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Avanços da Inteligência Artificial no Brasil
 
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Quando teóricos reunidos na famosa Conferência de Darmouth, nos EUA, em 1956, descreveram que "cada aspecto de aprendizado ou outra forma de inteligência pode ser descrita de forma tão precisa que uma máquina pode ser criada para simular isso", não só estava surgindo a primeira noção oficial do que era inteligência artificial como também o mundo dava passos para uma nova era industrial a da Revolução 4.0, na qual a inteligência artificial, vários níveis de automação e os robôs seriam a parte fundamental da mudança.

Portanto, a inteligência artificial começou na década de 1950, isto é, essa tecnologia possui cerca de 70 anos. Apesar de ser algo recente, a inteligência artificial produziu mudanças profundas em grandes empresas e na sociedade.

Estudos feitos por instituições como McKinsey Global Institute (MGI), bancos globais como o Citi, universidades proeminentes como Oxford, no Reino Unido, indicam que a inteligência artificial vai transformar o mercado de trabalho no mundo inteiro e potencialmente ameaça cerca de 50% dos empregos na Europa e nos Estados Unidos. Em países em desenvolvimento esses números podem chegar aos 70%. Como regra geral, todos os trabalhos repetitivos serão passíveis de automação. Segundo um estudo feito pela MGI, 14% da força de trabalho do Brasil possui potencial de automatização. De acordo com Kadu Vido, especialista em Machine Learning e inteligência artificial da Udacity Brasil, nos próximos anos o mundo deve presenciar o aumento da “demanda por capacidades emocionais, sociais, criativas e críticas, que as máquinas estão longe de alcançar. Nestas categorias, entram tomadores de decisão, gestores, profissionais que trabalham diretamente com o público e artistas”. Outro fator para permanecer ativo no mercado de trabalho será o aprendizado contínuo.

Os avanços da inteligência artificial e a sofisticação dos algoritmos, que se tornam capazes de resolver problemas cada vez mais complexos, são tão grandes ao ponto de já existirem carros autônomos que rodam por inúmeras cidades no mundo.  



INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NO BRASIL
A economia brasileira sofreu muitas alterações com a chegada da inteligência artificial ao país. As áreas com o maior e mais evidente número de mudanças são os setores de finanças e saúde. Segundo Kleber Canuto, coordenador de Projetos de Inteligência Analítica no Sistema da Federação das Indústrias do Estado do Paraná, “a aplicação na indústria brasileira está só começando, mesmo em segmentos mais intensivos em tecnologias como nos casos dos fabricantes automotivos e de eletroeletrônicos”.

No Brasil, o mercado de trabalho de áreas como a saúde, com máquinas capazes de fazer diagnósticos e análises de forma mais rápida e eficiente, surgiram para aumentar a capacidade de atendimento e tratamento mais rápido dos problemas dos pacientes.

Empresas como IBM e Google estão trabalhando em parcerias com empresas da área médica. Em São Paulo, a IBM trabalha há alguns anos com o laboratório Fleury. A ideia das duas companhias é produzir um mapeamento genético dos pacientes que possuem seus dados no sistema do laboratório. O projeto pretende fazer com que a tecnologia seja capaz de relacionar dados com a literatura médica e assim ajudar em soluções de tratamentos.

Já no hospital Albert Einstein, também em São Paulo, há o curso “Uso da Inteligência Artificial na Radiologia – Teoria e Prática”, o qual se propõe formar pessoas capazes de entender as bases para “uso de tecnologias quantitativas, tecnologias de inteligência artificial e experiência pratica com utilização de ferramentas quantitativas e de inteligência artificial em imagens de neurorradiologia”. Na USP, há na Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) um programa de pós-graduação voltado para a inteligência artificial. O curso pretende desenvolver mestrandos e doutorandos capazes “de desenvolver, aplicar e avaliar métodos e técnicas na criação de sistemas inteligentes capazes de adquirir e integrar, por conta própria, conhecimento acerca do domínio em que atuam, de modo a melhorar progressivamente seu desempenho em relação ao cumprimento de seus objetivos”.

