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O Mágico de Oz: filme mais influente de todos os tempos
 
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 O MÁGICO DE OZ Imprimir Enviar Guardar
 
Estudo recente, publicado pelo jornal britânico Independent e feito pela Universidade de Turim, na Itália, apontou o filme O Mágico de Oz (The Wizard of Oz ,1939, de Victor Fleming) como sendo o mais influente da história do cinema. O clássico americano com a icônica trilha sonora Over the Rainbow (música do final da década de 1930, composta por Harold Arlen, com letra de E.Y. Harburg), foi considerado mais influente do que seus rivais mais próximos, Star Wars (1977, Guerra nas Estrelas, do cineasta George Lucas), que ficou em segundo lugar, e Psycho (1960, Psicose, dirigido por Alfred Hitchcock), em terceiro.

O Mágico de Oz é um filme americano produzido pela Metro-Goldwyn-Mayer. É baseado no livro infantil homônimo de L. Frank Baum, no qual a garota Dorothy é capturada por um tornado no Kansas e levada a uma terra fantástica de bruxas, de leões covardes, de espantalhos falantes e de muitas outras descobertas. O filme foi estrelado por Judy Garland, Frank Morgan, Ray Bolger, Jack Haley, Bert Lahr, Billie Burke e Margaret Hamilton.

Mesmo não sendo o primeiro filme produzido em Technicolor (coloração dos filmes), O Mágico de Oz faz um uso notável da técnica; as sequências no Kansas têm um preto e branco com tons em marrom, enquanto as cenas em Oz recebem as cores do Technicolor.

Também é considerado "culturalmente, historicamente, visualmente e esteticamente significante" pela Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos e foi selecionado para ser preservado no National Film Registry em 1989. Over the Rainbow foi apontada pelo American Film Institute como melhor canção de filme da história na Lista das melhores canções de filmes estadunidenses.

“O Mágico de Oz” foi baseado na preciosa série de livros do escritor L. Frank Baum e fez parte do American Film Institute como o melhor filme familiar de todos os tempos.



A PESQUISA
O sucesso de um filme geralmente é medido por duas vias: a primeira (e mais importante nos dias de hoje) é a receita, o que coloca, por exemplo, James Camaron como o diretor mais bem sucedido da história do cinema – Avatar (2009) e Titanic (1997), ambos dirigidos por ele, são as maiores bilheterias do mundo.

A segunda via é a boa e velha opinião da crítica especializada. Juntando os dois, o que é raro, temos os produtos de sucesso mais sólido. É o caso de Batman: O Cavaleiro das Trevas (2008), já que o filme de Christopher Nolan arrecadou mais de um bilhão de dólares só de bilheteria e foi extremamente bem recebido pela crítica.

Mas, como definir o quão influente um filme é? Segundo o estudo de pesquisadores da Universidade de Turim, na Itália, os critérios usados para medir o sucesso não podem ser aplicados para medir a influência que um filme gera, já que esses estão fortemente relacionadas a fatores externos, tais como marketing ou tendências de uma época.

O clássico Blade Runner explica bem isso. Baseado no livro Androides sonham com carneiros elétricos?, do cultuado escritor de sci-fi Philip K. Dick, a ficção cyberpunk foi um fracasso de bilheteria e de crítica na década de 1980 – mesmo sendo protagonizada por Harrison Ford, o ator mais badalado da época. Depois, já no VHS, os críticos voltaram a olhar para o filme, e hoje ele é referência para qualquer cineasta. Usando apenas os critérios tradicionais, porém, a obra de Ridley Scott ainda hoje seria considerada um desastre.

Procurando avaliar o verdadeiro impacto de um filme ao longo do tempo, os cientistas italianos resolveram recorrer a um critério mais exato, usando análise de dados e algoritmos. O resultado você já viu no título: a versão clássica de O Mágico de Oz, lançada em 1939, seria o filme mais influente de todos os tempos. Mas como os pesquisadores chegaram no x da questão é o mais legal dessa história toda.

Há quem pergunte como é que Guerra nas Estrelas não foi o filme mais influente do mundo. Está certo que muito mais gente possa ter visto a saga de George Lucas do que o filme da década de 1930 sobre a garotinha do Kansas. Por outro lado, é extremamente provável que todos os fãs de Guerra nas Estrelas já tenham ouvido a música Over the Rainbow ou ao menos viram a foto famosa do filme de Oz.

E é aí que está o pulo do gato: segundo o estudo, o filme mais influente é aquele que tem o maior número de referências em outros longas – alguém que apareça cantando Over the Rainbow em outro filme, ou um diálogo que mencione o clássico de Oz. E para esse ninguém bate o recorde ainda.



