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Desenho artístico, a arte do lápis
 
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Em termos gerais, desenhar significa representar formas sobre uma superfície. Mais concretamente, o conceito de desenho se refere às manifestações gráficas que não utilizam a cor, mas elementos simples como o ponto, a linha ou a mancha para definir formas reais ou imaginárias, planas ou tridimensionais sobre um plano.

A palavra desenho deriva do verbo desenhar, que significa delinear em uma superfície e sombrear para representar um corpo ou um objeto qualquer. Aparentemente, o verbo desenhar é proveniente do termo do francês antigo deboissier, cujo primeiro significado foi "representar graficamente", embora também "lavrar em madeira".


DESENHO E GRAFIA
Tradicionalmente, o desenho e a escrita estiveram sempre relacionados. As primeiras formas de escrita tinham um caráter descritivo, pois eram representações simbólicas de pessoas ou coisas. De forma paulatina, a escrita adotou, no Ocidente, um caráter simbólico ligado à linguagem e se distanciou do caráter representativo inicial, embora na Grécia Clássica o termo grafia ainda significasse tanto a atividade da escrita quanto a do desenho, já que as técnicas eram similares.

Este processo não ocorreu no Extremo Oriente, China e Japão, onde a voz hua designa tanto o desenho e a pintura quanto a escrita. De fato, sua escrita não transcreve sons, não é escrita com letras, mas, sim, cada símbolo representa um objeto ou um conceito.


ELEMENTOS DO DESENHO
O desenho utiliza como elemento básico o traço ou a linha, junto com o ponto, a mancha e o plano, por meio das técnicas de composição, perspectiva e claro-escuro.

Em geral, são identificados dois grandes tipos: o desenho com linha e o desenho com mancha.

O desenho com linha se caracteriza por descrever os contornos com precisão. Compreende o desenho linear e também parte do desenho artístico e do desenho gráfico. Dentro do desenho linear estão inclusos os sistemas de representação e o desenho geométrico, que analisa as formas básicas (triângulo, quadrado, círculo, polígono), suas relações e proporções matemáticas.

O desenho com mancha se destaca por descrever as massas. Ele engloba muitos desenhos artísticos e grafismos, como os símbolos ou os sinais.

O desenho é definido tecnicamente por quatro aspectos: o suporte, superfície plana, lisa e leve; os utensílios, que são utilizados para traçar as formas sobre o suporte e que podem ser diferentes segundo o material sobre o qual se trabalha e o tipo de desenho; a rapidez; e, por último, as dimensões reduzidas, em virtude da rapidez de execução. Existem algumas exceções a este quarto aspecto, como os projetos de obras de grande escala, como os frescos ou os murais, ou os projetos arquitetônicos.

Em muitos casos, o desenho foi utilizado como base da gravura. Deste modo, era possível reproduzir e difundir em livros ou impressões diversas. Por causa desta prática, um grande número de desenhos originais foi perdido e apenas está conservado em forma de gravuras impressas.


CAMPOS DE APLICAÇÃO


O desenho constitui uma técnica de representação das formas e, portanto, tem uma infinidade de aplicações e de utilidades.

A REPRESENTAÇÃO DA REALIDADE
Antes da invenção da fotografia, o desenho era o único meio para representar a realidade, da natureza ao ser humano.

Desde a Idade Média, existem desenhos que ilustram tratados de zoologia, botânica, anatomia, etc. Este tipo de desenho desenvolveu-se muito no Renascimento, pois, neste período a arte e a ciência estavam totalmente inter-relacionadas como meio para estudar e analisar o entorno. Os desenhos de anatomia e botânica de Leonardo da Vinci (1452–1519) são grandes exemplos disto; para realizá-los, o artista utilizou as mesmas técnicas de sfumato, claro-escuro e perspectiva que em seus quadros. Nesta época, o desenho foi a língua comum de todas as disciplinas.


A PERSPECTIVA
Durante o Renascimento, a observação e o estudo da paisagem e do espaço em geral levaram ao desenvolvimento das técnicas da perspectiva, ou seja, as técnicas do desenho que permitiam representar um espaço ou um corpo tridimensional sobre um suporte bidimensional como o papel. Estas técnicas foram aplicadas ao estudo científico, às obras pictóricas e à projeção de obras arquitetônicas ou de engenharia. Historicamente, foram desenvolvidos dois tipos de perspectiva: a perspectiva linear e a perspectiva aérea.

A primeira é um método geométrico de representação do espaço baseado no fenômeno perceptivo da aparente diminuição de tamanho com que são percebidos os objetos à medida que aumenta sua distância do observador, de maneira que as linhas paralelas, na realidade, conforme se afastam, parecem convergir em um ponto chamado ponto de fuga.

