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As gerações e suas características
 
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 GERAÇÕES X E Y Imprimir Enviar Guardar
 

Foto: Pixabay

Você, provavelmente, já deve ter ouvido falar de alguns dos seguintes termos: Baby Boomers, Echo Boomers, Geração X, Geração Y, Geração Silenciosa, Millennials, etc. Agora, saberia identificar quais características descrevem estas gerações?

Não é fácil encontrar uma definição para o que vem a ser uma geração. A maior parte das pessoas tem a tendência de descrever uma geração se concentrando, apenas, na data de nascimento. Assim, dizemos, por exemplo, que os chamados Baby Boomers são aquelas pessoas nascidas entre os anos de 1945 e 1960. No entanto, parece claro que o que une uma geração não é apenas o calendário.


De modo geral, uma geração pode ser caracterizada como um grupo que compartilha os anos de nascimento, a idade, a localização e os eventos significativos da vida em situações críticas de desenvolvimento. Neste sentido, qualquer definição para o termo “geração” tem de ser baseado em uma série de fatores, incluindo dados demográficos, atitudes, eventos históricos, cultura popular, etc.

Nós podemos apontar três fatores primordiais que devemos considerar quando estamos tentando entender uma determinada geração:

O primeiro deles é o “efeito ciclo da vida” (ou efeito da idade): este fator diz respeito às diferenças entre os jovens e as pessoas mais velhas. A ideia é que as fases da vida demandam atitudes distintas. Por exemplo, as responsabilidades de um adolescente são tirar notas boas, arrumar o quarto, etc. Já um adulto, pode ter que lidar com despesas da casa, questões profissionais, eventualmente a educação de filhos, etc. Isto nos indica que de acordo com a fase da vida em que estamos, nossa visão de mundo é modificada.

Um segundo aspecto é o “efeito período”: alguns eventos históricos e circunstâncias possuem um impacto social tão grande que influenciam todos, independentemente da idade. Um exemplo disso é a Grande Recessão de 2007-2009, que atingiu todas as camadas da população. Do mesmo modo, temos o movimento pelos direitos civis na década de 1960.

Por fim, temos o “efeito coorte”: o termo “coorte” significa “um conjunto de pessoas que tem em comum um evento que se deu no mesmo período”. Existem duas maneiras em que este efeito coorte pode influenciar na formação de uma geração. Há casos em que temos um grande acontecimento histórico em que uma geração mais velha teve a experiência e a geração posterior, não (por exemplo, pessoas que estavam vivas no 11 de setembro tiveram uma experiência de um efeito coorte que as pessoas que nasceram depois não tiveram). Outra forma de efeito coorte está relacionada a casos em que um grande acontecimento histórico é vivenciado de modo diferente por diferentes camadas da população (por exemplo, pessoas que eram adolescentes ou jovens adultos vivenciaram a guerra do Vietnã de maneira diferente que pessoas muito novas ou mais velhas).

Como nós podemos ver, se quisermos entender o que é uma geração, é preciso muito mais do que apenas a data de nascimento. É preciso levar em consideração os três efeitos apontados e muitos outros aspectos que podem influenciar, tais como: etnia, religião, estado matrimonial etc. Nosso objetivo será apresentar as principais gerações (aquelas que são mais discutidas): Baby Boomers, Geração X, Geração Y (Millennials) e Geração Z.

Mas antes de começarmos, vale a pena fazer um alerta. Estas pesquisas sobre gerações foram feitas, em sua grande maioria, por sociólogos americanos. Assim, muitas das características que iremos discutir aqui não se encaixarão perfeitamente quando aplicadas para a nossa realidade no Brasil. Também por isso, boa parte dos exemplos que iremos trabalhar dizem respeito à sociedade americana. Dito isso, vamos olhar com cuidado as principais gerações.


BABY BOOMERS (1945-1964)

É verdade que existem algumas gerações antes da chamada Baby Boomers (por exemplo, a Geração Grandiosa, a Geração Silenciosa etc.). No entanto, elas são pouco representativas e muitos estudiosos acabam omitindo-as. Comecemos, então, falando dos Baby Boomers.

