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Câncer, causas e prevenções
 
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 O QUE É O CÂNCER Imprimir Enviar Guardar
 
  Fosfoetalonamina sintética ou "pílula anticâncer" ganhou destaque ao ser divulgada como promessa de cura para todos os tipos de câncer.

Câncer é o nome que se dá a um grupo grande e heterogêneo de doenças – mais de 100 – que se caracterizam pelo crescimento e divisão excessivos e desordenados de células do corpo humano ou animal. A palavra câncer provém do termo latino cancer, termo que significa caranguejo ou lagostim. Essa etimologia decorre da semelhança que alguns tumores de mama apresentam com a forma de um caranguejo quando crescem radialmente, infiltrando-se nos tecidos adjacentes.

Nos seres humanos, esse crescimento ocorre em tecidos ou órgãos diversos, podendo afetar qualquer parte do corpo. O câncer é chamado também de neoplasma e se caracteriza, essencialmente, pela rápida criação de células anormais que crescem mais do que seu tamanho normal, podendo se espalhar por diversas partes do corpo se o processo não for interrompido por meio de tratamento médico especializado.

A multiplicação descontrolada das células se materializa sob a forma de aglomerados celulares chamados de tumores. Quando os tumores crescem e invadem tecidos ou órgãos adjacentes, levando muitas vezes à destruição dos tecidos ou órgãos saudáveis, são chamados de malignos. Esse processo de espalhamento do tumor é chamado de metástase e é a maior causa de mortes em decorrência do câncer.

Um segundo tipo de tumor, os benignos, crescem de forma lenta e semelhante ao tecido ou órgão no qual se encontram e não tem a capacidade de invadir outros tecidos ou órgãos do corpo, podendo, em geral, ser removidos do organismo por meio de cirurgias simples. Além disso, sua taxa de crescimento é bastante inferior à dos tumores malignos e muito raramente representam risco de morte.

Em 2012, último ano com estatísticas já tabuladas pela Organização Mundial da Saúde (OMS), foram diagnosticados 14 milhões de novos casos de câncer e ocorreram 8,2 milhões de óbitos em decorrência de complicações causadas pela doença. De acordo com a entidade, naquele ano, os principais tipos de câncer foram o de pulmão, com 1,59 milhão de mortes; o de fígado, com 745 mil mortes; o de estômago, com 723 mil mortes; o colorretal, com 694 mil mortes; o de mama, com 521 mil mortes e o de esôfago, com 400 mil mortes.

Em um estudo recente divulgado pelo Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA), para o Brasil estima-se que no biênio de 2018-2019, ocorrerão em média 600 mil casos novos de câncer por ano. Sendo os mais incidentes os cânceres de próstata (68 mil) para os homens, e os de mama (60 mil) para mulheres. Seguidos pelos cânceres de pulmão, cólon e reto.

Segundo a OMS, um terço das mortes por câncer decorre de cinco fatores de risco de ordem comportamental e dietética: índice de massa corporal (IMC) elevado, baixo consumo de frutas e vegetais, falta de atividade física, fumar e beber. O hábito de fumar é o fator de risco mais importante e causa cerca de 30% das mortes globais por câncer.


ORIGENS E CAUSAS POTENCIAIS DO CÂNCER
O câncer desenvolve-se a partir de uma única célula que sofreu uma ou mais mutações, erros genéticos que ocorrem no DNA e que são transmitidas às células filhas no momento da divisão celular, a partir daí as células mutantes começam a se dividir de forma desordenada e acelerada. No momento do diagnóstico a quantidade de células cancerígenas que formam o tumor podem variar de cem até um bilhão. Todas elas serão cópias idênticas da célula mutante que surgiram a partir de divisões mitóticas. Estas células só conseguem ser detectadas em raios X quando o tecido tumoral tenha atingido, pelo menos, entre 0,5 e 1 centímetro de diâmetro.

Segundo o INCA, o câncer pode ser causado por fatores genéticos, algo que o indivíduo não pode mudar, e agentes externos, chamados de carcinógenos, que podem possuir três origens distintas: carcinógenos físicos (raios ultravioletas, radiação ionizante), carcinógenos químicos (asbesto, fumaça de cigarro, arsênico e outras substâncias químicas) e carcinógenos biológicos (vírus, bactérias ou parasitas).

 Esses fatores podem atuar em conjunto ou em sequência no processo de desenvolvimento de um câncer. Em geral, dez ou mais anos se passam entre a exposição a fatores externos ou o desenvolvimento de fatores internos e a detecção da doença.

