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Dia dos animais, 4 de outubro
 
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Quatro de outubro é o Dia do Animal, a mesma data em que se festeja o dia de são Francisco de Assis. E não é coincidência, pois São Francisco é o protetor dos animais. Ele sempre se referia aos bichos como irmãos: irmão fera, irmã leoa. São Francisco de Assis também amava as plantas e toda a natureza: irmão sol, irmã lua... São expressões comuns na fala do santo, um dos mais populares até os nossos dias.

Nascido na cidade de Assis, em 1182, Francisco tentou ser comerciante, mas não teve sucesso. Nas cruzadas, lutou pela fé, mas com objetivos individuais de se destacar e alcançar glórias e vitórias. Até que um dia, segundo contam livros com a história de sua vida, Francisco recebeu um chamado de Deus, largou tudo e passou a viver como errante, sem destino e maltrapilho. Desde então, adotou um estilo de vida baseado na pobreza, na simplicidade de vida e no amor total a todas as criaturas.


QUEM PODERIA IMAGINAR?


A primeira classificação dos animais, como conhecemos hoje, se deu em 350 a.C., com Aristóteles. Este filósofo grego catalogou, na época, quinhentas espécies. Ele já considerava o golfinho, por exemplo, um bicho da terra, explicando que, ao contrário dos peixes, ele amamentava os seus filhotes. Assim como as baleias, o golfinho se desenvolveu, de fato, em terra firme, migrando depois para o mar.

Mal podia imaginar o sábio Aristóteles que, num futuro distante, esses mesmos golfinhos estariam ameaçados de extinção, necessitando de projetos voltados para a proteção das espécies, a fim de evitar o pior, ou seja, o extermínio. Aqui mesmo no Brasil, a noroeste da principal ilha do arquipélago de Fernando de Noronha, na costa pernambucana, os chamados golfinhos-rotadores são objeto de preocupação e cuidados de pessoas e entidades que se dedicam ao ecoturismo naquela região.

Os golfinhos-rotadores ganharam esse nome por conta das inúmeras acrobacias executadas ao saltarem e mergulharem na água. Tipo de comportamento alegre, ainda não entendido pelos estudiosos, podendo ser desde uma mera brincadeira até uma sinalização acústica.

As maiores ameaças a esses mamíferos marinhos são, além de um turismo não controlado, degradando e poluindo o habitat natural, as capturas acidentais e também intencionais dos pescadores. Já nas Filipinas, na Austrália e Venezuela, por exemplo, a captura desses animais tem como objetivo aproveitar a gordura do golfinho para usar como isca na pesca do tubarão.


NEM SEMPRE FOI ASSIM


Em tempos remotos, a quantidade de animais e plantas no planeta era tanta, que o homem não chegava a representar qualquer tipo de ameaça às espécies existentes. Hoje em dia, no entanto, a situação é bem outra: somos mais de cinco bilhões de pessoas no mundo, com práticas e atitudes que vêm diminuindo a população dos animais e também a das plantas e organismos vivos da Terra.

O comércio ilegal de inúmeras espécies, além da destruição dos ecossistemas naturais, vêm a ser as duas grandes ameaças à sobrevivência da vida silvestre. No Brasil, são mais de duzentas espécies da fauna e mais de cem da flora que estão condenadas à extinção, caso nenhuma medida seja tomada a respeito com o intuito de protegê-las. Entre os vegetais, o mogno é uma árvore sob ameaça de desaparecer, assim como a arara-azul e o mico-leão-dourado são animais em vias de sumir do planeta. Mexer com a flora é também mexer com a fauna, desequilibrando a relação bicho-habitat.


PERFIL DETALHADO


Só gostamos do que entendemos e só entendemos o que conhecemos bem. Conhecer algumas das espécies ameaçadas de extinção talvez nos leve a compreender melhor a importância de protegê-las.

O urso panda, por exemplo. Escolhido para ser o símbolo de todos os animais ameaçados de extinção, possui um olhar desamparado e movimentos desengonçados por conta do seu peso: 130kg, muito para a sua pouca estatura, de apenas um metro e meio. Pois é justamente esse jeito atrapalhado e a aparência de urso de pelúcia que conquistam a simpatia imediata de quem o vê. Natural, portanto, o panda ter se tornado símbolo da luta contra a extinção de animais que, como ele, não têm como se defender da degradação da natureza, imposta por nós, homens.

