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Crise dos alimentos, um risco mundial
 
 
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Em 2018, cerca de 820 milhões de pessoas em todo o mundo não tiveram acesso suficiente a alimentos, em 2017 eram 811 milhões, segundo dados do relatório anual “O estado da segurança alimentar e da nutrição no mundo”, publicado em 2019 pela FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura). É o terceiro ano consecutivo de aumento. O dado representa um imenso desafio para alcançar o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) número 2, que prevê fome zero até 2030.

O ritmo é lento e pouco progresso se observa na tentativa de reduzir para a metade o número de crianças com atraso no crescimento e de bebês nascidos abaixo do peso ideal. Segundo o Relatório, as metas de nutrição do ODS ficam cada vez mais longe de serem alcançadas. Enquanto isso, o sobrepeso e a obesidade continuam aumentando em todas as regiões, em especial entre crianças em idade escolar e adultos. A probabilidade de sofrer insegurança alimentar é maior para as mulheres do que para os homens em todos os continentes, com a maior diferença ocorrendo na América Latina.

Esse cenário não é novidade e sua história vem de tempos. A seguir, confira uma retrospectiva dos últimos acontecimentos relacionados ao tema.



A FOME SILENCIOSA
Em abril de 2008, a rede de supermercados norte-americana Walmart limitou a venda de arroz a, no máximo, 4 quilos por cliente nos Estados Unidos. A empresa alegava que só assim poderia garantir o abastecimento desse cereal nos meses seguintes. Esta medida sem precedentes evidenciava a escassez de arroz no mercado e representava uma ameaça para grande parte da população mundial. A Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO, na sigla em inglês) alertou que a alta do preço dos alimentos estava gerando uma crise internacional. O então diretor deste órgão referiu-se à situação como “um tsunami silencioso”.

As advertências da FAO não eram arbitrárias e tomavam como referência a elevação de 77% no preço dos cereais em 2007. Esse aumento era, até então, um recorde histórico, fato que pressagiava maus tempos para os países mais pobres. O primeiro trimestre de 2008 confirmou esta tendência, quando o preço do arroz subiu 68%.


UM PROBLEMA GLOBAL
Essa crise dos alimentos era uma das consequências da globalização da economia e, pela primeira vez no século XXI, afetou vários países de forma simultânea. Mesmo que a Europa e os Estados Unidos fossem capazes de resistir a essa tendência, 37 países da África, Ásia e América já começavam a sofrer com a escassez de alimentos básicos, especialmente de arroz e milho, dois cereais essenciais na dieta das nações mais pobres do planeta.

Desde 2007, países como México e Paquistão já faziam protestos devido ao elevado preço dos alimentos. As denominadas “revoltas da tortilha” levaram às ruas milhares de mexicanos que protestavam por causa do encarecimento do milho, um cereal fundamental na dieta desse povo. No caso do Haiti, os cidadãos realizaram manifestações aos gritos de “Temos fome!” e protagonizaram diversas revoltas que acabaram por forçar a demissão do então primeiro-ministro. Em outros países, como Tailândia e Paquistão, foi iniciado um racionamento de alimentos próprio dos tempos de guerra, e o exército foi obrigado a vigiar dia e noite os armazéns de provisões para evitar saques.

A tensão aumentava ao mesmo tempo em que os mercados se desabasteciam. Desse modo, no Egito e em Camarões, as manifestações conhecidas como as “revoltas do pão” causaram a morte de dezenas de cidadãos no começo de 2008.

Os organismos que vigiavam a economia internacional sentiam-se incapazes de frear o problema, fruto da escassez de alimentos e do afã lucrativo das grandes empresas multinacionais, que nunca estiveram dispostas a desacelerar seu crescimento. O então presidente do Senegal, Abdoulaye Wade, chegou a propor a supressão da FAO, após considerá-la ineficaz para resolver a crise dos alimentos e acusou o órgão de fomentar durante décadas “uma política de esmola e humilhação”, que não solucionava os verdadeiros problemas dos países mais pobres. Para ele, a doação de alimentos era só uma ajuda momentânea que, apesar de aliviar a fome da população, não garantia o futuro das nações mais pobres. Wade propôs então que os recursos da FAO fossem destinados ao Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola (Fida), que promove a exploração agrícola intensiva nos países menos desenvolvidos, única via para garantir a autossuficiência dessas regiões.


