ENTENDER O MUNDO/ARTIGOS TEMÁTICOS
Esporte, entre o jogo e a competição
 
Conheça
 
    ARTIGO      
 ESPORTE Imprimir Enviar Guardar
 
  O futebol é o esporte mais popular do mundo e o que movimenta a maior quantidade de dinheiro

Por definição, o esporte é uma atividade física — individual ou coletiva — que pode ser realizada como um jogo ou como uma competição. Sua prática supõe treinamento, está sujeita a normas e exercita uma série de qualidades físicas e psíquicas, entre as quais se destacam a motricidade, a força, a resistência e a habilidade dos competidores.

A palavra esporte é uma derivação do termo inglês sport, utilizado por volta do século XV, que significava prática individual ou em grupo de exercício físico ou jogo para divertimento ou lazer. Ela surgiu da supressão de um termo inglês ainda mais antigo disport (1374), o qual foi, por sua vez, emprestado ao francês (déport) por volta do século XII e significa, nessa língua, recreação, passatempo e lazer.


HISTÓRIA


A prática do esporte remonta à Antiguidade, porém, o esporte tal como ele é conhecido hoje conta apenas três séculos de vida. Os primeiros atos esportivos que obedeciam uma série de regras ocorreram por volta do século XVIII, no Reino Unido.

O ESPORTE NA ANTIGUIDADE
Sabe-se que em 2.500 a.C., no Antigo Egito, os soldados treinavam exercícios de luta. Por volta de 1.500 a.C., em Creta, na Grécia Antiga, ocorriam corridas a pé e eram organizados lutas e combates contra touros. Na Antiguidade Clássica, os gregos também praticavam diversos tipos de atividades físicas tais como as corridas a pé, o salto, o lançamento de disco e lança, a luta, as competições de ginástica e vários jogos com bola. Participavam dessas competições várias cidades gregas e os jogos tinham vários nomes: Délficos, Ístmicos e Olímpicos. Essas grandes competições alcançaram seu apogeu no século V a.C. e desapareceram em 393, em tempos de dominação romana.

Os romanos, apesar de seu gosto pelos gladiadores e seus cruéis espetáculos de circo, souberam, de outra forma, destacar a importância da forma física do indivíduo ao criar as escolas, onde os jovens e as crianças eram educados a cuidar do próprio corpo. A principal contribuição dos romanos e de outros povos, como os chineses e os indianos, foi a prática de jogos populares que, ao estarem sujeitos a algumas normas, já continham, ainda que em estado rudimentar, os princípios que regem o esporte. Não tinham caráter nobre muito menos o brilho que caracterizam competições como os Jogos Olímpicos atuais, porém, tampouco fomentavam os instintos mais negativos do ser humano, como sucedia nos jogos circenses, que a Igreja posteriormente condenou severamente.

Na Idade Média, outra manifestação de práticas competitivas foram os torneios e combates a cavalo.


A MODERNA VISÃO DO ESPORTE
Durante o Renascimento foram estabelecidas premissas necessárias para a moderna visão do esporte, graças ao trabalho de vários estudiosos, pedagogos e tratadistas. Entre esses se destacam os nomes de Maffeo Vegio (1407-1458) e sua obra De educatione liberorum clarisque eorum moribus; Leon Battista Alberti (1404-1472), com seu tratado Della Família, e o papa Pio II (1405-1464), autor de tratados sobre caça, equitação e também um livro sobre educação do corpo, o De liberorum educatione.

Também muito importante foi a contribuição do filósofo inglês John Locke (1632-1704), considerado por muitos o precursor do esporte moderno por sua obra Idéias sobre a educação (1963).

No século XVIII, o esporte se impôs nos círculos aristocráticos do Reino Unido, onde acabou popularizando-se e onde surgiram os primeiros regulamentos das especialidades esportivas, que a partir do século XIX se difundiram por todo o mundo. Nessa época, o educador inglês Thomas Arnold (1795-1842), diretor do Rugby College entre 1828 e 1842, e seu discípulo Thomas Hugues (1822-1896), autor de Os dias escolares de Tom Brown (1857), o qual se converteu em uma espécie de manual para os professores durante toda a segunda metade do século XIX.

Pierre de Coubertin (1863-1937), influenciado por essa obra e também pelo pensador francês Hippolyte Taine (1828-1893), autor de Notas sobre a Inglaterra (1872), em um momento em que era crescente o interesse pelos esportes olímpicos, decidiu impulsionar a renovação dos Jogos Olímpicos. O esporte atual deve quase tudo ao renascimento das olimpíadas e, portanto, ao seu restaurador, Pierre de Coubertin.

