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50 anos do Jornal Nacional
 
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O que aconteceu no Brasil e no mundo entre os anos 1969 e 2019? 50 anos de muita história para contar e uma considerável parte dessa memória foi registrada pelo Jornal Nacional (JN), que no ano de 2019 completou 50 anos. "No ar, Jornal Nacional. A notícia unindo 70 milhões de brasileiros", dizia Cid Moreira na abertura do JN. A primeira edição, com Cid Moreira e Hilton Gomes na bancada, foi ao ar às 19h45 do dia 1º de setembro de 1969. O JN foi o primeiro telejornal a ser transmitido em rede nacional.

Com um avanço perceptível em termos de técnicas de comunicação, o Jornal Nacional começou em branco e preto, teve a exibição de imagens coloridas conquistada na década de 1970 e avança em tecnologia ao proporcionar ao telespectador imagens em alta definição (HD). Para os jornalistas envolvidos, o aprendizado certamente valeu toda a adrenalina que é fechar um jornal diariamente, com muitas matérias feitas ao vivo.

“Sabemos que a memória é uma preciosa fonte de informação, mas precisamos ter claro que nem sempre ela é exata e, às vezes, o detalhe de um fato pode mudar toda a história”, é o trecho da Nota Técnica do livro Jornal Nacional, a notícia faz história (2004). E a reflexão sobre o assunto vai adiante, com o seguinte trecho: “[é] preciso ainda ter consciência de que nossa memória é filtrada por nossas biografias e visões de mundo, o que faz com que os relatos sobre um mesmo acontecimento possam imprimir cores e nuances diversas”.

Com isso, é possível dizer que o Jornal Nacional, em seus 50 anos, mostrou e mostra – ao Brasil e ao mundo – partes relevantes de muitas histórias, contadas a partir da ótica de profissionais da comunicação e levando em consideração também a linha editorial do próprio jornal e da emissora. Se o Jornal formou (forma) opinião sobre isso ou aquilo, isso é assunto para amplo debate. Se o JN foi (é) capaz de oferecer ao telespectador informações relevantes para que ele próprio forme suas opiniões – como é dever de um profissional de jornalismo –isso é assunto para ainda mais debate.

Aqui cabe resgatar a história dos 50 anos do Jornal Nacional da Rede Globo e mostrar ao leitor a influência cultural e social desse veículo.



LINHA DO TEMPO JN: FATOS MARCANTES

A equipe do Jornal Nacional preparou um especial com fatos que marcaram os 50 anos do telejornal. Os créditos desse trabalho são: edição feita por Mirelle de França, Ana Paula Andrade e Rodrigo Cunha (infografia); pesquisa feita por Perla Rodrigues e Ana Ramalho; estagiárias Andressa Amêndola e Igraínne Marques; design de Fernanda Garrafiel; desenvolvimento, por Fernanda Garrafiel e Antonio Lima, com informações da Memória Globo e Acervo. A seguir, algumas partes dessa história. A cor chegou à TV brasileira em 1972 e uma das primeiras reportagens em cores que a Globo tem registro é uma entrevista com Dom Eugênio Sales, cardeal brasileiro e arcebispo católico do Rio de Janeiro, exibida em 4 de agosto. De 1973 em diante, as reportagens passaram a ser feitas em filme colorido.

Diversos profissionais fizeram história à frente do JN. Entre os anos de 1972 e 1983 a bancada do JN foi ocupada pela dupla Cid Moreira e Sérgio Chapelin. Entre 1989 e 1996 Chapelin voltou a ficar à frente do Jornal.

Em 25 de abril de 1974, a ditadura de António Salazar, em Portugal, foi derrubada. No mesmo dia, a repórter Sandra Passarinho e o repórter cinematográfico Orlando Moreira foram enviados para Madri, na Espanha, para cobrir os acontecimentos. De lá, eles mandavam matérias sobre a Revolução dos Cravos via satélite para o Jornal Nacional. Dois dias depois, chegaram a Lisboa e lá ficaram por 15 dias fazendo a cobertura. Para a época, essa experiência foi inovadora.

A Lei da Anistia foi sancionada em 28 de agosto de 1979 pelo general João Baptista Figueiredo. No dia seguinte, o Jornal Nacional exibiu uma reportagem sobre a libertação de presos políticos em Recife, Salvador, Rio e São Paulo. Depois, outras reportagens também mostraram a volta dos exilados, como a do jornalista Fernando Gabeira.

