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Pastoral da Criança, por Dra. Zilda Arns
 
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 DISCURSO NO HAITI Imprimir Enviar Guardar
 
  Dra. Zilda Arns (1934-2010)

Causou imensa tristeza, no Brasil e no mundo, a notícia da morte da Dra. Zilda Arns Neumann, fundadora da Pastoral da Criança, em 12 de janeiro de 2010, enquanto proferia um discurso em Porto Príncipe, no Haiti, no exato momento em que ocorria o terremoto que devastou o país centro-americano.

A título de homenagem, a Barsa na Rede publica a seguir, na íntegra, o discurso da Dra. Zilda Arns. O discurso é um documento importantíssimo para a compreensão da importância da Pastoral da Criança e o legado de sua fundadora.



DISCURSO


“Agradeço o honroso convite que me foi feito. Quero manifestar minha grande alegria por estar aqui com todos vocês em Porto Príncipe, Haiti, para participar da assembléia dos religiosos.

Como irmã de dois franciscanos e três irmãs religiosas da Congregação das Irmãs Escolares de Nossa Senhora, estou muito feliz por estar entre todos vocês. Dou graças a Deus por este momento.

Na verdade, todos nós estamos aqui neste encontro porque sentimos dentro de nós um forte chamado para difundir no mundo a boa notícia de Jesus. A boa notícia, transformada em ações corretas, é luz e esperança na conquista da PAZ nas famílias e nas nações. A construção da Paz começa no coração das pessoas e se fundamenta no Amor, que tem suas raízes na gestação e na primeira infância, e se transforma em Fraternidade e corresponsabilidade social.

A Paz é uma conquista coletiva. Tem lugar quando impulsionamos as pessoas, quando promovemos os valores culturais e éticos, as atitudes e práticas de busca do bem comum, que aprendemos com nosso Mestre Jesus: “Eu vim para que todos tenham vida e a tenham em abundância” (Jn 10, 10). Espera-se que os agentes sociais prossigam, além das referências éticas e morais da nossa Igreja, sejam como Ela, mestre em orientar as famílias e as comunidades, especialmente na área da saúde, da educação e dos direitos humanos. Deste modo podemos formar uma massa crítica nas comunidades cristãs e de outras religiões, em prol da proteção da criança desde a concepção, e mais excepcionalmente até os seis anos, e do adolescente. Devemos nos esforçar para que nossos legisladores elaborem leis e os governos executem políticas públicas que incentivem a qualidade da educação integral das crianças e a saúde, como prioridade absoluta. O povo seguiu Jesus porque Ele tinha palavras de esperança. Por isso, somos chamados para anunciar experiências positivas e caminhos que levem as comunidades, as famílias, o país, a serem mais justos e fraternos.

Como discípulos e missionários, convidados a evangelizar, sabemos que a força propulsora da transformação social está na prática do maior de todos os mandamentos da Lei de Deus: o Amor, expressado na solidariedade fraterna, capaz de mover montanhas. “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos” significa trabalhar pela inclusão social, fruto da Justiça; significa não ter preconceitos, aplicar nossos melhores talentos em favor da Vida Plena, prioritariamente daqueles que mais o necessitam. Somar esforços para alcançar os objetivos, servir com humildade e misericórdia, sem perder a própria identidade. Todo este caminhar necessita de comunicação constante para iluminar, animair, fortalecer e democratizar nossa Missão de Fé e Vida. Acreditamos que esta transformação social exige um investimento máximo de esforços para o desenvolvimento integral das crianças. Este desenvolvimento começa quando a criança ainda se encontra no ventre sagrado de sua mãe. As crianças, quando estão bem cuidadas, são sementes de Paz e Esperança. Não existe ser humano mais perfeito, mais justo, mais solidário e sem preconceitos do que as crianças. Por algum motivo disse Jesus: “... Se vocês não se tornarem como estas crianças, não entrarão no Reino dos Céus” (Mt 18, 3). E “Deixem que as crianças venham a mim, pois delas é o Reino dos Céus” (Lc 18, 16). Hoje vou compartilhar com vocês uma verdadeira história de amor e inspiração divina, um sonho que se tornou realidade.
Como ocorreu com os discípulos de Emaús (Lc 24, 13-35), “Jesus caminhava o tempo todo com eles. Eles o reconheceram ao partir o pão, símbolo da vida”. Em outra passagem, quando a barca no mar da Galileia estava a ponto de afundar sob as ondas violentas, ali estava Jesus com eles, para acalmar a tormenta. (Mc 4, 35-41). Com alegria vou lhes contar o que “tenho visto e o que tenho testemunhado” ao longo de 26 anos, desde a fundação da Pastoral da Criança, em setembro de 1983.