A segunda analisa o modo como a atmosfera e a distância modificam a percepção da luz e da cor. Isto é, os objetos distantes são percebidos com contornos deformados e menos nítidos.


A ILUSTRAÇÃO DESCRITIVA
Neste afã para descrever a realidade tal como é, foram criadas várias máquinas de desenhar a partir da câmara escura, já utilizada na Idade Média. A câmara escura era um pequeno ambiente ou caixa fechada na qual, através de um orifício muito pequeno feito em uma das paredes, a luz exterior passava e projetava a imagem sobre uma superfície, onde era copiada.

Outros artistas inventaram seus próprios métodos de captação objetiva da realidade, como Alberto Durero (1471–1528), que utilizava telas transparentes colocadas verticalmente entre ele e o modelo, nas quais desenhava, olhando sempre através de um visor, para não mudar o ponto de vista.

No século XVIII, as ideias da Ilustração e seu interesse em difundir o conhecimento promoveram a publicação de tratados com numerosos desenhos que ilustravam as observações da natureza e descreviam máquinas ou descobertas arqueológicas da época. Um exemplo claro disso é a Encyclopédie publicada em Paris por Diderot (1713–1784).


O ESTUDO DA FIGURA HUMANA
Desde a Antiguidade clássica, as proporções do corpo humano e as suas relações geométricas eram estudadas. No século XIII, O Caderno de Villard de Honnecourt (1225 d.C.–1250 d.C.) já continha diversas tentativas de estabelecer proporções geométricas nos rostos. Entre os numerosos estudos da figura humana desde o Renascimento, destacam-se os de Alberto Durero ou de Leonardo da Vinci. Posteriormente, apareceram os estudos sobre as proporções, do filósofo alemão Adolf Zeising (1810–1876), publicados em 1854 e baseados na divina proporção ou secção áurea, ou a teoria das proporções desenvolvida pelo arquiteto Le Corbusier (1887–1965) em sua obra Le Modulor (1946), baseada no estudo das proporções humanas. Atualmente, os estudos antropométricos sobre as medidas do corpo humano são aplicados à ergonomia, que estuda as condições que um objeto, um aparelho ou um lugar deve ter para que o usuário se sinta confortável e se adapte facilmente, utilizando também conhecimentos de fisiologia, psicologia e percepção.

O DESENHO COMO PROJETO
Os projetos para arquitetura, engenharia, cenografia, escultura ou para o design de objetos (desenho industrial) partem do desenho e descrevem objetos ou espaços tridimensionais em um suporte bidimensional. Para isso, utilizam também os sistemas de representação e de perspectiva.

As artes bidimensionais como a pintura ou o design gráfico também requerem este tipo de desenho.
Os projetos podem ser classificados nos seguintes tipos:
– Esboços da composição ou forma geral: a diagramação das páginas de uma revista, as linhas gerais de um edifício ou os esquemas de composição de um quadro.

– Estudos de composição e perspectiva: estudos da relação entre as diversas partes da obra.

– Desenhos dos componentes: estudo das diferentes figuras de uma pintura ou das diferentes peças no design do objeto.

Os grandes arquitetos renascentistas, como Palladio (1508–1580), Piranesi (1720–1778), o Bramante (1444–1514), desenhavam a decoração de seus capitéis e fachadas em detalhes. Os pintores e escultores desta época também realizavam estudos sobre a arquitetura, pois suas obras deviam se adequar a um lugar determinado (um altar, uma cúpula, etc.) e elaboravam muitos esboços antes da obra definitiva, desde a composição geral e a perspectiva, até os gestos e o vestuário de cada personagem.

Desta época também existem desenhos para a construção de máquinas ou armas de guerra, como os de Leonardo da Vinci, que são um precedente do desenho de engenharia e do desenho industrial atual.

Nos séculos posteriores, pintores, escultores, arquitetos e engenheiros continuaram os projetos de suas obras de maneira parecida.

Uma prática habitual desde o Renascimento foi conservar as anotações em pastas, que o artista retomava para realizar obras mais elaboradas. Destacam-se os esboços que Rembrandt (1606–1669) tinha arquivados por temas como: figuras, paisagens, animais, etc. O pintor francês do século XVIII Antoine Watteau (1684–1721) também guardava e consultava seus desenhos, que considerava mais brilhantes que suas pinturas. John Constable (1776–1837), no século XIX, ou Picasso (1881–1973) no século XX faziam numerosos esboços.