A geração Baby Boomers parece ser a única geração que tem começo e fim bem delimitados: 1945-1960. Seu início pode ser considerado o final da segunda guerra mundial, quando houve um aumento exponencial do número de nascimentos. Isto se deu, provavelmente, porque após o final da Segunda Guerra Mundial, há um retorno de milhões de veteranos desejosos por recomeçar suas vidas e constituir uma família. Além disso, o governo americano ofereceu um generoso apoio financeiro para empréstimos à habitação e ensino, o que permitiu uma maior comodidade para o sustento de famílias numerosas e mesmo um estímulo. Já o término da geração, está ligado à introdução de pílulas que previnem a gravidez. Ou seja, uma característica bem clara dos Baby Boomers é ser extremamente populosa.

Do ponto de vista histórico, o momento em que os Baby Boomers atingem sua maioridade destaca-se pela agitação civil e grande atenção para questões internacionais, em especial, a ascensão do comunismo em várias partes do mundo. O primeiro teste da bomba atômica (realizado pela União Soviética, em 1949), a caçada aos comunistas feita pelo senador americano Joseph McCarthy na década de 1950, e a construção do Muro de Berlim em 1961 estão entre os principais fatos ligados à Guerra Fria. Claro, também houveram aspectos positivos: a conquista da lua e o desenvolvimento das comunicações via satélite são exemplos disso.

Também em 1949, o partido comunista de Mao Tse Tung assume o controle da China e pouco tempo depois, temos o conflito no Vietnã, com participação efetiva dos Estados Unidos. Especialistas defendem que o Guerra do Vietnã é uma das influências mais importantes para a geração Baby Boomers, pois para muitos, aquilo não parecia uma "boa guerra" como a geração dos seus pais achava. Surgem os chamados anti-guerra, em um tempo marcado por protestos com piquetes, queima de cartazes, mas também do nascimento da cultura "hippie", cujas palavras de ordem eram “paz” e “amor”. Esta característica idealista e ativista fez com que alguns estudiosos considerassem os Baby Bommers como a verdadeira Geração Grandiosa.

Além destas mudanças no âmbito global, esta geração teve de lidar com uma série de conflitos sociais internos. A revolução sexual (que coincide com o final dos nascimentos dos Baby Boomers) e o movimento pelos direitos civis mudaram toda a realidade política e social. Muitos Baby Boomers se rebelaram contra os seus pais mais conservadores.

Aliás, rebeldia é um dos pontos chave desta geração. Na década de 1950, a rebelião adolescente teve como foco a aversão às prioridades burguesas dos pais e em uma revolução da cultura popular. Essa nova cultura pop incluiu a música rock and roll – cujo principal nome foi Elvis Presley. Até para aqueles jovens que não seguiram todas as tendências, isto se refletiu e inspirou, seja na literatura, no cinema, nos gêneros musicais, roupas e penteados, carros, motocicletas, gangues, existencialismo e vida noturna.

Este período também foi marcado pelo assassinato de importantes políticos e líderes sociais, como, por exemplo: o presidente americano John F. Kennedy (1963), o ativista pelos direitos civis Martin Luther King Jr. (1968), e o senador Bobby Kennedy (1968).

Podemos dizer, então, que “turbulência” e “promessas” são as duas principais características da vida desta geração. Quando jovens, foram moldados pela guerra e conflitos sociais. Já mais velhos, vivenciaram a maior taxa de divórcios e segundos casamentos da história. No entanto, a maior parte das pessoas ainda perseguiram o chamado “sonho americano”, fazendo da busca pelo sucesso, também a sua marca. Devido ao seu materialismo e ganância, esta geração também é chamada de Geração Eu.


GERAÇÃO X (1965-1980)

Na sequência dos Baby Boomers, temos a Geração X. Sua primeira característica é de não ser tão numerosa. Embora a Guerra do Vietnã ainda estivesse em curso quando os primeiros membros da Geração X nasceram, esta não parece ter tido muita influência para eles. Isto não significa dizer que esta geração não vivenciou conflitos. Durante o seu crescimento, tivemos uma série de crises ligadas a fontes energéticas (o embargo da OPEC, em 1973; a Revolução Iraniana, em 1979; e a crise ligada à Guerra do Golfo, em 1990). E claro, muitos de seus membros mais velhos serviram o exército durante a Guerra do Golfo.

