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Inclusão digital
 
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O que é inclusão digital? Crédito: José Augusto Camargo/Pixabay.

Desde a expansão da internet, a partir da metade da década de 1990, o Brasil acompanha um crescimento nítido do uso da internet e o aumento do número de telefones celulares pelos brasileiros. O acesso às novas tecnologias de forma democrática, de modo que inclua a todos na sociedade da informação, é chamado de inclusão digital.

Todos os países democráticos entendem a inclusão digital como um indicador importante no quadro de desenvolvimento. No entanto, não basta apenas as pessoas terem acesso às ferramentas; a inclusão digital para ser bem-sucedida precisa de três instrumentos básicos: computador, acesso à internet e domínio das ferramentas. A importância da inclusão digital está ligada também diretamente à simplificação das atividades, priorização do tempo e o aumento das facilidades do dia a dia.

O conceito de inclusão digital ganhou notoriedade nos últimos anos, principalmente pelo avanço tecnológico rápido e a democratização do acesso. Por conta do tema estar em voga, parte das empresas compreenderam a importância da ação e criaram iniciativas visando à qualificação profissional e ao aumento da produtividade. Do lado do governo, a elaboração de políticas governamentais foi essencial para melhoria dos números das últimas pesquisas, visto que para o país é imprescindível que a massa trabalhadora seja capacitada e saiba utilizar as tecnologias para o bem econômico da nação.


INCLUSÃO DIGITAL NO BRASIL
Mesmo com o advento da internet nos anos 1990, no Brasil a expansão do acesso digital somente teve números expressivos a partir de 2010. Até 2005, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apenas 21% dos brasileiros usavam frequentemente a internet. No entanto, esses números vêm obtendo melhorias significativas desde então e hoje são mais positivos.

Segundo a pesquisa TIC Domicílios, do Comitê Gestor da Internet (CGI.br), por meio do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br) do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br), em 2019, o número de usuários de internet no Brasil chegou a 134 milhões, ou 74% da população acima de 10 anos de idade, com 71% dos domicílios com acesso à rede. No entanto, 47 milhões de brasileiros ainda não usam a internet, o que representa que 1 em cada 4 brasileiros não tem acesso à internet. A maioria dessas pessoas é pertencente às classes D e E, e estão situadas em áreas urbanas. Outro dado relevante sobre o acesso desses grupos é referente ao hábito de baixar aplicativos. Segundo a pesquisa, somente 42% das pessoas pertencentes a essas classes tem na rotina essa prática, comparado a 80% dos pertencentes à classe A. Segundo também a pesquisa, 99% do acesso à internet é realizado pelo celular.

Um dado importante da pesquisa é que, pela primeira vez na série histórica, mais da metade da população que habita a área rural declarou ser usuária da internet, alcançando 53% diante dos 77% dos usuários da área urbana.

Apesar de mostrar avanço em relação aos números de pesquisa anteriores, é possível constatar as dificuldades de conexão por parte da população mais carente e também a diferença dos percentuais entre regiões – o Nordeste permanece mais atrasado no resultado da pesquisa, contando com apenas 65% dos domicílios com acesso à internet diante dos 75% da região Sudeste e 71% da média nacional.


EXCLUSÃO DIGITAL: IDOSOS
A exclusão digital no Brasil é uma realidade que muda de acordo com a raça, faixa etária e condição socioeconômica da população. Porém, é possível destacar alguns grupos que sofrem diretamente com essa situação e estão cada vez mais à margem do mundo digital.

Os idosos são considerados pessoas que tem 60 anos ou mais e fazem parte do grupo da terceira idade, ou mais recentemente alcunhado de melhor idade. Segundo uma pesquisa do IBGE realizada em 2017, os idosos estão cada vez mais conectados na internet, principalmente por meio dos smartphones. Segunda a pesquisa, a projeção do número de idosos para os próximos dez anos, ano de 2030, passará dos 43 milhões e, pela primeira vez, ultrapassará o número de crianças. Com o aumento da qualidade de vida nas últimas décadas, a expectativa de vida aumentou e, consequentemente, o número de idosos tende a crescer.

No entanto, apesar desses dados, muitos idosos continuam em grande parte desconectados da inclusão digital. No Brasil, a maioria dos idosos conectados está na região Sudeste (60%), e pertencem às classes A e B. E por que isso pode ser um problema?

Com o aumento do número de idosos e com a situação cada vez mais difícil da economia brasileira, recentemente o Governo Federal aprovou a Reforma da Previdência, alterando a idade mínima para a aposentadoria (homens deverão atingir 65 anos e as mulheres, 62 anos). Essa mudança é significativa, pois além de manter o idoso no mercado de trabalho por mais tempo, exige que a mão de obra se mantenha qualificada e atenta às novas tecnologias, visto que as empresas estão cada vez mais exigentes em relação ao domínio tecnológico por parte dos seus funcionários.

Investir na inclusão digital dos idosos não é só uma questão social, mas também de cunho econômico, pois deve-se apoiar o grupo na árdua tarefa de se manter competitivo no mercado de trabalho. Outro fator de incentivo para a inclusão está relacionado ao aspecto da autonomia proporcionada pelas ferramentas tecnológicas. Hoje, por meio da internet, é possível realizar compras de roupas, alimentos e remédios, de modo que se cria uma maior facilidade para o idoso, evitando sua exposição excessiva às situações adversas, como fila, mudanças do tempo e aglomerações.


PAPEL DO ESTADO
Desde o início dos anos 2000, o governo brasileiro entende a inclusão digital como uma questão de cidadania, por ser um novo direito e uma forma de garantia de outros direitos. Por meio desse entendimento, políticas públicas foram fomentadas buscando a capacitação, acesso e boa utilização de ferramentas.

