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 ESCREVER BEM, 20 DICAS PRÁTICAS Imprimir Enviar Guardar
 
  Uma escrita clara é fundamental, tanto nos estudos como na vida profissional.

A linguagem é parte fundamental de nossas vidas e está presente em nosso dia a dia desde que nascemos. Ela se manifesta de muitas maneiras, em muitos níveis e deve ser respeitada e valorizada em todas as suas formas.

Embora a norma culta tenha um papel importante no que diz respeito ao estabelecimento de um conjunto de regras compartilhadas, que nos ajudam na compreensão mútua, é por meio das variantes provocadas pela linguagem coloquial que a norma se modifica e se mantém adequada e acessível aos falantes de todos os tempos.

É por meio da linguagem que trocamos mensagens com nossos semelhantes e podemos manifestar prazer, objeção, raiva, concordância e toda sorte de sentimentos e pensamentos humanos. Ela é matéria-prima que pode ser usada tanto para fins objetivos, por exemplo no trabalho, como forma de prazer, no que diz respeito à Literatura e demais manifestações artísticas que fazem uso deste recurso.


CERTO E ERRADO
Falar em “certo” e “errado” quando nos referimos à língua não é a melhor forma de observá-la como organismo vivo, em constante transformação e que pode atender aos mais diversos desejos. Não existe nada de errado em fazer uso de construções coloquiais da língua quando estamos em família ou com amigos. No entanto, buscar um certo domínio da linguagem culta é muito útil no âmbito profissional e no âmbito da escrita. No primeiro, porque significa cuidado e dedicação à própria formação; no segundo, porque garante uma comunicação mais eficaz, uma vez que se ater às regras compartilhadas garante que seremos compreendidos por um número maior de pessoas.

Dessa forma, existem, sim, aspectos que podem ser observados no sentido de tornar a mensagem mais adequada ao fim a que ela se propõem. Se o objetivo, por exemplo, é redigir um texto claro, como é desejável no ambiente profissional, é importante atentar para a simplicidade e a objetividade, pois elas permitem que as informações sejam compartilhadas de forma mais segura e eficaz. Nesse sentido, deve-se considerar ainda que, com a rapidez e o excesso de informação a que as pessoas são submetidas hoje em dia, é interessante não se alongar na mensagem, sob o risco de perder o leitor antes que ele tenha tido a oportunidade de entender qual é o seu ponto.


PLANEJANDO A MENSAGEM
Muitas vezes, a confusão na hora de escrever vem de uma certa confusão na hora de pensar. Antes de escrever um texto é interessante fazer uma pausa para elaborar a mensagem. Se a mensagem está clara para você é mais provável que você a deixe clara para seus leitores.

Fazer um breve rascunho ou esquema, por exemplo, pode ajudar. É interessante pensar no que você quer dizer e para quem, bem como fazer perguntas simples para si mesmo sobre o conteúdo: Quem? Para quem? Como? Quando? Onde? Por quê?.

Quanto mais se faz este exercício, mais compreensíveis e interligadas as informações se tornam para você mesmo e melhor será a sua habilidade de compartilhá-las, mesmo que oralmente.

Sabendo exatamente o que se quer dizer, seja honesto e fiel ao seu próprio vocabulário. Forçar o uso de palavras “sofisticadas” para rebuscar o texto pode gerar muita confusão se elas estiverem descontextualizadas. Escreva o texto da forma como você gostaria de lê-lo se estivesse buscando por aquelas informações.

É muito bom aprender novas palavras e novas construções, ampliar seu repertório, arriscar, mas também é importante não fazer um uso vazio e inadequado das palavras apenas para dar uma falsa impressão de sofisticação. O texto honesto tem muito mais chances de atingir o leitor do que o texto sem consistência.


VÍCIOS DE LINGUAGEM
Um aspecto para se atentar na hora de escrever é o de não virar refém dos vícios de linguagem. Estes vícios muitas vezes estão ligados à área de trabalho do emissor da mensagem e, por vezes, tornam-se populares e acabam sendo utilizadas pelos demais falantes.

O grande problema dos vícios de linguagem, no entanto, não é o fato de estarem ou não corretos gramaticalmente, mas, sim, que podem denotar uma certa pobreza no vocabulário, que fica limitado sempre às mesmas expressões e com poucas possibilidades. Além disso, quando se utiliza termos e construções próprios de um segmento, corre-se o risco de não deixar a mensagem clara para pessoas que não pertencem ao mesmo meio.

Isso acontece muito em relação a abreviações, siglas e símbolos, que podem ser muito comuns e óbvios para uns, mas confusos para outros. Portanto, é sempre interessantes escrevê-los por inteiro quando utilizados em um texto, pelo menos na primeira vez em que são mencionados.

