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A riqueza da Amazônia: cultura, fauna, flora e gastronomia
 
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A Amazônia, também conhecida como Floresta Amazônica, é uma região que contempla um grupo de ecossistemas que envolve a floresta e a bacia hidrográfico do Rio Amazonas. É considerada a região com maior biodiversidade do planeta, o maior bioma brasileiro e um dos maiores do mundo. A palavra deriva de Amazonas, nome cunhado ao Estado, que tem origem nas amazonas, mulheres guerreiras da mitologia grega.

O território da Amazônia compreende nove países (Brasil, Peru, Guiana, Guiana Francesa, Equador, Bolívia, Venezuela, Colômbia e Suriname), sendo o Brasil o país com o maior território, 60%, seguido do Peru, com 13%. No Brasil, a Amazônia está situada em nove estados: Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins e parte do estado do Maranhão.

Esse conjunto de Estados forma a Amazônia Legal, surgida a partir da criação da Superintendência do Plano de Valorização Econômico da Amazônia (SPVEA), pela Lei n. 1.806/1953, que tinha como principal intuito integrar a região e promover o desenvolvimento socioeconômico local. Em 1966, em substituição ao SPVEA foi criada a Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam), autarquia do Governo Federal, com novos mecanismos e atuação mais ampla.

A área da região da Amazônia Legal corresponde a 61% do território brasileiro (5.217.423 quilômetros quadrados) e apesar de ser um extenso território, ele é pouco povoado, tendo apenas 12,4% da população do país.


BIODIVERSIDADE: FLORA E FAUNA

A suntuosa biodiversidade da Amazônia desperta o interesse de pesquisadores e turistas no mundo inteiro. Por abrigar a Floresta Amazônica, a maior floresta tropical do mundo, com uma área de mais de 5 milhões de quilômetros quadrados, a região conta com aproximadamente 2.500 espécies de árvores e 30 mil espécies de plantas, sendo que esses números não correspondem à totalidade, visto o desconhecimento ainda presente de muitas espécies.

A vegetação da Amazônia é conhecida pela sua floresta densa (ombrófila, do grego, “amiga da água”) e pela as árvores de grande porte. Esse tipo de floresta apresenta diferentes características, conhecidas como: mata de terra firme, situada em relevos mais altos sem perigo de inundação; mata de igapó, situada em terrenos mais baixos e que vive parte do ano em ambiente alagados proveniente de rios de águas negras; e mata de várzea, situada em áreas mais altas do que a mata de igapó, inundada em situação periódica proveniente dos rios de água clara.

A flora da região é composta por árvores, arbustos, trepadeiras, ervas e cipós, sendo que a maioria das espécies se encontram em território brasileiro. Segundo dados da ONG Conservação Internacional, o bioma da região amazônica abriga 10% de todas as espécies conhecidas no mundo. Grande parte dessas espécies possuem propriedades benéficas à saúde e são muito requisitadas por pesquisadores e laboratórios farmacêuticos em todo mundo. Há ainda as espécies comumente utilizadas na medicina popular, conhecidas, principalmente, pela comunidade indígena, como a quebra-pedra, copaíba e andiroba. Em relação ao consumo, a castanha da Amazônia, popularmente conhecida como castanha-do-pará, é um dos exemplares mais famosos da região, assim como o cupuaçu e a graviola.

Vitória régia
Vitória-régia. Foto: asleeponasunbeam/Visual hunt / CC BY-NC-ND.

No entanto, a planta mais representativa no imaginário popular é a vitória-régia, planta aquática típica da família das Nymphaeaceae, conhecida por sua folha circular verde escura. Outras espécies de grande relevância e conhecidas do público são: castanheira, seringueira, mogno, cedro, sendo as três últimas muito utilizadas pela indústria moveleira e de construção.

Dados do Ministério do Meio Ambiente apontam a existência de 2.500 espécies de árvores de grande porte. A samaúma, uma dessas espécies, chega a ter 2 metros de diâmetro de tronco. Outra espécie de grande porte muito conhecida é o angelim vermelho, que pode atingir mais de 80 metros de altura, equivalente a um prédio de 30 andares.