“Depois de muita negociação, a entrevista do repórter Lucas Mendes com o líder palestino Yasser Arafat foi exibida em 25 de junho de 1979. A equipe de reportagem, que também contava com o repórter cinematográfico Henderson Royes e o produtor Otávio Escobar, foi ao encontro de Arafat na Palestina e esperou três semanas pela conversa”, conta a linha do tempo no site do Jornal.

Dos assuntos mais tristes da década de 1980, o garimpo de Serra Pelada foi amplamente coberto pela Globo. “O Jornal Nacional abriu um escritório na região amazônica no início da década de 1980. Em 7 de maio daquele ano, o repórter Pedro Rogério e os cinegrafistas José Carlos Azevedo e Toninho Marins foram a Serra Pelada, no Pará, mostrar o dia a dia de homens que buscavam enriquecer com o ouro do garimpo”, conta a linha do tempo do Jornal Nacional, no site Globo. Milhares de homens vivendo em condições desumanas para garimpar ouro.

Em 1980, o JN mostrou a visita do Papa João Paulo II ao Brasil. “Era a primeira vez que um papa vinha ao país, e uma multidão calculada em 12 milhões de pessoas foram às ruas para recebê-lo, durante os 12 dias de viagem”.

1985 foi ano de tratar de assunto saúde. O JN noticiava 400 casos registrados de AIDS no país, sendo 300 só no estado de São Paulo. Na época, 136 pessoas morreram de AIDS. Doença sem cura, tratamento demorado e caro, rede pública sem condições de atender aos doentes, dentre inúmeras outras questões foram apresentadas por repórteres do Jornal.

O Jornal Nacional cobriu a morte de Tancredo Neves, em 1985. “Após 39 dias de agonia, Tancredo Neves morreu no Instituto do Coração, em São Paulo, vítima de uma infecção generalizada e sem nunca ter assumido a presidência. Tancredo morreu em 21 de abril, um domingo, dia em que o Jornal Nacional não é exibido. Uma edição especial de quatro horas foi apresentada por Sérgio Chapelin no dia seguinte.

No ano seguinte a notícia triste foi o acidente nuclear de Chernobyl. “Em maio de 1986, o repórter Renato Machado e o cinegrafista Luiz Demétrio Furkim foram a Uppsala, na Suécia, para revelar as proporções do acidente nuclear de Chernobyl, o maior da história. Um mês antes, um dos quatro reatores da usina da antiga União Soviética havia explodido, espalhando uma nuvem de radioatividade por vários países da Europa”, relembra o informe do Jornal.

O poeta Carlos Drummond de Andrade foi homenageado em seu ano de morte. Em 18 de agosto de 1987, dia seguinte à morte do poeta, o JN prestou sua homenagem com uma edição especial e dois blocos dedicados a Carlos Drummond de Andrade. No mesmo dia, Cid Moreira quebrou o protocolo e, de pé, recitou trechos do poema "José", de Carlos Drummond de Andrade:

“E agora, José? A festa acabou, a luz apagou, o povo sumiu, a noite esfriou, e agora, José? e agora, você? (...) Com a chave na mão quer abrir a porta, não existe porta; quer morrer no mar, mas o mar secou; quer ir para Minas, Minas não há mais. José, e agora?

Mais notícias divulgadas pelo Jornal Nacional. Dessa vez foi sobre a sétima Constituição do Brasil, que foi promulgada em 5 de outubro de 1988. “Ao contrário da tradicional escalada com as principais notícias do dia, o Jornal Nacional noticiou apenas este fato. Destaque para a imagem do momento em que o deputado Ulysses Guimarães declarou promulgado ‘o documento da liberdade, da dignidade, da democracia, da justiça social do Brasil’”, contou o site do Jornal.

Em 1989, a queda do Muro de Berlim foi a notícia que tomou a televisão brasileira. “Silio Boccanera, então chefe do escritório de Londres, viajou em novembro de 1989 para Berlim com o cinegrafista Paulo Pimentel. No Portão de Brandemburgo, eles mostraram as comemorações após a abertura da fronteira entre as Alemanhas Ocidental e Oriental. A reportagem foi ao ar no Jornal Nacional em 10 de novembro”, ocasião em que muita gente acompanhou os noticiários.

