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Folclore e suas principais manifestações no Brasil
 
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Antes de apresentar as manifestações folclóricas mais conhecidas no contexto nacional será importante contextualizar que o que hoje entendemos como folclore é fruto de acaloradas discussões em torno do que se considera a cultura nacional e a quem cabe essa decisão. Muitas vezes, a valorização de certos aspectos em detrimento de outros expressou pontos de vista antagônicos sobre o que incluir ou excluir da identidade de um povo e, portanto, o que chamar de folclore.



CONCEITO DE FOLCLORE, UM CONCEITO POLÊMICO

A palavra folclore foi criada no final do século XIX na Europa, pelo inglês William John Thom para denominar uma área de estudos empreendida por vários pesquisadores sobre tradições populares. O termo folk-lore significava folk (povo) e lore (saber), sendo assim o folclore designava “a sabedoria do povo”. No entanto, o termo era controverso, afinal a que se refere esse saber popular?

Para alguns, haveria limites quanto ao que se considera “saber”, por isso excluíam a cultura material (artesanato, culinária, confecção de instrumentos musicais, por exemplo) enquanto para outros, a cultura material deveria ser incorporada ao folclore sempre e quando estivesse ligada à cultura imaterial (por exemplo, nos estudos das festas tradicionais poderia ser incluída a sua culinária). Além disso, a palavra “povo” e “popular” também apresentava ambiguidades. Para alguns, o folclore deveria se restringir aos saberes das camadas sociais mais baixas de sociedades camponesas tradicionais, excluindo assim a possibilidade de um folclore urbano, bem como considerar folclore os saberes de povos tradicionais, como os indígenas, por exemplo.

A inserção da ideia implícita de que o folclore estaria associado às classes mais baixas da sociedade trouxe para o centro da discussão os intelectuais marxistas que se posicionavam de modo contrário ao que havia sido estabelecido como folclore, aumentando ainda mais a controvérsia.


A HISTÓRIA DO FOLCLORE NO BRASIL

As ambiguidades em torno do que se poderia considerar como folclore também perpassou os debates políticos e acadêmicos em nosso país, principalmente em torno da ideia do que seria a genuína “cultura brasileira”.

No século XIX, entre os projetos nacionalistas de autoafirmação do país enquanto nação emancipada da colônia, surge o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB), na Corte Imperial, financiado por D. Pedro, em 1838. Sua missão era a de traçar a gênese da cultura nacional produzindo a história e a literatura brasileira. Sob a ótica elitizada e de um projeto branqueador da cultura nacional, o indígena e o negro, considerados “primitivos e inferiores” tomaram parte da história e literatura nacional de modos diferentes. Enquanto o indígena era símbolo nacional por ser o integrante original da cultura, o negro foi relegado à marginalidade, tornando-se invisível. A importância dos romances indigenistas, sendo um dos mais expressivos Iracema (1865), de José de Alencar, como lugar de expressão de “uma lenda do Ceará”, foi o de forjar, pouco a pouco, uma associação entre o sentimento nativista (de um passado mítico e lendário, pautado na exuberante e exótica beleza) e as tradições populares, fazendo assim o resgate do que era típico da cultura indígena para incorporá-lo à cultura nacional. Desse modo, os pesquisadores e cientistas da época tornavam as questões de miscigenação e as teorias das influências raciais algo que indiretamente figurava na literatura nacional.

O folclore que aparece no século XIX era compreendido como uma nacionalidade em “estado bruto”, ou seja, vinculando o popular ao primitivismo e ensinando-o às elites por meio de uma produção literária erudita. Assim, conforme afirma Antonio Cândido (CANDIDO, Antonio. Formação da Literatura Brasileira: momentos decisivos. Belo Horizonte: Editora Itatiaia, 2000, pp. 19), por meio da literatura era possível a recuperação da tradição oral indígena. Esse “nacionalismo folclórico”, reproduzia os valores do Romantismo que perdurou mais ou menos até Segunda Guerra Mundial quando a prioridade era fazer “registros folclóricos” e buscar as origens do popular. Assim, se atribuiu ao folclore algumas características tais como: o anonimato, a transmissão oral, a antiguidade ou tradicionalidade, a sobrevivência e o conceito de civilidade dos povos.