A HERANÇA GENÉTICA
As células de um mesmo tumor contêm as mesmas alterações em seu código genético, já que todas provêm de uma mesma célula inicial. Quando uma célula, ao se dividir, se converte em célula cancerosa, ela nunca mais poderá originar células normais. O câncer é, portanto, em sentido estrito, uma doença genética.

Isso não faz do câncer, porém, uma doença hereditária. Na verdade, a maior parte dos cânceres não é hereditária, portanto, não é uma doença majoritariamente transmitida de pais para filhos. No caso de alterações genéticas que resultem no desenvolvimento de alguma forma de câncer, é possível encontrar algum tipo de hereditariedade no código genético das células germinativas, isto é, nos espermatozoides e óvulos dos “herdeiros” da doença. Essa hereditariedade ocorre entre 5% e 10% dos cânceres de mama e em enfermidades genéticas que possibilitam o surgimento de determinados tipos de câncer. Casos em que os cânceres são herdados, tal como no retinoblastoma, um tipo de câncer que ataca a retina ocular e que, em geral, acomete crianças, são raros.

O câncer também não é uma doença contagiosa. Mesmo aqueles causados por vírus não são contagiosos, ou seja, não passam de uma pessoa a outra. No entanto, segundo o INCA, alguns vírus oncogênicos, isto é, capazes de produzir câncer, podem ser transmitidos através do contato sexual, de transfusões de sangue ou de seringas contaminadas utilizadas para injetar drogas.

São exemplos de vírus carcinogênicos o vírus da hepatite B, que provoca câncer de fígado, e o vírus HTLV–I, sigla em inglês para Human T-lymphotropic virus type I, ou Vírus linfotrópico da célula humana do tipo 1, causador da leucemia e do linfoma de célula T, em adultos.


A PARTICIPAÇÃO DOS GENES
As alterações genéticas que dão lugar ao crescimento e divisão descontrolados de uma célula se produzem em zonas específicas do genoma, o conjunto de genes de uma espécie. Já se conhecem três tipos de genes que podem estar implicados na transformação de uma célula normal em uma célula cancerosa.

O primeiro tipo é composto pelos proto-oncogenes. Esses genes, quando alterados e não reparados, podem causar descontrole e dar início à divisão da célula afetada. Eles causam, portanto, a transformação de uma célula normal em cancerosa. As formas modificadas dos proto-oncogenes são chamadas de oncogenes.

Os genes supressores de tumores formam o segundo tipo de genes implicados no câncer. Esses genes têm a função de controlar a divisão celular. Sua alteração impede que eles continuem a regular esse processo. Sem o controle da divisão, as células passam a se dividir de forma não controlada, transformando-se, assim, em células cancerosas.

Por último, o grupo dos genes de reparação de DNA, encarregados de reparar os possíveis erros que se dão cada vez que o material genético é replicado, ou seja, quando uma célula produz novas células. Se os genes reparadores não funcionam corretamente, as lesões produzidas na replicação não são reparadas. Se uma dessas lesões se tornar um gene pertencente ao primeiro ou ao segundo tipo, proto-oncogenes ou genes supressores, respectivamente, o processo de divisão celular entra em parafuso, possibilitando assim o início de um processo tumoral.

Calcula-se que o código genético humano contenha mais de 30 mil genes. Desses, só se conhecem 1.000 proto-oncogenes, cerca de 30 genes supressores de tumores e 25 genes reparadores de DNA. A quantidade de genes que ainda não foram analisados, no entanto, é muito grande e esses números poderão ser revistos, futuramente.


AGENTES CANCERÍGENOS EXTERNOS
Existem inúmeros fatores externos que podem influir no funcionamento das células de um organismo e, portanto, produzir mutações no material genético, o que, por sua vez, poderá ocasionar o disparo de um processo cancerígeno.

A associação entre incidência de câncer e o ambiente ao redor foi percebida, pela primeira vez em 1775, quando se descobriu a elevada incidência do câncer de testículo entre os limpadores de chaminés de Londres. A causa dos cânceres seria a fuligem com a qual os trabalhadores entravam em contato diariamente. Levada pelo suor para a região da bolsa escrotal, o acúmulo da substância no local acabaria por penetrar no tecido escrotal e formar um tumor. Esta foi aliás a primeira doença do trabalho publicamente identificada. Ainda em relação ao ambiente circundante, associou-se também o câncer de boca com pessoas que inalavam ou mascavam tabaco.