ENREDO DO FILME
Dorothy Gale (Judy Garland) vive no Kansas. É uma estudante de 11 anos que mora na fazenda dos seus tios Henry (Charley Grapewin) e Em (Clara Blandick). Após o cão de Dorothy, Totó, "atacar” a insuportável Srta. Gulch (Margaret Hamilton), ela vai até Henry e Em com uma ordem judicial que a autoriza colocar o Totó "para dormir". Apesar dos apelos de Dorothy, os tios dela se sentem obrigados a cumprir a lei.

Então Gulch pega Totó e o coloca em uma cesta em sua bicicleta. Porém, o cachorro foge e corre de volta para a fazenda. Temendo que Gulch volte para pegar Totó, Dorothy foge. Na estrada conhece o professor Marvel (Frank Morgan), um adivinho falso que deixa Dorothy fascinada com seus "dons". Ele entende que Dorothy fugiu de casa, então sutilmente a persuade para voltar para casa. Porém, quando Dorothy e Totó voltam, surge um tornado enorme, que se move pelas planícies na direção da fazenda. Os colonos Zeke (Bert Lahr), Hickory (Jack Haley) e Hunk (Ray Bolger) correm com Em e Henry para um abrigo, fechando as portas antes de verem Dorothy, que não teve tempo de se proteger com eles. Dorothy corre para dentro da casa, quando uma tela de janela arrancada pelo vento voa através do quarto e bate em sua cabeça. Logo ela descobre que a casa da fazenda foi arrancada do chão pelo ciclone e está sendo levada para o centro do tornado.

Olhando pela janela, vê voando com a força do vento os animais de fazenda, um homem remando um barco e até mesmo uma mulher idosa, que calmamente tricota na cadeira de balanço. Dorothy também vê Gulch pedalando sua bicicleta, mas de repente se transforma em uma bruxa horrorosa montando uma vassoura e usando um chapéu pontudo. A casa começa a descer, girando até o solo e aterrissando com um estrondo. Apreensiva, ela abre a porta da casa e seus olhos se deslumbram com um lugar maravilhoso. Dorothy tem certeza que não está mais no Kansas, principalmente quando, através de uma bolha colorida, surge Glinda (Billie Burke), a Bruxa do Norte, perguntando se Dorothy era uma bruxa boa ou má. O motivo da pergunta é que os munchkins, os pequenos habitantes daquele lugar, disseram a Glinda que uma bruxa derrubara uma casa sobre a Bruxa Má do Leste, matando-a e os libertando-os de suas maldades. A Bruxa do Leste foi esmagada e agora só se pode ver suas pernas, que usava mágicos sapatos de rubi. Porém uma nuvem de fumaça vermelha anuncia a chegada da Bruxa Má do Oeste, que é igual à Srta. Gulch, e ameaça Dorothy tentando arrebatar os sapatos de rubi, que permanecem nos pés da sua irmã morta.

Entretanto, a Bruxa do Oeste não tem nenhum real poder na terra dos munchkins e, antes que possa colocar as mãos nos sapatos mágicos, eles surgem nos pés de Dorothy, graças a uma magia de Glinda. A bruxa jura vingança diante de uma terrificada Dorothy, antes de desaparecer em outra nuvem de fumaça vermelha. Dorothy conta para Glinda que ela quer ir para sua casa no Kansas. Glinda não pode ajudá-la, só o grande e Todo-Poderoso Mágico de Oz (Frank Morgan). Glinda diz que ele tem este poder e Dorothy busca a ajuda dele na Cidade de Esmeraldas, onde ele reside. Glinda aponta para ela a Estrada de Tijolos Amarelos e lhe diz para seguir este caminho para chegar na Cidade de Esmeraldas. Antes de partir, Glinda diz para ela nunca tirar os sapatos. No caminho conhece um espantalho (Ray Bolger) que quer ter um cérebro e, como visitará um mago, pode ser que ele arrume um cérebro para o espantalho, assim resolvem viajar juntos.

Mais adiante encontram um homem de lata (Jack Haley), que anseia por um coração, então os três passam a viajar juntos. Logo depois se deparam com um leão covarde (Bert Lahr), que quer ter coragem, então o quarteto fica mais do que determinado a achar o mágico de Oz.


DE LIVRO A FILME
Frank Baum publicou o livro O Mágico de Oz (The Wonderful Wizard of Oz) em 1900. Nos anos seguintes foram vendidas milhões de cópias e Baum escreveu mais treze livros sobre Oz antes de sua morte em 15 de maio de 1919.

Em janeiro de 1938, a MGM comprou os direitos de adaptação sobre o livro. O roteiro estava pronto em 8 de outubro de 1938 (após vários tratamentos). As filmagens começaram em 13 de outubro de 1938 e foram concluídas em 16 de março de 1939. O filme teve sua pré-estreia no dia 12 de agosto de 1939, e em 25 de agosto daquele mesmo ano entrou definitivamente em cartaz. O roteiro do filme foi adaptado por Noel Langley, Florence Ryerson e Edgar Allan Woolf.


