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Mudanças no mercado de trabalho
 
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As relações de trabalho estão passando por inúmeras e profundas transformações, muitas delas devido à revolução digital e as consequentes inovações tecnológicas. De um lado, as empresas têm a missão de se adaptar às necessidades da nova geração que traz consigo o amplo acesso às Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs). Do outro, novos profissionais estão em busca de rápida ascensão e conforto no ambiente de trabalho, não permanecem tanto tempo em uma mesma empresa e se alguma oportunidade melhor aparecer, não se intimidam em mudar.

Nesse cenário, a figura de um profissional que passa oito (ou mais) horas por dia em um escritório está cada vez menos comum. Tem crescido a procura por ambientes de trabalho compartilhado, os chamados coworking, que acolhem profissionais com perfis e áreas de atuação variados em busca de troca de ideias e ampliação da rede de contatos (networking). A hierarquia no trabalho, também chamada de verticalização, tem sido contestada e transformada em relações horizontalizadas e com menos subordinação.

É claro que o mercado nem sempre se abre rapidamente para todas as novas tendências. Bem como nem todas as empresas aderem facilmente os novos modelos e relações de trabalho num piscar de olhos. Administrar um empreendimento tem sido tarefa desafiadora para os atuais gestores. Para aproveitar o potencial dos novos talentos e conseguir o melhor para a organização, é preciso que haja uma reestruturação no pensamento, de forma a olhar para o negócio à partir de uma visão mais orgânica e fluida. O chefe, com perfil de poderoso e autoritário, tem sido substituído pela figura de um líder que caminha junto no desenvolvimento de uma tarefa e que esteja disposto a ouvir e auxiliar seus subordinados na conclusão das atividades.

Esse líder, pela sua capacidade de diálogo e troca, costuma propor momentos de feedback em que os liderados podem compreender sua situação dentro da empresa, conhecer suas fraquezas e seus pontos fortes, podendo assim aprimorar suas habilidades e tornar-se um profissional mais completo.

Esses mesmos jovens profissionais, caracterizados pelas habilidades multitarefas e por estarem sempre conectados, buscam por empresas que ofereçam maior flexibilidade, principalmente de horários, haja vista as pessoas que desempenham melhor as atividades durante a noite e outras que se sentem muito mais dispostas pela manhã. Neste contexto, tem aumentado o número de empresas que optam pelo esquema de trabalho home office, prática muito comum em algumas empresas mas nem sempre possível em outras. Trabalhar em casa ou em outro local que não a própria empresa é algo viável para diversas áreas de atuação, tais como a de Revisores, Diagramadores, Professores online, Especialista em e-commerce, dentre muitas outras atividades. Pensando nas demandas do mercado moderno, foram selecionadas algumas tendências que se apresentam promissoras: Influenciador Digital, Coaching, Analista de Big Data, Desenvolvedor de Wearable, Gestor de Resíduos e profissionais da área da Segurança da Informação são alguns exemplos apresentados a seguir.

INFLUENCIADOR DIGITAL

É uma pessoa ou personagem que se torna popular em uma rede social e que conta com um público massivo acompanhando suas postagens. Essas novas personalidades originadas da internet não se restringem a apenas uma rede social, a união delas faz com que eles alcancem um público maior e assim consigam firmar o seu espaço.

O surgimento desses novos formadores de opiniões digitais também causa uma mudança comportamental e de mentalidade em seus seguidores, que tendem a ser facilmente influenciados. Entre os conteúdos mais comuns divulgados por esses influenciadores estão: Jogos (gameplays, recomendações de jogos, avaliações, novidades e até mesmo curiosidades sobre os games), Fitness (promoção de hábitos saudáveis, dicas de alimentação, autoestima, motivação e exemplo de alguns exercícios físicos); Culinária (confecção de receitas e técnicas culinárias); Jornalismo (disseminação de notícias, opiniões e debates; considerado jornalismo cívico, pois nem sempre a pessoa é jornalista propriamente dito); Moda e Beleza (focado em oferecer dicas de moda, beleza e estilo); Entretenimento/humor (é a área mais vasta e mais procurada entre os jovens); Conhecimentos gerais  (aborda temas mais sérios, envolvendo pesquisa e oferece conhecimento ao público); Esportes (notícias, resenhas ou promove a prática do esporte em questão).

Algumas dicas para quem tem interesse em se tornar um Influenciador Digital são: escolha uma área de atuação; defina a persona; produza conteúdos de qualidade; selecione canais a serem utilizados; evite situações conflituosas; monitore os resultados; esteja sempre disposto a participar de treinamentos e capacitações.

