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Privacidade e uso de dados na internet
 
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 SEGURANÇA NA INTERNET Imprimir Enviar Guardar
 

Foto: Pixabay

Um clique e, pronto, já podemos ser rastreados. Na era da informação, todo e qualquer movimento na rede gera pegadas e rastros. Isso acontece sempre que uma pessoa acessa plataformas de jogos online, usa aplicativos, interage em redes sociais, faz compra em uma loja virtual, se cadastra em um sistema ou até mesmo quando lê alguma notícia. Na internet, quase todo movimento pode ser rastreado e os dados pessoais, acessados e registrados para os mais diversos usos.

Grande parte dos websites contam com cookies, pequenos arquivos que são capazes de armazenar informações cada vez que um site é, por exemplo, acessado pela primeira vez. Daí em diante, os cookies podem ser descarregados no aparelho, rastreando informações do perfil do usuário a partir das buscas feitas na internet. Nas redes sociais e aplicativos, as opções de cadastro permitem acesso a informações de um sistema para outro. É verdade que o mundo digital ampliou as possibilidades de comunicação e interação. Mas, é bem verdade também que todo cuidado deve ser tomado ao navegar e aceitar políticas de privacidade das páginas e aplicativos acessados.


PRIVACIDADE DIGITAL

Hoje em dia é comum ouvir pessoas lutando por sua privacidade digital, que nada mais é do que o direito à reserva de informações pessoais, ou mais especificamente, o controle da exposição e da disponibilidade de informações pessoais. Há quem diga que um ataque à privacidade é um ataque à liberdade e, portanto, um ataque à democracia.

Existem serviços online que disponibilizam informações de usuários. São dados como: números de documentos, situação no INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), endereços, telefones, padrões de consumo, renda familiar. Essas e outras informações são vendidas na rede e, embora seja uma prática ilegal, ainda acontece diariamente. É ilegal, pois viola a privacidade do consumidor!

O Artigo 5º da Constituição assegura a inviolabilidade da vida privada e da intimidade do cidadão, permitindo ao indivíduo que foi vítima desse abuso, o direto à indenização. Apesar dessa segurança garantida em lei, a privacidade é exposta de qualquer maneira, seja por livre e espontânea vontade ou não.

Atualmente, a arquitetura da internet permite que sejam desenvolvidas tecnologias de controle de informações, mas a falta de leis consolidadas sobre privacidade digital complica e amplia a sensação de insegurança por parte dos usuários. A orientação geral para quem utiliza plataformas, aplicativos e demais ferramentas digitais é estar sempre atento e preparado para situações de falta de privacidade e insegurança, sempre se protegendo de invasões digitais.

A divulgação direta e indireta de dados pessoais aumentou nas últimas décadas. Imagine, por exemplo, um jovem nascido na década de 1980. Quando ele tinha por volta de 12 anos pouca gente tinha acesso a seus dados pessoais. Muitos dos jovens de hoje já estão conectados, jogando online e fazendo cadastros por aí. Empresas sabem que ele curte, por exemplo, futebol e cartas Pokémon. Mas, que problema isso tem? A pergunta é complexa e precisa ser analisada a partir de uma série de fatores que envolvem desde privacidade e segurança, passando pela questão das propagandas e do consumo, da violência, e por aí vai.

Quando um site disponibiliza informações que, para acessá-las, é preciso cadastro, aí está a “moeda de troca”, ou seja, os dados do potencial cliente serão registrados e servirão para a própria empresa ou até para terceiros.


GRANDES E PODEROSAS

No ranking das 100 empresas mais valiosas do mundo, divulgado pela Forbes (2019), estão, por ordem, as famosas Apple, Google, Microsoft, Amazon e Facebook. Todas essas ligadas à tecnologia da informação e algumas delas já envolvidas em questões relacionadas à segurança no uso de dados de usuários.