ARROZ COM LEITE
A crise dos alimentos, porém, não era um problema circunstancial, mas uma tendência da globalização da economia, iniciada nos anos 1970. Durante várias décadas, os governos dos países desenvolvidos fomentaram o abandono da atividade agrícola e pecuarista, consideradas como indicadores do subdesenvolvimento, a favor de outros setores. A política da Comissão Europeia e de alguns órgãos, como o Banco Mundial, foi a de dar prioridade ao setor dos serviços em detrimento ao do campo. Na Europa, foi estabelecido um sistema de cotas agrícolas para os países membros, que previa sanções àqueles que ultrapassassem, por exemplo, a produção de leite. Muitos agricultores e pecuaristas foram obrigados a abandonar suas atividades e ser compensados com uma indenização por ter que dedicar seus campos a outros tipos de uso.

Do mesmo modo, em Bruxelas, foi imposto um regime de alqueive nos campos europeus, que obrigava os agricultores a deixarem sempre 10% de seus terrenos sem atividade. A situação do mercado internacional, no entanto, fez com que essa norma fosse descartada de maneira excepcional em 2008. Apesar da mudança de atitude, a Comissão Europeia previa que outras medidas, como as cotas de produção de leite, seriam mantidas até 2015. Várias associações de agricultores europeus, como a Coordenação de Organizações de Agricultores e Pecuaristas (Coag, na sigla em inglês) e a Coordenação de Agricultores Europeus (CPE, na sigla em francês), alegavam que tanto a especulação das grandes multinacionais como a Política Agrária Comum, promovida pela Comissão Europeia, eram culpadas pela alta dos preços dos cereais e dos laticínios na Europa.

Frente a essa polêmica, os dados do Banco Mundial eram claros: entre 1980 e 2004, o investimento em produção agrícola havia sido reduzido pela metade nos países considerados desenvolvidos. Reativar o setor ante o crescimento da demanda que se apresentava não parecia fácil após anos de abandono.

Além da política econômica, outros fatores precipitaram a crise dos alimentos. Entre eles, os limites à exportação impostos a alguns países produtores de cereais para garantir o abastecimento de seu mercado interno, o aumento dos preços do petróleo e dos fertilizantes, a depreciação do dólar e o abandono dos cultivos destinados ao consumo humano em benefício dos dirigidos à produção de biocombustíveis. Robert Bruce Zoellick, presidente do Banco Mundial entre 2007 e 2012, chegou a afirmar que precisamente esses últimos fatores causaram o aumento dos preços dos cereais entre 5% e 15%. Esse argumento, no entanto, foi negado de forma taxativa pela Comissão Europeia.

Outra prática que encarece o preço dos cereais é a especulação de certos provedores multinacionais que, ante a crise, deixam de vender seus estoques, pois sabem que, alguns meses depois, poderão obter maiores lucros. Graças à sua grande capacidade de armazenagem, essas empresas podem guardar até 20 toneladas de cereais para vendê-las ao melhor comprador, quando for mais rentável.

A todas essas causas somavam-se o desenvolvimento de dois dos países mais povoados do planeta, China e Índia, cujas demandas de alimentos podiam comprometer o futuro mundial. A China é o maior produtor e consumidor de arroz do mundo, mas, a partir do século XXI, a adoção da dieta ocidental gerou uma elevação da demanda de carne e laticínios, o que obrigou o país a aumentar a produção de cereais e da ração necessários para alimentar o gado. A gripe aviária que se espalhou pela China nos primeiros anos do século também obrigou o fechamento de milhares de fazendas avícolas. Desde então, os mercados chineses começaram a comprar frango de outros países, onde a segurança destes produtos era garantida. Para tentar frear a inflação nos mercados internacionais, Wen Jiabao, primeiro-ministro chinês entre 2003 e 2013, decidiu restringir as importações de carne e laticínios.


TEMPOS DE SECA
Segundo o Banco Mundial, a alta dos preços em 2007 e 2008 faria com que os 2,2 milhões de pessoas que sobreviviam com menos de US$ 1,00 por dia tivessem que dedicar 85% ou 90% de sua renda à alimentação. Essa cifra comprometia o futuro dos países em desenvolvimento, pois se a alimentação da população não fosse assegurada, outras áreas como saúde, infraestrutura ou indústria, não receberiam investimentos. Nos países considerados desenvolvidos, a cota de renda destinada à alimentação é próxima de 12% do salário.

A situação, porém, ficava ainda mais alarmante, uma vez que as secas que afetaram vários países europeus, africanos e asiáticos reduziram as colheitas e a oferta de alguns produtos agrícolas nos mercados internacionais. Ainda em 2007, foi possível sentir a mudança climática em muitos países pobres e nos grandes produtores de cereais, como a Austrália. Desse modo, os cultivos que exigem mais água, como o arroz, tiveram sua produção reduzida. Além disso, o aquecimento global, o aumento da contaminação e o uso descontrolado de produtos químicos causaram danos à produtividade das terras, que cada vez eram menos férteis. Como se não bastasse, o aumento do cultivo de variedades destinadas ao negócio dos biocombustíveis, que não são aptas para o consumo humano, mas possibilitam rendimentos maiores, acentuou a escassez dos cereais, principal fonte de hidratos de carbono de qualquer dieta.