Atualmente, já está demonstrada a existência de uma grande quantidade de agentes externos que podem causar câncer. Tais agentes vão desde substâncias químicas, agentes físicos ou microrganismos causadores de infecções.

Do grupo das substâncias químicas, algumas se encontram na natureza e outras são sintéticas, estas por suas vez, são responsáveis por 90% dos tumores que afetam a espécie humana. Entre elas, compostos orgânicos como o cloreto de vinila e as nitrosaminas. Do grupo das substâncias naturais destaca-se a aflatoxina, uma microtoxina cancerígena produzida pelo fungo Aspergillus flavus.

As radiações ionizantes e a luz ultravioleta são os principais agentes cancerígenos físicos externos e são responsáveis por 5% dos tumores humanos. Entre os agentes produtores de radiações, o gás radônio é o que mais dano causa às células dos organismos vivos. O radônio pode ser encontrado em solos e penetrar em edificações através dos seus alicerces, aproveitando o espaço entre o solo e o piso da residência para adentrar no ambiente. Além disso, solos expostos, bombas de esgoto, canos mal colocados, rachaduras no piso, entre outras partes de uma casa, são possíveis meios de infiltração por esse gás.

Por último, os vírus são responsáveis por 5% dos tumores, especialmente os vírus do papiloma, HPV-16 e HPV-18, os das hepatites B e C, o vírus de Epstein-Barr, os vírus do herpes simples, o herpes-vírus HHV-8, os vírus da leucemia humana I e II e o VIH, vírus da imunodeficiência humana, causador da AIDS.

Apesar da grande quantidade de agentes perigosos que podem causar mutações no DNA humano, devemos ter em mente que uma única mutação não produz um câncer. A cada dia que passa o corpo humano produz alterações genéticas potencialmente cancerosas, porém, essas alterações são desfeitas pelos mecanismos de reparação do DNA. Com a passagem dos anos, no entanto, as células perdem a capacidade de correção das mutações. Consequentemente, um dos principais fatores de risco para a ocorrência de câncer é a idade avançada do indivíduo.


A IDADE E O CÂNCER
À medida que envelhecemos, a incidência do câncer aumenta, os mecanismos de reparo celular que impedem o desenvolvimento de células anormais ficam cada vez menos eficientes com o passar do tempo. Como o câncer é uma enfermidade decorrente do acúmulo de lesões genéticas, quanto mais erros não corrigidos se acumulam no material genético das células de uma pessoa, maior a probabilidade dessa pessoa sofrer a enfermidade.

Além disso, quanto maior for o tempo de vida do indivíduo, maior será a quantidade de alterações, já que as células se dividiram mais vezes ao longo da história da pessoa. Uma célula humana tem a probabilidade de sofrer 1010 mutações em cada um de seus genes durante sua curta vida. Se levarmos em consideração que durante a vida de um indivíduo se produzem em seu corpo 1016 divisões celulares, em realidade a incidência do câncer é mais baixa do que poderia parecer à primeira vista diante das mais de 1 milhão de oportunidades em que isso é possível (exatas 1.026.160 chances, ou 1010 x 1016). Isso se deve ao fato dos genes supressores de tumores corrigirem a maior parte das alterações que se dão no código genético. Com o passar dos anos, no entanto, esses genes perdem sua eficácia e o risco aumenta de maneira exponencial com a idade.


FATORES DE RISCO E VIDA COTIDIANA
A elevada incidência do câncer na sociedade ocidental resulta de inúmeros motivos. Um deles, certamente, o número cada vez maior de pessoas que vivem até idades muito avançadas, período em que diminui no organismo humano a reparação das células que sofrem mutação genética.

Outro fator importante são os hábitos não saudáveis, entre os quais, destacam-se o tabaco, responsável por 90% dos cânceres de pulmão e 30% do total de mortes por câncer, isso porque fumar também é um fator de risco e possível causador de cânceres de laringe, faringe, esôfago, rim, bexiga, boca e pâncreas.

Há uma longa lista de fatores relacionados ao câncer, mas cuja associação está, todavia, ainda por ser demonstrada cientificamente. A dieta, especialmente aquela rica em gordura, pode contribuir para a aparição de alguns tipos de câncer. Quanto ao álcool, no entanto, não restam dúvidas, já que foi possível estabelecer uma clara relação entre a ingestão frequente de bebidas alcoólicas e a aparição de tumores na cavidade bucal, laringe, faringe, esôfago e fígado.