Em 2018, várias empresas foram alvo de ataques de hackers ou envolveram-se em polêmicas com roubo de dados. Foi um ano marcante para esse assunto. Em alguns casos, o que aconteceu foi que falhas no sistema de segurança de sites resultaram em violações de dados que podem ter sido utilizados de forma ilegal ou vendidos para terceiros.

Um exemplo é o caso dos Hotéis Mariott que tiveram as informações de cerca de 500 milhões de clientes acessadas por hackers. O Facebook também sofreu com violações e incidentes, afetando mais de 100 milhões de usuários. Dados como locais, detalhes de contatos, status de relacionamento, pesquisas recentes e dispositivos utilizados para fazem login foram afetados.

Também a grande Google causou problemas para mais de 50 milhões de usuários cujos dados privados no perfil Google+ foram afetados. Nome, cargo, endereço de e-mail, data de nascimento, idade e status de relacionamento vazaram. No ano seguinte, em 2019, a empresa encerrou o Google+ definitivamente.

Outro caso interessante aconteceu em 2014 e mostrou como o comércio de dados pode ser feito por grandes corporações de forma ilícita. Na época a empresa de telefonia Oi, foi multada em R$ 3,5 milhões por violação ao direito à privacidade. A empresa foi autuada pelo Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (DPDC), que a partir de investigações sobre a parceria entre a Oi e a empresa britânica Phorm, constatou que o desenvolvimento do software Navegador Oi Velox, feria o princípio básico de privacidade, pois mapeava o tráfego de dados do consumidor a fim de compor um perfil de navegação. Quem conta essa história é Felipe Leite e sua pesquisa feita em 2016 sobre A Importância da Privacidade na Internet.

Segundo Felipe, dados do DPDC apontam que esses perfis eram vendidos aos anunciantes, agências de publicidade e portais web para que fossem utilizados no desenvolvimento de propagandas direcionadas. Conforme informações do DPDC, a Oi feria os princípios de boa-fé, transparência e o dever da informação. O Marco Civil, que entrou em vigor em abril daquele ano, também prevê a vedação de registros de acesso dos usuários pelas operadoras.


O CASO EDWARD SNOWDEN

Edward Snowden (1983) é um analista de sistemas norte-americano, ex-funcionário da CIA (Agência Central de Inteligência), acusado por vazar informações sigilosas do governo americano. Snowden começou a trabalhar na CIA em 2006, em Langley, Virgínia. Um ano depois, foi transferido para Genebra, na Suíça, para manutenção da rede de computadores na área de segurança digital. Em 2009, Snowden saiu da CIA e foi trabalhar na DELL e em seguida na Booz Allen Hamilton, empresa privada que presta serviços pra a Agência de Segurança Nacional (NSA). Snowden prestou serviços em Maryland, Tóquio e no Havaí.

Em 2013, Snowden tirou uma licença médica e foi para Hong Kong, onde revelou à imprensa informações sobre a espionagem eletrônica feita pelos Estados Unidos. Ele dizia agir em defesa da privacidade dos cidadãos. Uma de suas revelações foi sobre um programa que permite a NSA (Agência de Segurança Nacional) fazer buscas em bancos de dados com e-mails, chats e históricos de navegação de milhões de pessoas. Os documentos foram publicados no jornal The Guardian e no Washington Post. Ao se apresentar ao mundo, Snowden disse que se sentiu na obrigação de denunciar, mesmo a um custo pessoal, os descomunais poderes de vigilância acumulados pelo governo dos EUA. Ele acrescentou que poderia ter permanecido anônimo, mas que considerou que sua mensagem teria mais ressonância se viesse de uma fonte identificada. "O público precisa decidir se esses programas e políticas são certos ou errados", disse Snowden ao The Guardian em um vídeo. O analista de sistemas disse ainda: "Eu estou disposto a me sacrificar porque eu não posso, em sã consciência, deixar que o governo dos Estados Unidos destrua a privacidade, a liberdade de Internet e os direitos básicos de pessoas em todo o mundo, tudo em nome de um maciço serviço secreto de vigilância que eles estão desenvolvendo."

