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O Enem e os vestibulares pelo mundo
 
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  No Enem de 2016, além do uso de porta-objetos lacrados, o Inep coletará dados biométricos dos inscritos.

Ao final de cada ano, exames vestibulares chamam a atenção de grande parcela da população — alunos, pais, professores e mídia. Em 1998, o Ministério da Educação (MEC), na gestão do falecido ministro Paulo Renato Souza (1945-2011), formulou o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), com o intuito de avaliar anualmente a qualidade do aprendizado de estudantes do ensino médio (antigo colegial) de todo o Brasil.

A proposta inicial era testar os alunos para avaliar como andava o aprendizado; identificar as escolas com melhor ou pior desempenho; e utilizar os dados obtidos para criar políticas públicas de educação para o setor. A primeira versão do Enem era composta por 63 questões aplicadas em um único dia.

Na metade da década de 2000, os resultados individuais passaram a ser utilizados como parte do processo seletivo de instituições de ensino superior públicas e privadas. As universidades podem usar o Enem tanto para substituir o vestibular quanto para considerar a nota no exame para conceder bolsas do Programa Universidade para Todos (ProUni) e ingresso de candidatos pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu). A versão atual do Enem passou a ser aplicada em dois dias, com 180 questões (quatro provas objetivas, com 45 questões cada, e uma redação).

Atualmente, 128 instituições públicas de ensino superior (incluindo 21 universidades federais, quatro estaduais e 29 institutos federais) aceitam o Enem como forma de ingresso ou como parte do processo seletivo. Essas instituições oferecem 205.514 vagas em 5.631 cursos. Além desses processos, o Governo Federal criou, em 2014, o Sistema de Seleção Unificada da Educação Profissional e Tecnológica (Sisutec), o qual oferece vagas gratuitas em cursos técnicos em instituições públicas e privadas de ensino superior e de educação profissional e tecnológica. A inscrição deve ser feita pela internet, e os candidatos são selecionados com base na nota obtida no Enem. Já os estudantes que alcançarem 600 pontos ou mais no Enem poderão se candidatar ao Ciência sem Fronteiras, programa que oferece bolsas em universidades estrangeiras. Os editais para o programa são abertos ao longo do ano.



ELABORAÇÃO DAS PROVAS
A elaboração das provas do Enem segue a seguinte fórmula:

• Professores elaboram itens e os enviam revisados para o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), autarquia federal vinculada ao MEC, para compor o banco nacional de itens.

• O MEC realiza um pré-teste com alunos do 2º ano do ensino médio e do 1º ano da universidade. Nessa fase é ajustado o grau de dificuldade das perguntas.

• As perguntas pré-testadas vão para o banco de questões, divididas entre quatro áreas de conhecimento — Ciências da Natureza, Ciências Humanas, Linguagens, Códigos e Suas Tecnologias e Matemática, além da redação — e quatorze componentes curriculares — História, Geografia, Filosofia, Sociologia, Química, Física, Biologia, Língua Portuguesa, Literatura, Língua Estrangeira (Inglês ou Espanhol), Artes, Educação Física, Tecnologias da Informação e Comunicação e Matemática. Desse banco de questões, são selecionadas as 180 de cada Enem.

O resultado em números absolutos de acerto não é o utilizado como pontuação de cada candidato. As questões são dispostas conforme um grau de dificuldade, chamado de teoria da resposta ao item (TRI). Tudo depende da coerência dos acertos de cada aluno. A TRI identifica quem acerta as questões mais difíceis; se isso ocorre, espera-se que esse aluno acerte também as mais fáceis. A partir de uma série de cálculos estatísticos baseados na TRI, obtêm-se, por meio de softwares especializados, a nota final do candidato.



