ENTENDER O MUNDO/ARTIGOS TEMÁTICOS
Aquecimento global, riscos do efeito estufa
 
Conheça
 
    ARTIGO      GALERIA DE FOTOS
 MUDANÇA CLIMÁTICA Imprimir Enviar Guardar
 
O termo “mudança climática”, relacionado com as atividades humanas, começou a ser utilizado na década de 1980. O clima, no entanto, se altera desde a formação da Terra de maneira natural e contínua. Essas mudanças devem-se à interação entre a radiação solar e os componentes da atmosfera, hidrosfera, litosfera e biosfera. Hoje, a maioria dos climatologistas concorda que a contínua expansão das atividades humanas (indústria, agropecuária etc) é principal causa da atual tendência de aquecimento global e da liberação na atmosfera gases de efeito estufa — fenômeno que conduz ao aquecimento dos polos e das regiões continentais da Terra.

Grandes mudanças no passado

Segundo algumas hipóteses, a composição da atmosfera já era similar à atual há aproximadamente 1 bilhão de anos. Desde então, produziram-se muitas mudanças climáticas, que determinaram a evolução da vida no planeta. No final do período Proterozóico, entre 950 e 670 milhões de anos atrás, aconteceu o maior processo de glaciação continental registrado até hoje. No entanto, não se conhecem as causas desse fenômeno nem suas consequências para a vida.

O período que seguiu, o Cambriano, iniciou-se com um aquecimento dos volumes continentais, que se movimentaram para o equador. O desgelo e a distribuição de oceanos e continentes provocaram o surgimento de uma grande diversidade de organismos, que evoluíram com rapidez. O final do Paleozóico e o princípio do Mesozóico caracterizam-se por uma grande extinção de formas de vida, que alguns cientistas atribuíram à mudança climática.

Outra grande alteração climática, surpreendente pela sua brevidade, foi a que aconteceu no final do Cretáceo e que, entre outras consequências, provocou a extinção dos dinossauros. Aparentemente, as temperaturas terrestres caíram a uma média de 8 a 10 °C em muito pouco tempo. As explicações dadas a este fenômeno são diversas: desde grandes erupções vulcânicas até a variação das correntes oceânicas, passando pelo choque de um grande meteorito contra a Terra. Das três, esta última é a mais aceita.

Um episódio similar parece ter ocorrido entre o Eoceno e o Oligoceno, há aproximadamente 38 milhões de anos, quando houve um esfriamento geral do planeta, que implicou outra extinção em massa de espécies. Um meteorito, entretanto, também poderia ser a causa desse fenômeno: uma grande cratera na Sibéria setentrional, de mais de 100 km de diâmetro, datada deste período, parece avalizar essa hipótese.

Um novo episódio de glaciações teve início no começo do Quaternário, há um milhão e meio de anos. Aparentemente, aconteceu após a formação do istmo de Panamá, que interrompeu a circulação das correntes marítimas entre o Atlântico e o Pacífico. Isso implicou maiores precipitações sobre as regiões polares, especialmente no Polo Norte, onde se acumulou gelo até formar uma crosta suficientemente extensa para provocar novamente variações na circulação das correntes e inversão do processo. Esse fenômeno de sucessão entre períodos glaciais e interglaciais ocorreu várias vezes — pelo menos seis, segundo alguns cientistas. A última glaciação, denominada Würm, começou por volta de 75 mil anos atrás e terminou há apenas 10 mil anos, alcançando uma máxima térmica, com temperaturas superiores às atuais há aproximadamente 5.000 anos. Considerando a perspectiva histórica, hoje a Terra encontra-se em um período cálido interglacial.



O EFEITO ESTUFA
O efeito estufa é um fenômeno climático que provoca a elevação da temperatura na parte baixa da atmosfera e da superfície terrestre. Este aquecimento se produz graças à radiação de onda curta procedente do Sol, que atravessa a atmosfera e aquece os oceanos e a superfície terrestre. Esta última propaga o calor absorvido em forma de radiação infravermelha, que é retida em grande parte pelos gases de efeito estufa. Como consequência, ocorre um aumento da temperatura global, que, por sua vez, produz eventos climáticos mais drásticos como secas, enchentes etc.