Em relação à fauna, os números são tão expressivos quanto a flora. Cerca de 30 milhões de espécies habitam a Amazônia, segundo cálculo de pesquisadores, o que corresponde a 20% de todas as espécies da fauna do planeta. Apesar do número expressivo, ele está em constante atualização, segundo o Relatório do Fundo Mundial para a Natureza (WWF), no ano de 2017, foram divulgadas 381 novas espécies na floresta (entre flora e fauna).

Segundo o relatório Perspectivas do Meio Ambiente na Amazônia: Geo Amazônia, publicado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), há hoje, no Brasil, ao menos 311 mamíferos, 1.300 aves, 273 répteis, 232 anfíbios e 1.800 peixes continentais. Devido o advento da bacia hidrográfica da Amazônia, há uma enorme variedade de espécies de peixes de todos os tamanhos e famílias. Estima que 85% das espécies de peixe da América do Sul estejam na Amazônia. Os peixes mais comuns na região são o pirarucu, piranha, tambaqui e piramboia. Entretanto, o animal aquático mais famoso da região não é um peixe, mas o mamífero peixe-boi, que pode chegar a pesar 500 quilos, e é encontrado em lagos e rios da Amazônia.

Já no habitat da floresta, a diversidade também é grande. Grande parte da fauna amazônica é composta por animais que vivem nas copas das árvores, entre eles há predominância pelas aves da copa, tais como: papagaios, pica-paus e tucanos. A variedade das aves é tamanha que é possível conviver no mesmo espaço uma harpia (gavião-real), maior ave do Brasil, que pode atingir 1,15 metros de comprimento e 2,5 metros de envergadura, e o caçula, menor ave brasileira, com aproximadamente 6,5 centímetros de tamanho.

Os répteis também são bem representados no bioma pela presença de tartarugas, lagartos, cobras e jacarés. A sucuri é a estrela maior, inclusive sendo representada em inúmeros documentários e filmes, como o conhecido Anaconda. Por ter um grande porte, e ser capaz de digerir animais de médio porte, como a capivara, e domésticos, como um bezerro, a sucuri é vista como um dos animais mais perigosos desse habitat. Há também grande presença de anfíbios, que transitam entre o cenário terrestre e aquático. Destacam-se espécies de rãs, sapos e pererecas dos mais variados tamanho e colorações.

No entanto, o grupo mais numeroso do bioma são os artrópodes (composto de aracnídeos, insetos e crustáceos). São mais de 2,5 milhões de espécies que formam uma presença massiva de borboletas, formigas, besouros, entre muitas outras variedades. Por ser um bioma tão rico em diversidade, há diversas espécies endêmicas (daquela determinada região), valendo destacar o boto cor-de-rosa, a tartaruga mata-mata e a ave choca-de-garganta-preta.



GASTRONOMIA

Por conta da imensa riqueza do bioma amazônico, a culinária local é caracterizada pelo seu sabor particular e autêntico. Por ser uma região historicamente povoada pelos povos indígenas, ainda hoje com grande presença na região, a culinária é fortemente marcada pela cultura, principalmente pelo uso de determinados ingredientes e pela terminologia cunhada aos alimentos: sementes, raízes, folhas, frutas e peixes.

O uso do pescado nas refeições é muito comum, principalmente pela abundância de peixes nos volumosos rios do bioma amazônica. As principais espécies consumidas são: pacu, tucunaré, pirarucu e tambaqui. Os peixes são apresentados em diversos formatos para consumo: caldos, assados, fritos ou cozidos. Os pratos cozidos comumente são servidos com acompanhamento tradicional como o tucupi, molho de cor amarela proveniente da mandioca, e pirão, massa de farinha da mandioca cozida.

Entre os principais pratos da culinária amazônica destacam-se: a caldeirada de peixe, tacacá, x-caboquinho (recheado pelo tucumã, fruto da região), maniçoba e o pato no tucupi. E apesar da prevalência pelo pescado, há outros pratos típicos famosos da culinária local como a carne de tartaruga, consumida principalmente por povos ribeirinhos do baixo Amazonas, e a tapioca, outro prato presente no dia a dia da região, que conta com os mais diversos recheios, de queijo coalho à tucumã.