O aquecimento da Terra também foi responsável pelos grandes fenômenos meteorológicos que castigaram as regiões mais cálidas do planeta. Os desastres naturais, como os furacões que atingiram a América Central em 2007, destruíram colheitas e minguaram a oferta de alimentos.

No caso de Mianmar (antiga Birmânia), o ciclone Nargis, que assolou o país em maio de 2008, causou um baque para a economia local. Além de deixar 100 mil mortos, os fortes ventos de mais de 240 quilômetros por hora arrasaram os grandes arrozais do delta do rio Ayeyarwadi, que eram a base econômica do país e que eram conhecidos como “a tigela de arroz da Ásia” devido à sua alta capacidade produtiva.

Segundo a FAO e o Conselho Mundial da Água (CMA), em 2050, a escassez de água poderá ameaçar a segurança alimentar mundial, uma vez que problemas como o consumo excessivo, a degradação e o impacto das alterações climáticas podem diminuir a disponibilidade de água em várias regiões. E é importante lembrar que a agricultura é a maior consumidora de água, em um mundo onde a população tende a crescer, levando à necessidade de ampliação das plantações. Por isso a necessidade de buscar o reaproveitamento e o controle do uso.


O ARROZ É VIDA
A FAO declarou 2004 o ano mundial do arroz. Com o lema “O arroz é vida” chamou a atenção sobre esse alimento, base nutricional de milhões de pessoas no mundo inteiro. Para esse órgão da Organização das Nações Unidas (ONU), fomentar o cultivo deste cereal nos países pobres podia ser a receita perfeita para atenuar a fome no mundo.

O enorme aumento do preço do arroz no primeiro trimestre de 2008 foi especialmente preocupante, já que é o alimento básico de mais da metade da população mundial. Só na Ásia, mais de 2 bilhões de pessoas obtêm do arroz 70% de seu consumo calórico. A elevação no preço do arroz causou mudanças no mercado, abrindo possibilidades de venda do cereal aos países ricos e ocasionando certo desabastecimento no mercado local. Segundo os cálculos do Banco Mundial, a situação ficou complicada em trinta países da Ásia e da África. No continente africano, o arroz alimenta mais de um terço da população, e seu consumo é considerado fundamental para garantir a segurança dos alimentos.


MEDIDAS DE URGÊNCIA
Diante desse quadro, a ONU assegurou que necessitava, no mínimo, de um extra de US$ 500 milhões para manter suas expectativas de desenvolvimento nesses países. O FMI e o Banco Mundial, por sua vez, já haviam se comprometido a desenvolver um plano de emergência que reativasse o setor agrícola. Como primeira medida, Zoellick havia solicitado aos países produtores de arroz que não proibissem as exportações deste cereal, pois essa ação só “fomentaria o monopólio, impulsionaria os preços e impediria a luta das pessoas mais pobres do mundo pela alimentação”. Também pediu aos países desenvolvidos que estabelecessem um fundo de emergência de US$ 750 milhões para apoiar as nações que enfrentavam problemas devido aos altos preços do grão. Ainda assim, o diretor do Banco Mundial afirmou com razão que a crise mundial dos alimentos se aceleraria até 2010 e que o mercado não se estabilizaria até 2015.

Enquanto os órgãos encarregados de vigiar a economia mundial se mobilizavam, cidadãos de todo o mundo começavam a se manifestar contra a primeira crise dos alimentos global. Como consequência dessa situação, as teorias econômicas de Thomas Robert Malthus ganharam força novamente. Esse pensador iluminista prenunciou, no século XX, que o crescimento da população a um ritmo superior ao da produção dos alimentos conduziria o planeta, no futuro, a uma grande fome. O futuro prognosticado por Malthus parecia bem próximo. Entretanto, sabe-se atualmente que a causa do aumento da fome no mundo não está relacionada somente ao aumento da população. Segundo informações do relatório da ONU, a fome está aumentando em muitos países nos quais o crescimento econômico está estancado, particularmente nos países de renda média e naqueles que dependem em grande medida do comércio internacional de matérias-primas. “O relatório anual das Nações Unidas denuncia igualmente que a desigualdade de renda está crescendo em muitos dos países onde a fome está aumentando, o que torna a situação ainda mais difícil para os mais pobres, vulneráveis ou marginalizados, frente à desaceleração e à recessão econômica”, apontam os dados da ONU.