Aquilo que era uma semente, que começou na cidade de Florestópolis, estado do Paraná, no Brasil, converteu-se em Organismo de Ação Social da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, presente em 42 mil comunidades pobres e em 7 mil paróquias de todas as Dioceses do Brasil.

Pela força da solidariedade fraterna, uma rede de 260 mil voluntários, dos quais 141 mil são líderes que vivem em comunidades pobres, 92% são mulheres, e participam permanentemente na construção de um mundo melhor, mais justo e mais fraterno, a serviço da Vida e da Esperança. Cada voluntário dedica uma média de 24 horas por mês a esta Missão transformadora de educar as mães e as famílias pobres, compartilhar o pão da fraternidade e gerar conhecimentos para a transformação social.

O objetivo da Pastoral da Criança é reduzir as causas da desnutrição e da mortalidade infantil, promover o desenvolvimento integral das crianças, desde sua concepção até os seis anos de idade. A primeira infância é uma etapa decisiva para a saúde, a educação, a consolidação de valores culturais, o cultivo da fé e da cidadania, com profundas repercussões ao longo da vida. Um pouco de história: sou a 12ª de 13 irmãos, cinco deles religiosos. Três Irmãs religiosas e dois sacerdotes franciscanos. Um deles é D. Paulo Evaristo, o Cardeal Arns, Arcebispo emérito de São Paulo, conhecido por sua luta a favor dos Direitos Humanos, principalmente durante os 20 anos da ditadura militar no Brasil.

Em maio de 1982, ao voltar de uma reunião da Organização das Nações Unidas (ONU), em Genebra, D. Paulo me telefonou à noite. Naquela reunião, James Grant, então Diretor-Executivo da UNICEF, falou-lhe com insistência sobre o SORO ORAL. Considerado como o maior avanço da medicina do século passado, esse soro era capaz de salvar da morte milhões de crianças que poderiam morrer por desidratação devida à diarreia, uma das principais causas da mortalidade infantil no Brasil e no Mundo. James Grant conseguiu convencer D. Paulo a motivar a Igreja Católica a ensinar às mães a preparar e administrar o soro oral. Isto poderia salvar milhares de vidas. Viúva há cinco anos, eu estava, naquela noite histórica, reunida com os cinco filhos, de entre nove e 19 anos, quando recebi o telefoema de meu irmão D. Paulo. Ele me contou o que havia se passado e me pediu que refletisse sobre o assunto.


Como tornar realidade a proposta da Igreja de ajudar a reduzir a morte das crianças? Eu me sentia feliz diante deste novo desafio. Era o que eu mais desejava: educar as mães e as famílias para que soubessem cuidar melhor de seus filhos!

Creio que Deus, de certo modo, me havia preparado para esta missão. Baseada em minha experiência como médica pediatra e especialista em Saúde Pública e nos muitos anos na direção de serviços públicos de saúde materno-infantil, compreendi que, além de melhorar a qualidade dos serviços públicos e facilitar às mães e às crianças o acesso a eles, o que mais falta fazia às mães pobres era o conhecimento e a solidariedade fraterna, para que pudessem pôr em prática algumas medidas básicas simples e capazes de salvar seus filhos da desnutrição e da morte, como por exemplo a educação alimentar e nutricional para as gestantes e seus filhos, a lactação materna, as vacinas, o soro caseiro, o controle nutricional, além de conhecimentos sobre sinais e sintomas de algumas enfermidades respiratórias e como preveni-las.