Facilmente encontrados, tempos atrás, na China e no norte do Vietnam, são atualmente apenas mil no mundo. Isto se deve à devastação das florestas da Ásia e à intensa caça, em busca de sua pele. Vegetarianos e de hábitos solitários, os poucos ursos pandas que restam vivem, hoje, em reservas florestais ou cativeiros.

Já as araras-azuis, encontradas no Brasil, Paraguai e Bolívia, diminuíram acentuadamente em número, se comparado ao século passado, quando existiam aos milhares. A captura da ave, para ser comercializada tanto aqui quanto no exterior, e a ocupação de seu habitat pela agricultura e pecuária levaram à morte grande parte da população de araras-azuis.

Somente três mil delas ainda vivem, a maioria no Pantanal, devido à destruição dos lugares onde gostam de ficar.

A arara-azul pesa 1,5kg e tem 1m de comprimento. Só andam em bandos, em família ou em pares, sendo quase impossível vê-las sozinhas na natureza, uma vez que o casal é extremamente fiel, dividindo a tarefa de cuidar dos filhotes.

Assim como o urso panda é símbolo de todos os animais ameaçados de extinção, o mico-leão-dourado, por sua vez, se transformou no símbolo das espécies ameaçadas no Brasil. Pequenos e inquietos, vão de galho em galho, em busca de alimento ou simplesmente fiscalizando o território. Sempre estão em grupos de mais ou menos seis micos, que adotam uma parte da mata, onde se alimentam e dormem. Quase extinto na década de 1970, teve garantida sua sobrevivência através de projetos visando à preservação da espécie. Apesar de, hoje em dia, não serem mais caçados para exposição em zoológicos ou mesmo para bichinhos de estimação, eles têm pela frente uma outra dificuldade: a destruição da mata atlântica, que é o seu habitat.

Não é o caso da onça pintada, cuja pele ainda é objeto de muita caça e procura. Na Europa e nos Estados Unidos, o seu alto preço é um estímulo para que a contravenção continue, levando ao declínio da espécie. Presume-se que, em toda a América do Norte, ela já tenha sido extinta. E em El Salvador, no Uruguai e no Chile é provável que também tenha desaparecido. A onça pintada continua sendo alvo de intensa caça, mesmo com ameaça de extinção na Argentina, Costa Rica e Panamá. No Brasil, a bacia amazônica é um dos últimos redutos da onça pintada, uma vez que ela já foi exterminada na mata atlântica, no cerrado e na caatinga. É o maior felino do continente americano, possui um corpo compacto, com 150kg e 2,5m de comprimento (contando com a cauda) e são extremamente ágeis e graciosas. Silenciosas, vivem sempre sozinhas, acasalando-se uma vez ao ano, sem permanecer muito tempo com o parceiro.

O Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Renováveis - IBAMA é responsável pela publicação da lista oficial de animais ameaçados de extinção, que é elaborada em conjunto com comitês e grupos de trabalho de cientistas especializados em cada grupo animal.


A CLASSIFICAÇÃO DOS ANIMAIS


Para poder estudar de uma maneira sistemática, os zoólogos classificaram os animais em filos e subfilos, levando em conta a sua morfologia interna e externa e a sua história evolutiva.

A primeira classificação separa-os em dois grandes grupos, de acordo com a existência, ou não, da coluna vertebral: vertebrados e invertebrados. O primeiro tem um esqueleto interno (endoesqueleto) em que se destaca a coluna vertebral. O segundo grupo pode carecer de esqueleto, ter um esqueleto externo (exoesqueleto) ou interno, mas não possui coluna vertebral.


OS VERTEBRADOS


Além de possuírem coluna vertebral, os vertebrados partilham outras características. São de simetria bilateral, ou seja, o seu corpo pode-se dividir longitudinalmente em duas partes, direita e esquerda, e estas serão simétricas. Em seu corpo distinguem-se três regiões: a cabeça, o tronco e a cauda. Em algumas espécies, a cabeça une-se ao tronco pelo pescoço. Do tronco partem os membros, geralmente em número de quatro, apesar de em alguns grupos, como no dos ofídios (cobras e serpentes), terem desaparecido. Os membros podem ter a forma de pata, asa ou barbatana e refletem o tipo de deslocamento de cada animal, que depende do meio onde se desloca.