No campo do design gráfico, os projetos se centraram, desde o Renascimento, no projeto de tipografias e livros, que tiveram um grande desenvolvimento com a invenção da imprensa no século XV e a arquitetura gráfica, que usava a geometria e as proporções estudadas na época para desenhar as formas das letras e construir o esquema de cada página de um livro.

A industrialização do século XIX favoreceu o desenvolvimento do design gráfico com a criação de marcas e cartazes, ou os letreiros de estabelecimentos, por exemplo.

No século XX, o design gráfico se consolidou como disciplina claramente diferenciada das demais. Os projetos iam desde o design de folhetos, tipografias, cartazes ou embalagens, até a sinalização de espaços públicos.

Os projetos de desenho industrial não se desenvolveram da mesma forma até o final do século XIX, embora alguns setores da produção, como o moveleiro, já o faziam a partir dos séculos XVII e XVIII. No final do século XIX, com o modernismo, foram desenhados móveis e todo tipo de objetos. A produção em série tornou imprescindível o design prévio desde o projeto para a fabricação de uma cadeira até o desenho de um automóvel, um eletrodoméstico ou um avião.

Atualmente, as novas tecnologias digitais e o desenho por computador substituíram grande parte das técnicas manuais nos projetos de todas as áreas do design.


O DESENHO: OBRA PLÁSTICA AUTÔNOMA
O desenho pode constituir uma obra acabada que se expressa por si mesma. Pode ter uma utilidade prática (como as ilustrações que acompanham textos escritos ou as marcas, os símbolos e os logotipos) ou basicamente constituir uma obra que expressa a estética, as ideias ou os sentimentos de um artista, ou seja, o que tradicionalmente foi chamado de desenho artístico.

DA PRÉ-HISTÓRIA À ILUSTRAÇÃO
As manifestações mais antigas remontam da pré-história, quando os desenhos de animais e pessoas tinham funções mágicas e religiosas. De uma maneira parecida, no antigo Egito e na Grécia, eram representados os deuses e personagens mitológicos. Os romanos continuaram com a tradição grega, porém introduziram a utilização das sombras e de certa perspectiva para aumentar o realismo das cenas; também fizeram os primeiros retratos e naturezas-mortas.

Na Idade Média, os livros foram ilustrados com desenhos de figuras e cenas de tema religioso. Posteriormente, o desenho se transformou na base da gravura, com o qual foram realizadas as ilustrações. Por outro lado, nos edifícios havia numerosos símbolos (religiosos, pessoais ou gremiais), escudos e desenhos considerados os precedentes das marcas e sinais atuais.

No Renascimento, foram realizados numerosos desenhos como projeto ou estudo da natureza; que não podem ser considerados obras autônomas, embora tenham uma grande qualidade plástica.

A partir do século XVII, cresceu o interesse do público pelo desenho e houve uma grande demanda. Os desenhos já não permaneciam conservados em álbuns, mas eram admirados e emoldurados individualmente. Desta maneira, nascia o conceito de desenho como obra acabada e com valor em si mesmo.

No século XVIII, muitos artistas, como os venezianos Canaletto (1697–1768) e Francesco Guardi (1712–1793), desenharam paisagens ou vistas de cidades que os turistas compravam como lembrança. Na França, outros artistas, como Jean-Baptiste Greuze (1725–1805), vendiam cenas nas quais eram representadas diferentes emoções humanas. Watteau desenhava cenas sensuais e íntimas cheias de luxo e ornamentação. De outro modo, o desenho de crítica social, sátira ou humor de pintores como Francisco de Goya (1746–1828) caricaturizava a condição humana e criticava as desigualdades sociais e as injustiças de sua época.


DO ROMANTISMO AO MODERNISMO
No século XIX, o desenho já estava plenamente consolidado como obra autônoma. Em função do renovado interesse do Romantismo pela natureza, e sua força e poder, alguns artistas se dedicaram a viajar e fizeram álbuns com paisagens e cenas costumistas desenhadas ao natural. Em muitos casos, são feitos com grandes traços e manchas que podem ser considerados precedentes do impressionismo do final do século. Diferentemente, os pintores franceses Jacques-Louis David (1748–1825) e Jean Auguste Dominique Ingres (1780–1867) fixaram as bases do neoclassicismo, criando um estilo realista baseado em uma grande precisão da linha e uma suave modelagem das figuras por meio do sfumato. Este estilo, centrado, sobretudo, na figura humana e no retrato, tornou-se modelo de perfeição técnica do chamado desenho artístico e perdura até a atualidade como base para o aprendizado. Este desenho acadêmico se baseia no chamado desenho ao natural, que é realizado a partir de modelos humanos e de composições de objetos.