Os gases responsáveis pelo fenômeno

Os gases de efeito estufa mais importantes são: o vapor de água (H2O), o dióxido de carbono (CO2), o metano (CH4), os óxidos de nitrogênio (NOX), o ozônio estratosférico (Ou3) e os clorofluorocarbonos (ou clorofluorcarbonetos), também conhecidos como CFC. Eles são os únicos que não são produzidos de forma natural na atmosfera, sendo produtos sintéticos. O restante é gerado e eliminado naturalmente pelos ciclos biogeoquímicos. O vapor de água é o que, em maior medida, contribui de forma natural para o efeito estufa. Os demais são consequências da combustão de petróleo e carvão e de outras atividades. Os CFCs têm um duplo papel nesse processo, como agentes que contribuem para o efeito estufa e, ao mesmo tempo, destroem a camada de ozônio da estratosfera.

O aumento de temperatura causada pelo efeito estufa implica também uma elevação da proporção de vapor de água na atmosfera e, em consequência, favorece a formação de nuvens. Estas, por sua vez, aumentam o efeito estufa ao impedir que parte da radiação terrestre escape. Ao mesmo tempo, contribuem para o esfriamento do córtex terrestre, dificultando a penetração das radiações solares. Os efeitos potenciais produzidos por um aumento generalizado da massa de nuvens na atmosfera são ainda desconhecidos.

O enigma do ciclo do carbono

Um dos grandes mistérios no estudo do efeito estufa é o ciclo do carbono. Calcula-se que a cada ano sejam emitidas à atmosfera aproximadamente 6 bilhões de toneladas de carbono procedentes dos diferentes tipos de combustões. Apenas metade permanece na atmosfera. Recentes investigações demonstram que a quantidade perdida é absorvida pelos oceanos e as florestas.

Nesse sentido, o aumento dos volumes florestais seria uma resposta óbvia às elevadas concentrações de CO2 e o aumento de temperatura, já que ambos estimulam a taxa de fotossíntese e, consequentemente, a assimilação de carbono. Em 2018, um estudo da Nasa apontou que o planeta estava mais vende do há 20 anos, principalmente em razão do crescimento das áreas verdes na China e na Índia.

A diminuição da camada de ozônio, detectada em forma de buraco na região antártica, é causada, principalmente, pelas emissões de CFC e pode contribuir também para o aquecimento global do planeta.

Efeito estufa

Muitas das alterações climáticas detectadas na história da Terra ocorreram ao longo de milhares ou milhões de anos. As mais rápidas provocaram grandes extinções de organismos vivos. A mudança atual pode ser qualificada como muito rápida, já que foi produzida em poucas décadas e as causas são atribuídas, em grande medida, à atividade humana.

Entre as principais fontes de energia utilizadas pelo ser humano, o carvão mineral é o que mais provoca a emissão de carbono. Atualmente, calcula-se que as emissões procedentes do carvão e do petróleo são similares, apesar de o consumo de carvão ser um terço menor. Já o gás natural tem maior poder energético e níveis de emissões menores, mesmo que lance quantidades importantes de óxidos de nitrogênio na atmosfera.

Considerando que as atividades humanas se classificam em industriais, comerciais ou residenciais e de transporte, observa-se que do total da energia produzida, mais de um terço é dedicada à indústria, um quarto aos comércios e residências e uma quinta parte ao transporte. Em todos eles, os combustíveis fósseis são a principal fonte energética.

Fatores antrópicos e naturais

Entre os fatores naturais que tiveram ou têm incidência no clima, destacam-se:

  • Variações no relevo terrestre.
  • Variações nos circuitos das correntes marinhas, que regulam a temperatura em escala mundial.
  • Variações na órbita terrestre e a inclinação do eixo de rotação da Terra.
  • Variações na atividade solar.

A aceleração da alteração climática detectada durante o século XX é atribuída mais às atividades industriais, à manutenção das condições de habitação dos edifícios e ao transporte. No entanto, as mudanças globais provocadas por estas atividades não repercutem apenas no clima e, por isso, este termo é empregado também quando se incluem os seguintes fenômenos:

  • Mudanças na composição da atmosfera geradas pelo aumento da emissão de gases.
  • Aumento do ozônio nas camadas baixas da atmosfera (troposfera) como resultado da interação de diversos poluentes.
  • Mudanças no clima, que em razão delas acaba ganhando uma tendência para o aquecimento global.
  • Mudanças na vegetação, geradas pelo desmatamento e pela desertificação da superfície terrestre, o que provoca uma mudança no albedo e nas emissões de origem vegetal.
  • Mudanças no ciclo da água, em razão do aumento nas emissões de óxidos de nitrogênio e de enxofre, que causam a chuva ácida. Tais alterações provocam a degradação de ecossistemas e modificações na química da água.
  • Mudanças nos usos do solo, com abandono de cultivos, fragmentação do hábitat e homogeneização da paisagem.
  • Diminuição da biodiversidade.
  • Aumento da fertilização da biosfera.
  • Diminuição da camada de ozônio estratosférico, com o conseguinte aumento da penetrabilidade da radiação ultravioleta.