Açaí
Açaí. Foto: SociobioAmazônia/VisualHunt/CC BY-NC-ND.

Além dos pratos tradicionais, as frutas são atrativos vistosos principalmente por muitas serem encontradas somente na região. O açaí é, de certo, a fruta mais famosa da Amazônia, porém poucos sabem que ela é um fruto de uma palmeira ornamental que pode atingir até 25 metros de altura. O consumo da fruta é variado, servida como sorvete ou pasta, sendo a última a forma mais comumente consumida no Sudeste do país. A fruta pode também ser utilizada na fabricação de vinho.

Outro fruto característico e já conhecido em território nacional é o cupuaçu. Rico em vitamina C, geralmente é consumido como suco, sorvete ou doce. No entanto, o fruto é muito utilizado como matéria-prima por fabricantes de cosméticos devido as suas propriedades anti-inflamatórias. O guaraná, conhecido pelo refrigerante, é outro fruto popular bastante consumido na região, principalmente na versão de suco (em pó ou in natura).

Essa peculiaridade gastronômica faz com que muitos chefs de cozinha renomados busquem inspirações para seus pratos. O chef Alex Atala, dono do restaurante Dom, tem sido um dos principais porta-vozes da culinária amazônica e desde 2003 tem interagido com o local por meio de sua fazenda na região norte do estado do Amazonas.



CULTURA

A cultura amazônica não pode ser definida como única, pois ela composta por uma somatória de culturas diversas. Pela região ser formada por países distintos e diferentes Estados brasileiros, é possível identificar as inúmeras diferenças de costumes e manifestações da população, o que torna impossível uniformizá-la em uma só estrutura. A região é habitada por indígenas, caboclos, seringueiros, imigrantes diversos, brancos, entre outras autodenominações.

Há muito tempo a região deixou de ser povoada somente por indígenas. No entanto, há uma forte influência ainda presente no artesanato, na gastronomia e em hábitos sociais. Por exemplo, os objetos de cerâmica, na forma de réplicas, da arte marajoara, da Ilha do Marajó. Hoje muito comercializada, principalmente pela demanda vinda de turistas, a cerâmica marajoara provém do período pré-colonial de 400 a 1400 d.C., e foi redescoberta no século XIX, tornando-se hoje um artesanato representativo da Amazônia.

O sucesso do artesanato é tamanho, que hoje já é possível fazer compras de vários artigos produzidos pelos povos ribeirinhos e indígenas em marketplaces na internet. A Fundação Amazonas Sustentável (FAZ) dispõe de um marketplace on-line para promover o artesanato da região e comercializa diversas peças produzidas a partir de sementes, cipós e pedras, todos coletados na floresta.

Já no campo das manifestações culturais, as festas populares se destacam pela grandiosidade, cores e animação. O Festival Folclórico de Parintins, por exemplo, existente desde 1914 e oficializado em 1966, atrai milhares de pessoas todos os anos. Segundo estimativas locais, a cidade de Parintins, com uma população aproximada de 100 mil habitantes, chega a dobrar no período da festa. O festival é reconhecido como patrimônio cultural do Brasil e simboliza a disputa entre dois grupos de foliões: o Boi Garantido e o Boi Caprichoso.

O Círio de Nazaré, manifestação religiosa cristã, é outro grande evento tradicional da região amazônica. Celebrado em Belém, Macapá e Rio Branco, desde 1793, a festa é realizada em homenagem a Nossa Senhora de Nazaré, em outubro, no segundo domingo do mês. É considerada a maior manifestação cristã do país.

Alguns outros festivais de renome populares na região são: o Festival Amazonas de Ópera, a Festa do Pirarucu, o Festival do Sairé, em Alter do Chão, no Pará, entre outros.


PARA SABER MAIS


HABILIDADES DA BNCC

EF02CI04, EF07CI07, EF04GE01, EF06GE02, EF07GE11.