Também houve grandes desenhistas que ilustraram obras literárias, como a edição de Dom Quixote ilustrada por Gustave Doré (1832–1883), ou que produziram obras de crítica social, como Honoré Daumier (1808–1879).

Paralelamente à indústria, desenvolveu-se a ilustração para a publicidade dos produtos e suas etiquetas. Por outro lado, foram feitas ilustrações descritivas e caricaturas humorísticas ou narrações ilustradas para a imprensa, antecedentes das histórias em quadrinho atuais.

No final do século XIX, o impressionismo deu o primeiro passo para a superação do conceito tradicional de representação ao romper, em muitos casos, com o desenho realista, pois a fotografia já ocupava a função descritiva da realidade. O traço solto e a mancha se tornaram protagonistas, uma vez que já não se tratava de descrever uma forma, mas uma sensação ou percepção momentânea. O desenho, por ser imediato e suas técnicas simples, foi muito útil para captar estas breves percepções. Grandes artistas como Auguste Renoir, Auguste Rodin, Claude Manet, Edgard Degas, Vincent Van Gogh, Paul Cézanne ou Ramón Casas coloriram seus desenhos, pois estavam muito interessados pela luz e seus efeitos sobre a cor.

Nestes mesmos anos, o modernismo consolidou definitivamente as bases do desenho industrial e gráfico. Inspirado nas formas orgânicas da natureza, trouxe uma grande fluidez de linhas em obras como cartazes, marcas ou tipografias.


DAS VANGUARDAS À ATUALIDADE
As vanguardas artísticas do século XX deram muita importância ao desenho, que experimentou constantes mudanças pela evolução dos diferentes estilos, pois cada um destes movimentos tinha sua própria maneira de desenhar. O austríaco Gustav Klimt, por exemplo, recorreu à estética modernista em seus desenhos estilizados. Henri Matisse conseguiu uma grande síntese das formas. Picasso trabalhou com técnicas e estilos muito diferentes, desde o acadêmico das composições mais clássicas até a maior deformação geométrica. O expressionista austríaco Egon Schiele desenhou com um traço enérgico e linhas angulares que expressavam uma grande tensão. Salvador Dalí e Joan Miró, com estilos muito diferentes, evocaram os sonhos, criando linguagens iconográficas surrealistas. O pintor britânico David Hockney, que começou com a arte pop na década de 1970, foi evoluindo para uma representação mais direta e realista, e se destaca, na atualidade, por seu naturalismo e o tom humorístico de suas obras.

De outra maneira, a história em quadrinhos ou as tiras ilustradas alcançaram grande desenvolvimento desde suas origens nas caricaturas da imprensa estadunidense do princípio do século XX e se transformaram em uma nova arte.


TÉCNICAS, SUPORTES E INSTRUMENTOS


O desenho é a técnica mais antiga de expressão plástica e a base da arte pré-histórica. Aparentemente, a técnica mais simples consistia em traçar linhas com os dedos da mão sobre uma superfície mole, como o barro. Posteriormente, foi introduzida a técnica de incisão sobre pedra, osso, metal ou cerâmica, com pedaços de pedra ou pontas metálicas. Às vezes, estas incisões eram preenchidas com um pincel rudimentar embebido em argila líquida. Em outras ocasiões, as silhuetas dos animais ou das pessoas eram apenas traços feitos com madeira carbonizada ou um pincel molhado em argila.

DA ANTIGUIDADE À IDADE MÉDIA
Nas culturas egípcia, cretense, mesopotâmica e grega, a linha de contorno continuou definindo as formas, cada vez de uma maneira mais precisa. Por meio da cerâmica grega, é possível ter uma ideia de como eram seus desenhos. Por referências escritas, sabe-se que utilizavam pontas de chumbo e prata sobre pergaminho ou pranchetas de madeira.
Na arte romana, foram usadas as técnicas gregas e feitas as primeiras tentativas de representar o volume e o espaço por meio do sombreado e da perspectiva.

Na Idade Média, os rolos de pergaminho ou papiro foram substituídos por livros. Eram manuscritos de pergaminho ilustrados ou ilustrados com desenhos em miniatura que decoravam as margens ou as grandes letras iniciais. Neles, o desenho e a caligrafia estão totalmente entrelaçados. Nesta época, o desenho era o principal método de propagação do conhecimento, pois uma grande parte da população era analfabeta; por isso, recorria-se a formas simples e esquemáticas.

A técnica habitual era a preparação de tabelas ou os pergaminhos com pó de osso e goma arábica; sobre eles, era traçado o desenho prévio com ponta metálica e acabado com pincel ou pena com bistre ou aquarela líquida (se fossem coloridos). Para os esboços das pinturas murais era usado o carvão.


