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As profissões ameaçadas pelos avanços tecnológicos
 
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Será que esse trabalho aqui será substituído por alguma nova tecnologia capaz de produzir conteúdo sob demanda? Será que a profissão dos meus sonhos – ou do sonho do meus filhos – ainda vai ter espaço para atividades humanas ou serão robôs os futuros feitores?

O assunto vai e vem. Volta e meia a tecnologia é inventada e reinventada, colocando máquinas no lugar de trabalhadores humanos nos mais diversos postos de trabalho. Com o avanço tecnológico dos últimos anos, que popularizou o uso de bots e drones, algumas profissões estão fadadas à extinção.


ALTÍSSIMO E ALTO RISCO DE EXTINÇÃO
Estudiosos do assunto apontam para empregos em extinção devido à automação e à robotização. Com altíssimo risco de extinção estão: motorista de ônibus, manicure, pintores, atendentes de postos de serviços postais (correios), telemarketing, telefonistas e garçons. Também estão em altíssimo risco empregos na área industrial, como operadores de máquinas de embalagens, profissionais de serviço de manutenção de estradas, montadores e operadores de máquinas. Na área de prestação de serviços, empregos como guias turísticos, agentes de viagens, vendedores de seguro, contadores, corretores e cartógrafos estão também com risco altíssimo de serem extintos. Essas informações fazem parte de um levantamento realizado a partir de dados de pesquisa da Deloitte nos Estados Unidos, da Universidade de Oxford e do Planet Money.

Com risco alto, ou seja, ainda bem possíveis de serem extintos, estão: barbeiros, bartenders, empregados domésticos e carteiros, além de mecânicos de aviões, carpinteiros e maquinistas na área industrial. Aparecem também bibliotecários, analistas de marketing e inspetor de obras.

Esse levantamento foi feito nos Estados Unidos, mas muito se assemelha ao que se vive hoje no Brasil. Para cá, também existem estudiosos olhando para o mercado e vendo que os drones e bots estão tomando conta de muitas atividades antes consideradas somente possíveis de serem feitas por humanos.

Antes de conhecer algumas dessas funções que poderão ser substituídas pelas máquinas nos próximos 20 anos, vamos compreender o que são bots e drones e depois discutir um pouco sobre como a tecnologia está se tornando uma sombra nada agradável para os trabalhadores.


BOTS E DRONES
Um bot é um programa de computador que foi fabricado para automatizar procedimentos, geralmente repetitivos, com o objetivo de ajudar as pessoas. A palavra “bot” vem de “robot”, que, em inglês, significa “robô”. Ou seja, um bot é um robô, mas que existe apenas em formato digital.

Segundo Rodrigo Loureiro, para a Olhar Digital, os bots não são exatamente uma novidade tecnológica. Jogadores de videogame e computador estão acostumados a encontrar bots principalmente em jogos clássicos como “Counter-Strike” e "StarCraft", por exemplo. Lá, eles nada mais são do que os inimigos controlados pelo computador. Contudo, esses bots não são lá muito inteligentes como os atuais porque contam apenas com comandos já programados anteriormente – o que não significa que eles não sejam difíceis de serem enfrentados durante as jogatinas.

Segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), o termo “drone” é usado popularmente para descrever qualquer aeronave – e até mesmo outros tipos de veículos – com alto grau de automatismo. De uma forma geral, toda aeronave “drone” é um aeromodelo ou uma aeronave não tripulada remotamente pilotada (RPA).

Drone é uma palavra originária do inglês que significa zangão – o macho da abelha. Entretanto, o termo drone é conhecido no mundo inteiro para designar qualquer tipo de aeronave sem tripulação – uma tecnologia que utiliza comandos humanos a distância. Pode-se comparar um drone com um brinquedo de controle remoto – esta associação facilita o entendimento –, afinal ele funciona através do controle via rádio, manuseando-o sem tocar nele.

Chamado também de VANT (sigla para “Veículo Aéreo Não Tripulado”) ou VARP (sigla para “Veículo Aéreo Remotamente Pilotado”), ambas criadas por meio da sigla inglesa UAV (Unmanned Aerial Vehicle), o drone foi desenvolvido para evitar que o ser humano se arrisque em determinadas atividades.

Originalmente, os drones foram projetados para auxiliar em âmbitos militares – essa tecnologia se caracteriza pela eficiência e e pelo baixo custo – e de vigilância. São exemplos de situações de combates aéreos, buscas em locais contaminados com substâncias tóxicas, realização de reconhecimento em território inimigo, além de uso profissional de fotógrafos (nesses casos, com câmera acoplada para alcançar os ângulos aéreos).


E AS PROFISSÕES?
Pois bem, entendido esses nomes mais novos, agora vamos conhecer o que tem sido comentado sobre as profissões ameaçadas pelos avanços tecnológicos. Antes de mais nada é necessário deixar registrado que mudanças no estilo de trabalho acontecem há muitos anos. Basta imaginar como eram as primeiras civilizações e os trabalhos para garantir a sobrevivência.