Na década seguinte, há uma mudança de rota. Segundo a Carta do Folclore Brasileiro, aprovada pelo I Congresso Brasileiro de Folclore em 1951, "constituem fato folclórico as maneiras de pensar, sentir e agir de um povo, preservadas pela tradição popular, ou pela imitação, e que não sejam diretamente influenciadas pelos círculos eruditos e instituições que se dedicam ou à renovação do patrimônio científico e artístico humano ou à fixação de uma orientação religiosa e filosófica". Nesse sentido, o que estava em jogo era dissolver as conceituações sobre o folclore que foram impostas pelas ideias evolucionistas e positivistas, modelos de pensamento e de se fazer ciência predominantes no final do século XIX e início do XX, tendo o folclore a mesma pretensão e cujo objetivo era manter a estabilidade da burguesia.

Nesse sentido, a Carta denuncia que o objeto do folclore deveria ser o estudo dessas “sobrevivências”, dos valores culturais da antiguidade, algo ultrapassado e estático, além de ser a ciência da cultura tradicional nos meios populares dos países civilizados.

Todos esses debates seguiram, por anos, chegando novamente a uma nova postura para se definir folclore, sendo esta a aceita nos dias atuais:

Folclore é o conjunto das criações culturais de uma comunidade, baseado nas suas tradições expressas individualmente ou coletivamente, representativo de sua identidade social. Constituem-se fatores de identificação da manifestação folclórica: aceitação coletiva, tradicionalidade, dinamicidade, funcionalidade. Ressaltamos que entendemos folclore e cultura popular como equivalentes, em sintonia com o que preconiza a Unesco. A expressão cultura popular manter-se-á no singular, embora entendendo-se que existem tantas culturas quantos sejam os grupos que as produzem em contextos naturais e econômicos específicos. (CARTA DO FOLCLORE BRASILEIRO, 1995 [s.n.])

Em suma, todos somos portadores de folclore; suas manifestações não são práticas de guetos. Vivenciamos o folclore no dia a dia, quando preconizamos um dito popular, cantarolamos uma cantiga de roda ou participamos de uma festa junina, independente da classe social a que pertençamos ou dos territórios que ocupamos.


MANIFESTAÇÕES FOLCLÓRICAS

Atualmente, no Brasil, as diversas manifestações folclóricas podem ser entendidas como sinônimo da cultura popular. Tais manifestações espelham simultaneamente o rosto social do brasileiro enquanto população miscigenada, mas também uma identidade cultural com origens diversas. O folclore é, portanto, um misto de cenário, enredo geral e acervo de elementos da cultura imaterial e material os quais dependem dos atores humanos para o desempenho do seu papel coletivo.

Assim sendo, as festas, danças, música, as histórias contadas, os provérbios e as brincadeiras articulam a vida de uma nação do mesmo modo que definem, justificam e, em alguns momentos, determinam qual a herança de seus ancestrais que sobrevive. O folclore não é a sobrevivência de um passado estático, mas a possibilidade de ressignificar a(s) cultura(s) que persiste(m) com o passar do tempo.

Nas diferentes manifestações do folclore brasileiro, encontram-se as expressões das fantasias, medos, desejos de justiça ou de vingança, como formas de escapar àquilo que não se consegue explicar, sendo possível observar os regionalismos da cultura nacional, os quais são maiormente encontrados nas lendas.


DIFERENÇAS ENTRE MITO E LENDAS

Grande parte da população brasileira, seja na infância, no decorrer da adolescência e até nos dias de hoje, já escutou ou realizou a leitura de uma lenda ou mito. O que a maioria das pessoas não sabe é que há algumas diferenças entre essas formas narrativas. Embora os termos sejam empregados cotidianamente como sinônimos, são manifestações diferentes. Ambos discorrem sobre determinados episódios históricos ou religiosos de uma certa comunidade, porém, não são iguais.

