ENTENDER O MUNDO/ARTIGOS TEMÁTICOS
O impacto da inteligência artificial na medicina
 
Conheça
 
    ARTIGO      
  Imprimir Enviar Guardar
 
Apesar do termo inteligência artificial (IA) estar associado à tecnologia, e principalmente aos computadores, seu surgimento como um campo de estudo remete ao ano de 1956, mais especificamente em uma conferência de tecnologia ocorrida na Faculdade Dartmouth, estado de New Hampshire, nos Estados Unidos. No entanto, alguns anos antes da conferência de Dartmouth, já existia uma corrente de pesquisadores que acreditavam na hipótese de se criar máquinas inteligentes. O mais notável era o matemático britânico Alan Turing, autor da publicação Computing Machinery and Intelligence, que introduziu o Teste de Turing, com o objetivo de testar a capacidade de uma máquina de pensar, exibindo um comportamento inteligente próximo ao do ser humano ou não.

Com a evolução tecnológica a partir dos anos 1980, principalmente com a chegada dos PCs (Personal Computers), cada vez mais o investimento em novas tecnologias acelera o processo de evolução e modernização das máquinas.  Em 1985, Harold Cohen, artista britânico, apresenta em uma conferência de inteligência artificial o software AARON, projetado para produzir arte de forma autônoma, sem necessitar de base de dados preestabelecida. Em 1997, o enxadrista russo Garry Kasparov é derrotado pelo Deep Blue, supercomputador e software desenvolvimento pela IBM.  No ano de 2003, a IBM lança o Watson, um software e plataforma de inteligência artificial que resolve problemas cognitivos e simula o processo de aprendizado humano.

A partir desses feitos, a aplicação de inteligência artificial é cada vez mais incorporada no dia a dia de trabalho e na interação homem-máquina. Os segmentos profissionais mais impactados são a saúde, o jurídico e a agricultura. Segundo um levantamento da empresa Gartner, as transformações geradas pela inteligência artificial são tamanhas que existe a previsão de que cerca de 85% das interações entre empresa e cliente serão intermediadas por mecanismos da inteligência artificial. O estudo Getting Smarter by the Day: How AI is Elevating the Performance of Global Companies, realizado pela Tata Consultancy Services, buscou identificar o impacto da IA no ambiente de trabalho por meio de sondagem com centenas de executivos em segmentos da indústria em quatro continentes. Segundo o resultado do estudo, em torno de US$ 250 milhões de dólares foram investidos por 7% das empresas buscando novas soluções em inteligência artificial.

No âmbito jurídico, a inteligência artificial já tem sido uma realidade. Um dos maiores escritórios de advocacia do mundo, Baker & Hostetler, de Nova Yorque, contratou o primeiro robô advogado do mundo, ROSS, em 2017, para apoiar na resolução de casos na área de falências. A plataforma ROSS foi desenvolvida na tecnologia Watson, da IBM, e é resultado de uma pesquisa de 2014, feita pela Universidade de Toronto, Canadá.  O robô tem a capacidade de ler milhares de casos e de identificar os mais relevantes de acordo com a situação.

Para os advogados, é certo que a inteligência artificial irá impactar no dia a dia dos escritórios e na forma de se lidar com diagnósticos e análises processuais. Segundo uma pesquisa realizada em 2017, Inteligência Artificial e sua aplicação em escritórios de advocacia brasileiros, 52% dos profissionais do Direito acreditam que a inteligência artificial auxiliará na celeridade de analisar processos por meio do apoio na análise documental de forma intensiva em grandes volumes.



INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL SALVANDO VIDAS
A atividade médica é praticada há milhares de anos em todos cantos do mundo. Os egípcios realizavam operações de alto nível de complexidades nos tempos dos faraós.  Na Índia, a medicina ayurvédica é considera como a mais antiga ciência da saúde e alguns estimam seu surgimento há mais de 5 mil anos. Entretanto, é na Grécia Antiga que se desenvolveu seus principais conceitos. É lá também a terra de Hipócrates, considerado o pai da medicina.

De lá pra cá, as revoluções médicas foram muitas e o uso de aparelhos tecnológicos transformaram os hospitais e a forma de se lidar com as situações.  Em 1895, é criado o raio x pelo alemão Wilhelm Conrad Röntgen, que revelou os ossos da mão de sua sogra. Ele funciona como um feixe de luz visível, emitido por meio de uma radiação num tubo que atravessa os objetos e pode ser visualizado em uma chapa fotográfica.  Ao final da década de 1970, outro avanço tecnológico proporcionou a criação da tomografia computadorizada, que possibilita a visualização dos órgãos moles como coração e fígado.