No mesmo ano, a política esteve novamente na pauta do JN, desta vez com notícia da eleição presidencial direta no país. “Os brasileiros foram às urnas para escolher o presidente da República na primeira eleição direta em 29 anos. O repórter Heraldo Pereira mostrou o resultado oficial do 1º turno das eleições diretas para presidente, em novembro de 1989”, relembra a Linha do Tempo do site Globo.

Guerra do Golfo e a cobertura da Rio-92 também marcaram a história do noticiário do JN. Outro acontecimento registrado foi o impeachment de Fernando Collor. No dia 29 de setembro de 1992, os deputados aprovaram o pedido de impeachment do então presidente Fernando Collor de Mello. A edição do JN daquele dia, que foi totalmente dedicado à votação, começou assim: “Uma terça-feira histórica para Brasil".

Em 1994, as notícias mais marcantes foram: a entrada em vigor do Plano Real, a morte do piloto Ayrton Senna e o Brasil tetracampeão da Copa do Mundo, realizada nos Estados Unidos. Confira as chamadas feitas pelos apresentadores na ocasião:

“Lançado em 1º de julho de 1994, o Plano Real era mais uma tentativa do governo de conter a inflação. O JN acompanhou o impacto do primeiro dia da nova moeda na vida dos brasileiros que moravam nos centros urbanos.”

“Ayrton Senna, um dos maiores ídolos do esporte brasileiro, morreu num acidente em 1º de maio de 1994. Três dias depois, Carlos Nascimento ancorou o JN direto da Assembleia Legislativa de São Paulo, durante o velório do piloto.”

“Em 18 de julho de 1994, o JN dedicou seu último bloco à conquista do tetracampeonato da seleção brasileira na Copa do Mundo dos Estados Unidos. O Brasil venceu a Itália nos pênaltis, quebrando um jejum de 24 anos”.

1996 foi o ano de estreia de William Bonner e Lillian Witte Fibe na bancada do Jornal Nacional, substituindo Cid Moreira e Sérgio Chapelin. “O objetivo era levar para a bancada jornalistas envolvidos com a produção do conteúdo”, conta a linha do tempo. Em 1998, foi a vez de Fátima Bernardes estrear na telinha.

Um assunto dos mais tristes comoveu os brasileiros em 1997. “Reportagens do JN denunciaram a exploração da prostituição e do trabalho infantil. Depoimentos e imagens de meninas que ainda brincavam de boneca e se prostituíam por até R$ 10”.

Quem não se lembra do 11 de setembro de 2001? “Uma terça-feira que vai marcar a História da humanidade. A maior potência do planeta é alvejada pelo terror", assim começou a edição histórica do JN. Em uma das reportagens, Jorge Pontual mostrou o caos na cidade de Nova York momentos após os atentados terroristas.

2002 foi ano de inovar. O primeiro entrevistado a participar da bancada do JN foi o jogador Ronaldo Fenômeno. Ele foi recebido por William Bonner e Fátima Bernardes em 7 de maio de 2002, às vésperas de participar da Copa do Mundo na Coreia do Sul e no Japão. Daí em diante a TV abriu espaço para a participação ao vivo de outras pessoas, como no caso das entrevistas feitas aos presidenciáveis. “Pela primeira vez, o Jornal Nacional entrevistou, na bancada, os principais candidatos à presidência. A ordem das entrevistas, com Anthony Garotinho, Ciro Gomes, José Serra e Luiz Inácio Lula da Silva, foi decidida em sorteio”, relembra site.

O tsunami na Ásia também foi relatado nas telas dos brasileiros sintonizados na Globo. “Em dezembro de 2004, uma série de ondas gigantes no Oceano Índico devastou a costa de vários países e causou a morte de milhares de pessoas. Os correspondentes Marcos Uchôa e Sergio Gilz participaram da cobertura sobre o tsunami e se basearam em três países: Tailândia, Sri Lanka e Indonésia”, contava o apresentador à época.