Então, me veio à mente a metodologia que Jesus utilizou para saciar a fome de 5 mil homens, sem contar as mulheres e as crianças. Era noite e eles tinham fome. Os discípulos disseram a Jesus que o melhor era irem para suas casas, mas Jesus lhes ordenou: “Deem-lhes de comer vocês mesmos”. O apóstolo Felipe disse a Jesus que não tinham dinheiro para comprar comida para tanta gente. André, irmão de Simão, apontou para um menino que tinha dois peixes e cinco pães. E Jesus mandou que se sentassem em grupos de 50 a seis pessoas (em pequenas comunidades). Então, pensei: Por que milhões de crianças morrem por motivos que podem ser facilmente prevenidos? Ou qual é a causa de se tornarem violentos e criminosos na adolescência? Recordei o início da minha carreira, quando desafiei a mim mesma a querer diminuir a mortalidade infantil e a desnutrição. Vinham à minha memória milhares de mães que trocavam o leite materno por uma mamadeira diluída em água suja. Outras mães que não vacinavam seus filhos, quando ainda não havia cesta básica no Centro de Saúde. Outras mães limpavam o nariz de todos os seus filhos com o mesmo trapo, ou pegavam
seus filhos e os humilhavam quando urinavam na cama. E, ainda mais triste, quando o pai chegava em casa embriagado. Ao ouvir o choro de fome e de carinho de seus filhos, batiam neles mesmo quando eram muito pequenos. Sabe-se, segundo os resultados de organizações da OMS, cuja publicação acompanhei em 1994, que as crianças maltratadas antes de um ano de idade têm uma tendência significativa para a violência, e com frequência se tornam criminosos antes dos 25 anos.


A IGREJA, QUE SOMOS TODOS NÓS, QUE DEVERÍAMOS FAZER?
Tive a segurança de seguir a metodologia de Jesus: organizar o povo em pequenas comunidades; identificar líderes, famílias com gestantes e crianças menores de seis anos.

Os líderes que se dispuseram a trabalhar voluntariamente nesta missão de salvar vidas, seriam capacitados, no espírito de fé e vida, e preparados técnica e cientificamente, em ações básicas de saúde, nutrição, educação e cidadania. Seriam acompanhados em seu trabalho para que não desanimassem. Teriam a missão de compartilhar com as famílias a solidariedade fraterna, o AMOR, os conhecimentos sobre os cuidados com as gestantes e as crianças, para que estes estivessem saudáveis e felizes. Assim como Jesus ordenou que olhassem se todos estavam saciados, teríamos que implantar um sistema de informações, com alguns indicadores de fácil compreensão, inclusive por líderes analfabetos ou de baixa escolaridade. E já via diante de mim muitos cestos de sabedoria e amor aprendidos com o povo.

Senti que ali estava a metodologia comunitária, pois ela poderia ser desenvolvida em grande escala pelas dioceses, paróquias e comunidades. Não apenas para salvar vidas de crianças, mas também para construir um mundo mais justo e fraterno. Seria a missão do “Bom Pastor”, que está atento a todas as suas ovelhas, mas dá prioridade àquelas que mais necessitam Dele. Os pobres e os excluídos.

Naquela noite, maravilhada, tracei no papel uma comunidade pobre, onde identificasse famílias com gestantes e crianças menores de seis anos e líderes comunitários, tanto católicos como de outros credos e culturas, para levar adiante ações de uma maneira ecumênica, pois Jesus veio para que “todos tenham Vida e Vida em abundância” (João 10,10). É isto que necessita ser feito aqui no Haiti: fazer um mapa das comunidades pobres, identificar as crianças menores de seis anos e suas famílias, e líderes comunitários que desejem trabalhar como voluntários.

Desde a primeira experiência, a Pastoral da Criança cultivou a metodologia de Jesus, que Ele aplicou em grande escala. No Brasil, em mais de 40 mil comunidades de 7 mil paróquias de todas as 272 Dioceses e Prelaturas. Está se estendendo gradualmente para outros 20 países. Estes são, na América Latina e no Caribe: Argentina, Bolívia, Colômbia, Paraguai, Uruguai, Peru, Venezuela, Guatemala, Panamá, República Dominicana, Haiti, Honduras, Costa Rica e México; na África: Angola, Guiné-Bissau, Guiné Conakry e Moçambique; e na Ásia: Filipinas e Timor-Leste.

Para organizar melhor o compartilhamento das informações e a solidariedade fraterna entre as mães e as famílias vizinhas, as ações se baseiam em três estratégias de educação e comunicação: individual, grupal e de massas. A Pastoral da Criança utiliza simultaneamente as três formas de comunicação para reforçar a mensagem, motivar e promover mudanças de conduta, fortalecendo as famílias com informações sobre como cuidar das crianças, promovendo a solidariedade fraterna.