A tecnologia que pauta atualmente os debates no âmbito medicinal é sobre a inteligência artificial, os resultados de sua aplicação e o que ela poderá proporcionar num futuro próximo. Diante dessa constatação, na década de 1980 foi criado o termo “Inteligência Artificial na Medicina” (IAM). Atualmente, duas grandes universidades americanas, MIT (Massachusetts Institute of Technology) e Pittsburgh são reconhecidas pelas as pesquisas mais avançadas e relevantes nesse campo.

A aplicação da inteligência artificial em softwares e hardwares poderão potencializar a precisão dos diagnósticos, apoiando o médico na decisão do tratamento a ser receitado. As máquinas poderão aumentar a capacidade de precisão por meio do machine learning, conhecido como “aprendizagem das máquinas”, em que a cada execução da ação a máquina ganha autonomia e aprende na prática.  

Segundo estudo recente divulgado pelo MIT, o programa de inteligência artificial, a partir das análises mamográficas realizadas em cerca de 60 mil pacientes, entre 2009 e 2012, conseguiu prever a doença com um nível de eficiência muito maior ao método tradicional, em 31% dos casos de pacientes de alto risco.

Outro caso de maior precisão na identificação e diagnóstico de doença está na pesquisa lançada pelos cientistas da Universidade do Sul da Califórnia, nos Estados Unidos, que por meio da aplicação da aprendizagem da máquina criaram um método mais eficiente e rápido para monitorar mudanças associadas as doenças cardiovasculares.

Além da precisão, a inteligência artificial pode colaborar com um atendimento médico de qualidade a distância por meio da telemedicina. Por conta da sua grande dimensão, o Brasil é um país com diferentes realidades e contempla regiões com nível de desenvolvimento distintos. Povos ribeirinhos, indígenas e quilombolas, por exemplo, carecem de acesso à tratamentos diferentes dos demais cidadãos que habitam as grandes metrópoles.

A telemedicina somada à inteligência artificial pode suprir essa carência, pois a qualidade do atendimento salta com a aplicação de inteligência artificial e o diagnóstico pode ser realizado de forma remota, assim como o acompanhamento dos pacientes, mesmo em regiões mais distantes.

Na China, por exemplo, a rede clínica Ping An Good Doctor faz o atendimento completo do paciente, o que inclui o diagnóstico e a medicação, no tempo de 1 minuto. Isso só é possível pois a operação é realizada inteiramente por meio de inteligência artificial e sem a mediação de médicos ou outros funcionários. Um banco de dados com mais de 2 mil doenças comuns, com seus sintomas, diagnósticos e tratamentos cadastrados, é base do trabalho feito pela Ping An Good Doctor. O sistema inteligente faz uma busca sobre a doença e sugere o tratamento mais adequado a partir de um diagnóstico do cliente em 1 minuto.

Nas cirurgias, a inteligência artificial pode utilizar dados de cirurgias anteriores para comunicar ao médico novas possibilidades técnicas. Cada vez mais usados no Brasil e no mundo, os robôs-cirurgiões são as “mãos” dos médicos em procedimentos minimamente invasivos, pequenas incisões para introdução de bisturi e demais equipamentos. Essas cirurgias necessitam de cortes com precisão milimétricas e são muito mais fáceis de se recuperar dos que as cirurgias convencionais. Atualmente, esses robôs são manipulados pelo ser humano, no entanto, a previsão é que em poucos anos serão os responsáveis por realizar as operações com a mínima supervisão humana, com base no repositório com dados, vídeos e informações de procedimentos e utilizando inteligência artificial.

A inteligência artificial poderá também auxiliar no acompanhamento de pacientes idosos e doentes que carecem de monitoramento de hora em hora, como medição de pressão, oxigenação e fluxo de soro, liberando o trabalhador da enfermagem para demais atividades. Essa autonomia permitirá acompanhamento em tempo real.

Por fim, é possível constatar os avanços tecnológicos e os melhores resultados já proporcionados pela IA aplicada aos diversos segmentos profissionais e principalmente na medicina. Ela poderá apoiar na prevenção de doenças e na celeridade no diagnóstico do médico para rapidamente buscar um tratamento efetivo e menos ardiloso. Essa aplicação contribuirá para a melhor qualidade de vida das pessoas e o maior poder de ação do profissional da saúde, que cada vez mais terá ferramentas para lidar no dia a dia desafiador da profissão.


PARA SABER MAIS, LEIA TAMBÉM