UM ELENCO COMPLEXO
A escolha do elenco para o filme foi problemática, com atores trocando de papéis repetidamente no começo das filmagens. Uma das principais trocas ocorreu com a personagem Tin Woodsman. Ray Bolger originalmente interpretaria Tin Woodsman e Buddy Ebsen seria o Espantalho. Bolger estava insatisfeito com seu papel e convenceu o produtor Mervyn LeRoy a escalá-lo como o Espantalho. No início, Ebsen não reclamou da mudança, mas nove dias depois de iniciadas as filmagens ele sofreu uma reação alérgica à maquiagem à base de alumínio. Consequentemente, Ebsen (agora em estado grave) teve que ser hospitalizado e deixou o projeto. Jack Haley assumiu o papel no dia seguinte. Desta vez a maquiagem usada foi modificada para uma pasta à base de alumínio. Ironicamente, apesar do seu acidente quase fatal com a maquiagem, Ebsen viveu mais tempo que todos os atores principais.

O papel de Dorothy foi dado a Judy Garland no dia 24 de fevereiro de 1938. Depois de escalada, alguns executivos da MGM cogitaram trocá-la por Shirley Temple, mas não conseguiram a liberação da jovem atriz pela Fox. Então, outros executivos da MGM vetaram a ideia.

A consideração de Temple para o papel de Dorothy impulsionou a Fox à produção de um filme que eles próprios desconheciam. Conhecendo bem o projeto de O Mágico de Oz, eles não apenas negaram a liberação de Temple para a MGM mas decidiram escalá-la num filme "rival", O Pássaro Azul (no original, The Blue Bird). Graças à complexidade dessa produção da Fox e à decisão de filmá-lo repentinamente, O Mágico de Oz chegou aos cinemas americanos um ano antes de O Pássaro Azul. E enquanto a produção da MGM conseguiu uma boa arrecadação, O Pássaro Azul não o fez.

Originalmente, Gale Sondergaard foi escalada para o papel da bruxa vilã. Ela ficou insatisfeita quando sua personagem deixou de ser uma feiticeira levemente glamorosa e tornou-se uma feia bruxa. Ela largou o projeto e foi substituída em 10 de outubro de 1938 por Margaret Hamilton.

Em 25 de julho de 1938, Bert Lahr foi contratado para viver o Leão Covarde. Frank Morgan juntou-se ao elenco em 22 de setembro de 1938 como o Mágico. 12 de agosto de 1938 foi o dia em que Charley Grapewin foi escalado para o papel do Tio Henry.

As canções foram gravadas num estúdio antes do início das filmagens. Algumas das gravações foram concluídas enquanto Buddy Ebsen ainda estava no elenco. Então, mesmo tendo abandonado o projeto, sua voz permaneceu no coro de We're off to See the Wizard.

Dirigido por Richard Thorpe, o filme começou a ser rodado em 13 de outubro de 1938. Thorpe foi demitido após algumas cenas já terem sido gravadas, e George Cukor assumiu a função. Ele mudou a maquiagem e o figurino de Judy Garland e Margaret Hamilton, isso significou que todas as cenas das atrizes precisariam ser novamente filmadas. Porém Cukor tinha um compromisso anterior com o filme E o Vento Levou (Gone with the Wind, 1936), e deixou o projeto no dia 3 de novembro de 1938, deixando o cargo para Victor Fleming.

Ironicamente, no dia 12 de fevereiro de 1939, Victor Fleming substituiu George Cukor novamente, agora na direção de E o Vento Levou. No dia seguinte King Vidor assumiu a direção para terminar as filmagens (basicamente as cenas em preto e branco da fazenda no Kansas).

E assim ficou o elenco final:

Judy Garland, como Dorothy Gale

Frank Morgan, como O Mágico de Oz/Professor Marvel

Ray Bolger, como Hunk/Espantalho

Bert Lahr, como Zeke/Leão Covarde

Jack Haley, como Hickory/Homem de Lata

Billie Burke, como Glinda

Margaret Hamilton, como Elmira Gulch/Bruxa Malvada do Oeste

Charley Grapewin, como Tio Hnry

Clara Blandick, como Tia Emm


PREMIAÇÕES
O Mágico de Oz conta com uma lista de indicações e premiações ao longo de sua história.

Ano

Prêmio

Categoria

Resultado

1939

Festival de Cannes

Palma de Ouro

Indicado

1940

Oscar

Melhor banda sonora

Vencedor

1940

Oscar

Melhor canção original

Vencedor

1940

Oscar

Melhor filme

Indicado

1940

Oscar

Melhor direção de arte

Indicado

1940

Oscar

Melhor fotografia

Indicado

1940

Oscar

Melhores efeitos especiais

Indicado