Segundo o dicionário Barsa de língua portuguesa, o mito é uma narração de tempos heroicos; uma alegoria que mostra, sob aspectos fabulosos, os fenômenos naturais, fatos históricos, tendências filosóficas e exposição simbólica de atos. Incorpora traços fantásticos e é comumente protagonizado por personagens sobrenaturais e heroicos, que tem como principal objetivo explicar acontecimentos reais e da natureza incompreensíveis aos homens. Com utilização de simbologia, procura interpretar a origem do mundo e sua natureza, sendo suas características principais:
  • caráter instrutivo ou didático
  • explicação das origens do mundo e do homem por meio de personagens figurados como deuses ou semideuses
  • esclarecimento da realidade, por meio de histórias fabulosas sem embasamento factual.
As lendas, por sua vez, correspondem a histórias populares que foram sendo transmitidas originalmente de forma oral. Permeadas por acontecimentos misteriosos, também possuem caráter fantástico, mas diferente dos mitos, as lendas são criadas a partir de elementos ficcionais com embasamento histórico das comunidades onde se originam. Sua natureza persistente faz com que resista ao longo do tempo e apresente a história em versões modificadas. Além de ser um tipo de narração ancestral remontando realidades vividas no passado e incorporando a elas traços mágicos, as lendas também possuem caráter literário. A lenda do cavalo de Tróia é um clássico exemplo literário universal deste tipo de narrativa. Já no Brasil, destacam-se sobretudo as lendas amazônicas, como a do Curupira.

O livro Lendas Brasileiras, de Luís da Câmara Cascudo (1898-1986), antropólogo, jornalista, historiador e importante pensador do folclore brasileiro, reúne 21 tradições populares das cinco grandes regiões geográficas do país. Algumas dessas histórias, sem perder a identificação regional, são hoje conhecidas em plano nacional, graças à difusão da literatura, do rádio, de histórias em quadrinhos, de enredos de escolas de samba, de curtas-metragens e, mais atualmente, da internet. As principais características que definem as lendas são:
  • mescla da realidade dos fatos com fantasia ou ficção
  • fazer parte da tradição oral
  • fatos reais e históricos como suporte às histórias
  • apresentar versões, ou seja, sofrer mudanças com o passar do tempo.


O UNIVERSO AMAZÔNICO E SEU REFLEXO EM LENDAS BRASILEIRAS

Nos mitos amazônicos, os heróis são seres habitantes da mata e dos rios e se fundem com características de homens e animais. Esses protagonistas tornam-se divinos com ações mágicas sintonizadas com elementos do seu mundo como o sol, a lua, os sons, a criação de palavras mágicas configurando alguns rituais regionais.

Nas crenças de alguns povos indígenas encontra-se a figura de Tupã, divindade que criou o universo e colocou semideuses para povoar a terra, o homem e outras criaturas. Entre elas está o Curupira, um semideus que protege as florestas e a natureza da ação destrutiva dos homens.

O Curupira é um dos personagens mais célebres presente em lendas contadas por comunidades no entorno da floresta amazônica, mostrando a sobrevivência do mito. De acordo com relatos e o imaginário popular, o Curupira possui calcanhares voltados para a frente e, consequentemente, os dedos dos pés para trás. Em algumas versões difundidas o personagem é caracterizado por sua pelagem vermelha e dentição verde. Para outros, ele tem enormes orelhas e é completamente careca. Em outras versões, carrega um machado feito de casco de jabuti. Para além da peculiar aparência e personalidade descritas, o Curupira segue sendo considerado como guardião da floresta. Mas agora a sua função é valer-se de seu poder de adivinhação para proteger a mata de caçadores e suas possíveis ações descontroladas. Ademais, ele castiga as pessoas deixando-as perdidas, quando estas praticam algo de ruim contra a natureza. Muitas pessoas dizem já tê-lo visto ou relatam as características de seus feitiços. Dessa forma ele não é apenas considerado um ser fantástico presente na mitologia indígena, mas parte do folclore da região.