A educação e a comunicação individual são feitas através da Visita Domiciliar Mensal às famílias com gestantes e crianças. Os líderes acompanham as famílias vizinhas nas comunidades mais pobres, em áreas urbanas e rurais, em aldeias indígenas e em quilombos, nas áreas da margem do Amazonas. Atravessam rios e mares, sobem e descem morros de grande encosta, caminham léguas, para ouvir os clamores das mães e famílias, educá-las e fortalecer a Paz, a Fé e os conhecimentos.

Trocam ideias sobre saúde e educação das crianças e das gestantes; ensinam e aprendem. Com muita confiança e ternura, fortalecem o tecido social das comunidades, o que leva à inclusão social.

Motivados pela Campanha Mundial patrocinada pela Organização das Nações Unidas (ONU), em 1999, com o tema “Uma vida sem violência é um direito nosso”, a Pastoral da Criança incorporou uma ação permanente de prevenção da violência com o lema “A Paz começa em casa”. Utilizou como uma das estratégias de comunicação, a distribuição de 6 milhões de folhetos com os “10 Mandamentos para conseguir a paz na família”, debatidos nas comunidades e nas escolas, de norte a sul do país.

As visitas, entre tantas outras ações, servem para promover a Lactação Materna, uma escola de diálogo e compartilhamento, principalmente quando ela é dada como alimento exclusivo até os seis meses e continua sendo dada como alimento preferencial até mais de um ano, inclusive até mais de dois anos, complementada com outros alimentos saudáveis. A sucção adapta os músculos e ossos para uma boa dicção, uma melhor respiração e uma arcada dentária mais saudável. O carinho da mãe acariciando a cabeça do bebê melhora a conexão dos neurônios. A psicomotricidade da criança que mama no peito é mais avançada. Tanto é assim que ela se senta, anda e fala mais rápido, e aprende melhor na escola. É ofator essencial para o desenvolvimento afetivo e a proteção da saúde dos bebês, para toda a vida. A solidariedade desponta, promovida pelas horas de contato direto com a mãe. Durante a visita domiciliar, a educação das mulheres e de suas famílias eleva a autoestima, estimula os cuidados pessoais e os cuidados com as crianças. Com esta educação das famílias se promove a inclusão social.

A educação e a comunicação grupal ocorrem todos os meses em milhares de comunidades. É o Dia da Celebração da Vida. Momento dedicado ao fortalecimento da fé e da amizade entre as famílias. Além do controle nutricional, há as brincadeiras e os jogos com as crianças, e a orientação sobre cidadania. Neste dia, as mães compartilham práticas de aproveitamento adequado de alimentos da região de baixo custo e alto valor nutritivo. As frutas, folhas verdes, sementes e talos, que muitas vezes não são valorizados pelas famílias.
Outra oportunidade de formação grupal é a Reunião Mensal de Reflexão e Avaliação dos líderes da comunidade. O principal objetivo desta reunião é discutir e estabelecer soluções para os problemas encontrados.

Essas ações integram o sistema de informação da Pastoral da Criança para poder acompanhar os esforços realizados e seus resultados através de Indicadores. A desnutrição foi controlada. De mais de 50% de desnutrivos no começo, hoje está em 3,1%. A mortalidade infantil foi drasticamente reduzida e hoje está em 13 mortes para mil nascidos vivos nas comunidades com Pastoral da Criança. O índice nacional é 23,3, mas é sabido que as mortes nas comunidades pobres, onde está a Pastoral da Criança, é maior do que a média geral. Em 1982, a mortalidade infantil no Brasil era 82,8 para mil nascidos vivos. Estes resultados serviram de base para conquistar entidades, como o Ministério da Saúde, Unicef, Banco HSBC e outras Empresas. Elas nos apóiam nas capacitações e em todas as atividades básicas de saúde, nutrição, educação e cidadania. O CUSTO CRIANÇA/MÊS é de menos de UM DÓLAR.

Em relação à educação e à comunicação de massas, apresentarei três experiências concretas de como a comunicação é um instrumento de defesa dos direitos da infância.


