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Poluentes químicos, inimigos do planeta
 
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 AGENTES DE POLUIÇÃO QUÍMICA Imprimir Enviar Guardar
 
  Os vazamentos de petróleo, acidentais, causam danos graves ao meio ambiente

Em um documento da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre os problemas do meio ambiente em escala mundial encontra-se a seguinte afirmação: “[] existem algumas esferas de preocupação que são comuns a todos os países. É o caso da poluição, que alcança níveis perigosos na água, no ar, em terra e entre os seres vivos; da necessidade, em geral urgente, de preservar os recursos naturais não-renováveis das possíveis perturbações do equilíbrio biológico da biosfera — resultantes da relação do homem com o meio ambiente —, e das atividades prejudiciais à saúde física, mental e social do homem no ambiente por ele criado, particularmente na natureza e no trabalho”. Ou seja, em todos os países e em todas as áreas, a poluição prejudica os seres vivos e a qualidade de vida.

O termo “poluição” é muito amplo e admite várias definições, dependendo do aspecto que se queira abordar. De modo geral, pode-se definir poluição como a liberação artificial de substâncias ou energia capazes de causar, direta ou indiretamente, efeitos adversos sobre o ser humano ou o meio ambiente.

O número de agentes poluidores é quase incalculável. A todo instante são criados novos produtos, indústrias e métodos de fabricação que geram centenas de novos compostos orgânicos, cujo impacto ambiental só será avaliado com o passar do tempo. Esses agentes compreendem sólidos, líquidos e gases, além de formas de energia como radiação, calor e ruídos. Também não é possível omitir os milhões de toneladas de resíduos produzidos anualmente como subprodutos de atividades industriais e produtivas que acabam descarregados no meio ambiente.

Embora essa descarga hoje em dia seja mais controlada e exista tratamento prévio dos resíduos, é possível que eles excedam a capacidade de assimilação dos sistemas naturais, provocando a liberação de agentes de poluição.

Segundo o químico alemão Friedrich Schmidt-Bleek, os agentes da poluição química são “substâncias que se introduzem no meio ambiente graças à atividade humana e alcançam níveis de concentração prejudiciais aos seres vivos, em particular aos seres humanos. Tais substâncias podem ser elementos ou compostos químicos, de natureza orgânica ou inorgânica, de origem natural ou sintética. As atividades humanas que as produziram podem ser diretas ou indiretas e deliberadas ou acidentais”.


TIPOS DE POLUIÇÃO
Pode-se classificar a poluição de muitas maneiras. Uma das formas de classificação mais comuns é segundo o meio em que se manifestam. Assim, distingue-se a poluição do ar ou atmosférica da que ocorre nas águas ou no solo e subsolo. Evidentemente, todas elas estão inter-relacionadas. A chuva, por exemplo, arrasta os agentes de poluição atmosférica para depositá-los no solo ou na água.

Com relação à zona de influência, a poluição pode ser local ou geral. No caso da primeira, pode ser a descarga de água quente procedente da refrigeração de uma central térmica ou de uma central nuclear, em um rio ou no mar.

Já a poluição geral pode manifestar-se em escala mundial, como acontece com a poluição provocada pelo DDT (diclorodifeniltricloretano) e outros inseticidas. Existem formas de poluição que se manifestam em locais bem distantes de seu ponto de origem. É o caso da chuva ácida, fenômeno capaz de afetar territórios distantes do ponto de emissão dos óxidos de nitrogênio e de enxofre, responsáveis pelo fenômeno.

Outro exemplo de manifestação distante do local de origem é o acidente ocorrido na central nuclear de Tchernóbil (Ucrânia), em 1986, que afetou quase toda a Europa de maneira direta ou indireta, tanto pela própria nuvem radioativa que liberou como pelas plantações afetadas por aquela nuvem.


EFEITOS DA POLUIÇÃO
Embora só em meados do século XX se começasse a tomar consciência dos problemas relacionados ao fenômeno da poluição, em todos os países minimamente industrializados a relação de vítimas diretas ou indiretas desse problema difere apenas por ser mais ou menos extensa.

Dentre os agentes de poluição capazes de produzir efeitos negativos importantes sobre os seres humanos figuram o dióxido de carbono, que, embora não seja um gás tóxico, provoca a morte por asfixia quando encontrado no ar em altas concentrações; o monóxido de carbono, extremamente perigoso em razão da facilidade com que se converte em compostos venenosos para os sistemas respiratório e circulatório; e o dióxido de enxofre, que produz tosse, irritação profunda das vias respiratórias, edema pulmonar, bronquite crônica, irritação ocular, entre outros problemas de saúde.