Outros personagens importantes da região são o Honorato Cobra Grande, o Boto Rosa, Iara e o Boitatá. O que é relevante em todos esses exemplos, é o fato de que os personagens fazem parte da mitologia dos mais diferentes povos indígenas, mas também sofrem influência de outras culturas. Assim, as histórias são transmitidas e passam a circular na cultura brasileira como um todo, recebendo a interferência das mais diferentes leituras e quando então passam a se constituir enquanto lendas. As lendas brasileiras possuem origem na mitologia dos povos indígenas nativos, em conjunto com os mitos trazidos da Europa pelos portugueses e da África pelos negros. A mescla entre histórias de diferentes culturas permitiram produzir lendas únicas, mas também é possível observar elementos comuns que se replicam em outras culturas.

No início do século XIX, conforme já apontado, por meio do Romantismo, muitas das lendas brasileiras passam a ser representadas em poemas, livros e pinturas devido ao movimento nacionalista ocorrido neste período. Já no século XX, Monteiro Lobato, dedicado à literatura infanto-juvenil, promoveu muitas dessas lendas na coleção Sítio do Pica-pau Amarelo, obra com 23 volumes escrita entre 1920 e 1947.

Além das lendas, consideradas como parte do folclore nacional, outras manifestações folclóricas podem ser observadas, tais como as festas, as danças, as brincadeiras e as músicas e literatura popular. A seguir serão apresentadas brevemente as principais manifestações.


LITERATURA POPULAR NO BRASIL

A principal expressão folclórica na literatura brasileira é o Cordel, que consiste num livreto de poesia, por vezes ilustrado, escrito em linguagem informal. O nome cordel deriva do modo como essa literatura era originalmente comunicada. No Renascimento, a popularização da impressão dos relatos orais levou os autores a pendurar em uma corda, em uma espécie de varal, os livretos, em cujas capas as ilustrações geralmente feitas em xilogravura (técnica que utiliza madeira como matriz para o desenho e sua pintura, possibilitando a reprodução da imagem gravada sobre o papel) eram o chamariz para se vender as histórias contadas por um narrador, em uma espécie de recitação cantada. No Brasil, não se manteve a tradição do varal, embora a recitação é a marca dessa literatura que acontece de forma melodiosa e cadenciada, acompanhada de viola. Também é comum se fazer leituras ou declamações empolgadas para conquistar possíveis compradores. É interessante perceber que essa literatura, em sua forma, mistura o oral e o escrito, acrescidos da ilustração e da música e do componente mercadológico, pois é uma literatura para ser vendida. Originária da península ibérica, essa tradição é ressignificada no Brasil, na região do nordeste, incorporando as adivinhações, os provérbios (ditados que contêm ensinamentos muitas vezes religiosos), piadas ou anedotas, trava-línguas e as parlendas infantis.


DANÇAS FOLCLÓRICAS E POPULARES DO BRASIL

Também fazem parte do folclore brasileiro, as danças populares, sendo as de origem nordestina as mais conhecidas. São exemplos, o Samba de Roda (dança circular ao som de sambas, acompanhados de batida de palmas e cantos), o Maracatu, cujos dançarinos representam personagens históricos, a Catira, caracterizada pelas batidas de pés e palmas dos dançarinos, além do Frevo e do Baião, popularizados pelo carnaval e pelos bailes de forró que hoje dominam os centros urbanos brasileiros.

Mas talvez uma das danças mais conhecidas e praticadas em todas as regiões do Brasil e que se universalizou enquanto folclore nacional seja a Quadrilha, comum nas festas juninas.

A Quadrilha se caracteriza por ser uma dança em pares com a particularidade de incorporar um orador que proclama frases as quais determinam os movimentos a serem realizados durante a dança. A Quadrilha teve o seu maior florescimento no Brasil rural (e, por conta disso, a incorporação do vestuário campesino), especialmente no nordeste. Geralmente se associa à esta dança a representação de um casamento no final inspirado nas festas de São João, também comuns na Europa e a presença de uma fogueira.

Com origem na França como um movimento de resistência às danças oficiais aristocráticas e incorporando os costumes camponeses, ela foi trazida ao Brasil pela elite nacional rural do século XIX, com intuito de imitar a cultura francesa. Aqui ela se transforma, mesclando elementos das culturas regionais e recebendo a influência dos estudos folclóricos que pretendiam sistematizar os costumes nacionais. Esse “nacionalismo folclórico” fez com que as quadrilhas fossem divulgadas e ensinadas nas escolas e nos clubes rurais e urbanos como expressão da cultura cabocla e da república brasileira.