EVIDÊNCIAS DA MUDANÇA
Em 1995, as Nações Unidas advertiam, por meio do comitê científico que forma o Grupo Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC), que os registros climatológicos identificavam uma resposta do clima às atividades humanas. A proporção de CO2 na atmosfera alcançava 360 partes por milhão (ppm), quantidade muito superior às 280 ppm calculadas para a atmosfera no século XIX.

A partir da década de 1980, detectou-se um aumento na atmosfera de CFC e seus derivados, além de óxido nitroso, metano e outros gases de efeito estufa procedentes de atividades antrópicas (lixões, refinarias, criação intensiva de gado, arrozais etc.). Este acréscimo coincidiu com um aumento da temperatura média mundial de aproximadamente 0,6 °C durante o século XX.

O retrocesso da maioria das geleiras alpinas, a fragmentação de grandes volumes de gelo nos cascos polares e as temperaturas mais elevadas do que o habitual registradas na Sibéria são outras tantas evidências de mudanças climáticas que já foram detectadas.

Outro fenômeno relacionado com o clima, especialmente preocupante na região mediterrânea, é o aumento do ozônio troposférico. Esta substância é gerada a partir de outros poluentes, como os óxidos de nitrogênio e os hidrocarbonetos, mediante um processo que requer uma alta radiação solar. O ozônio tem um grande poder oxidante e, a partir de determinadas concentrações, é tóxico para os seres vivos. Durante o verão, as grandes cidades costeiras mediterrâneas e suas áreas de influência costumam ultrapassar os limites toleráveis pela vegetação no que se refere à contaminação por ozônio, e teme-se que, em um futuro não muito distante, a substância alcance limites nocivos para a saúde humana.

A magnitude do problema

O ritmo atual de mudança, com previsões de que a temperatura média atual aumente em mais de 3 °C nos próximos cem anos, é o mais acelerado já registrado até o momento. Mesmo que tal elevação pareça moderada, suas consequências poderão ocasionar uma grande quantidade de desastres como inundações, secas ou incêndios.

Além disso, o fato da maioria dos países industrializados serem incapazes de reduzir ou estabilizar suas emissões de gases de efeito estufa, e dos países em desenvolvimento aumentarem o nível de emissões, constituem dados alarmantes.

O consumo energético por habitante duplicou desde 1950 e a tendência é aumentar. A população continua crescendo, assim como a demanda energética destinada a satisfazer as necessidades de alimentação, iluminação, transporte, aquecimento, refrigeração, comunicação e lazer da humanidade. Tudo isso resulta em um consumo maior de combustíveis fósseis. Os prognósticos baseados nas taxas de consumo indicam que, em meados do século XXI, o nível de CO2 na atmosfera duplicará em relação ao que era emitido durante o período pré-industrial.


ALTERAÇÕES
Pesquisas feitas em laboratório e estudos de campo controlados comprovaram que o aumento de CO2 pode provocar efeitos de grande alcance.

Mudanças nas plantas

As plantas podem experimentar alterações muito importantes:

  • Aumento da taxa fotossintética e da produção de biomassas.
  • Diminuição da concentração de nitrogênio foliar e aumento de compostos secundários.
  • Aumento da eficiência no uso da água, de especial importância em ecossistemas mediterrâneos.
  • Aumento de hidratos de carbono nas raízes.
  • Aceleração do processo de floração e frutificação.

Esses efeitos dependem também de outros fatores, como a presença de poluentes na atmosfera ou a disponibilidade de água e nutrientes, e não se apresentam da mesma forma em todas as espécies. Por isso, algumas parecem adaptar-se melhor que outras às mudanças climáticas. O aumento de compostos secundários nas plantas (taninos, lignina, compostos fenólicos etc.) é consequência da maior disponibilidade de carbono. Tal “excesso” destina-se à formação de substâncias que costumam desempenhar um importante papel na relação entre plantas e herbívoros. A consequência desse fenômeno pode ser uma perda de qualidade nas espécies forrageiras, e, como resposta animal, poderia ocorrer um aumento do consumo.