Ainda outros momentos marcantes fizeram parte da retrospectiva dos 50 anos do Jornal Nacional: caravana JN e desejos do Brasil; eleições americanas; blecaute em 18 estados brasileiros; ocupação da Vila Cruzeiro e do complexo do Alemão; riquezas e diferenças do Brasil; estreia da Patrícia Poeta; incêndio da Boate Kiss; manifestações de junho de 2013; JN passa a ser exibido em alta definição; JN apresentado pela primeira vez por duas mulheres em 2014; estreia da Renata Vasconcellos; tragédia em Mariana; Maria Julia Coutinho no Mapa do Tempo; impeachment de Dilma Rousseff; Homenagem às vítimas da queda do avião da Chapecoense; o dia em que o JN não foi exibido; caso Marielle Franco e Anderson Gomes; rompimento da barragem de Brumadinho... entre tantos acontecimentos marcantes. Esses foram alguns dos escolhidos pelo site para relembrar os 50 anos. A seguir, confira algumas das chamadas feitas na ocasião dos acontecimentos:

“Entre julho e outubro de 2006, uma equipe de 15 pessoas a bordo de um ônibus, tendo à frente o repórter Pedro Bial, visitou os 26 estados e o DF, percorrendo 15 mil quilômetros de estradas. Pedro Bial apresentou as reportagens da série Desejos do Brasil, que traçou um panorama dos anseios dos brasileiros e dos contrastes do território nacional. A cada duas semanas, William Bonner ou Fátima Bernardes apresentavam o JN de uma cidade diferente do país.”

“Os Estados Unidos elegeram Barack Obama como presidente do país. Numa reportagem de 4 de novembro de 2008, William Bonner mostrou o último comício do candidato e a saída do presidente George W. Bush da Casa Branca. Durante três dias, o jornal foi ancorado de Washington.”

“A cobertura do JN do apagão que atingiu 18 estados do país, em 10 de novembro de 2009, rendeu uma indicação ao Emmy Internacional. Uma reportagem do JN de 11 de novembro mostrou os transtornos causados pelo blecaute que afetou 60 milhões de pessoas.”

“Em novembro de 2010, a polícia ocupou as favelas do Complexo do Alemão e a Vila Cruzeiro. O Jornal Nacional venceu o Emmy Internacional em 2011 pela cobertura e se tornou o primeiro telejornal brasileiro a levar o prêmio, considerado o Oscar da televisão.”


Helicóptero militar sobrevoa as favelas do Complexo do Alemão durante a ocupação ocorrida em 28 de novembro de 2010 no Rio de Janeiro, o Jornal Nacional venceu o Emmy Internacional de 2011 pela cobertura. Foto: ANTONIO SCORZA / AFP.

“Durante cinco semanas, o repórter Ernesto Paglia e uma equipe percorreram de avião os 26 estados e o DF para retratar as riquezas e as diferenças do Brasil. No projeto, que antecedeu a eleição presidencial daquele ano, uma cidade era sorteada na véspera da viagem. Chegando lá, os moradores diziam o que gostariam de mudar na sua região.”

“Em 6 de dezembro de 2011, Patrícia Poeta se transformou em apresentadora e editora-executiva do Jornal Nacional. Ela substituiu Fátima Bernardes, que se despediu da bancada.”

“Um incêndio numa boate em Santa Maria (RS) matou 242 jovens e deixou 382 feridos na madrugada de 27 de janeiro de 2013. No dia seguinte, William Bonner apresentou o Jornal Nacional, ao vivo, de Santa Maria. O repórter José Roberto Burnier acompanhou os primeiros funerais das vítimas do incêndio na boate Kiss.”

“A edição do JN de 20 de junho de 2013 mostrou, ao vivo, as manifestações contra o aumento das tarifas dos transportes e a favor de melhorias nos serviços públicos e de mais investimentos em saúde e educação, nas principais cidades do país. O JN entrou no ar sem a tradicional escalada e foi quase totalmente dedicado ao assunto.”

“A partir de 2 de dezembro de 2013, o Jornal Nacional e todos os programas de jornalismo da Globo passaram a ser exibidos com a tecnologia HD, ou seja, em alta definição.”

“Em 8 de março de 2014, Dia Internacional da Mulher, o JN foi ancorado, pela primeira vez na história do telejornal, por duas apresentadoras: Sandra Annenberg e Patrícia Poeta.”