Snowden tem certificado de “hacker ético”, segundo o jornal The New York Times. O documento foi concedido pela International Council of E-Commerce Consultants (EC-Council) enquanto o agente trabalhava na Dell, em 2010, contratado pela Agência de Segurança Nacional. Segundo o site da entidade, um hacker ético é aquele que testa a segurança de redes e os sistemas de computadores para encontrar vulnerabilidades e brechas a fim de comunica-las às empresas, para que as repare.

O jornal britânico The Guardian publicou a primeira reportagem sobre os programas de espionagem, mostrando que a Agência Nacional de Segurança coleta dados sobre ligações telefônicas de milhões de americanos diariamente e que também acessa fotos, e-mails e videoconferências de internautas que usam os serviços de empresas americanas, como Google, Facebook e Skype. A reportagem foi assinada pelo jornalista americano Glenn Greenwald – que posteriormente saiu do jornal e lançou um site (The Intercept) onde passou a divulgar informações sobre caso.

O Jornal The Guardian publicou em 2013 reportagem mostrando que um sistema de vigilância secreto conhecido como XKeyscore permite à inteligência dos EUA supervisionar "quase tudo o que um usuário típico faz na Internet". O sistema seria o de maior amplitude operado pela Agência Nacional de Segurança americana. No mesmo ano, o Washington Post contou que a NSA invadiu em segredo links de comunicação que conectam data centers do Yahoo e do Google ao redor do mundo. Com isso, a NSA teve acesso a dados de centenas de milhares de contas de usuários. O jornal também divulgou informações sobre o monitoramento americano em centenas de milhares de celulares para acessar a geolocalização de usuários.

Outros países também passaram a noticiar o caso, como Alemanha, França e Brasil. Reportagens do jornal O Globo publicadas a partir de meados de 2013, com dados coletados por Snowden, mostraram que milhões de e-mails e ligações de brasileiros e estrangeiros em trânsito no país foram monitorados. Os documentos mostram ainda que uma estação de espionagem da NSA funcionou em Brasília pelo menos até 2002. Os dados apontam ainda que a embaixada do Brasil em Washington e a representação na ONU, em Nova York, também podem ter sido monitoradas.

O programa da Rede Globo, Fantástico, exibiu reportagem com base em documentos obtidos com exclusividade. Os arquivos classificados como ultrassecretos, que fazem parte de uma apresentação interna da Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos, mostram a ex-presidente Dilma Roussef, e o que seriam seus principais assessores, como alvo direto de espionagem da NSA.

Outros países da América Latina também são monitorados, segundo os dados. De acordo com o jornal, situações similares ocorrem no México, Venezuela, Argentina, Colômbia e Equador. O interesse dos EUA não seria apenas em assunto militares, mas também em relação ao petróleo e à produção de energia. A informação a respeito dos serviços secretos gerou debate nos Estados Unidos e no exterior sobre o crescimento do alcance da NSA, que expandiu seus serviços de vigilância na última década. Agentes americanos garantem que a NSA atua dentro da lei.

Enquanto isso, mais de 80 fundações e ONGs americanas lançaram uma campanha para protestar contra o programa de vigilância online. As organizações, entre elas a American Civil Liberties Union (ACLU), as fundações World Wide Web e Mozilla, e o Greenpeace colocaram no ar o site Stopwatching.us ("Parem de nos vigiar", em tradução livre) e pediram ao Congresso que divulgue mais elementos sobre o vasto programa de vigilância. Em reação às revelações, o Governo dos Estados Unidos acusou Snowden de roubo de propriedade do governo, comunicação não autorizada de informações de defesa nacional e comunicação intencional de informações classificadas como de inteligência para pessoa não autorizada.