EDIÇÕES
Em outubro de 2009, a primeira edição do novo Enem foi cancelada após o jornal O Estado de São Paulo informar ao MEC que o exame havia “vazado”. A prova foi, então, remarcada para dezembro. Somente em janeiro de 2010, o Sisu, por meio do qual instituições públicas de ensino superior oferecem vagas para candidatos que participam do Enem, passou a funcionar, mas com falhas. Para se cadastrar no sistema, o tempo chegou a ser de 14 horas. A situação piorou a ponto de o Sisu aprovar estudantes não classificados. Em novembro do mesmo ano, erros de impressão prejudicaram novamente o Enem. Eram erros no cartão de resposta e perguntas repetidas ou faltantes. Uma juíza do Ceará suspendeu o exame, e o MEC recorreu da decisão. O tema da redação vazou em Pernambuco, e decidiu-se aplicar um novo exame no mês seguinte.

Em 2011, um novo problema surgiu quando uma suspeita deu conta de que um colégio de Fortaleza havia aplicado, um mês antes da prova do MEC, um simulado contendo 14 perguntas idênticas às do Enem. A princípio, foram anuladas mais de 600 provas dos alunos desse colégio. Em 2012, apesar de alguns problemas pontuais (as questões de Biologia e de Química foram as que mais apresentaram inconsistências nos dados dos enunciados), a qualidade geral do Enem foi elogiada em relação à das edições anteriores. Já em 2013, o que ficou marcado foi a mudança na correção das redações. Como em provas anteriores estudantes colocaram trechos de hinos ou receitas sem nenhuma ligação com o tema pedido e algumas dessas redações receberam boas notas, o governo aumentou os cuidados para a correção. Em razão disso, cerca de 1.300 redações foram anuladas.

Em 2014, a grande novidade foi o fato das portuguesas Universidade de Coimbra, fundada em 1290 e uma das mais antigas universidades do mundo, e a Universidade da Beira Interior (UBI), em Covilhã, terem anunciado que começariam aceitar as notas de estudantes brasileiros no Enem como forma de acesso. O ano de 2014 também foi marcado pelo maior número de candidatos da história do Enem: 8,7 milhões de inscritos. O último Exame Nacional do Ensino Médio foi realizado nos dias 8 e 9 de novembro de 2014, e as notas foram divulgadas em 13 de janeiro de 2015.

Já em 2015, o ENEM teve 8,4 milhões de inscrições, 10,67% a menos que em 2014 e quebra uma sequência de recordes que era registrada desde 2008. Em 2015 as provas aconteceram nos dias 24 e 25 de outubro e os resultados foram divulgados no dia 8 de janeiro de 2016.

Em 2016, a quantidade de candidatos que fizeram as provas foi de 8,4 milhões. A abstenção, de acordo com o Inep, foi de 30%. Já 768 candidatos foram eliminados por irregularidades. As inscrições começaram no dia 9 de maio, as provas foram nos dias 5 e 6 de novembro e o resultado foi divulgado no dia 18 de janeiro de 2017.


ENEM 2017
As inscrições para o Enem 2017 começaram no dia 8 de maio e encerraram às 23h: 59min do dia 19 de maio.

A taxa de inscrição subiu de R$ 68 para R$ 82 e poderia ser paga até o dia 24 de maio com uma guia de recolhimento da União (GRU). O pagamento agora pode ser feito em qualquer agência bancária, casa lotérica ou agência dos Correios. Concluintes de escola públicas obtiveram a isenção da taxa, automaticamente pelo sistema do Inep.

As provas do Enem 2017 serão realizadas nos dias 05 e 12 de novembro, em dois domingos consecutivos. Os portões das instituições fecharão às 13 horas, conforme horário de Brasília. As provas darão início às 13h30, em ambos os dias.

No primeiro domingo, dia 5 de novembro, serão aplicadas as provas de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias, Redação, Ciências Humanas e suas Tecnologias.

No domingo seguinte, dia 12 de novembro, serão aplicadas as provas de Ciências da Natureza e suas Tecnologias, Matemática e suas Tecnologias.


PORTADORES DE NECESSIDADES ESPECIAIS
Os portadores de necessidades especiais podem informar sua condição no ato da inscrição e receber auxílio da equipe do Enem para poder realizar a prova. Esta informação pode ser marcada em campo próprio do documento, no qual também é preciso indicar o tipo de auxílio necessário. Dependendo do caso, estes candidatos podem ainda solicitar o acréscimo de uma hora para a realização da prova. A comprovação da necessidade ocorre por meio de laudo médico e da ligação de funcionários do Inep para a confirmação da solicitação.