Outro exemplo são os publicitários, que usam muitas expressões em inglês, como “job” (“trabalho”) e “budget” (“orçamento”), e as compreendem como algo corriqueiro, que faz parte de seus cotidianos. Uma pessoa que não é da área, no entanto, pode se sentir perdida ao escutar tantas palavras estrangeiras em uma conversa.

Já o fenômeno do “gerundismo”, que ficou comum no Brasil principalmente por ser usado por profissionais como atendentes de telemarketing, surgiu de uma tentativa de adaptar à língua portuguesa às frases encontradas nos manuais de instrução escritos em inglês. A construção, que a princípio dava um certo ar de sofisticação, difundiu-se de tal forma que virou piada, e implica num uso excessivo de diferentes verbos para transmitir informações simples. Por exemplo, as frases “Eu vou estar verificando seus dados” ou “Eu vou estar transferindo a ligação” podem ser facilmente substituídas por formas mais simples e claras, como “Eu vou verificar seus dados” ou “Eu vou transferir a ligação”.


ADJETIVOS E REDUNDÂNCIA
Os adjetivos são grandes parceiros da escrita e podem ser usados para descrever objetos, lugares, pessoas, situações etc. tanto objetivamente como subjetivamente, além de serem fundamentais para expressar opiniões e sentimentos. O excesso de adjetivos, por exemplo, pode ser um grande vilão na hora de escrever, uma vez que acaba representando uma vontade de dar impacto ao conteúdo do texto, sem, no entanto, apresentar uma argumentação consistente para isso.

Por exemplo, na frase “Este cantor é horrível, chato e irritante”, vários adjetivos foram usados de forma a tornar claro que o músico desagrada ao emissor da mensagem, mas o conteúdo da oração nada diz além disso. Se o ponto é questionar a qualidade da produção musical de um artista, por exemplo, é possível discutir suas habilidades técnicas, seus temas recorrentes, seu lugar na produção musical de se país etc., buscando reais argumentos. Nossas opiniões nada são além de impressões pessoais que podem ou não ser compartilhadas por outras pessoas. E é importante nunca colocar a própria opinião como uma verdade inquestionável. Esse cuidado torna seu texto mais honesto e aberto para eventuais discussões saudáveis.

Além disso, se a argumentação não está clara, bem estruturada e consistente, corre-se o risco de cair na redundância e ficar repetindo a mesma ideia de formas diferentes, caindo novamente no vazio. Em relação a isso, deve-se prestar atenção também aos pleonasmos, como, por exemplo, “entrar pra dentro”, em vez de simplesmente “entrar”, pois eles também indicam falta de atenção ao conteúdo de seu texto.


VOZES E DISCURSOS
Quando o objetivo é clareza e simplicidade, o uso da chamada “voz ativa” pode ser mais adequado do que o da “voz passiva”. De forma geral, a voz ativa chama a atenção para o agente da ação, como em: “O Corinthians derrotou o Palmeiras”. Já a voz passiva chama a atenção para aquele que recebe a ação, como em: “O Palmeiras foi derrotado pelo Corinthians”.

As frases mais diretas tendem a ser mais facilmente compreendidas pelo leitor. O mesmo acontece em relação aos discursos diretos e indiretos, bem como em relação às vozes afirmativas e negativas.

O “discurso direto” é aquele em que se faz uma transcrição exata do que foi dito por outra pessoa. É o caso de: “O diretor disse: ‘Eu não confio mais no trabalho da sua empresa.’”. No “discurso indireto”, ao transmitir a fala de outra pessoa, o autor acaba por interferir na mensagem, como em: “O diretor disse que não confiava mais no trabalho da nossa empresa.”.

A “voz afirmativa” também faz com que a mensagem seja melhor absorvida por nosso cérebro do que a “voz negativa”, além de tornar o leitor mais receptivo para o conteúdo do texto. Por exemplo: “O produto será enviado logo que estiver disponível em nossos estoques.”, em vez de “Não é possível enviar o produto no momento, pois não o temos em nossos estoques.”.


LEITURA
Não há dúvidas de que escrever é um exercício que requer prática. Quanto mais você escreve, mais pode notar seus pontos fortes e pontos que precisa melhorar. E uma das maiores fontes de aprimoramento para escrever é ler. A leitura auxilia na diversificação do vocabulário e também na visualização de construções e grafias. Além disso, amplia suas fontes de conhecimento e proporciona um repertório cultural maior na hora de escrever. Assim, é possível sair do lugar comum.