Sem precisar ir muito longe, basta lembrar das antigas máquinas de escrever. Já parou para pensar que esse texto aqui, há algumas décadas, não estaria sendo lido num computador, mas sim numa folha de papel datilografada? Pois é, a tecnologia muda a realidade profissional e quem está disposto a evoluir certamente terá seu lugar reservado.

Para o americano John Pugliano, autor de The Robots are Coming: A Human's Survival Guide to Profiting in the Age of Automation ("Os robôs estão vindo: Um guia de sobrevivência humana para lucrar na era da automatização", 2017), "qualquer trabalho que seja rotineiro ou previsível, será feito por um algoritmo matemático dentro de cinco ou dez anos".

A previsão do americano tem bastante relação com os países desenvolvidos. Mas, vai além. Segundo ele, nas últimas décadas, trabalhos realizados por operários em fábricas foram substituídos pelo avanço tecnológico. Profissões altamente qualificadas, que até então não pareciam tão ameaçadas, também correm o risco de desaparecer.

A tese do americano é polêmica mas ganhou destaque nas mídias também aqui no Brasil. Ele cita carreiras que seguem sendo consideradas imprescindíveis na maior parte do mundo e que normalmente não estão listadas entre as ameaçadas.

"Os médicos e os advogados não vão desaparecer. Mas uma parte de seu campo laboral será reduzida", opina Pugliano em reportagem à BBC. Ainda que pareça ser catastrofista, o americano diz acreditar que haverá novas oportunidades para as pessoas que sejam capazes de resolver problemas inesperados, antecipar-se ao que pode ocorrer, assumir riscos e dar respostas criativas.


ASSUMINDO RISCOS
O americano tem razão ao afirmar que quem está disposto a aprender a resolver problemas inesperados terá oportunidade de trabalho, afinal, não é preciso olhar muito para frente para saber dessa necessidade urgente. Visão de futuro, planejamento, antecipação e análise de riscos também são caraterísticas que dão destaque aos profissionais. Se os envolvidos com a tragédia de Brumadinho tivessem gritado aos quatro cantos sobre os riscos e não deixado a mineradora seguir em atuação, talvez o mal não teria sido tão grande. Talvez. Nunca se sabe ao certo o que tem por trás de algo tão complexo como esse exemplo. Mas aqui cabe o exemplo do profissional bem preparado que pode prever e ter a decisão de “apertar o botão do pause” nas operações consideradas de alto impacto social e ambiental.

PROFISSÕES AMEAÇADAS
A seguir, foram listados alguns exemplos de profissões que, umas mais, outras menos, estão no cenário do risco de serem substituídas por máquinas ou outros formatos de trabalho. Alguns desses formatos pode parecer novo para a realidade brasileira, mas vale a pena ficar de olho e se antecipar.

Advogados: tarefas executadas por advogados com menor nível de especialização e experiência serão efetuadas por computadores. O advogado que trabalha em escritórios, lidando com documentos e tarefas rotineiras, terá uma diminuição no seu campo profissional.

Árbitros: jogo sem árbitro? Isso mesmo. E se você está na faculdade de Educação Física e sonha em ser árbitro esportivo, é bom escolher bem o esporte que deseja apitar. Muitas modalidades contam com o auxílio de ferramentas tecnológicas que deixam as disputas mais justas. Bons exemplos são:  vôlei, tênis, futebol americano, atletismo, natação.

As máquinas podem muito bem substituir o olho humano para ver quem chegou primeiro e onde uma bola pingou na quadra. Para os amantes do futebol tradicional, as inovações tecnológicas ainda estão apenas nos sensores que avisam se a bola cruzou a linha do gol.

Arquitetos: com o avanço tecnológico, os arquitetos serão cada vez menos necessários para projetar construções simples. Os que seguirão requisitados serão aqueles com habilidades artísticas, cuja capacidade criativa não possa ser substituída por uma máquina.

Atendentes: aquele trabalho realizado por atendentes em disk pizza ou empresa que faz entrega poderá ser substituído pelos bots. Quem tem testado a tecnologia é a rede de pizzarias Domino’s. No novo formato, o cliente tem apenas que apertar um botão para fazer o pedido da pizza.

Contadores: outra função que pode sumir em breve é a dos contadores, principalmente os que ganham a vida com funções bastante repetitivas e populares, como o preenchimento de declarações de imposto de renda. Com o algoritmo certo e o preenchimento correto dos campos indicados pelo próprio usuário, os bots podem substituir a força humana sem grandes problemas.

Especialistas afirmam que a chance dessa profissão ser robotizada é de 99% nos próximos 20 anos. Para os estudantes ou profissionais da área fica a dica: focar o trabalho em áreas que necessitam do julgamento e senso humano.