COACHING

A palavra Coach vem do inglês e significa treinador. Segundo o Instituto Brasileiro de Coaching (IBC), “coaching refere-se ao profissional capacitado e habilitado a aplicar os processos, técnicas e ferramentas da metodologia no intuito de desenvolver pessoas e organizações e, assim, auxilia-las a alcançar resultados extraordinários”. Por meio de técnicas comprovadas e perguntas assertivas, o Coaching auxilia o Coachee a desenvolver habilidades e competências, identificar pontos de melhoria, vencer limitações, definir metas e objetivos e, com isso, alcançar seus resultados desejados, seja em âmbito pessoal ou profissional.

A metodologia possui dois nichos principais: o Life Coaching – voltado para atender necessidades pessoais; e o Professional Coaching – voltado para as necessidades profissionais, executivas, corporativas e empresariais. Profissionais de diferentes áreas podem seguir carreira como Coach. Isso porque não há uma graduação específica, mas formações rápidas, como MBAs e cursos de extensão. Eles podem ser aliados ao conhecimento disponível em livros, palestras e outros eventos do ramo.

Psicólogos, administradores e trabalhadores de Recursos Humanos costumam se dar bem na área corporativa. Contudo, qualquer outro interessado, com conhecimento suficiente, pode encarar esse desafio. O importante é que a pessoa tenha algumas habilidades pessoais plenamente desenvolvidas. Entre elas, destacam-se: pensamento estratégico; boa comunicação; personalidade positiva e encorajadora; didatismo; empatia; capacidade de solucionar problemas.

Onde houver pessoas dispostas a se autoconhecerem há oportunidades para o profissional que pretende atuar como Coaching. Criar um canal de vídeos na internet e oferecer cursos online pode ser uma estratégia para atingir mais público com menos esforço. No entanto, a profissão Coach se baseia no atendimento personalizado, ou seja, esse tipo de conteúdo não substitui os encontros presenciais.

ANALISTA DE BIG DATA

Entre os cargos que deverão estar em alta estão analista de mídias sociais, Big Data e cientista de dados/Foto: Divulgação

Big Data (BD) é o ato de gerar, capturar e processar uma grande quantidade de dados. As empresas investem em BD pois as informações armazenadas são capazes de oferecer insights que podem favorecer o futuro do negócio. Na sociedade da informação, cada vez mais organizações estão armazenando, processando e extraindo valor de dados de todos os tipos e tamanhos. Os sistemas que oferecem suporte a grandes volumes de dados estruturados e não estruturados continuarão crescendo.

Especialistas afirmam que há uma demanda de mercado por plataformas que ajudem os administradores de dados a governar e proteger o Big Data e que permitam aos usuários analisar esses dados. Esses sistemas precisam amadurecer para operar de forma integrada com os padrões e sistemas de TI empresarial. É aí que entra o profissional Analista de Big Data.

No Brasil, a ciência de dados ainda dá os primeiros passos, o que representa uma oportunidade para quem correr na frente e aperfeiçoar o conhecimento no tema. E tem muita gente precisando de profissionais qualificados que, junto a ferramentas Big Data, possam analisar e interpretar dados para conduzir negócios a decisões mais assertivas.

DESENVOLVEDOR DE DISPOSITIVOS WEARABLES

O termo wearable, em inglês significa, literalmente, "vestível", "que pode ser vestido". No Brasil, o conceito é chamado também de tecnologia vestível. Talvez você já tenha visto por aí alguém usando um daqueles relógios inteligentes (smartwatches) que, integrados aos smartphones, possuem inúmeras funcionalidades. Estes relógios são exemplos de wearables, termo que engloba todos os equipamentos eletrônicos que podem ser usados como peças de roupa ou acessórios.

Com toda essa modernidade, é crescente o número de projetos que envolvem diversos outros dispositivos, como óculos de realidade aumentada, camisetas capazes de realizar medições de temperatura e cardiorrespiratórias, capacetes com interface integrada, entre outros.

O potencial das tecnologias vestíveis é imensurável. Há inúmeras aplicações que podem ser desenvolvidas tanto na área de consumo, quanto nas áreas da saúde, do trânsito, da economia doméstica, entre outros.

Em sua maioria os sistemas dependem de dispositivos externos (sendo o mais comum a utilização de smartphones) para o processamento ou conexão de dados. No caso dos smartwatches, sua função majoritária seria repassar informações básicas e relevantes para uma segunda tela, onde está localizado o relógio. Tal dispositivo é capaz de mostrar informações como emails recebidos, mensagens, chamadas telefônicas, lista de contatos, entre outras.