Os membros da Geração X cresceram em famílias com pais trabalhando em jornada dupla (pelo menos, muita mais do que na geração anterior). Eles cresceram durante uma era de aumento dos empregos do sexo feminino. Além disso, quando crianças eles vivenciaram um período de rápido aumento na taxa de divórcios. Com isso, logo cedo eles passaram por mudanças familiares fundamentais que provavelmente os afetaram profundamente. A consequência disso é que eles tiveram que lutar por si e aprender a ser autossuficientes desde muito cedo, uma vez que eles estavam frequentemente por conta própria em suas casas.

Na fase adulta, eles foram os primeiros a ter a experiência dos “enxugamentos” dentro das empresas, muitas pessoas perderam seus empregos. No geral, acabam dando um grande valor à família, buscando um equilíbrio entre a vida pessoal e o trabalho. Podemos dizer que eles são independentes, menos comprometidos com os seus patrões, aceitam mais a diversidade e estão confortáveis com a tecnologia. Eles são também mais adaptáveis à mudança.

Muitos eventos políticos (o Watergate, o Caso Irã-contras, e a tentativa de impeachment do presidente Bill Clinton), bem como o surgimento da Aids, fizeram da Geração X uma geração pessimista. Alguns desastres ambientais (por exemplo: o acidente de Three Mile Island (1979), o Desastre de Bhopal (1984), e Chernobyl (1986)) reforçaram esta característica pessimista.

A despeito do fato de ter crescido vendo a queda do Muro de Berlim, o fim da Guerra Fria, e os avanços tecnológicos, a Geração X é extremamente cética com relação aos seus governantes e líderes corporativos. Por um lado, seus membros sentem um forte apego à comunidade e possuem uma grande responsabilidade com a comunidade local. Por outro lado, eles tendem a ser mais ativos em organizações menos formais e não-políticas. Eles veem a família como a instituição social mais importante.

Eles testemunharam uma queda no poderio militar e econômico americano, e não foram, no geral, tão bem-sucedidos quanto os seus antecessores. Como eles são menos numerosos que a geração anterior e posterior, acabaram sendo um pouco negligenciados. Podemos caracterizar a Geração X como “independente” e “desiludida”.


GERAÇÃO Y (MILLENNIALS) (1981-1997)

Atualmente, a Geração Y é a maior parte da população. Em 2015, esse grupo se tornou o maior segmento dentro dos trabalhadores nos Estados Unidos. Também podem ser chamados de Geração Milênio, Geração Internet, ou Milênicos (do inglês: Millennials). Nos Estados Unidos, alguns estudiosos ainda os chamam de Echo Boomers, na medida em que eles são tão populosos quanto os Baby Boomers.

Embora muitos membros da Geração Y tenham crescido em casas com pais divorciados, seus pais (que são em grande parte, pessoas da Geração X) focaram boa parte de sua energia neles, talvez uma compensação à falta de atenção dada pelos seus próprios pais, os Baby Boomers. Mais do que as gerações anteriores, eles tiveram uma infância superprotetora. Assim, eles se acostumaram a conseguir tudo o querem sem muito esforço. Em muitos casos, esta superproteção gerou adultos pouco preparados e extremamente dependentes. Por isso, algumas pessoas se referem a esta geração como “Geração Peter Pan”, devido a tendência que podemos observar neles de adiar certos ritos de passagem para a idade adulto (parecem querer ser crianças para sempre). Muitos da Geração Y acabam morando com os seus pais por mais tempos que as gerações anteriores.

É claro que boa parte desta proteção é justificada. Muitos da Geração Y eram já nascidos na Guerra do Golfo e cresceram com a imagem do atentado na cidade de Oklahoma e os ataques de 11 de setembro. Além disso, os ataques em Columbine, foram os primeiros de muitos ataques em escolas e outros lugares públicos. Como consequência disso, eles têm mais leis que buscam sua proteção. De modo geral, eles não se sujeitam a qualquer trabalho e buscam sempre ótimas remunerações. É comum que os jovens desta geração mudem de emprego constantemente, na expectativa de terem mais desafios e crescimento profissional. Como consumidores crescentes, têm se tornando o público-alvo das empresas de tecnologia. As empresas desses segmentos visam a atender essa nova geração de consumidores, que constitui um público exigente e sedento por inovações.