Uma possível solução para as espécies mais sensíveis às mudanças de temperatura e incapazes de adaptar-se à nova situação seria a migração para as montanhas ou para outras latitudes. Porém, ao aumentar a altitude, reduz-se o espaço vital. Portanto, as espécies que necessitam de superfícies muito extensas para viver correm o risco de acabar extintas. Também poderiam desaparecer as que não encontrassem um ambiente adequado, seja pelas barreiras naturais ou artificiais que lhes impediriam o acesso ou pelas transformações do hábitat decorrentes da atividade humana.

A radiação ultravioleta

Outro grave problema provocado pela redução da camada de ozônio é que ela permitirá uma maior penetração da radiação ultravioleta, muito perigosa para a vida no planeta. Sabe-se que esta radiação pode afetar os ácidos nucléicos (DNA e RNA) e causar aos animais e seres humanos câncer de pele e afecções oculares, além de enfraquecimento do sistema imunológico. Nas plantas também foi detectada sensibilidade a esse tipo de radiação, que diminui sua eficiência produtiva.

Alterações tróficas

O aumento de CO2 e da temperatura poderia ocasionar um deslocamento das florestas para o polo na hidrosfera Norte. No entanto, existe pouca informação sobre a capacidade de avanço dos volumes florestais e teme-se que não seja suficientemente rápida. Essas variações poderiam aumentar as infecções e doenças, além de deteriorar o estado da floresta. No norte da Finlândia, os cientistas já detectaram um avanço das florestas de coníferas para a tundra.

Em alguns ecossistemas marítimos também foi comprovada uma diminuição do zooplâncton como consequência do aumento da temperatura. Além disso, o fitoplâncton é sensível às radiações ultravioletas, capazes de penetrar alguns metros na água. Por isso, o enfraquecimento da camada de ozônio poderia afetar gravemente estas populações.

Nos ecossistemas mediterrâneos, as mudanças podem ser mais intensas, pois as temperaturas não modulam as respostas ao aumento de CO2, como ocorre em ambientes mais frios. Se na atmosfera há mais desta substância, as plantas não precisam ter os orifícios estomáticos muito abertos para captar a mesma quantidade. Além disso, quando os estomas estão mais fechados, as plantas perdem menos água. Portanto, com a mesma quantidade de água e um aumento da disponibilidade de CO2, elas cresceriam mais. Mas ao mesmo tempo, os processos de floração e de frutificação seriam antecipados.

As mudanças na composição química das vegetações influenciam os ciclos biogeoquímicos dos ecossistemas e as relações entre plantas, animais e micro-organismos.

AMEAÇAS
Uma das possíveis consequências da mudança climática é o aumento da seca em muitas partes do mundo. Cerca de uma centena de países sofre com a contínua falta d’água. Por isso, sua produção agrícola é limitada. Os possíveis efeitos do aquecimento global sobre a agricultura não são, no entanto, nada claros.

Em princípio, pode-se pensar que um aumento de temperatura e CO2 beneficiaria os cultivos e melhoraria seu rendimento, mas desconhece-se qual é a capacidade de resposta dos sistemas agrícolas a uma alteração tão rápida como a descrita. A mudança climática pode ocasionar modificações do solo, sobretudo na armazenagem de carbono e nitrogênio, e provocar a degradação química dos terrenos mais sensíveis como os do Pampa argentino.

O aquecimento global poderia nos encaminhar à substituição de determinadas formações vegetais por cultivos. Na região andina, por exemplo, a ascensão da temperatura provocaria o avanço dos locais ermos para os cúmulos mais altos. Isto permitiria o cultivo na região, que atualmente é ocupada por formações vegetais de grande valor ecológico.

Mudança climática e catástrofes

Os efeitos da mudança climática sobre a economia poderiam ser multiplicados se fosse confirmada a relação entre este fator e a maior frequência e magnitude das catástrofes naturais (furacões, ciclones, inundações etc.). A América Latina é especialmente sensível a este problema. Os períodos de variação climática conhecidos como El Niño e La Niña somam-se à grande desigualdade na repartição da riqueza e ao atraso no nível de desenvolvimento. Calcula-se que as perdas ocasionadas nas comunidades andinas pelos efeitos devastadores do El Niño em 1997 e 1998 chegaram a 7,5 trilhões de dólares. A frequência destas catástrofes naturais parece ter aumentado nos últimos anos, mas é difícil provar que seja ocasionada pelo aquecimento do planeta. Outro efeito desta mudança será a elevação do nível do mar, que segundo alguns cientistas, poderia chegar a até um metro em alguns lugares do planeta durante o século XXI. Além disso, a invasão da água marinha nos deltas e sistemas litorâneos poderia reduzir de modo dramático a produção de algumas atividades agrícolas e pesqueiras.

