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A importância das redes sociais nas relações contemporâneas
 
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Já não é novidade que hoje as redes sociais são tão presentes em nossas vidas quanto a televisão e o telefone celular. Mas qual foi caminho até essa unanimidade? Quais foram as primeiras redes sociais? Seus principais impactos positivos e negativos no dia a dia das pessoas? As mudanças comportamentais dos usuários?

A EVOLUÇÃO DAS REDES SOCIAIS
As primeiras redes sociais foram criadas na década de 1990 em uma primeira fase tecnológica, a partir do surgimento de sites que continham o traço característico do que seria chamado posteriormente de rede social. O primeiro serviço dentro desse contexto foi o site GeoCities, uma plataforma que fornecia as ferramentas para criação de sua própria página web, de acordo com a localização do criador. Durante 15 anos, o Geocities contabilizou 38 milhões de usuários até o fechamento de suas atividade em 2009.

No entanto, foi a partir dos anos 2000 que a internet cresceu significativamente em volume e tecnologia, deixando de ser uma rede privativa a certas classes e com presença garantida no trabalho e em casa. Umas das primeiras redes sociais de grande sucesso é o Fotolog, plataforma para publicação de fotos, que se tornou uma febre no início do século XXI e contou com 32 milhões de usuários em mais de 200 países. Outra rede criada no ano de 2002 foi o Friendster, pioneira do modelo de rede social baseada nas funções sociais que pavimentou o caminho do Orkut e Facebook, que no Brasil não teve grande aderência, mas chegou à marca de 8 milhões de usuários em todo o mundo. No entanto, devido a problemas da ordem tecnológica, a rede encerrou as atividades no ano de 2015.

No ano seguinte, em 2003, surgem duas grandes redes, presentes até hoje na internet: o Linkedin e o Myspace. O Myspace foi responsável pelo surgimento de inúmeros artistas por meio dos serviços de fórum, comunidade e divulgação, sendo a principal rede social dos Estados Unidos por alguns anos, atingindo a marca de 100 milhões de usuários entre 2003 a 2010. Atualmente, a rede continua ativa, mas sem a mesma relevância de outrora.

O Linkedin, rede social de uso de profissional, continua em expansão e conta hoje com mais de 500 milhões de usuários ao redor do mundo, sendo 45 milhões de brasileiros. Em 2016, a rede social foi adquirida pela Microsoft pelo valor de US$ 26,2 bilhões de dólares.

No entanto, é no ano de 2004 que temos o surgimento das redes sociais mais populares ao longo da primeira de década de 2000, o Orkut e o Facebook.

O Orkut, rede social filiada ao Google, foi por muitos anos a mais usada pelos brasileiros, até o Facebook tomar a primeira posição, no final de 2011. A princípio, a rede tinha como público-alvo os usuários americanos, mas teve como principais aderentes aos seus serviços os brasileiros e indianos. Após dez anos de sua criação e do seu grande sucesso, o Google encerrou as atividades da rede.

A principal rede social do mundo continua sendo o Facebook. A rede social criada por Mark Zuckeberg em 2004, em 2012 conseguiu ser a rede mais acessada do mundo. No mesmo ano, a empresa capitalizou US$ 104 bilhões de dólares na abertura da venda das ações. Em 2016, atingiu a incrível marca de 2 bilhões de usuários.

Em meados de 2005 e 2006, outras duas grandes redes sociais foram criadas: Youtube e Twitter.

O Twitter, com mais de 500 milhões de usuários ao redor do mundo, popularizou-se pela sua característica de microblogging, sendo permitido postagens de até 140 caracteres (critério foi alterado em 2017, sendo possível a postagem de até 280 caracteres).

O Youtube, plataforma de vídeos, é a rede social campeã de audiência entre os brasileiros. Criada no ano de 2005, atingiu em 2016 a marca de 1 bilhão de usuários. Foi comprada pela Google no ano de 2006.

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TRANSFORMAÇÕES RESULTANTES DAS REDES SOCIAIS
Segundo pesquisa do IBGE, do ano de 2016 o Brasil já tinha mais de 116 milhões de usuários de internet, o que corresponde a 64,7% de toda a população. É perceptível o poder da internet no contexto diário do brasileiro, independentemente da classe e de onde provém o acesso.  