Aliás, esta é uma característica bastante marcante. A Geração Y é extremamente tecnológica, o que justifica o seu apelido de “nativos digitais”. Podemos dizer que é a primeira geração que utiliza certos aparelhos, como os telefones celulares (smatphones), não apenas para fazer ligações. Com a chegada da internet e dos computadores, estas pessoas tiveram acesso a informação rápida, fazendo delas a primeira geração verdadeiramente global. Estas novas tecnologias e aparelhos criaram condições de comunicação para a Geração Y muito especiais, o que os permitiu dividir experiências, trocar conhecimento, divulgação de conteúdo, potencializados pelas redes sociais. A internet é fundamental e por meio dela, eles desenvolveram uma capacidade de manter as pessoas próximas, mesmo que estando fisicamente em diferentes pontos do globo.

Tomemos mais algumas características. Como já deve ter ficado claro, a geração Y cresceu nutrida por todos os adultos ao seu redor. Entre eles há uma forte sensação de que todos devem ser valorizados: “todos merecem uma medalha por participação”. No entanto, isto também gerou aspectos positivos. Eles foram ensinados a falar abertamente sobre os seus sentimentos e desejam mudanças positivas no mundo. No trabalho, exigem meritocracia e significado (e não apenas remuneração).

Esta é uma geração também marcada pela inclusão. É nesta geração que temos, pela primeira vez, mais mulheres que homens dentro das universidades, bem como um aumento de pessoas de outras etnias (ou seja, a universidade começou a deixar de ser um espaço apenas para homens brancos). Junto a isso, temos o ressurgimento do politicamente correto. De acordo com uma pesquisa da Pew Research, feita em 2015, 40% das pessoas da Geração X apoiam medidas do governo que busquem restringir o discurso ofensivo a grupos minoritários. Isto parece bastante significativo quando comparado aos resultados obtidos em gerações anteriores: 27% da Geração X e 24% dos Baby Boomers. Críticos defendem que estas mudanças poderiam ter consequências para a liberdade de expressão (gerando uma espécie de censura). No entanto, é inegável a diminuição da desigualdade promovida por esta geração.

Se quisermos resumir a Geração Y, podemos defini-los pelos termos “proteção” e “comunicação”.


GERAÇÃO Z (1998-PRESENTE)

A última geração que discutiremos aqui é a Geração Z. Ela é ainda muito nova e só agora os estudiosos estão começando a fazer uma análise mais precisa dela. Alguns nomes são frequentemente usados para se referir a ela: Geração Nativa (Homeland Generation), geração-i, pós-Millennials. É formada por uma crescente população e em breve se tornará a geração mais populosa. É também a mais diversa em termos étnicos, religiosos e de estrutura familiar (superando a Geração X neste ponto).

Por enquanto, a principal marca da Geração Z é a tecnologia. Eles foram os primeiros a crescer após o surgimento dos smartphones e as mídias sociais. Para muitos, a Geração Z é como se fosse um grupo de Millennials potencializados. Para eles, a tecnologia é uma extensão se suas próprias expressões. O alto conhecimento das mídias sociais os beneficia não apenas nos que diz respeito às suas amizades pessoais, mas pelo fato de estarem acostumados a se envolver com amigos de todo o mundo, eles acabam bem preparados para um ambiente de negócios globais.

Eles estão crescendo em meio à promessa de inovação tecnológica – mas também em um ambiente de incerteza econômica, gerada pela recessão que havia durante a sua infância e uma queda acentuada nos planos de carreira bem definidos e confiáveis que as gerações anteriores desfrutaram. Consequentemente, quando comparado aos seus antecessores, esse grupo é mais cauteloso e mais ansioso (principalmente quanto ao pagamento da faculdade e a procura de bons empregos).

Ao contrário de todas as outras gerações anteriores, esta geração é tida como a mais tolerante que já existiu, a mais aberta à legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo, e inclusive sendo também a mais favorável à igualdade de gênero. Até agora, as experiências de vida da Geração Z nos permitem caracterizá-la como “tecnológica” e “cautelosa”.


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