Alguns metais também apresentam grande risco à saúde. É o caso dos vapores de zinco, que dão lugar a distúrbios cardiovasculares, e de chumbo, que favorecem o aparecimento de úlceras de estômago.

Embora não se possa estabelecer uma relação direta entre esses agentes de poluição e o surgimento de determinados tipos de câncer, comprovou-se que eles contribuem para o desenvolvimento da doença. Além disso, alguns deles estão diretamente relacionados ao câncer. Entre esses agentes de poluição estão muitos hidrocarbonetos policíclicos, sobretudo os derivados do pireno, composto de carbono e hidrogênio obtido do alcatrão de hulha.

Todos os efeitos decorrentes da poluição que se manifestam nos seres humanos aparecem na mesma proporção nos animais. Entretanto, a poluição não afeta negativamente apenas as pessoas e os animais, mas também as plantas. Cientistas e agricultores já descreveram o fenômeno da redução da safra em zonas rurais onde grandes indústrias foram instaladas. As plantas são extremamente sensíveis a agentes agressivos e apresentam resposta rápida à poluição ambiental.

Na verdade, pode-se chegar a conhecer os graus de concentração de determinados agentes de poluição a partir dos efeitos sobre certas plantas. Um exemplo típico de agressão contra as plantas é o do dióxido de enxofre, que produz necrose nas células vegetais. As coníferas, especialmente os pinheiros, são muito sensíveis a esses ataques. O mesmo se aplica ao cultivo de trigo, milho, uva, pêssego, ameixa, batata e vários outros alimentos.

Outros agentes de poluição que representam risco para a vida vegetal são as partículas de cimento, o etileno, o monóxido de carbono, o cloro e o ácido clorídrico. A poluição produz outros efeitos mais difíceis de perceber que os citados, mas que também são importantes, sobretudo do ponto de vista econômico. Entre eles, destaca-se a corrosão e os danos sobre materiais artificiais em processo de produção. A corrosão é o problema mais importante do ponto de vista químico. O ferro é o principal metal utilizado na construção e, portanto, o que acarreta maior número de efeitos. Em ambientes úmidos, o ferro da superfície das estruturas se oxida, formando óxido de ferro e, posteriormente, óxidos hidratados, porosos e pouco aderentes, o que facilita a continuidade da ação corrosiva. Esse último processo é consideravelmente acelerado pelos agentes químicos de poluição existentes na atmosfera.

Quanto à influência da poluição em materiais sintéticos durante o processo de produção, cabe citar a ação dos ácidos sobre as fibras sintéticas, que são muito sensíveis. Também vale lembrar os possíveis efeitos de poluição nas indústrias eletrônica, farmacêutica e alimentícia, o que exige maior rigor na fiscalização dos produtos.


PRINCIPAIS AGENTES DE POLUIÇÃO


Em princípio, toda substância estranha à composição natural da atmosfera, do solo, das águas fluviais ou do mar é um agente de poluição que produzirá efeitos mais ou menos perniciosos. No mundo industrializado, a produção de agentes de poluição é enorme e aumenta constantemente. Por esse motivo, os controles são cada vez maiores. Também cresceu muito a conscientização das pessoas sobre a necessidade de preservar a natureza. Tais medidas não se revelam incompatíveis com o desenvolvimento econômico. Ao contrário, são a base do chamado “desenvolvimento sustentável”.

Os agentes de poluição que mais geram preocupação, por existirem em grande quantidade ou serem capazes de produzir efeitos nocivos, são os seguintes:

– Dióxido de carbono, geralmente produzido nos processos de combustão para obtenção de energia, tanto na indústria como na calefação doméstica. Demonstrou-se que uma concentração de até 2% desse gás no ar é inofensiva, maior que isso, porém, pode representar uma ameaça. Uma concentração acima de 4% provoca zumbidos nos ouvidos, dores de cabeça, aumento da pressão arterial, queda da pulsação, vertigens, síncopes, batimento cardíaco acelerado e náuseas. Se chegar a 20%, paralisa os centros nervosos e mata pessoas e animais em poucos segundos. A acumulação desse gás na atmosfera pode aumentar de forma considerável a temperatura da superfície terrestre, o que ocasionaria desastres químicos e ecológicos (efeito estufa).

– Monóxido de carbono, produzido nas combustões incompletas, em particular nas siderúrgicas, nas refinarias de petróleo e nos veículos a motor por combustível fóssil (diesel, gasolina). Trata-se de um gás muito tóxico em razão da facilidade com que se associa à hemoglobina do sangue e forma a carboxihemoglobina, que impede o transporte do oxigênio às células dos tecidos.