O professor de sociologia da Suécia, Stefan Svallfors, indicou Snowden ao Prêmio Nobel da Paz em 2013. Em carta endereçada ao Comitê Nobel norueguês, Svallfors afirmou que os feitos de Snowden são "heroicos e significaram grandes sacrifícios pessoais". No mesmo documento, afirmou ainda que a atitude do ex-analista da Agência de Segurança Nacional estimula que pessoas envolvidas em atos contrários aos direitos humanos possam denunciá-los. Ele foi indicado para o Nobel da Paz em 2015 também.

Em 2015, o documentário de Laura Poitras, Citizenfour (2014), foi o ganhador do Oscar na categoria de melhor documentário por abordar a extensão da vigilância global e espionagem pelos Estados Unidos, feitas através da NSA. Também documenta como se deram os encontros com Edward Snowden antes e depois da sua identidade ter sido revelada ao público.

Em 2015, Oliver Stone iniciou a produção da cinebiografia de Edward Snowden. O ator Joseph Gordon-Levitt foi o escolhido para interpretar o personagem de Snowden no filme lançado com o nome Snowden – Herói ou Traidor (2016).


DICAS PARA SUA SEGURANÇA NA INTERNET

É muito comum que computadores, celulares e outros dispositivos eletrônicos com acesso à internet sejam contaminados com vírus. Assim, pessoas que agem com má fé podem acessar dados confidenciais, como senhas de banco ou de acesso a outras informações importantes.

Há maneiras de se proteger dos vírus e se manter seguro. Confira algumas dicas:

1. Aprenda sobre o mundo virtual, informe-se sempre. Conheça as novas ameaças e caso perceba alguma ameaça, leve seu equipamento a um especialista em tecnologia da informação.

2. Nunca salve suas senhas. Elas são restritas e de uso pessoal. Cuidado ao utilizar equipamentos que são de uso compartilhado!

3. Altere suas senhas periodicamente. Passar anos com a mesma senha é um erro muito comum. Use letras, números e símbolos ao criar suas senhas.

4. Cuidado com softwares suspeitos. Na dúvida, não instale. Os programas podem estar infectados e conter malwares que podem roubar dados do seu computador. Opte por aqueles softwares de empresas que você já conhece e das renomadas no mercado.

5. Cuidado com os downloads. Assim como softwares, outros downloads também podem causar problemas em seu equipamento. Jogos, filmes, músicas, dentre outros, se não forem bem selecionados podem ser baixados com algum vírus e causar muitos problemas.

6. Cuidado ao clicar em links. A dica vale para todos os sites, mas especialmente para as redes sociais, tais como Facebook e Twitter. Histórias curiosas, diferentes e engraçadas demais podem ser uma armadilha e sua proteção contra vírus e ataques cibernéticos pode ser perdida num clique. Use do bom senso e pesquise sobre o assunto, sempre buscando uma fonte confiável para o tema.

7. Atualize seu antivírus, que é sua defesa contra os malwares da internet. Ter um antivírus atualizado é uma das melhores saídas para obter proteção. Faça as renovações assim que for solicitado e evite passar muito tempo sem utilizá-lo. As versões pagas são mais completas e com mais garantias de segurança.

8. Não acredite em mega promoções sem antes verificar a veracidade. A famosa expressão americana “não existe almoço grátis” pode ser verdadeira. Propagandas de objetos com descontos gigantescos em sites que você nunca ouviu falar e anúncios de que você foi o milionésimo a acessar alguma página na internet são indícios de que há algo errado. Um vírus pode invadir seu computador e ter acesso aos seus dados pessoais.

9. Atenção a falsos e-mails e anexos. É muito comum assuntos como traição, emprego, dinheiro e rastreamento de encomendas serem corrompidos e enviados para atrair pessoas desatentas. Não clique em links ou anexos enviados por endereços virtuais desconhecidos.

10. Verifique sempre se o site é seguro. O Google disponibiliza uma certificação de segurança aos sites. Quando o gigante da tecnologia enxerga um endereço virtual como perigoso, o próprio navegador indica isso ao usuário. Em outros casos, até mesmo o antivírus bloqueia o site e alerta perigo.


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