Corretores de imóveis: o tradicional corretor de imóveis está perdendo espaço frente aos sites que conectam quem oferece e quem demanda serviços imobiliários, como o aluguel e a compra de casas e escritórios.

Cozinheiros: você já ouviu falar de restaurantes que trabalham com robôs para criarem os pratos? Há desde um robô chinês que sabe cozinhar até uma hamburgueria automatizada nos Estados Unidos.

Cabe destacar que a criatividade humana dificilmente será substituída. Mas para quem é assistente de cozinha e tem funções bastante repetitivas, é preciso ficar de olho para não ser trocado por robô.

Entregadores: buscar ou entregar encomendas é um trabalho feito, atualmente, por carteiros, motoristas de carros de entrega, entregadores, entre outros. Já imaginou esse trabalho sendo feito por um drone? A Amazon começou a testar os drones e espera que os dispositivos obtenham resultados satisfatórios. Além de mais rápidos, eles não exigem férias, trabalham aos domingos e não ficam parados no trânsito. Parece distante da realidade das empresas brasileiras em geral, mas estar atento a isso é a grande sacada.

Funcionários de bancos: muita gente se refere ao trabalho realizado por funcionários de bancos como sendo repetitivos, sem contar que as decisões são, na maior parte das vezes, baseadas em matemática. Os robôs são candidatos para substituírem os gerentes de bancos em breve, uma vez que eles poderão decidir se o cliente é apto para receber um empréstimo, ter um novo cartão de crédito ou abrir uma conta especial naquela instituição financeira. Tudo de forma automatizada, por meio de computadores equipados com algoritmos que analisariam o cliente de acordo com os dados econômicos e histórico de finanças dele.
Parece surreal? Mas, pense bem, há alguns anos somente atendentes faziam as funções que hoje são tão comuns de serem realizadas em caixas eletrônicos. A mesma evolução ocorreu há algum tempo com internet banking.

Funcionários de linhas de produção: grandes empresas têm investido em máquinas que realizam o trabalho de montagem ou verificação que antes era feito por funcionários de linhas de produção, principalmente do setor de eletrônicos. A automação industrial é comum nesse setor.

Se você trabalha nesse setor, fique atento. As máquinas podem trabalhar 24 horas por dia e não sofrem acidentes de trabalho. Tem mais, máquinas não precisam ser indenizadas por problemas de saúde causados pelos esforços do trabalho. Ou seja, é um setor que requer muita atenção para não ficar sem emprego com tanta inovação.

Médicos: mas, como viver sem eles? Há quem diga que os médicos generalistas perderão terreno nos países ricos porque os diagnósticos de doenças comuns serão automatizados. Por outro lado, continuará havendo demanda por médicos que trabalhem em salas de emergência ou outros tipos de especialistas, como cirurgiões plásticos e outros.

Militares e pilotos: as forças militares dos países estão cada dia mais modernas. Pilotos de aviões de bombardeios estão sendo substituídos por drones e bombas têm sido mais efetivas para os propósitos de destruição em massa do que balas. Há ainda os drones de ataque. O assunto parece forte demais. E é. Infelizmente é mais atual do que pensamos.

Operadores telemarketing: há quem diga: “que bom”, para o fim dessa função, afinal, quem nunca recebeu uma ligação de um operador de telemarketing tentando vender ou cobrar alguma coisa? Entretanto, muita gente vive desse trabalho e precisa dele.

A função já tem sido robotizada com atendimento eletrônico que permite até mesmo cancelar a assinatura de um serviço de internet, por exemplo. Os bots chegaram mais recentemente com a promessa de facilitar o atendimento possibilitando que o usuário não precise nem ao menos discar algum número.

Policiais: as funções rotineiras de vigilância hoje desempenhada por policiais com baixo nível de especialização estão sendo substituídas em países desenvolvidos por sofisticados sistemas tecnológicos. Os policiais não desaparecerão, mas terão a demanda reduzida.

Taxistas: não só o Uber ameaça o trabalho dos taxistas. Mesmo que as empresas de táxi acabem, os profissionais ainda poderiam se tornar motoristas particulares dessas companhias que hoje são concorrentes. Mas aqui a reflexão é outra.

Já parou para pensar o que aconteceria se o transporte do futuro não exigisse a presença de motoristas? A novidade é um táxi autônomo, chamado de nuTonomy, que já circula pelas ruas de Singapura em fase de testes e a previsão era de que em 2018 começasse a circular no mercado.


UMAS E OUTRAS
Enquanto algumas profissões perdem espaço, criam-se oportunidades para outras. Afinal, alguém terá que criar os sistemas de inteligência artificial, programar as máquinas, melhorar os algoritmos e consertar os sistemas quando falharem. Alguém terá que comprar esses equipamentos, manter e limpar. E na vida que segue, profissionais como encanadores, eletricistas e todos aqueles que consertam equipamentos usuais continuarão sendo muito requisitados. Pelo menos por mais um tempo.

Foto: ALEXAS FOTOS/PIXABAY



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