MATERIAIS IMPRESSOS
O material impresso desenhado especificamente para ajudar na formação do líder da Pastoral da Criança, os instrutores e os multiplicadores, e servir como feramenta de trabalho na tarefa de guiar as famílias e as comunidades sobre questões de saúde, nutrição, educação e cidadania. Além do Guia da Pastoral da Criança, foram iniciadas publicações como o Manual do Facilitador, Brincadeiras e Jogos, Alimentação e as Hortas Familiares, Alfabetização de Jovens e Adultos, e a mobilização social.

O jornal da Pastoral da Criança, com uma tiragem mensal de cerca de 280 mil exemplares, ou seja, 3 milhões e 300 mil exemplares por ano, chega a todos os líderes da Pastoral da Criança. É uma ferramenta para a formação contínua. O Boletim Dicas abrange questões relacionadas à saúde e à educação para a cidadania. É especialmente destinado aos coordenadores e capacitadores da Pastoral da Criança. Cada publicação chega a 7 mil coordenações.

Para ajudar na vigilância das gestantes, a Pastoral da Criança criou laços de amor, cartões com conselhos sobre a gestação saudável e o parto. Outros materiais impressos de grande impacto social é o folheto com os 10 Mandamentos para a Paz na Família. Doze milhões de folhetos foram distribuídos nos últimos anos.

Além destes materiais impressos, envia-se para as comunidades da Pastoral da Criança material para o trabalho de pesagem das crianças, tais como balanças, e também colheres de medida para a reidratação oral e e sacos de brinquedos para as crianças brincarem no dia de celebração da vida.


MATERIAL DE ÁUDIO E VÍDEO
Outra área em que a Pastoral produz materiais é a de áudio e a de produção de filmes educativos. O Programa ao vivo da Rádio da Vida, produzido e gravado no estúdio da Pastoral da Criança, chega a milhões de ouvintes em todo o Brasil. Com os temas da saúde, da educação da primeira infância e da transformação social, o programa de rádio Viva a Vida é emitido semanalmente 3.470 vezes. Estamos “no ar” cerca de 2.310 horas por semana em todo o Brasil. Além disso, o Programa Viva a Vida também é executado em vários de sistemas de som de CD e aparelhos nas reuniões do grupo.

A Pastoral da Criança também produz filmes educativos para melhorar e divulgar o seu trabalho nas bases. Atualmente, há 12 títulos produzidos que se ocupam da violência contra as crianças, alimentação saudável, a gestação, a participação nos Conselhos Municipais de Saúde, a prevenção da Aids e outros.


CAMPANHAS
A Pastoral de Criança realiza e colabora em várias campanhas para melhorar a qualidade de vida das gestantes, das famílias e das crianças.
Estes são alguns exemplos:
a) Campanhas de sais de reidratação oral

b) Campanha de Certidão de Nascimiento: A falta de informação, a distância do cartório e a burocracia faz com que as pessoas fiquem sem uma certidão de nascimento.
A mobilização nacional para o registro civil de nascimento que une o Estado brasileiro e a sociedade para garantir a cada cidadão o pleno direito ao nome e aos direitos.

c) Campanha para fomentar a lactação materna: O leite materno é um alimento perfeito que Deus colocou à disposição nos primeiros anos de vida. Permanentemente, a Pastoral da Criança promove a lactação materna exclusiva até os seis meses, edepois continuá-la junto com outros alimentos. Isto protege contra enfermidades, desenvolve melhor e fortalece a criança.

d) Campanha para a prevenção da tuberculose, da pneumonia e da lepra: As três enfermidades continuam afetando muitas crianças e adultos em nosso país. A Pastoral da Criança prepara materiais específicos de comunicação para educar o público acerca dos sintomas, do tratamento e dos meios de prevenção desta enfermidade.

e) Campanha de Saneamento: O acesso à água potável e o tratamento de águas residuais contribuem para reduzir a mortalidade infantil. A Pastoral da Criança, em colaboração com outros organismos mobiliza a comunidade para a demanda desses serviços aos governos locais e utiliza os meios ao seu alcance para difundir informações relacionadas ao saneamento.

f) Campanha de prevenção de HIV/Aids e da sífilis: O exame de prevenção de HIV/Aids e da sífilis durante o período pré-natal possibilita a diminuição de 25% a 1% o risco de transmissão para o bebê. A Pastoral da Criança apoia a campanha nacional para o diagnóstico precoce destas enfermidades.