A leitura nos oferece subsídio para escapar de generalizações, como “o povo brasileiro é pacífico” — o que definitivamente não corresponde a uma verdade absoluta —, bem como de simplificações vazias, por exemplo “todo político é ladrão” — que pouco adicionam ao texto. Isso sem falar dos clichês e das frases feitas, que são tão massivamente difundidos que suas presenças em um texto dão a impressão de que nada de novo será dito. O hábito da leitura, definitivamente, pode ajudá-lo a não cair nesse erro.


PONTO DE VISTA
O ponto de vista sob o qual se escreve faz muita diferença. Quando a questão é discutir um tema geral e não pessoal, soa melhor evitar a primeira pessoa gramatical, embora a primeira pessoa do plural possa transmitir a ideia de uma verdade compartilhada. É possível observar essas diferenças nas seguintes frases: “Morro pouco a pouco.”; “Morremos pouco a pouco.”; “Morre-se pouco a pouco.”.

Deve-se também tomar muito cuidado com o uso de brincadeiras e ironias, uma vez que interpretações e culturas se diferem, e o que é óbvio e inofensivo para um pode ser obscuro e extremamente ofensivo para outro.


ERROS COMUNS
Alguns erros comuns podem ser evitados na hora de falar e escrever.

Com relação aos pronomes, por exemplo é comum a construção “O dinheiro é para mim usar”. “Mim”, no entanto, não pode ser usado como sujeito de qualquer ação. Logo, o correto seria escrever: “O dinheiro é para eu usar”. Para não esquecer dessa regra, pode-se lembrar da frase “Mim não faz nada.”.

Também acontece muito de se usar “eu”, “tu”, “ele(s)”, “ela(s)”, “nós” e “vós” como objetos diretos, o que desrespeita a gramática normativa. Por exemplo, o correto é escrever “Levei-a para casa.” em vez de “Levei ela para casa”. Esta é uma ocorrência comum na fala, mas ainda não aceitável na escrita.

Outra construção muito recorrente na nossa fala, mas considerada equivocada pela nossa gramática é começar frases com pronomes oblíquos átonos: “me”, “te”, “se”, “o”, “a”, “lhe”, “nos”, “vos”, “os”, “as”, “lhes”. É o caso, por exemplo, de “Te amo.”, que deve ser substituído por outras formas equivalentes, como “Eu te amo.”, “Amo-te.” ou “Amo você”.

Além disso, existem expressões comuns que são consideradas equivocadas pela norma culta, como, por exemplo, dizer que alguém é “de menor” ou “de maior” para indicar que a pessoa tem menos ou mais de 18 anos. Prefira dizer que a pessoa é “menor de idade”, “maior de idade” ou simplesmente “menor” ou “maior”.

Entre os erros constantemente repetidos está: “Espero que você esteje bem e seje muito feliz!”. Estas flexões não existem para os verbos “ser” e “estar”. Em qualquer situação, o correto seria: “Espero que você esteja bem e seja muito feliz!”. O mesmo vale para a forma “menas”, que nunca deve ser usada, pois a palavra “menos” é invariável. Não se diz “Hoje tinha menas gente.”, mas “Hoje tinha menos gente.”.

Existem ainda os casos em que os falantes realizam a flexão verbal de acordo com a ideia que o sujeito expressa, porém nem sempre o verbo deve concordar com a ideia nele contida, mas com o número da palavra usada. Por exemplo, o correto é “A gente saiu ontem.” e não “A gente saímos ontem.”. Da mesma forma, o correto é “O pessoal chegou rápido.” e não “O pessoal chegaram rápido”.


REVISÃO
Depois de todo o esforço para escrever, uma boa revisão faz toda a diferença. Revisando o texto, é possível encontrar e corrigir erros de distração ou simples problemas de ortografia ou de concordância que não foram percebidos durante a escrita. Revisar seus textos regularmente também ajuda no autoconhecimento e no reconhecimento de qualidades e de problemas recorrentes que podem ser melhor desenvolvidos.

O corretor ortográfico do computador pode ser um grande aliado na hora da revisão, pois ele pode detectar pequenos erros que passam despercebidos. Se for possível revisar o texto um dia após sua escrita ou pedir para outra pessoa revisá-lo, existem ainda mais chances de que a revisão seja eficaz, pois é necessário um certo distanciamento do texto para lê-lo com mais clareza.

Um dos problemas que podem ser encontrados é a repetição de palavras, que acaba denotando um vocabulário limitado. Para corrigir esse problema é possível fazer cortes na frase que não alterem seu sentido, buscar sinônimos em dicionários ou até tentar reestruturar a frase — um exercício que confere muitas habilidades na hora de escrever.

Um texto bem escrito e correto, além de proporcionar o melhor entendimento do leitor, também demonstra capricho e cuidado por parte do escritor, garantindo uma comunicação eficaz.


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