Em 1894 foi criado o Comitê Olímpico Internacional (COI) e em 1896 foram celebrados os primeiros Jogos Olímpicos da era moderna. Durante o século XX o esporte começou a manifestar-se através de competições especializadas como futebol, boxe, hipismo, remo etc.


CLASSIFICAÇÃO DOS ESPORTES


Para o sociólogo, psicólogo e lingüista francês Pierre Parlebas, especialista em temas de educação física, “o esporte é uma situação motriz de competição institucionalizada, da qual participam o indivíduo que desenvolve uma atividade e um espaço onde pode ou não haver companheiros e adversários”. De acordo com essa definição, podem ser distinguidos três grandes grupos esportivos: individuais, coletivos e de adversários.

ESPORTES INDIVIDUAIS
Denominam-se esportes individuais as situações psicomotoras nas quais o desportista se encontra em um determinado lugar onde se desenvolve uma competição e onde ele deve vencer determinadas dificuldades, superar-se a si mesmo em relação com o tempo, uma distância ou execuções técnicas que podem ser comparadas com as de outros esportistas, os quais devem desempenhá-las em igualdade de condições. Nessas situações contam o tempo e a mente — essa última de forma decisiva.


CLASSIFICAÇÃO
Os esportes individuais se classificam em função dos pressupostos: a presença de outros desportistas e os locais onde as provas são praticadas.

Na prática de qualquer exercício, o desportista pode realizar sua atuação de maneira solitária ou simultaneamente com outros desportistas. No primeiro caso, o espaço que se utiliza é exclusivo para o atleta que nesse momento está na competição, e a observação dos juízes se concentra somente nele (ginástica olímpica, provas de salto em altura etc.). No caso de atuação simultânea com outros atletas, a prova ocorre com o terreno sendo compartilhado (maratonas, cem metros rasos etc.).

O local onde ocorrem competições desse tipo pode ser estável ou instável. Assim, o cenário onde se realizam essas provas pode ser fixo — por exemplo, pistas cobertas de atletismo — e reunir algumas características determinadas para que os resultados sejam considerados válidos. O local também pode ser variável, ou seja, pode estar sujeito a mudanças e riscos, como é o caso das escaladas em montanhas.


CARACTERÍSTICAS BÁSICAS DO ATLETA
Um atleta deve alcançar o perfeito domínio técnico do esporte que realiza. Por conseguinte, deverá buscar a automatização do gesto técnico para conseguir um melhor resultado.

Mesmo assim, possuir determinadas aptidões, muita vez inatas, pode ajudar o atleta. A pessoa que pratica um esporte individual deve desenvolver a noção de auto-superação, possuir um forte sentido de responsabilidade, assim como equilíbrio e estabilidade emocional. O atleta deve ser consciente de sua própria capacidade e saber valorizar na justa medida o nível alcançado.

O regulamento se refere aos aparelhos que ele deve usar, ao local onde deve ser realizado o esporte e aos movimentos técnicos. Alguns esportes individuais são feitos com a ajuda de outros elementos como motocicletas, bicicletas e até mesmo animais, como no caso do hipismo.

Se o esporte individual é praticado em um meio fixo, a homologação dos resultados não oferece dificuldades, já que os mesmos se medem com parâmetros estáveis. Assim, por exemplo, em uma corrida de atletismo é medido o tempo em que a prova foi realizada. O atleta que gastar menos tempo para realizar a prova é o vencedor. Em uma prova de salto à distância, mede-se a distância do salto; numa prova de halterofilismo, vence aquele que conseguir levantar o maior peso.


TÉCNICA, TÁTICA E REGULAMENTOS
Kurt Meinel, um dos autores do livro Teoria do movimento (1988), define a técnica como o “procedimento que conduz de maneira direta e econômica a consecução de um resultado”. Na técnica merecem destaque vários aspectos:

Perfeição técnica. A qual é alcançada quando um gesto técnico se realiza de forma automática, ou seja, quando é feito sem pensar, como se fosse um reflexo.

Estilo técnico. O qual se refere à adaptação de cada indivíduo à execução de uma determinada técnica, de acordo com suas características particulares (idade, sexo, qualidades físicas).

Estabilidade da técnica. É importante que tantos os fatores externos (instalações, por exemplo) como os internos (cansaço, equilíbrio psicológico, entre outros) alterem o menos possível a execução da técnica correta.

