro Esportivo Tietê e Chácara do Jockey. Cerca de 3 milhões de pessoas participaram dos eventos. Shows de Beth Carvalho, Jota Quest, Nação Zumbi, Fafá de Belém, Emicida, Elza Soares, Marcelo D2, além de um parque de diversões no Vale do Anhangabaú com Grupo Rouge, Xuxa e Balão Mágico marcaram o evento.

E no ano de 2019, nos dias 18 e 19 de maio, a cidade de São Paulo foi palco de mais uma edição da Virada Cultural, dessa vez, segundo o prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), “a maior festa já feita” na cidade. Com mais de 1.200 atividades gratuitas em cerca de 250 pontos da cidade, o evento teve público de 5 milhões de pessoas (2 milhões a mais que no ano anterior), segundo balanço divulgado pela Prefeitura. Com o resultado, a expectativa da Prefeitura é de entrar para o Guinness, o livro dos recordes, como maior festival 24 horas do mundo. Dentre os destaques do evento estiveram Anitta, Criolo (200 mil pessoas cada) e Caetano Veloso com os filhos (160 mil pessoas). O centro da cidade continuou sendo o local mais atrativo para o público e os eventos foram mantidos, apesar das questões como lixo na rua que, segundo a prefeitura, foram recolhidas mais de 10 toneladas só no centro. Durante o evento, 43 pessoas foram detidas, sendo 6 adolescentes apreendidos e 9 procurados pela Justiça presos, segundo balanço divulgado pela Polícia Militar. Ainda de acordo com a polícia, 12 carros e uma moto que tinham sido roubados foram recuperados. Pabllo Vitttar fez sua primeira apresentação na Virada Cultural empolgando os fãs às 4h da madrugada. Já a cantora Maria Rita fez uma grande roda de samba na Avenida São João, cantando também músicas de sua mãe Elis Regina. Preta Gil, Ira, Sepultura e O Grande Encontro (Alceu Valença, Elba Ramalho e Geraldo Azevedo) agitaram as últimas horas da Virada em palcos temáticos. O cantor sertanejo Lucas Lucco encerrou a Virada Cultural 2019 no palco principal, localizado no Vale do Anhangabaú.


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