Segundo o Inca, os “efeitos do álcool variam de acordo com a rapidez e a frequência com que ele é ingerido, com a quantidade de alimentos consumidos durante a ingestão de bebidas alcoólicas, com o peso da pessoa etc. (…) muitas doenças são causadas pelo uso contínuo do álcool: doenças neurais, mentais, musculares, hepáticas, gástricas, pancreáticas e, entre elas, o câncer”.

Ainda segundo o Inca, o uso de contraceptivos orais, geralmente compostos por combinações dos hormônios femininos estrógeno e progesterona, só que sintéticos, pode causar câncer de mama e câncer de colo uterino. Paradoxalmente, porém, também já se comprovou que o estrógeno e a progesterona são capazes de proteger contra o câncer de endométrio.

Outro fator da vida cotidiana bastante estudado é o estresse. Em situações que provocam nervosismo e ansiedade, o organismo secreta alguns hormônios que, em certos casos, foram identificados como causadores de câncer. Existem também, no entanto, outros hormônios que modulam a resposta do organismo contra a geração do tumor. O processo canceroso se desenvolve geralmente ao longo de muitos anos, em idades mais avançadas, e os fatores que o induzem tornam, por enquanto, difícil estabelecer uma relação direta de "causa e efeito" entre os hormônios produzidos em situações de estresse e a doença.


ELETRICIDADE E CÂNCER INFANTIL
São cada vez mais comuns reportagens que questionam se o uso do telefone celular poderia ou não provocar câncer. Diversos estudos têm tentado descobrir se a energia eletromagnética produzida por linhas de alta tensão, cabos elétricos e celulares pode causar câncer. Até recentemente, no entanto, nenhuma evidência ligou a presença dessas fontes de energia eletromagnética à ocorrência de cânceres em pessoas nas suas proximidades. Outra linha de pesquisa, porém, busca descobrir se os campos magnéticos podem induzir a aparição de leucemia em crianças. Um relatório de 2001 do Conselho Nacional de Proteção à Radiação, órgão do governo inglês, afirmava que podia haver um ligeiro aumento do risco de leucemia em crianças próximas a fontes eletromagnéticas.

Os pesquisadores chegaram à conclusão que, a cada 500 casos de leucemia infantil anuais, os campos eletromagnéticos poderiam adicionar mais dois casos por ano, ou seja, morar perto de um campo eletromagnético de grande intensidade elevaria o risco de crianças moradoras naquelas residências desenvolverem leucemia em 0,25%.

Em 2014, no entanto, outra pesquisa realizada no Reino Unido, desta vez pelo Grupo de Pesquisa em Câncer Infantil da Universidade de Oxford, descobriu que as crianças que vivem perto de linhas de transmissão de energia elétrica no início da vida não apresentavam um risco maior de desenvolver leucemia infantil. Ao fim da investigação, eles afirmaram não poder demonstrar nenhum efeito biológico direto das linhas de energia no aumento do risco de leucemia. As pesquisas nesse campo continuam, mas parece pouco provável que a energia eletromagnética cause câncer.


INCIDÊNCIAS DOS TIPOS DE CÂNCER
O câncer pode desenvolver-se em qualquer tecido de qualquer órgão do corpo e em qualquer idade. A doença é a segunda causa de morte em adultos no mundo ocidental. O melhor instrumento que a medicina dispõe para evitá-lo é a prevenção. Os últimos estudos mostram que 40 de cada 100 mortes por câncer poderiam ter sido evitadas com as seguintes medidas preventivas: 30% deixando de fumar, entre 4% e 5% limitando a ingestão de álcool e 2% combatendo a obesidade, aumentando o consumo de frutas e verduras e reduzindo o consumo de gorduras animais.

Os cânceres que produzem maior mortalidade nos Estados Unidos e na Europa são o câncer de pulmão, o câncer colorretal — segundo o Instituto Nacional de Câncer, em 2006, o câncer colorretal foi o quinto tumor maligno mais frequente entre os homens (com 11.390 novos casos registrados) e o quarto entre as mulheres (13.970 novos casos registrados) —, os de mama e de útero nas mulheres e o de próstata nos homens. A forma mais frequente de câncer é a do câncer de pele, com mais de meio milhão de novos casos registrados pelas autoridades médicas a cada ano.