– Dióxido de enxofre, encontrado na fumaça procedente das centrais termelétricas, das fábricas, dos automóveis e do combustível de uso doméstico. Atribui-se a seus efeitos o smog (mistura de fumaça e nevoeiro) ácido das grandes cidades. O dióxido de enxofre tem um odor característico que o torna imediatamente identificável. Em concentrações superiores a 50mg/m3, sua ação é muito violenta e provoca irritação profunda nas vias respiratórias e nos olhos. Em concentrações superiores diminui a resistência geral do organismo, produz redução da hemoglobina e dos eritrócitos, aumenta os leucócitos no sangue, diminui as funções do fígado e perturba as atividades do sistema nervoso central e periférico. Todos esses efeitos conduzem a doenças como edema pulmonar, bronquite crônica ou anemia e influenciam no câncer broncopulmonar.

– Óxidos de nitrogênio, produzidos pela combustão de combustíveis fósseis, durante a fabricação dos ácidos nítrico e sulfúrico e outros processos industriais. Fazem parte do smog das grandes cidades e participam das reações fotoquímicas que causam poluição urbana. Também são responsáveis, junto com o dióxido de enxofre, pela chuva ácida.

– Fosfatos são encontrados principalmente nas águas dos esgotos e provêm dos detergentes e fertilizantes químicos utilizados em excesso ou dos resíduos da criação intensiva de animais. Os fosfatos são agentes poluidores de lagoas, rios e lagos.

– Mercúrio, chumbo e cádmio são agentes de poluição de alta toxicidade em razão da sua capacidade para formar complexos estáveis com muitas biomoléculas. Essa propriedade resulta em distúrbios químicos que causam doenças degenerativas, malformações genéticas e até a morte. São utilizados na indústria para múltiplas finalidades, e seus resíduos se dispersam na água ou passam para a atmosfera por meio de incineração. Na atualidade, uma fonte muito importante de produção de chumbo e mercúrio, junto com outros metais pesados (manganês, cádmio e outros), é a fabricação de pilhas e acumuladores elétricos. Cabe também destacar como fonte de acumulação de chumbo os resíduos procedentes dos antidetonantes das gasolinas, embora o uso de gasolina sem chumbo aumente cada vez mais.

– Petróleo causa poluição por conta de sua extração perto do litoral, pelo processo de refino, pelos acidentes com petroleiros e pela descarga feita em alto-mar durante a limpeza de depósitos. Esse material gera danos gravíssimos ao meio ambiente: destrói o plâncton, os organismos vegetais e animais que vivem dispersos nas águas doces e salgadas dos quais os peixes se alimentam, além da fauna e da flora marinhas e contamina as praias.

– DDT e outros pesticidas. Embora o uso do DDT seja proibido em muitos países em razão de sua comprovada toxicidade, os novos pesticidas também apresentam riscos. Como são utilizados preferencialmente na agricultura, ao serem arrastados pelas águas causam a morte de peixes, destroem algas e contaminam os alimentos destinados à população humana. Também podem causar câncer. Sua utilização também elimina insetos úteis e, portanto, contribui para o aparecimento de novas pragas.


A POLUIÇÃO DAS ÁGUAS
Existem muitas substâncias que se introduzem no meio aquático em consequência das atividades humanas. Elas podem causar, direta ou indiretamente, efeitos adversos sobre os seres vivos e o meio ambiente. Entre os agentes de poluição de origem química podemos citar:

– Resíduos biodegradáveis resultantes do uso doméstico ou industrial, que consomem oxigênio no processo de decomposição pelas bactérias. Quando o oxigênio dissolvido na água se esgota, produz-se a morte dos seres vivos do meio aquático.

– Água quente, procedente dos sistemas de refrigeração utilizados pelas indústrias e centrais geradoras de energia, lançada nos rios ou diretamente no mar. Um aumento dos níveis normais da temperatura pode prejudicar bastante a vida aquática. Além disso, muitas vezes essa água está contaminada com cloro.

– Nutrientes minerais, principalmente compostos de fósforo e nitrogênio procedentes de resíduos domésticos e industriais e de fertilizantes usados na agricultura. Esses nutrientes aumentam sobremaneira o crescimento de algas e plantas aquáticas, o que desestabiliza o equilíbrio ecológico.