Em razão disso, há uma inegável importância para a implementação de políticas públicas que promovam a redução da pressão que hoje exercemos sobre recursos naturais como água. Entender e controlar os riscos ambientais presentes em inúmeras atividades humanas é o único caminho para combater problemas como a pobreza e a insegurança alimentar que o aquecimento global produz.


OS ACORDOS INTERNACIONAIS
Nas últimas décadas do século XX, a comunidade internacional chegou a uma série de acordos para tentar frear a degradação ambiental do planeta.

Protocolo de Montreal

O primeiro acordo internacional para reduzir um problema ambiental de alcance planetário foi o Protocolo de Montreal, de 1987. Nele, os diferentes países e as indústrias assinaram um tratado no qual se comprometiam a reduzir a produção de CFC e outros gases que causam a redução da camada de ozônio. Este tratado significou uma mudança radical na indústria dos aerossóis e da refrigeração, e em pouco tempo, observou-se que os produtos livres destes gases tinham um apelo comercial muito maior que os anteriores, em razão da consciência ambiental do consumidor.

Protocolo de Kioto

O desafio de diminuir as emissões de carbono é complexo, já que tem a oposição da indústria, cuja atividade se fundamenta no consumo de combustíveis fósseis. Desse modo, não é de se estranhar que os países que iniciaram políticas eficazes de redução de emissões sejam os que não têm fontes de petróleo ou carvão (como a Suíça ou a Dinamarca). Isso acontece porque o problema da mudança climática não é uma questão técnica, mas política.

Atualmente, é possível melhorar a eficiência energética mediante a aplicação de fontes que evitem a dependência das grandes centrais de energia. Trata-se de aproveitar o calor restante de muitos processos industriais para gerar energia elétrica. Um exemplo é utilizar o gás metano como substituto do petróleo e potencializar o uso de fontes alternativas (eólica, solar etc.).

Um dos objetivos da Cúpula da Terra, celebrada, no Rio de Janeiro, durante a Eco-92, era permitir que em 2000 se mantivessem as emissões de CO2 nos níveis de 1990. Porém, em 1994, já era evidente que esta meta não seria alcançada, já que em alguns países industrializados as emissões aumentaram em 5% em relação a 1990 e, em muitos outros, em desenvolvimento, o aumento tinha sido muito superior (até 40% em alguns casos).

Depois do fracasso da cúpula de Berlim em 1995, onde também não se firmou um acordo sobre a redução de emissões, a ONU realizou a terceira cúpula sobre o clima em Kioto, no ano de 1997.

Nela, 159 países se comprometeram, no que já se conhece como o Protocolo de Kioto (ou Protocolo de Quioto), a reduzirem suas emissões de gases de efeito estufa em média 5,2%, entre 2008 e 2010. A União Europeia concordou em alcançar até 8% de redução, mas, em meados de 2001, os Estados Unidos já anunciaram sua decisão de não respeitar o acordo e muitos especialistas acreditam que estes esforços não serão suficientes.

Tudo acabaria culminando no Acordo de Paris sobre mudanças climáticas, aprovado em 2015. Nele, a comunidade internacional assumiu o compromisso de limitar o aumento da temperatura ao teto máximo de 2ºC em relação aos níveis da era pré-industrial, evitando assim que as crise ambiental piorasse ainda mais. Esse acordo foi assinado por 196 países – incluindo a Autoridade Palestina –, dos quais 147 o ratificaram oficialmente. Depois das assinaturas, o texto entrou em vigor no dia 4 de novembro de 2016.

Infelizmente, após a chegada do republicano Donald Trump à presidência dos Estados Unidos, seu governo decidiu, em 2017, retirar a maior economia do planeta do Acordo de Paris. Segundo a maioria dos analistas internacionais, a saída dos EUA, país que em 2018 era o segundo maior produtor mundial de gás de efeito estufa do planeta, poderá colocar a perder todos os esforços feitos para se chegar ao acordo no qual, pela primeira vez na história, 195 países da ONU se comprometiam a reduzir suas emissões.


PARA SABER MAIS, LEIA TAMBÉM