DA APARIÇÃO DO PAPEL ATÉ HOJE
No século XII, os árabes introduziram, através da Península Ibérica, a fabricação de papel, um material que já existia na China desde 105. A princípio, era usado para obras menores por suas imperfeições e pouca resistência. Entre os séculos XIII e XIV, sua técnica de fabricação foi aperfeiçoada, especialmente em várias cidades italianas, e se transformou no suporte mais usado.

No século XV, foram utilizados novos materiais e papel de melhor qualidade e foram criadas técnicas de representação mais realistas, como o escorço e o claro-escuro. A ponta metálica e o carvão eram usados junto com a sanguina, a pena, o pincel, a aquarela e a aguada de tinta. Por outro lado, a invenção da imprensa tornou possível a reprodução e difusão do desenho por meio da gravura em madeira ou metal.

Entre os séculos XV e XVI, o desenho esteve no seu grande auge e foi difundido o uso da maior parte dos materiais atuais. As técnicas mais habituais eram a ponta metálica sobre um papel preparado ou o carvão e a sanguina sobre um papel colorido e toques de gesso branco para realçar os pontos de luz e dar volume.

No século XVII, a grafite de chumbo e a grafite natural foram substituindo a ponta de metal até que, no século XVIII, a grafite artificial, inventada pelo engenheiro e químico Nicolas Jacques Conté se impôs. O lápis Conté era uma grafite elaborada com grafite misturada com argila e coberta com madeira de cedro. Com ela se conseguia mais tons. Ela continua sendo usada na atualidade, embora tenha melhorado para obter qualidades e durezas distintas.

No século XVIII, além do lápiz, foi utilizada a tinta, com pena ou pincel. Também foi usado o pastel, sobretudo nos retratos, e a combinação de lápis preto, sanguina e giz branco.

Estas técnicas perduraram durante todo o século XIX. Nesta época, foi introduzido o uso da pena de ponta metálica e foram aperfeiçoados os utensílios que eram usados para o desenho linear.

No século XX, foram feitas experiências com todas as técnicas conhecidas para conseguir novas texturas e efeitos. Em meados do século, foram introduzidas novas técnicas como as canetas-tinteiro, os pincéis atômicos ou as canetas esferográficas. Nas últimas décadas do século XX, a utilização de programas informáticos de desenho começou a substituir, em muitos casos, as técnicas manuais em todos os campos, embora em menor medida no desenho artístico.


TÉCNICAS DO DESENHO AO NATURAL


O desenho ao natural foi amplamente empregado desde o Renascimento e serviu como base para o ensino do desenho em geral.

Um desenho ao natural pode ser uma obra elaborada ou um simples rascunho rápido, porém, no geral requer uma série de passos.

Em primeiro lugar, é preciso enquadrar o motivo que se quer representar a partir do tamanho e da proporção do papel e decidir de que ponto de vista será realizado. Isto é, o papel é considerado como uma janela através da qual o desenhista seleciona uma parte de sua visão, outorgando mais importância a um objeto ou pessoa que aos demais. De fato, para realizar um enquadramento, é possível utilizar um visor, uma espécie de pequena janela recortada no centro de um papelão.

O enquadramento deve criar uma composição adequada, ou seja, uma relação entre todos os elementos para que seja estabelecido um equilíbrio entre as formas; uma composição muito simétrica pode ser monótona; uma composição onde as formas tendam para um extremo superior é mais dinâmica, mas pode ficar muito descompensada.

Uma vez feita a composição, são analisadas as formas do modelo, buscando as estruturas geométricas internas, como as simetrias ou as formas básicas, como o triângulo, o quadrado ou o círculo, e estudadas as proporções entre cada uma das partes de um objeto e deste objeto com os demais.

A partir desta estrutura geral, é realizado o ajuste, ou seja, desenhado o modelo com linhas muito simples, retas e suaves, e analisada mais profundamente a estrutura geométrica e a perspectiva. Quando se trata de uma figura humana, devem ser consideradas as proporções e as estruturas anatômicas mais importantes, como a coluna vertebral ou a inclinação de ombros e quadril. A partir do ajuste ou esquema, são concretizadas as formas mais complexas e as curvas.

O desenho pode ser apenas linear ou conter manchas, grupos de pontos, linhas ou outras texturas para criar a sensação de volume com o claro-escuro. Feita a análise das diferentes intensidades de luz e sombra, é possível realizar uma avaliação correta. O valor é a intensidade de luz de cada parte do modelo, desde as zonas mais iluminadas (brancas) até as mais escuras (negras); deve haver uma relação correta de cada valor com os demais.