– Produtos tóxicos, entre os quais substâncias inorgânicas (ácidos, sais e metais pesados), orgânicas (detergentes, pesticidas e herbicidas) e outras substâncias químicas sintéticas (fenóis, ésteres e nitrosaminas, substâncias cancerígenas encontradas na fumaça de cigarro e em alimentos defumados). Essas substâncias, procedentes de águas domésticas e de resíduos da indústria farmacêutica, petroquímica e têxtil, acabam no meio aquático. Também procedem de solos agrícolas, drenagem de minas, vazamentos de despejos, derramamentos acidentais e de agentes de poluição químicos atmosféricos. Muitos desses compostos degradam-se lentamente, razão pela qual se acumulam nos seres vivos e se transmitem de baixo para cima na pirâmide trófica: do fitoplâncton passam ao zooplâncton, deste aos peixes e, finalmente, aos seres humanos.

– Substâncias radioativas procedentes da mineração, do tratamento de minerais radioativos e de operações em instalações de energia nuclear — seja nos reatores nucleares ou na medicina nuclear. Esses agentes de poluição apresentam efeitos cumulativos, imediatos ou de longo prazo, muito perigosos para as células vivas.


OS RESÍDUOS DOMÉSTICOS E INDUSTRIAIS
Os resíduos domésticos e industriais aumentam ano após ano como resultado do crescimento da população mundial e da produção industrial. Embora os países industrializados apresentem taxas de crescimento demográfico mais baixas, geram a maior quantidade de resíduos do planeta. Apenas nos Estados Unidos, são produzidos 20% dos resíduos domésticos mundiais. Além da emissão de agentes de poluição pelas indústrias, deve-se também levar em conta a utilização de agentes químicos de poluição que acabam nas latas de lixo, como frascos de vidro, desinfetantes, veneno para ratos, isqueiros que ainda contêm gás, pilhas etc.

Atualmente, quase todas as águas residuais das cidades sofrem um processo de depuração antes de serem descarregadas no meio ambiente. Os governos têm procurado conscientizar a população com relação à necessidade de separar os diferentes tipos de lixo para posterior reciclagem, se possível, ou simplesmente para tratá-los segundo sua composição.


EFEITOS DA POLUIÇÃO ATMOSFÉRICA


Os elevados níveis de agentes químicos de poluição na atmosfera acarretam alguns fenômenos, entre os quais se destacam a intensificação do efeito estufa, a chuva ácida e a destruição da camada de ozônio.

O EFEITO ESTUFA
A Terra é aquecida pela energia procedente das radiações solares. A atmosfera, por sua vez, tanto reflete quanto absorve uma pequena parte dessa energia. Cabe à Terra absorver a energia restante, porém, isso produz um aumento da temperatura terrestre. Dessa parte absorvida pela Terra, uma fração importante é refletida pelo próprio planeta e volta à atmosfera. No entanto, alguns gases presentes na atmosfera impedem que a maior parte da energia refletida escape para o espaço exterior, fazendo com que o planeta mantenha a temperatura adequada para o desenvolvimento dos fenômenos vitais. O efeito descrito é semelhante ao que ocorre nas estufas, daí que seja conhecido pelo nome de efeito estufa. Os gases que integram a atmosfera e retêm o calor na superfície terrestre são: dióxido de carbono (CO2), metano (CH4), monóxido de nitrogênio (NO), vapor d’água (H2O) e ozônio de superfície (O3), também chamados gases causadores de efeito estufa. Sem a presença do dióxido de carbono e do vapor d’água, a Terra teria uma temperatura cerca de 30 °C abaixo da que apresenta atualmente. Esses gases são, portanto, importantes para a manutenção da vida na Terra.

Ocorre que, no entanto, a atividade humana tem contribuído para o aumento descontrolado desses gases. É o caso do CO2, que se tornou mais presente na atmosfera devido aos combustíveis fósseis. O metano, por sua vez, procede principalmente dos excrementos de gado. Os rebanhos aumentaram substancialmente nos últimos anos e, desde que a era industrial começou, seu número dobrou. O óxido de nitrogênio também é lançado na atmosfera mediante alguns processos industriais. O aumento desses gases na atmosfera e a presença de outros gases, como os CFC (clorofluorocarbonos), elevam o efeito estufa a níveis perigosos. Responsáveis pela destruição da camada de ozônio, os CFCs podem produzir um aquecimento exagerado do planeta com consequências catastróficas para a vida.