Quanto à morfologia interna, a característica mais notória que possuem todos os vertebrados é a disposição dorsal do seu sistema nervoso, com o encéfalo situado no interior do crânio e a medula espinhal contida no canal raquidiano da coluna vertebral. Os órgãos dos sentidos localizam-se, fundamentalmente, na cabeça.

Os vertebrados são distribuídos em sete grandes classes: ciclóstomos (ou ágnatos, que são os peixes sem mandíbula), condrictes (peixes de esqueleto cartilaginoso), osteíctes (peixes de esqueleto ósseo), anfíbios (rãs, sapos, tritões e salamandras), répteis (crocodilos, tartarugas, serpentes, lagartos etc.), aves e mamíferos. A espécie humana pertence a esta última classe.

Embora os vertebrados sejam os animais mais conhecidos pelo homem, representam apenas 5 % de todas as espécies animais. Os invertebrados são os restantes 95 %.


OS INVERTEBRADOS


Na categoria dos invertebrados agrupam-se organismos de organização e morfologia muito variadas, de modo que é difícil encontrar características comuns entre eles. No entanto, a maioria apresenta simetria bilateral, o corpo de muitos deles tem forma esférica, cilíndrica ou discoide, e os órgãos e partes do seu corpo formam-se ao redor de um eixo central, de maneira que a sua simetria é radial (mais de um eixo de simetria).

Apresentam, ainda, um corpo diferenciado em partes distintas às quais se aplica uma nomenclatura específica de acordo com o grupo a que pertencem. Para deslocar-se, possuem diferentes tipos de apêndices e órgãos locomotores, mas também há diversas espécies sésseis que vivem afixadas a um substrato. Nos invertebrados do filo dos Poríferos (esponjas), as células nervosas ainda não estão presentes. Ou seja, as esponjas não possuem sistema nervoso. Em invertebrados como as medusas e os corais, o sistema nervoso é formado por uma rede de neurônios distribuídos uniformemente por todo o corpo. Nos demais, os corpos celulares dos neurônios agrupam-se em massas, chamadas gânglios, que se comunicam uns com os outros por meio de nervos formados pelos axônios neurais. Finalmente, os invertebrados mais evoluídos, como os moluscos e os artrópodes, têm os gânglios mais importantes localizados na cabeça, perto dos órgãos dos sentidos.


OS PRINCIPAIS FILOS DE INVERTEBRADOS


O grupo dos invertebrados divide-se em muitos filos, em que os mais importantes são:



Os poríferos: pertencem a esse filo as esponjas, animais sésseis em forma de tubo, de taça ou de morfologia irregular, com uma cavidade central aberta ao exterior por um orifício apical chamado ósculo. A parede do seu corpo apresenta uma grande quantidade de pequenos poros que se comunicam entre si, e com a cavidade central por meio de finos canais, e é forrada por células flageladas chamadas conócitos. Estas células são responsáveis pelo fluxo da água dentro do corpo do animal e pela digestão intracelular. A água, carregada de partículas alimentícias, entra pelos poros, circula pela cavidade central, permitindo que os coanócitos captem as partículas alimentares, e sai pelo ósculo.

Os cnidários: são animais marinhos, de simetria radial, cujo corpo pode adotar a morfologia de pólipo ou de medusa. Os pólipos vivem fixos no substrato e têm o corpo em forma de saco, com uma abertura apical, rodeada de tentáculos, que exerce a função de boca e de ânus. As medusas flutuam livremente na água e têm forma de guarda-chuva, com a boca, situada na sua parte inferior, também rodeada de tentáculos. Esse grupo é caracterizado pela presença de células urticantes localizadas nos tentáculos, chamadas cnidoblastos. Estas células são utilizadas para a defesa e captura de alimentos.


Os platelmintos: são vermes achatados que podem ser de vida livre ou parasitas.

Os nematelmintos: vermes de corpo cilíndrico, em sua maioria parasitas(tanto animal quanto vegetal).

Os anelídios: são vermes com o corpo dividido em segmentos em forma de anéis, em que a cabeça não se distingue do resto do corpo. Próximo à cabeça, possuem um grupo de grandes anéis, o clitélio, no qual armazenam os ovos. A minhoca, as sanguessugas e muitos vermes marinhos pertencem a este grupo.


