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Preparativos para os Jogos Olímpicos Rio 2016
 
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  A tocha olímpica e seu fogo simbolizam a união entre os jogos da Antiguidade e os da Era Moderna, bem como a paz e a união entre os povos.

O Brasil sediou, em 2016, os 31os Jogos Olímpicos de Verão, cujo lema foi “Viva sua paixão”. Realizados de quatro em quatro anos, foi a primeira vez que os jogos ocorrem em um país da América do Sul, contando em sua organização com 6.500 funcionários contratados, outros 85 mil terceirizados e mais 45 mil voluntários.

Tanto a cerimônia de abertura quanto a de encerramento ocorreram no famoso Estádio do Maracanã, que passou por uma intensa reforma e foi capaz de receber 82 mil pessoas. A estimativa antes dos jogos era de que, pela televisão, essas cerimônias fossem vistas por 4,5 bilhões de pessoas em todo o mundo.


HISTÓRIA
Os primeiros Jogos Olímpicos foram realizados em 776 a.C. em Olímpia, na Grécia Antiga, e tinham um caráter religioso, de culto a Zeus. Em 393 d.C., no Império Romano, os jogos foram suspensos, voltando apenas em 1896, em Atenas, por iniciativa do barão francês Pierre de Coubertin (1863-1937), ano em que foram realizados os primeiros Jogos Olímpicos da Era Moderna. Dois anos antes, havia sido criado o Comitê Olímpico Internacional (COI), no dia 23 de junho, quando passou a ser comemorado o Dia Olímpico.

Já ocorreram 27 edições dos Jogos Olímpicos de Verão, tendo sido 6 na América do Norte, 16 na Europa, 3 na Ásia e 2 na Oceania. Depois que começaram as edições modernas dos Jogos Olímpicos, eles só deixaram de acontecer em Berlim, em 1916, por causa da Primeira Guerra Mundial (1914-1918), e em 1940, Tóquio e Helsinque, e em 1944, Londres, por causa da Segunda Guerra Mundial (1939-1945).


MODALIDADES
Das 306 provas com medalhas, 161 são masculinas, 136 são femininas e 9 são mistas. Somam-se 42 modalidades esportivas, incluindo duas novidades, o rugby e o golfe, que voltam a ser modalidades olímpicas depois de 92 e 112 anos, respectivamente. São elas: atletismo, badminton, basquetebol, boxe, canoagem slalom, canoagem velocidade, ciclismo BMX (bycicle moto cross) ou bicicross, ciclismo de estrada, ciclismo de pista, ciclismo mountain bike, esgrima, futebol, ginástica artística, ginástica de trampolim, ginástica rítmica, golfe, handebol, hipismo adestramento, hipismo CCE (concurso completo de equitação), hipismo saltos, hóquei sobre grama, judô, levantamento de peso, luta estilo livre, luta greco-romana, maratonas aquáticas, nado sincronizado, natação, pentatlo moderno, polo aquático, remo, rugby, saltos ornamentais, taekwondo, tênis, tênis de mesa, tiro com arco, tiro esportivo, triatlo, vela, vôlei de praia e voleibol.

TOCHA OLÍMPICA
A tocha olímpica e seu fogo simbolizam a união entre os jogos da Antiguidade e os da Era Moderna, bem como a paz e a união entre os povos, tanto que, na Antiguidade, até mesmo guerras eram suspensas durante os jogos, na chamada “trégua olímpica”. Os aros que simbolizam os Jogos representam a união dos cinco continentes e foram criados por Coubertin em 1914. Acesa na Grécia, berço dos Jogos Olímpicos, no dia 21 de abril, a peregrinação da tocha olímpica pelo Brasil começou no dia 3 de maio, na capital Brasília, chegando ao Rio de Janeiro no dia 5 de agosto.

Ao longo de 95 dias, 12 mil pessoas participaram do revezamento da Tocha Rio 2016. Elas tiveram a missão de conduzir a chama Olímpica pelo Brasil, envolvendo todo país no clima dos Jogos. Nesse percurso, a tocha passou por 335 municípios, pelos 26 estados e o Distrito Federal. Um total de 20 mil quilômetros em terra e 10 mil milhas aéreas em trechos das regiões Norte e Centro-Oeste, entre Teresina e Campo Grande – sem que o fogo se apagasse.

O monitoramento ocorreu por um mapa interativo preparado pelo Ministério do Turismo, que pôde ser acessado pela internet.

Cada condutor levou a chama por cerca de 200 metros – vale lembrar que o que é passado no revezamento é a chama olímpica, acesa na Grécia, e não a tocha. A parada-final da chama foi a cerimônia de abertura, no Maracanã, onde a pira olímpica foi acesa, dando início aos Jogos. Em alguns pontos houve apresentações artísticas e culturais locais típicas.

A tocha é produzida com alumínio reciclado, resina e acabamento acetinado. Pesa entre 1 kg e 1,5 kg, medindo 63,5 cm quando fechada e 69 cm de altura quando aberta. Ela tem um mecanismo que a faz aumentar de tamanho quando acesa. O modelo do objeto é definido por três palavras: movimento, inovação e brasilidade, e conta com cores e elementos que ilustram o céu, as montanhas, o mar e o chão, este último representado pelo calçadão de Copacabana.