“Renata Vasconcellos assumiu a bancada do JN, ao lado de William Bonner, em 3 de novembro de 2014, substituindo Patrícia Poeta. Desde então, ela também acumula a função de editora-executiva do jornal.”

“Uma barragem se rompeu e despejou 40 bilhões de litros de rejeitos de minério em Minas Gerais, em 5 de novembro de 2015. Os distritos de Bento Rodrigues e Paracatu de Baixo, que fazem parte do município de Mariana, foram os mais afetados. Quando as primeiras reportagens foram ao ar no JN, ainda não se sabia o tamanho da tragédia.”

Maria Julia Coutinho, a “Maju se tornou apresentadora fixa do Mapa Tempo do Jornal Nacional em 27 de abril de 2015. Na mesma época, o quadro passou a ser transmitido ao vivo.”

“Em 12 de maio de 2016, o JN mostrou a trajetória do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. Em 31 de agosto do mesmo ano, o Senado afastou definitivamente Dilma do cargo, e Michel Temer assumiu a presidência.”

“O Jornal Nacional prestou homenagem às vítimas do voo da Chapecoense, com uma salva de palmas, no fim da edição do dia 29 de novembro. Entre as vítimas, estavam três jornalistas da Globo: Ari Junior, Guilherme Marques e Guilherme Van Der Laars.”

“O jornalismo da Globo no Rio ganhou nova redação em junho de 2017, com 1.370 metros quadrados e 189 postos de trabalho. Com a mudança, o JN apresentou um novo cenário.”

“Em 2 de agosto de 2017, excepcionalmente, por ocasião da transmissão ao vivo da votação sobre a denúncia contra o presidente Michel Temer, o Jornal Nacional não foi exibido.”

“A vereadora e o motorista foram mortos a tiros no Rio na noite de 14 de março de 2018, e a edição do dia seguinte deu ampla cobertura ao caso. Os principais marcos e descobertas do caso também foram noticiados no Jornal Nacional.”

“Uma barragem da mineradora Vale se rompeu no dia 25 de janeiro de 2019, em Brumadinho, região metropolitana de Belo Horizonte, causando destruição. Entre mortos e feridos, foram 270 vítimas.”



AVALIAÇÃO DE MÍDIA

O Jornal Nacional é caraterizado por ser compacto e utilizar uma linguagem simplificada. Vai ao ar de segunda a sábado, em horário nobre (noite). Ao longo da história, foram vários furos de reportagem, como: a violência policial na Favela Naval em Diadema, e a entrevista com PC Farias, no período em que este se encontrava foragido. Exemplos de outras reportagens de repercussão foram a apuração dos casos de fraude na previdência social, com a prisão de Jorgina de Freitas e o escândalo dos precatórios, entre outros.

Em 26 de setembro de 2011, o JN ganhou o prêmio Emmy Internacional na categoria "notícia" devido à cobertura da expulsão dos traficantes e ocupação policial do Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, em novembro de 2010. Foi a sétima vez em nove anos que o telejornal chega à final do "Oscar da televisão mundial", sendo a primeira vitória. Outro momento histórico foi a morte de Tim Lopes, em 2002, nesta mesma região do Rio de Janeiro, fato que agregou um significado especial à cobertura jornalística de 2010.

São diversos os estudos já divulgados sobre a cobertura do Jornal Nacional. Muitas polêmicas, muitas opiniões divergentes. Um exemplo de estudo foi realizado em 2018, por Aline Vilela da Silva Oliveira, intitulado “Jornal Nacional: enquadramentos do impeachment de Dilma Rousseff”. Segundo a autora, “os enquadramentos trabalhados pelo Jornal Nacional, da Rede Globo de Televisão, e seus efeitos sobre a maneira como o processo de impeachment foi compreendido pelo telespectador é o tema em discussão no estudo”. Ela afirma que buscou entender como os discursos presentes nas reportagens em torno do processo contra a então presidente Dilma Rousseff influenciaram o entendimento do público sobre a crise política enfrentada pelo país no ano de 2016.

“O trabalho apresenta uma análise dos enquadramentos presentes em edições específicas do Jornal Nacional durante os oito meses em que ocorreram a abertura do processo na Câmara dos Deputados e a votação no Senado.”, afirma a autora do estudo.