g) Campanha para a Prevenção da morte súbita de bebês: “Dormir de barriga para cima é mais seguro”. Com o fim de alertar sobre os riscos e prevenir até 70% das mortes súbitas na infância, a Pastoral da Criança iniciou esta grande campanha, dirigida às famílias, para que coloquem seus bebês para dormir de boca para cima.

h) Campanha para a Prevenção do Abuso Infantil: Com esta campanha, a Pastoral da Criança esclarece as famílias e a sociedade sobre a importância da prevenção da violência, espancamentos e abuso sexual. Esta campanha inclui também a distribuição do folheto com os 10 mandamentos para a paz na família, como um incentivo para manter as crianças em um ambiente de paz e harmonia.

i) Campanha — 20 de novembro, dia de oração e de ação para a infância: A Pastoral da Criança participa dos esforços globais para a atenção integral e proteção das crianças e adolescentes, em colaboração com a Rede Mundial de Religiões para a Infância (GNRC).

Em dezembro de 2009 completei 50 anos de formada em medicina e, antes de 2002, confesso que nunca havia ouvido falar em nenhum programa da Unicef ou da Organização Mundial da Saúde (OMS), nem de outro organismo da Organização das Nações Unidas (ONU) que estimulasse a espiritualidade como componente de desenvolvimento da pessoa. Como uma das integrantes da comitiva do Brasil na Assembleia da ONU de 2002, que reuniu 186 países em prol da infância, tive a satisfação de ouvir a definição final sobre o desenvolvimento integral da criança, que contempla seu “desenvolvimento, físico, social, mental, espiritual e cognitivo”. Este foi um grande avanço, e vem ao encontro do processo de formação e comunicação que fazemos na Pastoral da Criança. Neste processo, vê-se a pessoa de maneira completa e integrada em sua relação pessoal com o próximo, com o ambiente e com Deus.

Estou convencida de que a solução da maioria dos problemas sociais está relacionada com a redução urgente das desigualdades sociais, com a eliminação da corrupção, com a promoção da justiça social, com o acesso à saúde e à educação de qualidade, com a ajuda mútua financeira e técnica entre as nações, para a preservação e recuperação do meio-ambiente. Como destaca o recente documento do Papa Bento XVI, Caritas in Veritate (Caridade na Verdade), “a natureza é um dom de Deus, e precisa ser usada com responsabilidade”. O mundo está despertando para os sinais do aquecimento global, que se manifesta nos desastres naturais, mais intensos e frequentes. A grande crise econômica demonstrou a inter-relação entre os países.

Para não sucumbir, se exige solidariedade entre as nações. É a solidariedade e a fraternidade que o mundo mais necessita para sobreviver e encontrar o caminho da Paz.


FINAL
Desde a sua fundação, a Pastoral da Criança investe na formação dos voluntários e no acompanhamento de crianças e gestantes, na família e na comunidade.

Atualmente são 1.985.347 crianças, 108.342 gestantes de 1.553.717 famílias. Sua metodologia comunitária e seus resultados, assim como sua participação na promoção de políticas públicas com a presença em Conselhos de Saúde, Direitos da Criança e do Adolescente e em outros Conselhos conduziram a mudanças profundas no país, melhorando os indicadores sociais e econômicos. Os resultados do trabalho voluntário, com a mística do amor a Deus e ao próximo, em sintonia com nossa mãe terra, que a todos deve alimentar, nossos irmãos, os frutos e as flores, nossos rios, loagos, mares, bosques e animais. Tudo isto nos mostra como a sociedade organizada pode ser protagonista da sua transformação. Neste espírito, ao fortalecer os lapos que unem a comunidade, podemos encontrar as soluções para os graves problemas sociais que afetam as famílias pobres.

Como os pássaros, que cuidam de seus filhotes ao fazer um ninho no alto das árvores e nas montanhas, distante dos predadores, das ameaças e dos perigos, e mais próximos de Deus, devemos cuidar de nossas crianças como um bem sagrado, promover o respeito a seus direitos e protegê-las.

Muito obrigada!
Que Deus acompanhe a todos!

Dra. Zilda Arns Neumann
Médica pediatra e especialista em Saúde Pública

Fundadora e Coordinadora da Pastoral da Criança Internacional
Coordenadora Nacional da Pastoral da Pessoa Idosa”

Material reproduzido do site da Pastoral da Criança (http://www.pastoraldacrianca.org.br/).


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Estatuto da Criança e do Adolescente