Em escala global, de acordo com a OMS, os cinco tipos de câncer que mais afetam os homens são os de pulmão, de próstata, o colorretal, de estômago e de fígado. Entre as mulheres, os principais tipos da doença são os cânceres de mama, o colorretal, de pulmão, o cervical e de estômago.


OS TUMORES
O diâmetro médio de um tumor, no momento de sua detecção clínica, é de 1 centímetro. Um tumor com tais dimensões é produto de cerca de 30 duplicações de uma única célula demasiado ativa, processo que se inicia, em média, cerca de oito anos antes. Esses números são aproximados, pois tumores mais agressivos que outros podem se duplicar mais rapidamente.

 Em geral, o tempo de duplicação é da ordem de 24 horas nos primeiros estágios de crescimento e diminui à medida que o tumor cresce. Para um tumor de 1 centímetro, o tempo de duplicação se situa ao redor dos 100 dias, passando a 200 quando o diâmetro alcança 10 centímetros.

Depois de 30 duplicações, um tumor contém bilhões de células e constitui um problema cuja natureza depende das características das células que o formam: caso este apresente forma localizada e encapsulada e cresça, mas conserve limites bem definidos, será benigno. Quando um tumor ou neoplasia, no entanto, carece de cápsula, isto é, uma membrana ou tecido elástico a envolver o tumor, e este se infiltra nos tecidos vizinhos e produz células que se separam do tumor principal para constituir colônias mais ou menos separadas do foco inicial, está então configurado um tumor maligno em processo de metástase.

 A metástase, em geral, se desenvolve depois que células cancerígenas do tumor original penetram nos vasos sanguíneos e se disseminam pelo organismo, onde geram tumores secundários em outras partes do corpo.


EVOLUÇÃO CLÍNICA E TRATAMENTOS
Um tumor pode ser tratado com fármacos, cirurgia, radiação ou os três procedimentos de uma só vez, de acordo com o tipo de tumor e o local onde é encontrado. A evolução da doença é muito diferente em diferentes indivíduos, porém, quando as metástases são evidentes, ou ainda, quando o tumor é muito agressivo, tratamentos convencionais são capazes de frear a evolução do processo, mas dificilmente conseguem erradicar a enfermidade. Para cada específico uma diferente abordagem deve ser levada em conta.

CIRURGIA
A cirurgia é o procedimento que mais cura o câncer. Um fenômeno recorrente associado à cirurgia de tumores é o de “despertar” metástases depois da ablação, isto é, a retirada, do tumor principal. A explicação para esse fenômeno supõe que o tumor original libere certas substâncias que mantém em estado de latência os tumores secundários já disseminados pelo organismo. A ausência da fonte repressora – o tumor principal – propicia, em consequência, o início das metástases e crescimento acelerado dos tumores anteriormente adormecidos.

A causa desse fenômeno, de acordo com alguns oncologistas, é a quimioterapia sistemática, tanto pré-operatória como pós-operatória. Problemas similares ocorrem na cirurgia das metástases. Em algumas ocasiões, o oncologista, depois de várias recidivas, como são chamadas as reaparições de metástases, pode optar por não extraí-las, fundamentalmente porque está consciente do papel moderador que um tumor dominante pode desempenhar.


RADIOTERAPIA
A radioterapia divide com a cirurgia seu caráter local, isto é, a radiação é dirigida seletivamente à zona cancerosa da mesma forma como o procedimento cirúrgico. O caráter destrutivo de um feixe de radiação ionizante procedente de uma fonte radioativa se baseia, sobretudo, na formação de radicais livres no meio celular.

Um radical livre é uma molécula residente na célula cuja modificação pela radiação a torna instável e reativa. Essa característica permite que ela reaja com outras moléculas impedindo ou dificultando sua função normal. Se a dose de radiação for suficiente, o dano extensivo pode impossibilitar a duplicação das células tumorais, reduzindo o tamanho do tumor ou eliminando-o por completo.

Dependendo da situação, a radioterapia é utilizada como complemento da cirurgia. Isso ocorre em caso de tumores difusos do pâncreas, tumores do encéfalo e metástases em geral. Um dado a se levar em conta é que a aplicação da radioterapia médica provoca a criação de radicais livres de oxigênio, substâncias que causam lesão celular. Assim, sucede que um dos elementos mais importantes na aplicação da radioterapia é o cálculo correto da dose de radiação a ser utilizada por meio desse tipo de tratamento.