MASCOTES
Os mascotes das Olimpíadas de 2016 foram anunciados no dia 23 de dezembro de 2014 no programa de TV Fantástico, da Rede Globo. A partir de então, foi aberta uma votação na internet para definir seus nomes, que passaram a ser Vinicius e Tom, em homenagem ao poeta Vinicius de Moraes (1913-1980) e ao músico Tom Jobim (1927-1994).

Em sua história, os mascotes, que foram criados pelo estúdio de animação paulistano Birdo, dizem ter nascido no dia 2 de outubro de 2009, fruto da alegria do povo brasileiro ao saber que o país havia sido escolhido para sediar as olimpíadas de 2016. Vinicius seria uma mistura de todos os animais brasileiros e Tom, uma mistura de todas as plantas do país.


LOCAIS DE COMPETIÇÃO
A maior parte dos jogos, com exceção de algumas das partidas de futebol, acontecerão no Rio de Janeiro. Serão 32 locais de competição na cidade, avaliados antes do evento por meio de 39 eventos-teste. A Região Barra, por exemplo, receberá as disputas de basquete, handebol, badminton, hóquei, golfe, tênis, tênis de mesa, lutas, ciclismo de pista, halterofilismo, ginástica olímpica e esportes aquáticos. A Região Deodoro, por sua vez, será palco das disputas de hipismo, tiro, pentatlo moderno, esgrima, canoagem slalom, BMX e mountain bike. Já a Região Maracanã receberá as cerimônias de abertura e encerramento, bem como as finais do futebol, as competições de atletismo, voleibol, tiro com arco, chegada da maratona e rugby de sete. Na Região Copacabana, acontecerão as disputas de canoagem, maratona aquática, vôlei de praia, triatlo, vela, ciclismo de estrada e marcha atlética.

Os eventos de futebol, por sua vez, acontecerão não só no estádio do Maracanã como no Mané Garrincha, em Brasília; no Mineirão, em Belo Horizonte; no Fonte Nova, em Salvador; no Itaquerão, em São Paulo; e na Arena da Amazônia, em Manaus.


PONTOS TENSOS
Com a possibilidade iminente de impeachment da então presidente Dilma Rousseff (1947), em abril de 2016, o então ministro do Esporte Ricardo Leyser (1972), afirmou que os conflitos políticos enfrentados pelo país não interfeririam na realização dos Jogos Olímpicos, embora estivessem ofuscando o evento. A esperança era de que a chegada da tocha olímpica ofuscasse as notícias sobre política conferindo mais atenção popular aos jogos.

Outro ponto de tensão foi uma ameaça de ataque terrorista sofrida pelo Brasil em novembro de 2015, na rede social Twitter por meio de uma conta vinculada a um membro do Estado Islâmico (IA) e confirmada pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin). Ao afirmar que o Brasil poderia ser um dos próximos alvos, a mensagem preocupou as autoridades mundiais uma vez que, por não ter um histórico de problemas nesse sentido, o país também não teria condições de se prevenir e se defender de um ataque. Passou a haver então uma intensificação do monitoramento de indivíduos brasileiros que teriam jurado lealdade a este grupo extremista dentro do país. Como medida de cuidado contra esse tipo de perigo houve troca de informações com serviços estrangeiros, capacitação de profissionais e trabalhos ligados ao Sistema Brasileiro de Inteligência.


LEGADO
Apesar das críticas sobre o Brasil receber um evento tão caro num país onde muitas questões sociais ainda estão por ser resolvidas, os organizadores afirmaram que além da busca de uma atenção especial de outros países, a recepção dos Jogos Olímpicos teria também como objetivo mudar a estrutura esportiva do país, construindo melhores estruturas para a prática do esporte, que puderam ficar como um legado quando os jogos acabaram.

Talvez um dos legados mais importantes tenha sido o fato do evento ter servido para dar destaque – não só nacional, mas mundial – para problemas enfrentados pelo Rio de Janeiro há tempos.

Especialistas dizem que a mobilidade da cidade do Rio melhorou, com exemplos como a Linha 4 do Metrô, os corredores de ônibus, as melhorias no Centro e na Zona Portuária. Por outro lado, promessas como a despoluição da Baía de Guanabara não foram cumpridas.

A rede hoteleira da cidade dobrou sua oferta de quartos, as instalações esportivas ficaram prontas em tempo, mas diversas obras ficaram inacabadas. Os compromissos com o meio ambiente também ficaram para depois. Depois quando é o que ainda não se sabe. Obras de saneamento e de recuperação das lagoas da Barra da Tijuca e de Jacarepaguá ficaram pela metade. Questões políticas e financeiras estão no meio de uma morosidade na resolução desses e de outros diversos problemas ambientais que afetam a cidade, que, inclusive, não estão somente ligados às Olimpíadas.


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