E como o próprio nome já diz, o profissional que atua como Desenvolvedor de Dispositivos Wearable tem como papel desenvolver soluções para essas inovadoras tecnologias, considerando que há possibilidade de desenvolver inúmero benefícios para o usuário. Sim, porque além de modernos e bonitos, os wearables podem ter muitas outras funcionalidades: Incentivo à prática de atividades físicas, que podem ser tornar recorrente e mais divertida com o uso de wearables; Obter informações úteis e interessantes sobre a sua caminhada, pedalada ou outro exercício em tempo real, ajudando a mensurar seu desempenho e os benefícios da atividade; Monitoramento da saúde, afinal, como não podemos ter um enfermeiro ou médico à nossa disposição o tempo inteiro, os wearables nos ajudam a controlar alguns índices, como a frequência cardíaca, a qualidade da respiração e do sono (mas claro que a tecnologia vestível não substituirá um profissional da saúde); Integração cada vez maior entre dispositivos, afinal, não basta somente vestir tecnologia inteligente, é fundamental que esses dispositivos conversem entre si, e o mercado caminha nesse sentido! No futuro, todos os seus dispositivos vestíveis estarão sincronizados e alimentarão uns aos outros, armazenando informações na nuvem.

GESTOR DE RESÍDUOS

Um dos grandes desafios da atualidade é dar conta da enorme quantidade de resíduos gerados diariamente em nossas casas, nas empresas e indústrias.  O desafio, que não é pequeno, precisa ser analisado da melhor maneira possível para o menor impacto e o melhor aproveitamento. Devido ao surgimento dessa demanda, o novo profissional que atua como Gestor de Resíduos tem ganhado muito destaque no mercado ultimamente, mostrando-se de grande importância para a questão ambiental.

O Gestor de Resíduos é o profissional capaz de ver os resíduos com outros olhos, criando projetos para dar uma nova funcionalidade àquele material descartado e evitar que ele seja destinado de forma incorreta.

O profissional busca atuar para minimizar o impacto da geração de resíduos e incentivar a reutilização e reciclagem. Os gestores, então, buscam garantir o melhor tratamento e disposição final para amenizar os impactos ambientais daqueles materiais.

Muitas empresas mantêm um profissional responsável pela gestão de resíduos com o importante papel de estruturar alternativas que garantam um relacionamento harmônico entre a indústria, meio ambiente e consumidores. A gestão correta dos resíduos é um elemento necessário para melhorar a qualidade das ações corporativas e promover também o crescimento econômico das empresas.

Os gestores sempre buscam atender às legislações ambientais, tentando otimizar a operação, logísticas e custos envolvendo a geração, armazenamento e transporte dos resíduos. As indústrias têm sido consideradas as grandes vilãs no que se refere ao descarte irregular e consequentemente ao impacto expressivo no meio ambiente — muitos casos por descasos às leis ambientais ou, ainda, a falta de conhecimento e especialistas dessa área.

Mas também há muitas empresas atentas ao fato de que um bom planejamento na gestão de seus resíduos pode não só contribuir para gerar menos impactos econômicos, ambientais e sociais, melhorando a imagem da empresa, como também diminui os custos com a produção, contribuindo, assim, para o desenvolvimento sustentável.

SEGURANÇA DA INFORMAÇÃO

Existem inúmeras outras áreas de atuação com potencial promissor e talvez na área da Segurança da Informação os profissionais possam ter grandes saltos na carreira.

Bagagem teórica, formação acadêmica, conhecimento técnico são alguns dos diferenciais do profissional que pretende trabalhar na área da Segurança da Informação. Entretanto os especialistas dizem que isso não basta. Adaptabilidade, profissionalismo, autocrítica e visão holística são bons exemplos.

A área de Segurança da Informação é composta por profissionais especialistas com habilidades variadas e que juntos montam uma estrutura de segurança. Alguns desses profissionais são desenvolvedores especializados em Segurança da Informação, outros em governança ou prevenção de incidentes, outros ainda em resposta a incidentes, compliance etc. Portanto, é difícil determinar um único perfil que atenda a todas estas competências. O importante é o conjunto das habilidades.

HABILIDADE E TALENTO

É importante estar atento às demandas de mercado e buscar novos desafios. Mas, também é crucial se autoconhecer, entender quais são suas habilidades e seus talentos para poder cumprir uma bela missão: colocar seus talentos e habilidades a serviço do que o mundo mais precisa.