Algumas iniciativas de destaque do Governo Federal foram:
  • Programa Computador para Todos – Cidadão Conectado: iniciado a partir do Decreto n. 5.542/2005, que tinha por objetivo promover a inclusão digital mediante a aquisição em condições facilitadas de soluções de informática constituídas de computadores, programas de computador (software) neles instalados e de suporte e assistência técnica necessários ao seu funcionamento, observadas as definições, especificações e características técnicas mínimas estabelecidas em ato do Ministro de Estado da Ciência e Tecnologia.
  • Programa Banda Larga nas Escolas (PBLE) : lançado em 2008, por meio do Decreto n. 6.424, tem como objetivo conectar todas as escolas públicas urbanas à internet, rede mundial de computadores, por meio de tecnologias que propiciem qualidade, velocidade e serviços para incrementar o ensino público no país.
  • Projeto Um Computador por Aluno (Uca) : implantado com o objetivo de intensificar as tecnologias da informação e da comunicação (TIC) nas escolas, por meio da distribuição de computadores portáteis aos alunos da rede pública de ensino. Foi um projeto que complementou as ações do MEC referentes a tecnologias na educação, em especial os laboratórios de informática, produção e disponibilização de objetivos educacionais na internet dentro do ProInfo Integrado, que promove o uso pedagógico da informática na rede pública de Ensino Fundamental e Médio.


MEDIDAS CONTRA A EXCLUSÃO DIGITAL
Para combater a exclusão digital, não basta apenas o fornecimento de equipamento e infraestrutura tecnológica para cada cidadão, pois já está comprovado que parte da exclusão se dá pela falta de capacitação e mau uso das ferramentas. As iniciativas de combate devem partir do governo, em conjunto com a iniciativa privada e as ONGs, para estabelecimento de políticas públicas contínuas e eficazes no enfrentamento da exclusão digital no Brasil. Essa sinergia é fundamental para que as medidas sejam tomadas pelos diversos setores da sociedade, de modo que cada parte cumpra com o seu objetivo.

O investimento em educação é um componente que permite o aumento da autonomia por parte do usuário, e proporciona a geração de conhecimento e entendimento do potencial da tecnologia e da internet.

As iniciativas mencionadas no tópico anterior, por parte do governo, ajudam a diminuir as barreiras e atuam de forma pontual, na busca por emprego e qualificação rápida por meio de telecentros e outros espaços de acesso. Porém, não basta somente a atuação focada, mas um programa amplo que congregue cursos, atividades extracurriculares e investimentos.


Atividade de inclusão social realizada com alunos da rede municipal na segunda edição do Campus Party Recife.

Foto: Daniel Nascimento/campuspartybrasil Visualhunt.com/CC BY-SA.



INCLUSÃO DIGITAL NA PANDEMIA
A pandemia do Covid-19 não trouxe somente a dor e angústia causada pela doença, mas apresentou um cenário de desigualdades e contextos antagônicos entre as classes abastadas e os mais necessitados. O descompasso tecnológico ficou mais evidente com as dificuldades encontradas pelos milhões de brasileiros que não têm acesso ou familiaridade com as novas tecnologias.

O auxílio emergencial, benefício concedido pelo Governo Federal, via aplicativo, destinado aos trabalhadores informais, microempreendedores individuais, autônomos e desempregados é uma solução emergencial que tem garantido a renda das pessoas, contudo, muitos estão passando por dificuldades para consegui-lo. Não somente pela questão do acesso ao sistema, pois há necessidade de internet e ferramenta, mas também pela dificuldade no cadastro e no desconhecimento do processo.

As reuniões virtuais realizadas pelos aplicativos tonaram-se rotineiras, mas a falta de acesso à internet, boa conexão e computadores e/ou celular com requisitos mínimos necessários para uma transmissão de qualidade impede muitas pessoas de participarem no dia a dia. Nesse caso, fica evidente principalmente a dificuldade dos alunos de escola pública em manter os estudos em tempos de distanciamento social.

No dia 4 de maio o Ministério da Educação (MEC) iniciou uma campanha convidando os estudantes a se inscreverem para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), sugerindo alternativas para que continuassem os estudos. No entanto, a pressão por parte de educadores, pais e demais atores da educação fizeram com que o exame fosse adiado para janeiro de 2021. O MEC realizou uma enquete on-line com os estudantes para a definição de uma nova data para o exame, em que a maioria optou por transferir o exame para maio de 2021, porém, o Ministério anunciou que o mês da prova seria janeiro. Os educadores afirmam que a disparidade entre estudantes do ensino público e privado não confere isonomia para o exame e que essa diferença tende a aumentar.

Alunos de todo o país apontam diversas dificuldades para continuar estudando, que variam desde a questão primária de acesso, por não terem internet, computador ou mesmo um celular, até questões de concentração, assimilação ao conteúdo em EAD, ambiente adequado – visto que muitos estudantes dividem a casa com pais, filhos, entre outros entes. Outro fator é a desmotivação e o abalo psicológico causado pelo distanciamento das aulas. Segundo a pesquisa Juventude e Pandemia do Coronavírus, divulgada em junho, realizada pelo Conselho Nacional da Juventude (Conjuve), Fundação Roberto Marinho, Unesco, Rede Conhecimento Social, Em Movimento, Porvir, Mapa Educação e Visão Mundial, 49% dos jovens entrevistados, de um total de 33 mil estudantes, já pensaram em desistir do Enem. Outros dados também mostram que 28% dos entrevistados pensaram em deixar a escola, enquanto 32% dizem que carecem de um ambiente adequado para estudar em casa.


PARA SABER MAIS


HABILIDADES DA BNCC
EM13CHS401; EM13CHS403; EM13CHS404; EM13CHS606.