Em outra pesquisa recente, intitulada “Digital in 2018: The Americas”, foi foi divulgado que 62% da população brasileira acessa ativamente as redes sociais. Esses acessos são distribuídos em grandes fatias entre Youtube, Facebook e Whatsapp, seguido por demais ferramentas e aplicativos.

A força do YouTube é tão dispare que até hoje não há uma plataforma de vídeos da internet que ameace seu reinado. Hoje, de presença multiplataforma, podendo ser acessada via celular, televisão, computador e demais dispositivos, o site já conta com serviço de streaming pago para conteúdo exclusivo e faz diversas transmissões ao vivo. Foi a partir dessas inovações que o Youtube criou um acervo extraordinário de conteúdo, que varia do educativo ao entretenimento. É nesse universo que surgiu a cultura vlogger, que tornou pessoas comuns em celebridades da internet: os youtubers atualmente são mais poderosos até do que os artistas da televisão.  

É tamanho esse impacto no dia a dia das pessoas que, por conta desse novo universo de conteúdo e a transformação no comportamento do consumidor, a empresa criou em 2015 o Youtube Kids, aplicativo com foco em conteúdo educativo para crianças, que chegou no Brasil em 2016. Todo o conteúdo do Youtube Kids passa por aprovação antes de ser publicado e acessado por milhares de crianças. 

Outro exemplo de transformação comportamental por meio do uso das redes sociais foi nas eleições presidenciais brasileiras de 2018. Inúmeros eleitores utilizaram-se da força das redes sociais em detrimento do pequeno espaço de tempo de televisão, devido ao porte do partido, para divulgar a campanha e angariar novos eleitores. Os candidatos utilizaram-se os mais diversos recursos das redes para alavancar a candidatura, inclusive realizando transmissões on-line para conversar com seu público na mesma hora do horário político na televisão.


REDES SOCIAIS E ATIVISMO
O sucesso do movimento conhecido como Primavera Árabe, em 2011, na região do Norte da África e do Oriente Médio se deve em parte pelo uso dos recursos e dispositivos proporcionados pelas redes sociais. Essa é a conclusão do relatório publicado pela Dubai School of Government, que atribui principalmente ao Twitter como o veículo de disseminação e de fortalecimento das relações entre os integrantes do movimento popular ao longo da manifestação, que foi acompanhada em tempo real pelo mundo.

As redes sociais encurtam a distância entre as pessoas, promovem o acesso à informação e ajudam a economia de alguns processos de negócios e na formação de uma nova classe de consumidores, ávidos por novidades e inovações. Por terem um formato democrático de acesso, elas promovem a criação colaborativa e o compartilhamento de conteúdo e informações de uma forma mais livre e contínua.


MUDANÇA COMPORTAMENTAL DA SOCIEDADE
As redes sociais conceberam a criação de um novo processo de comunicação bastante poderoso, que permite o desenvolvimento da relação interpessoal sem a necessidade da presença física e ao vivo. É nesse contexto que elas colaboram para a mudança comportamental humana, inserindo a tecnologia como uma necessidade diária das pessoas e estimulando a presença on-line constante.

Segundo dados de acesso à internet, o brasileiro fica em média 5h e 26m por dia conectado à internet, sendo que 3h 47m são realizadas por meio de acesso móvel. Além disso, gasta também 3h e 47m com acesso a redes sociais (via mobile ou fixo).

Essas mudanças impactam de forma positiva e negativa na sociedade. Do lado negativo, ela promove aumento do estresse e o surgimento de novas doenças, resultante do uso excessivo de tecnologia. A principal doença reportada nesse ambiente é o estresse, que promove uma reação de irritação e nervosismo quando confrontado em uma situação de pressão. Outras enfermidades relacionadas ao excesso de uso da internet/redes sociais são as chamadas síndromes tecnológicas (nomophobia, cybersickness e cibercondria). Recém-descobertas, essas síndromes ainda não são vistas como doenças, mas já podem ser identificadas por meio de pesquisas comportamentais.


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