Outro especialista, Manfred Grosser, define a tática como a “capacidade do atleta para colocar-se de forma ótima frente às diferentes situações que se apresentam durante uma competição”. Ainda que a tática não seja primordial nos esportes individuais, tem uma importância muito grande no plano psicológico. Por exemplo, ajuda a manter a segurança frente ao adversário e uma atitude amável frente aos juízes e o público.

O esporte como competição institucionalizada requer estabelecer todos os condicionamentos da prática, além de sua estabilidade. É necessário, pois, que exista um regulamento para cada esporte, que, por sua vez, deve ser praticado de acordo com as regras.

O regulamento estabelece o marco geral da competição esportiva, na qual devem ser levados em conta as características do espaço (suas dimensões, linhas e zonas de competição), os aparatos e instrumentos (dimensão, peso e características específicas) e os sinais dos juízes, os sistemas de medição etc.

Mesmo assim, o regulamento marca os limites que a técnica não pode ultrapassar. Por exemplo, quando um movimento técnico se realiza diferentemente da maneira que as regras dizem que ele deveria se realizar, ele é considerado nulo.

Finalmente, para pontuar o resultado de um esportista, os sistemas de medição podem ser mais ou menos subjetivos (como o resultado final de uma atuação de ginástica olímpica, que depende muito dos juízes) e objetivos (sistemas de medição que determinam o resultado de uma maneira exata).


ESPORTES COLETIVOS
Para estabelecer a definição dos esportes coletivos, é necessário considerar, antes de tudo, os traços que caracterizam o esporte de uma maneira geral: movimentação, jogo, competição, regras e institucionalização.

A todas essas características deve somar-se a peculiaridade consubstancial dos esportes coletivos, ou seja, que se realizam em grupo, em uma situação de colaboração e ajuda entre os componentes de uma mesma equipe e com a oposição da equipe contrária cujos objetivos são, evidentemente, opostos.


CARACTERÍSTICAS
A prática dos esportes coletivos deve levar em conta o tipo de espaço geográfico em que ocorre uma determinada competição e os subespaços criados dentro desse mesmo campo de jogo.

O espaço onde ocorre a competição pode ser estável ou padronizado, de características definidas, muito precisas e totalmente normalizado. Todos esses espaços devem seguir uma mesma regulamentação, o que permitirá conhecer de antemão suas dimensões, materiais e características.

Sem embargo, também se pode praticar esportes coletivos em espaços instáveis e não padronizados, como os campos de esporte em espaços naturais não regularizados.

Quanto aos subespaços dentro do campo cabe distinguir as zonas fixas, que são aquelas que estão perfeitamente delimitadas no terreno do jogo; por exemplo, as zonas proibidas no voleibol; as zonas que devem ser conquistadas, como é no caso do rugby; e as zonas com diferentes regulamentações, como é a grande área no futebol.


TÉCNICA, TÁTICA, ESTRATÉGIA E REGRAS
Os praticantes de esporte coletivo devem reunir as mesmas condições necessárias para os esportes individuais e, além disso, possuir um domínio tático e técnico do dito esporte. Assim, convém automatizar o movimento técnico que se deve realizar para conseguir um melhor resultado e alcançar uma boa visão de jogo ou uma colocação vantajosa.

A técnica desportiva pode ser definida como “o modelo ideal de um movimento que serve para resolver um problema motor específico”, e a técnica pessoal, como “sinônimo de estilo e de adaptação ao indivíduo do modelo ideal”.


FUTEBOL


O futebol é um esporte coletivo no qual duas equipes lutam pela posse de uma bola com o objetivo de conduzi-la, através de um campo retangular, até a meta adversária. Há, desde a segunda metade do século XIX, dois tipos principais de futebol. O primeiro é o rúgbi (rugby) —assim chamado por que foi criado na Rugby School, na Inglaterra — com suas variantes, a principal delas é o futebol norte-americano.

O segundo tipo é o futebol propriamente dito, ou o futebol association, conhecido nos EUA pelo nome de soccer e na Itália pelo nome de cálcio.

O futebol é o mais popular e universal de todos os esportes. Nenhum outro esporte desperta tanto interesse em tantos países ao mesmo tempo. Sua principal competição é a Copa do Mundo de Futebol, celebrada a cada quatro anos.

Para se ter uma idéia, a Copa da Alemanha de 2006 tem audiência estimada em 3 bilhões de telespectadores. O único evento esportivo que pode ser comparado a uma Copa do Mundo são os Jogos Olímpicos.