“A partir desses estudos, foi possível identificar a maneira como a Rede Globo de Televisão se aliou a setores conservadores da política brasileira. O trabalho também oferece um panorama histórico da relação entre a imprensa e as elites no Brasil. Os resultados encontrados demonstraram a predominância de uma abordagem negativa da figura e da atuação da ex-presidente Dilma, além de um enquadramento centrado na presunção de culpa da então chefe de Estado, mesmo antes do término do julgamento”, pondera a pesquisadora da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP).

Outro profissional que voltou seus olhares para o JN foi Jota Alcides, em artigo publicado no site Observatório da Imprensa, em 2015. “Dentro das celebrações dos 50 anos da Rede Globo, fundada em 1965 pelo ousado Roberto Marinho, já então nos seus 60 anos de idade, a bela retrospectiva de cinco décadas do Jornal Nacional ancorada por William Bonner, relembrando fatos marcantes e momentos emocionantes com os repórteres de cada época, omitiu, provavelmente por esquecimento, o personagem mais emblemático alvo da censura do regime militar no Brasil”.

Segundo Jota, o personagem foi tão emblemático que se tornou o mais famoso censurado no mundo inteiro. Dom Helder Câmara (1909-1999), arcebispo de Olinda e Recife, “se notabilizou e ganhou fama internacional pela luta por melhores condições de vida para os mais pobres e por ter denunciado as torturas da ditadura militar brasileira. Foi tão grandioso e tão eloquente contra o autoritarismo e na defesa dos direitos humanos que se transformou num dos maiores líderes do século XX. Não dá para ser esquecido”.

Mais polêmica e dessa vez divulgada pelo jornalista e historiador Rubem Maria Filho, também para o Observatório da Imprensa. Segundo ele, “no dia 29 de outubro, quando o Jornal Nacional exibiu a reportagem sobre a citação ao nome do presidente Jair Bolsonaro no caso envolvendo o assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes – há mais de 600 dias sem resolução -, identifiquei um erro grosseiro na prática jornalística da TV Globo: a emissora não ouviu as explicações do próprio presidente na reportagem. O telejornal só exibiu as explicações do advogado Frederick Wassef”, escreve.

Segundo o jornalista, a Rede Globo tinha, na comitiva de imprensa do presidente, a repórter Delis Ortiz colada em Jair Bolsonaro durante os doze dias em que o presidente circulou pela Ásia e pelo Oriente Médio. “Quando não vi a reportagem exibir uma explicação do presidente, pensei: não é possível que a TV Globo cometeria um erro jornalístico tão pedestre, numa circunstância tão grave, envolvendo o nome do presidente da República num caso de repercussão internacional. Era um erro grave e rasteiro para o jornalismo da TV Globo”, avalia.

Ainda segundo Rubem Filho, “esse tipo de ‘erro’, digamos, tornou-se comum na prática jornalística da Rede Globo, especialmente ao longo dos anos em que o ‘lavajatismo’ deu as cartas na emissora dos Marinho”.

E ele continua: “Jair Bolsonaro, naquela raivosa transmissão no Facebook – hoje sabemos que encenada –, já na madrugada (3h50) do dia 30 de outubro na Arábia Saudita, deixou escapar, em tom de crítica, que não foi procurado pela reportagem do Jornal Nacional, mesmo a emissora tendo a repórter Delis Ortiz na comitiva de imprensa com ele o tempo todo. Ou seja, Bolsonaro estava instruído sobre práticas jornalísticas básicas neste caso. Ele sabia que a repórter teria tempo, estrutura, condições e o dever deontológico de ouvir os esclarecimentos dele no caso. Tanto que o presidente tratou da questão na live, justamente para usar também isso contra a prática jornalística da emissora. Ele foi esperto, estava certo e instruído. Deveria ter sido ouvido pela reportagem. Mas era tudo muito estranho”.

E assim daria para escrever sobre diversos casos polêmicos envolvendo coberturas jornalísticas, principalmente quando o assunto é política. Há temas com menos repercussão, mas há sempre aqueles temas que causam divergência de opinião, discussões acaloradas e até conflitos. Por isso, a dica para quem chegou até aqui na leitura é: busque diversas fontes de informação; não se contente em saber das notícias sempre pelo mesmo veículo, afinal, toda notícia pode ter um fato dito ou não dito e que muda toda a história, dependendo de quem a conta, de onde conta, para quem conta.


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