FESTAS DO FOLCLORE BRASILEIRO


Bumba meu boi. Foto: marcusrg - Hello, nice to meet you! / Visual hunt / CC BY.

Assim como Quadrilha, elemento folclórico incorporado às festas juninas, outras festas populares brasileiras também são consideradas como manifestações folclóricas por trazerem elementos da cultura popular como danças, músicas, desfiles, incorporação de representações de lendas e tradições religiosas e, em alguns casos, da presença de comidas típicas a elas associadas. Entre elas, as principais são o Carnaval, o Congado, a Folia de Reis, o Bumba Meu Boi, Círio de Nazaré. Note que todas as festas populares brasileiras trazem elementos oriundos de outras culturas e outros tempos, mas o fato de incorporar novos elementos e ressignificar tradições culturais antigas tornam essas festas expressões do folclore nacional. O Carnaval por exemplo, talvez a mais conhecida, é uma festa presente em todo o mundo, com muitas variações e sendo bem difícil precisar a sua origem. Há inclusive controvérsias sobre ser uma festa de origem pagã, anterior à era Cristã ou ser uma festa criada pela Igreja Católica Romana, para marcar o calendário cristão. O nome Carnaval, do latim “Carne Vale”, faz referência à despedida dos prazeres mundanos, ou seja, aos prazeres do corpo. É por isso que as datas do Carnaval variam de acordo com o início da Quaresma, período em que os fiéis devem se preparar para a Pascoa de Ressureição, com a alma limpa. Esse período marca o último momento em que as pessoas podem agir de modo livre, antes do resguardo esperado. Desse modo, o Carnaval tinha como objetivo principal ser uma festa para extravasar e fazer tudo o que durante a quaresma era proibido. Em Portugal, a tradição era a de jogar agua, farinha e ovos nas pessoas, chamada de festa de entrudo, e esta tradição foi trazida para o Brasil, desde a época da colônia. Mas também existiu variações dessa festa na Europa, corporificando o chamado “carnaval de luxo”. Estes nasceram na corte francesa, no século XIII, e se caracterizavam por festas onde as pessoas usavam fantasias luxuosas em bailes e onde era obrigatório o uso de máscaras. Em Veneza, na Itália, por sua vez, o uso da máscara servia como forma de ocultamento da identidade. Assim, as pessoas podiam trocar seus papeis sociais e agir livremente.

No Brasil, todas essas tradições foram de algum modo incorporadas, assumindo variações que se expressam de forma alegórica nos desfiles de carnaval, cada vez mais mercantilizados. Da cultura indígena foram incorporados os corpos nus e as plumas; da cultura africana, o candomblé e a musicalidade, expresso na ala das baianas, nos batuques de tambores; da Europa as máscaras e a inversão de papeis assumem a forma irônica de crítica a corte, expressa pela dupla de mestre Sala e Porta-bandeira, entre outras manifestações.

Há muitas outras manifestações folclóricas no Brasil e muito provavelmente todos tivemos contato com elas desde a infância, como com as brincadeiras ou as crenças populares. Muitas das brincadeiras que conhecemos foram passadas de geração em geração e, normalmente, não possuem um autor definido, por isso podem sofrer algumas modificações, seja no nome ou nas regras, dependendo da região do país. A amarelinha, a cabra-cega, o esconde-esconde, o cabo de guerra são alguns exemplos. Mas também o são os jogos de adivinhação, as anedotas e as parlendas, bem como os brinquedos como o peão, o estilingue, a peteca entre outros. Tais brincadeiras possuem origem mista, algumas encontradas em todo o mundo com variações no país e outras típicas de comunidades indígenas presentes no Brasil.


TEXTOS DE REFERÊNCIA SOBRE O TEMA


PARA SABER MAIS


HABILIDADES DA BNCC

EM13CHS104; EM13CHS105, EM13CHS50; EM13CHS504.