De origem britânica, o futebol foi introduzido oficialmente no Brasil por Charles Miller (1874-1953), um filho de inglês nascido no bairro do Brás, em São Paulo. Miller chegou a jogar como center-foward na seleção do condado de Hampshire, na Inglaterra, em uma partida contra o Corinthians londrino. Quando voltou ao Brasil, ele foi o introdutor do esporte no país, onde conseguiu a fama de exímio jogador.

No começo, o futebol era praticado apenas pelos jovens dos colégios e clubes que se fundaram naquela época na cidade: o São Paulo Athletic Club (1888), a Associação Atlética Mackenzie College (1898), o Sport Club Internacional (1899) e o Sport Clube Germânia (1899). Nenhum deles surgiu exclusivamente para a prática do futebol, mas todos foram, com o passar do tempo, adotando o jogo e as regras trazidas da Inglaterra por Charles Miller.

Pouco tempo depois, o futebol foi difundido no Rio de Janeiro, onde, em 1902, foi fundado o mais antigo clube que leva o futebol no nome: o Fluminense Football Club.

Com o passar do tempo, o futebol se popularizou e o esporte começou a se democratizar quando o Vasco da Gama, no Rio, e o Corinthians em São Paulo, passaram a aceitar em suas equipes os primeiros negros e operários.

Em seguida veio uma fase que misturava um certo romantismo com uma nascente profissionalização do esporte. Nessa época surge um filho de alemão com um uma mulher negra de nome Arthur Friedenreich (1892-1969), el Tigre, um dos maiores artilheiros da história do futebol mundial com 1.239 gols. Depois veio o Diamante Negro, Leônidas da Silva (1913-2004), e com ele a profissionalização à vera.

Logo começaram a surgir, em maior número, grandes jogadores como Domingos da Guia (1912-2000), conhecido como Divino Mestre, e Heleno de Freitas (1920-1959). E então houve 1958, e com a conquista da Copa do Mundo da Suécia o surgimento de uma galeria infindável de craques, como o “Príncipe Etíope” Didi (1928-2001), Mané Garrincha (1933-1983) e — principalmente — Pelé, tido como o maior jogador de todos os tempos.

Com a “Era Pelé” o futebol no Brasil passou a ser uma paixão nacional. Hoje, sempre que os craques da seleção brasileira entram em campo o país volta todas as suas atenções para a prática desse esporte coletivo tão popular quanto emocionante.


ESPORTES DE ADVERSÁRIO
Denomina-se esporte de adversário aquele jogo no qual um competidor enfrenta outro individualmente, como no tênis, no boxe, no xadrez etc.

Nesses esportes existe o que se denomina contra-comunicação, que consiste, por um lado, encobrir e disfarçar as próprias intenções para o adversário não saiba o que fazer e, por outro, tentar descobrir as intenções do adversário.


ESPORTE E DOPING


O doping é, segundo o Comitê Olímpico Internacional, a administração ou uso por parte de um atleta de qualquer substância tomada com a intenção de aumentar, de modo artificial, o rendimento durante uma competição. Sua utilização é contrária a filosofia do Comitê.

O COI publica regularmente uma lista de substâncias proibidas e desenvolve um programa antidoping durante as competições.


SUBSTÂNCIAS CONSIDERADAS DOPANTES
O Comitê Olímpico Internacional classifica as substâncias proibidas em várias categorias segundo sua composição:

Estimulantes
Excitam o sistema nervoso central ou inibem algumas de suas funções, como o apetite. São utilizados comumente para manter a estabilidade emocional do indivíduo e controlar seu peso.

Analgésicos
Estão indicados para acalmar a dor em casos como fraturas, dores, infarto de miocárdio e câncer, quando os analgésicos convencionais são insuficientes. São utilizados em esportes de contato e combate.

Esteróides anabolizantes
Indicados para casos de catabolismo aumentado (fase do metabolismo em que ocorre a degradação pelo organismo das macromoléculas nutritivas, com liberação de energia), desnutrição grave, câncer e osteoporose avançada.

Betabloqueadores
São medicamentos utilizados para o controle da hipertensão arterial, que atuam no tratamento de distúrbios do ritmo dos batimentos cardíacos, da hipertensão e da angina.

Diuréticos
Aumentam a produção de urina. Fazem uso de transtornos cardiovasculares e renais, como a hipertensão arterial e a insuficiência renal.

Hormônios
Substâncias indicadas para os casos em que existe deficiência hormonal.


PARA SABER MAIS SOBRE O TEMA


Atletas, reis no esporte e nos negócios