Em geral, as dificuldades são motoras, de audição ou de visão. Entre as que podem ser atendidas estão: baixa visão, visão monocular, cegueira, deficiência auditiva, surdez, deficiência intelectual, surdocegueira, dislexia, discalculia, déficit de atenção, autismo e pessoas em classe hospitalar.

Os estudantes com baixa visão ou visão monocular podem fazer uma prova ampliada, com fonte 24 e imagens maiores, além de ficarem acomodados em salas com no máximo 12 pessoas. Caso haja a necessidade de prova em braile, há também um ledor e um trascritor, que atendem o candidato numa sala individual. Alunos com deficiência intelectual, autismo, déficit de atenção, dislexia ou discalculia também podem solicitar ledores e transcritores.

Pessoas com deficiência auditiva podem solicitar um tradutor-intérprete da língua brasileira de sinais (libras) para tirar eventuais dúvidas sobre a prova, ficando em salas com até quatro participantes. Os que preferirem o atendimento via leitura labial também têm essa opção, da mesma forma, em sala com até quatro pessoas. Já as pessoas com surdocegueira podem solicitar o atendimento individual de guias-intérpretes que tenham habilidade com técnicas de guia, tradução e interpretação.

Alunos que estejam recebendo aulas formalmente no interior de uma instituição hospitalar por motivo de saúde podem fazer prova em classe hospitalar. Já os que, no dia da prova, estiverem com alguma doença infectocontagiosa podem solicitar uma sala especial no momento em que os portões são abertos.

As pessoas que apresentem qualquer dificuldade de locomoção têm direito a fazer a prova num lugar com melhor acessibilidade, que esteja próximo aos banheiros do prédio. Mulheres grávidas, obesos e cadeirantes, entre outros, também podem solicitar um mobiliário acessível, que atenda às suas necessidades.



ATENDIMENTO DIFERENCIADO
Participantes que desejarem tratamento pelo nome social deverão enviar documento de identificação entre os dias 1 e 8 de junho. Os cartões de confirmação, mais uma vez, estarão disponíveis pela internet e não serão enviados pelos Correios. Segundo Mercadante, a experiência do ano anterior deu certo e está "consolidada".



SEGURANÇA E TECNOLOGIA
O intervalo de 30 minutos entre o fechamento dos portões e o início das provas, para dificultar vazamentos de questões, será mantido.

Em 2015, o MEC diz ter identificado 1.570 ocorrências de maior ou menor porte, incluindo "algumas tentativas de fraude bem sofisticadas". Entre os casos, também havia pessoas se passando pelos estudantes inscritos para fazer a prova em nome de outra pessoa. Com o registro biométrico, o MEC espera evitar esse tipo de infração.

O MEC também criou um aplicativo "Enem 2017" para que o participante acompanhe o cronograma e os avisos feitos pelo ministério. O app é gratuito e estará disponível para iOS, Android. Os dados de inscrição e senha poderão ser armazenados no próprio aplicativo, para evitar perda. Não foi divulgado quando o sistema vai estar disponível para download.



A HORA DO ENEM
Quem participa do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) conta agora com uma ferramenta inédita e gratuita de preparação para as provas do exame: a Plataforma Hora do Enem. A iniciativa reúne na internet um conjunto de ações, como simulados e vídeoaulas.

No ar desde o dia 05 de abril, Hora do Enem é uma parceria entre o Ministério da Educação e o Serviço Social da Indústria (SESI), além da TV Escola, canal público do MEC.


O VESTIBULAR PELO MUNDO
Em diversas partes do mundo, existem modelos diferentes de exames de admissão. Nos Estados Unidos, por exemplo, o Teste de Avaliação Escolar (SAT, na sigla em inglês) é um dos exames considerados para as admissões em nível de graduação. O SAT qualifica o candidato para o ensino superior, mas ele não deve ser comparado com o Enem brasileiro. Isso porque o é apenas parte de um processo de seleção muito maior; até atividades extracurriculares são levadas em conta na avaliação — ou seja, o desempenho acadêmico não é o único fator relevante para a aceitação na instituição. Já no Reino Unido, não há vestibulares, e o processo seletivo das universidades é feito pelo histórico escolar.