Os moluscos: são animais de corpo mole, providos de um pé musculoso utilizado para diversas funções e de uma dobra, chamada manto, na parte dorsal do corpo. O manto está protegido por uma concha calcária dura, que pode ser de uma só peça, às vezes enrolada em espiral (caracóis de mar e de terra), ou de duas peças ou valvas unidas entre si (mexilhões, amêijoas, navalhas etc.). Nas sépias e lulas, a concha foi reduzida a uma fina lâmina que é revestida pelo manto.

Os artrópodes: têm o corpo segmentado cujas partes são, normalmente, denominadas cabeça, tórax e abdome, e dispõem de apêndices articulados, alguns dos quais desempenham função locomotora. O corpo e os apêndices estão revestidos por um exosqueleto formado por uma cobertura de quitina. Constituem 75 % das espécies animais conhecidas e agrupam as aranhas, as centopeias, os caranguejos e os insetos (moscas, borboletas, abelhas, besouros, gafanhotos, etc.).

Os equinodermos: são animais marinhos de simetria radial providos de um esqueleto de placas calcárias, que em algumas espécies são dotadas de duros e afiados espinhos. Entre os equinodermos incluem-se os ouriços-do-mar, as estrelas-do-mar e os pepinos-do-mar.


DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS DO ANIMAL


Em 1978 a UNESCO aprovou a Declaração Universal dos Direitos do Animal. O Dr. Georges Heuse, secretário-geral do Centro Internacional de Experimentação de Biologia Humana e cientista ilustre, foi quem propôs esta declaração. Veja a seguir o texto do documento, que foi assinado por vários países, inclusive o Brasil.

Art. 1º - Todos os animais nascem iguais perante a vida e têm os mesmos direitos à existência.

Art. 2º - O homem, como a espécie animal, não pode exterminar os outros animais ou explorá-los violando este direito; tem obrigação de colocar os seus conhecimentos a serviço dos animais.

Art. 3º - Todo o animal tem direito à atenção, aos cuidados e à proteção do homem. Se a morte de um animal for necessária, deve ser instantânea, indolor e não geradora de angústia.

Art. 4º - Todo animal pertencente a uma espécie selvagem tem direito a viver livre em seu próprio ambiente natural, terrestre, aéreo ou aquático, e tem direito a reproduzir-se; toda privação de liberdade, mesmo se tiver fins educativos, é contrária a este direito.

Art. 5º - Todo o animal pertencente a uma espécie ambientada tradicionalmente na vizinhança do homem tem direito a viver e crescer no ritmo e nas condições de vida e de liberdade que forem próprias de sua espécie; toda modificação deste ritmo ou destas condições, que forem impostas pelo homem com fins mercantis, é contrária a este direito.

Art. 6º - Todo animal escolhido pelo homem como companheiro tem direito a uma duração de vida correspondente à sua longevidade natural; abandonar um animal é ação cruel e degradante.

Art. 7º - Todo animal utilizado em trabalho tem direito à limitação razoável da duração e intensidade desse trabalho, alimentação reparadora e repouso.

Art. 8º - A experimentação animal que envolver sofrimento físico ou psicológico é incompatível com os direitos do animal, quer se trate de experimentação médica, científica, comercial ou de qualquer outra modalidade; as técnicas de substituição devem ser utilizadas e desenvolvidas.

Art. 9º - Se um animal for criado para alimentação, deve ser nutrido, abrigado, transportado e abatido sem que sofra ansiedade ou dor.

Art. 10º - Nenhum animal deve ser explorado para divertimento do homem; as exibições de animais e os espetáculos que os utilizam são incompatíveis com a dignidade do animal.

Art. 11º - Todo ato que implique a morte desnecessária de um animal constitui biocídio, isto é, crime contra a vida.

Art. 12º - Todo ato que implique a morte de um grande número de animais selvagens, constitui genocídio, isto é, crime contra a espécie; a poluição e a destruição do ambiente natural conduzem ao genocídio.

Art. 13º - O animal morto deve ser tratado com respeito; as cenas de violência contra os animais devem ser proibidas no cinema e na televisão, salvo se tiverem por finalidade evidenciar ofensa aos direitos do animal.

Art. 14º - Os organismos de proteção e de salvaguarda dos animais devem ter representação em nível governamental; os direitos do animal devem ser defendidos por lei como os direitos humanos.

Lista de espécies ameaçadas de extinção (Instituto Chico Mendes)