A CHUVA ÁCIDA
A chuva ácida se deve à incorporação de substâncias ácidas à água da chuva em consequência da emissão descontrolada de alguns agentes químicos de poluição na atmosfera, sobretudo gases residuais da indústria química. Os principais responsáveis são o dióxido de enxofre (SO2) e os óxidos de nitrogênio (NO e NO2). Estes dois últimos podem dar lugar a uma série de reações químicas na presença de oxigênio e, junto com a umidade do ar, levar à formação de ácido sulfúrico (H2SO4) e ácido nítrico (HNO3), com consequências nefastas para os seres vivos. Parece que grande parte dessas reações se processa nas nuvens, onde há vapor d’água suficiente. No entanto, essas reações, sozinhas, seriam muito lentas, razão pela qual acredita-se que exista algum tipo de catálise provocada pela presença de metais como ferro e manganês. Outros oxidantes, como o peróxido de nitrogênio e o ozônio, formados por reações fotoquímicas nas nuvens, também intervêm no processo.

A POLUIÇÃO DO AR
Depois de mencionados vários agentes químicos de poluição atmosférica, é preciso fazer uma menção especial ao ozônio (O3). O gás encontrado na camada da atmosfera mais próxima da superfície terrestre (troposfera) chama-se ozônio de superfície e, devido à sua toxicidade, representa grande perigo quando ultrapassa os limites naturais. Esse aumento pode ocorrer quando a luz do Sol, em presença de agentes de poluição, produz alterações no equilíbrio químico até chegar a formar esse gás.

A estratosfera, a zona da atmosfera que se estende de 15km a 50km de altura sobre a superfície terrestre, também contém ozônio. Este se encontra concentrado principalmente entre 20km e 30km de altura e forma a camada de ozônio, proteção indispensável para os seres vivos do planeta. A camada de ozônio filtra a radiação ultravioleta proveniente do Sol, capaz de causar grandes danos ao meio ambiente e ao ser humano, e deixa passar para a troposfera apenas a radiação necessária para as funções vitais. A ação conjunta da radiação ultravioleta, do ozônio, do oxigênio e de outros elementos químicos da atmosfera é extremamente complicada, mas, em condições normais, mantém-se em um equilíbrio perfeito. Como o ozônio se gera e se desintegra continuamente, a quantidade desse gás presente na atmosfera é quase sempre a mesma.

No entanto, esse equilíbrio encontra-se ameaçado por uma série de agentes químicos de poluição de uso cotidiano, como os CFCs (clorofluorocarbonos), utilizados principalmente como aerossóis, nos frigoríficos e em alguns sistemas de ar condicionado. Existem normas que determinam a substituição desses compostos por substâncias inócuas num prazo relativamente curto. No entanto, os CFCs não são os únicos compostos que destroem a camada de ozônio. É necessário também controlar outras substâncias, como o tetracloreto de carbono que, embora seja utilizado para fabricação dos CFCs e comercializado como solvente em muitos países, tem efeito cancerígeno sobre o fígado. O mesmo se aplica ao metilcloroformo, outro solvente, e ao tricloroetano, empregado como líquido corretor. Medições periódicas da camada de ozônio revelaram a existência de uma zona na Antártica onde essa camada é tão fina que se pode dizer que ali há um verdadeiro buraco.

O perigo mais imediato do desaparecimento do ozônio seria o aumento de casos de câncer de pele, em razão da radiação ultravioleta não absorvida por essa camada. Também seria prejudicial à lavoura, às plantas e às arvores que constituem a base das cadeias alimentares e tornam possível a vida na Terra.


POLUIÇÃO E RECICLAGEM DE LIXO


Uma das melhores formas de reduzir a poluição e os malefícios que um meio ambiente poluído provoca é reciclar o lixo do dia a dia. A Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA) estima que um cidadão americano jogue fora 1,6 kg de lixo, diariamente, e consuma cerca de 300 kg de papel, anualmente.

Apenas a reciclagem desse papel todo resultaria em grande contribuição ao meio ambiente, pois, de acordo com a EPA, reciclar 1 tonelada de papel salva 17 árvores, 2,7 metros cúbicos de espaço em depósitos de lixo, 26 mil litros de água, 4.200 kWh de energia, 1.500 litros de petróleo e evitam o lançamento de 27 kg de poluentes na atmosfera.

Essa tonelada de papel reciclado poderia ser alcançada com 3 ou 4 americanos e seus 300 kg de papel consumidos anualmente, ou seja, é bem possível que se uma família, em média composta por 4 pessoas, se dispusesse a reciclar todo o papel que ela utilizasse ao longo de um ano, a economia ambiental calculada pela EPA se concretizasse.

Multiplicado por alguns milhões de pessoas, ao redor do mundo, tarefa que não é tão difícil assim, o planeta certamente teria um ganho considerável.