Já o aluno alemão, ao concluir o Gymnasium (o ensino médio do país), deve obter o certificado chamado Abitur, que pode ser comparado ao vestibular brasileiro. Ele habilita o estudante a frequentar um curso em uma universidade de sua escolha, de acordo com suas notas. Assim, alunos com melhores notas têm preferência nas faculdades e nas escolhas de profissões mais especializadas — como medicina. O Abitur não é, porém, o único caminho para ingressar em universidades alemãs, pois há algumas com sistema próprio de avaliação. Um certificado chamado Matura é utilizado por países como Polônia, Áustria, Hungria, Eslovênia e outros da Europa; é o equivalente desses países ao Abituralemão.

Na China, o gaokao — exame que os alunos chineses prestam para ingressar nas universidades — é, de certa maneira, o equivalente local do vestibular. O número de alunos é limitado. As cotas estabelecidas são fixadas para cada província e de acordo com cada disciplina. Sempre sob muita pressão, para alguns jovens do campo, passar no exame pode representar uma mudança de destino, a porta de entrada para a tão sonhada ascensão social. Já na Coreia do Sul, o exame de acesso à universidade é conhecido como suneung. Realizado em mais de 1.200 escolas, é um dos eventos mais importantes para os jovens sul-coreanos, que se esforçam para ingressar nas melhores universidades de um país que possui um sistema educacional rígido e elitista. A prova chega a ter até dez horas de duração.

Na França, o baccalauréat, ou bac, criado em 1808, é um exame nacional cujas provas são iguais para todos e que permite ao aluno ingressar na faculdade. O ensino médio francês é chamado de lycée. Quando os alunos terminam o lycée, fazem o bac, que possui três séries (Literatura, Ciências e Economia), cada uma delas com ênfase nas matérias: Literatura/Línguas; Matemática; Física/Química/Biologia; Economia/História. A primeira parte do exame contempla provas de Língua Francesa (oral e escrita). O aluno obtém o bac quando consegue uma média de 10∕20. Se obtiver entre 12 e 14, terá a menção “suficiente”; entre 14 e 16, uma menção “boa”; e mais de 16, uma menção “honrosa”.

Na Índia, por sua vez, a Universidade de Calcutá, fundada em 1857, criou um exame simples para a seleção de candidatos, e o modelo serviu para todas as instituições locais. Depois da independência do país, em 1947, o sistema foi reformulado e surgiu uma preocupação maior em avaliar os estudantes quando saíssem do colégio. Criou-se então o Certificado de Conclusão do Ensino Médio (SSLC, na sigla em inglês). Depois da 12ª série, realiza-se mais uma prova para o ingresso nas melhores instituições do país. Atualmente, a maior parte dos exames para o ensino superior se baseia em testes de múltipla escolha e questões discursivas. Algumas das faculdades de Ciências Exatas mais importantes do mundo encontram-se na Índia. Há exames de admissão específicos. As faculdades de Engenharia admitem cerca de 15% dos estudantes que prestam a prova chamada de Exame Nacional de Admissão em Engenharia da Índia (AIEEE, na sigla em inglês). Da mesma maneira, por exemplo, estudantes que desejam ingressar na carreira médica devem submeter-se ao Exame Vestibular Único para Admissão em Escolas de Medicina (SEEME, na sigla em inglês).

Já os vestibulares, ou exames de admissão, das universidades japonesas são chamados de juken. São exames difíceis, popularmente chamados de shiken jigoku (algo como “inferno de exames”). Escolas preparatórias chamadas youbikou (que equivalem aos cursinhos universitários brasileiros) preparam os alunos para estas provas. Como no caso da China e da Coreia do Sul, o vestibular, para os japoneses, é de enorme importância; o desempenho no exame praticamente determina o curso da vida de um jovem, pois, para se conseguir um bom emprego em uma grande empresa, é preciso ingressar na universidade “certa”, isto é, as melhores do país oriental.




PARA SABER MAIS
ProUni, Programa Universidade Para Todos

Sisu, um caminho para o Ensino Superior público no Brasil