Em 2018, a Prefeitura de Blumenau lançou o Pronto Mobile, um aplicativo desenvolvido para smartphone que visa facilitar o acesso dos cidadãos aos serviços de saúde (SUS). O aplicativo utiliza a plataforma de Inteligência Artificial da GeneXus, fornecida pela BXT (Business XtremeTechnologies), distribuidor regional da GeneXus Brasil. Ele permite aos cidadãos de Blumenau acessar de maneira mais eficiente o SUS (Sistema Único de Saúde). Ao mesmo tempo, o programa fornece a Secretaria de Saúde da cidade uma série de informações sobre os usuários do sistema. A prefeitura tem acesso aos prontuários, prescrições, históricos de vacinas e, no futuro, poderá agendar de maneira mais eficiente consultas eletivas médicas e odontológicas.  

Já os grandes bancos brasileiros criaram inteligências artificiais capazes de ajudar seus correntistas. O Bradesco foi o primeiro banco a utilizar o programa de inteligência artificial desenvolvido pela IBM, o Watson. O Watson funciona em um call center interno do banco. Ele, através de um chat, responde perguntas feitas pelas funcionários sobre processos e produtos internos. A ideia é utilizar o Watson para agilizar os processos internos e atender melhor e mais rapidamente os clientes. Em 2018, o mesmo banco disponibilizou para todos os seus clientes, a BIA (acrônimo de Bradesco Inteligência Artificial), um serviço ainda mais avançado de inteligência artificial.

Já a Boticário desenvolveu, junto com a casa de fragrância Symrise, o primeiro perfume criado por uma inteligência artificial para o público brasileiro. O perfume, que foi feito com o auxílio de um programa de inteligência artificial criada pela IBM Research, será comercializado no Brasil em 2019.

A inteligência artificial também já está presente em processos de automação industrial no Brasil. A Volkswagen desenvolveu o Virtus, um automóvel sedã feito em São Bernardo do Campo, em São Paulo, que oferece um “manual cognitivo”. O mecanismo utiliza o Watson da IBM para responder às questões feitas pelo motorista sobre o automóvel. Tudo é feito através de um aplicativo que permite ao condutor do carro fazer agendamento de revisão do veículo com a concessionária de sua preferência, programar números de telefone para chamadas automáticas em situações de emergência e receber notificações da Volkswagen sobre o funcionamento de seu veículo e recomendações de utilização.

A empresa Telefónica, por sua vez, lançou em 2018 a AURA, um sistema de inteligência artificial voltado para melhorar o relacionamento da empresa com seus clientes. Já lojas como Magazine Luiza e Dafiti, igual ao que ocorre com a gigante norte-americana Amazon, passaram a utilizar de forma cada vez mais agressiva de análises de dados feita por programas de inteligência artificial.

Outro serviço que foi profundamente afetado pela inteligência artificial foi o das mídias sociais. Nesse setor, algumas empresas acabaram sofrendo com problemas nos algoritmos. Algumas eleições, como as eleições dos Estados Unidos em 2016, foram afetadas por Fake News (notícias falsas) que os algoritmos de sites como Facebook utilizavam para oferecer conteúdo aos seus usuários. A utilização de inteligência artificial para fazer esse trabalho acabou produzindo mudanças políticas que, muita vez, estavam vinculadas a notícias falsas reproduzidas pelos algoritmos de sites de mídia social. Esse não foi o único problema. Em 2017, O Facebook encerrou um projeto de inteligência artificial após o sistema criado ter produzido uma linguagem própria que somente a máquina era capaz de compreender.


FUTURO
Em 2019, segundo Ronaldo Lemos, diretor do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro, “a inteligência artificial estará presente em serviços digitais, por exemplo, ajudando a autocompletar nossos emails, sugerindo produtos e serviços, tornando mais eficientes as plataformas de economia do compartilhamento e assim por diante”. Para ele, “outra tendência para 2019 são as interfaces de voz. A internet vai ser cada vez mais acessada com base na conversa”.

Para os próximos anos, o objetivo da inteligência artificial é superar as habilidades cognitivas humanas em praticamente todas as áreas. Atualmente, utilizamos Waze, Siri, Alexa, Cortana e outros aplicativos que utilizam inteligência artificial no nosso dia a dia. Somente na América Latina são criados todos os anos milhares de aplicativos, que movimentam um mercado de milhões de reais. Muitos deles utilizam Big Data e algoritmos capazes de produzir centenas de informações sobre qualquer indivíduo minimamente conectado, seja por um celular ou por um computador pessoal. Em alguns anos, certamente a inteligência artificial será uma presença constantes na vida de bilhões de pessoas.

De acordo com o físico e cientista britânico Stephen Hawking, a inteligência artificial vai transformar “todos os aspectos das nossas vidas”, o que, segundo ele, “pode ser o maior evento na história da nossa civilização”.


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