QUIMIOTERAPIA
A quimioterapia — ou agressão química do processo canceroso — apresenta, em relação ao tratamento físico (radiológico ou cirúrgico) a vantagem estratégica de não depender, em princípio, da detecção previa do foco tumoral e, assim, poder atuar sobre todos os focos proliferativos, por menores que sejam.

O mecanismo de ação do fármaco antitumoral clássico se baseia na característica mais evidente do tumor, ou seja, em sua desenfreada capacidade de duplicação. Não obstante, nessa categoria proliferativa estão incluídas algumas células normais do organismo, principalmente as sanguíneas. Esse fator é de crucial importância no momento de planejar um protocolo de tratamento, o qual, em princípio, é amplo e deve compreender períodos de interrupção para permitir a regeneração de glóbulos vermelhos e de plaquetas — os elementos mais castigados pelo tratamento. Por isso, junto aos tratamentos especificamente antitumorais, existe toda uma série de técnicas para diminuir a deterioração das células sanguíneas do paciente. Esses tratamentos compreendem o autotransplante de células-mãe leucocitárias, tomadas do mesmo paciente antes do tratamento, transfusões de plaquetas e, mais recentemente, o uso e a experimentação clínica de fatores de crescimento de glóbulos vermelhos, brancos e plaquetas.


COMO SE PROTEGER?
O Instituto Nacional do Câncer oferece dez valiosas dicas para nos protegermos contra o câncer. São elas:

  1. Pare de fumar! Esta é a regra mais importante para prevenir o surgimento de câncer.
  2. Uma alimentação saudável pode reduzir as chances de câncer em pelo menos 40%. Coma mais frutas, legumes, verduras, cereais e menos alimentos gordurosos, salgados e enlatados. Sua dieta deveria conter diariamente, pelo menos, cinco porções de frutas, verduras e legumes. Dê preferência às gorduras de origem vegetal como o azeite extra virgem e o óleo de girassol, entre outros, lembrando sempre que esses óleos não devem ser expostos a temperaturas elevadas para manter suas propriedades anticancerígenas. Evite gorduras de origem animal (leite e derivados, carne de porco, carne vermelha, pele de frango etc.) e algumas gorduras vegetais como margarinas e gordura vegetal hidrogenada.
  3. Evite ou limite a ingestão de bebidas alcoólicas. Os homens não devem tomar mais de duas doses de destilados ou uma garrafa de cerveja por dia, enquanto as mulheres devem limitar esse consumo à metade do consumo recomendado para os homens. Além disso, pratique atividades físicas moderadamente durante pelo menos 30 minutos, cinco vezes por semana.
  4. É aconselhável que homens entre 50 e 70 anos, quando forem a uma consulta médica qualquer, peçam orientação sobre a necessidade de investigação do câncer da próstata.
  5. Homens acima de 45 anos e com histórico familiar de pai ou irmão com câncer de próstata antes dos 60 anos devem realizar consulta médica para investigação de câncer da próstata anualmente.
  6. Mulheres, com 40 anos ou mais, devem realizar o exame clínico das mamas anualmente. Além disso, toda mulher, entre 50 e 69 anos, deve fazer uma mamografia a cada dois anos. Mulheres com caso de câncer de mama na família (mãe, irmã, filha etc., diagnosticados antes dos 50 anos), ou aquelas que tiverem câncer de ovário ou câncer em uma das mamas, em qualquer idade, devem realizar o exame clínico e a mamografia, a partir dos 35 anos de idade, anualmente.
  7. Mulheres com idade entre 25 e 59 anos devem realizar exame preventivo ginecológico. Após dois exames normais seguidos, deverá realizar um exame a cada três anos. Para aquelas que tiverem exames alterados, deve-se seguir as orientações médicas.
  8. É recomendável que mulheres e homens, com 50 anos ou mais, realizem exame de sangue oculto nas fezes, a cada ano (preferencialmente), ou a cada dois anos.
  9. No lazer, evite exposição prolongada ao Sol, entre as 10 e as 16 horas, e use sempre proteção adequada como chapéu, barraca e protetor solar. Se você se expõe ao Sol durante a jornada de trabalho, procure usar chapéu de aba larga, camisa de manga longa e calça comprida.
  10. Realize diariamente a higiene oral (escovação) após as principais refeições (café da manhã, almoço e jantar) e consulte o dentista regularmente.

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