UMA NOVA CRISE
Toda essa movimentação, embora não tenha “solucionado” definitivamente a questão, foi capaz de amenizar a situação que se desenhou em 2007 e em 2008 e preparar melhor o mundo para as diversas formas de escassez de alimentos que poderiam surgir a partir de então.

Uma das formas de prevenção e avanço foi a criação do Sistema de Informação do Mercado Agrícola (Amis, na sigla em inglês) em 2011, uma agência internacional que busca a transparência do mercado de comida – principalmente de trigo, milho, arroz e soja, considerados a base da alimentação da maioria dos países – e reforça as políticas de administração em tempos de crise. A instituição se formou a pedido do Grupo dos 20 (G20) e é abrigada pela FAO, em Roma. O G20 é um fórum internacional dos governos das consideradas 20 maiores economias do mundo: África do Sul, Alemanha, Arábia Saudita, Argentina, Austrália, Brasil, Canadá, China, Coreia do Sul, Estados Unidos, França, Índia, Indonésia, Itália, Japão, México, Rússia, Reino Unido, Turquia e União Europeia (único membro que não consiste num só país).

Mas logo em 2012 um novo cenário de crise alimentar se desenhava, dessa vez conduzido por uma alta dos preços gerada pela quebra de safra das principais regiões produtoras de alimentos básicos do mundo, que são poucas se levarmos em conta a demanda crescente. Segundo relatório divulgado pela FAO, em 2012 o trigo havia aumentado seu preço entre 60% e 80%, enquanto o milho, 40%. Fora isso, há ainda a má distribuição, que não permite que alguns países em desenvolvimento sejam suficientemente abastecidos, gerando um estado de fome cada vez maior.

Nesse contexto, os pequenos produtores e as agriculturas familiares, que passaram a se multiplicar nos últimos anos, muitos motivados pela crescente demanda de alimentos orgânicos, ou seja, sem agrotóxicos e fertilizantes químicos, significaram uma excelente saída para essa crise na produção de alimentos. Incentivar o consumo local e investir nas zonas rurais apareceram como medidas importantes.


BRASIL: DESPERDÍCIO E FOME
Na segunda década do século XXI, o Brasil ocupava uma posição de destaque, sendo o terceiro maior produtor mundial de alimentos e gerando comida suficiente tanto para o consumo local quanto para exportação. Dados de 2018 da FAO apontavam o Brasil como o terceiro maior produtor, abaixo apenas dos Estados Unidos e Europa.

O grande problema do Brasil era – e ainda é – o desperdício, calculado pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) como de 40 mil toneladas diárias, o suficiente para alimentar 19 milhões de pessoas com três refeições.

Engana-se quem acredita que todo esse desperdício parte dos consumidores. Segundo um estudo do Instituto Akatu que atua com Consumo Consciente, ele se distribui nas várias etapas de produção de comida: na colheita, no transporte, no armazenamento, na indústria de processamento e no varejo.

E apesar de ser um produtor de alimentos tão importante, foi só em 2014 que o Brasil saiu do Mapa Mundial da Fome divulgado pela FAO, que apontou que entre 2002 e 2013, o percentual de brasileiros em estado de subalimentação caiu em 82% e, entre 1990 e 2014, em 84,7%. Esta mudança foi marcada por uma maior oferta de alimentos (inclusive na merenda escolar) e pelo aumento da renda da população mais pobre.

Porém, um relatório elaborado por cerca de vinte entidades da sociedade civil elaborado em 2017, sobre o desempenho do Brasil no cumprimento dos 17 objetivos de desenvolvimento sustentável da ONU, afirmou que há risco de o país voltar ao próximo Mapa da Fome. Um dos especialistas que elaborou o relatório, o economista Francisco Menezes, pesquisador do Ibase (Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas) e da ActionAid Brasil, afirmou que o risco se deve a uma combinação de fatores oriundos de 2015 a 2017, como alta do desemprego, avanço da pobreza, corte de beneficiários do Bolsa Família e o congelamento dos gastos públicos por até 20 anos.


FOME NO MUNDO
A melhora de 2014, no entanto, não aconteceu só no Brasil, uma vez que, em 2015, 72 países alcançaram o Objetivo de Desenvolvimento do Milênio determinado pela Cúpula Mundial de Alimentação de 1996 e reduziram pela metade o número de pessoas em estado de subalimentação. Apesar de um aumento de quase 2 milhões de pessoas no mundo, o número daqueles que passavam fome havia sido reduzido em quase 30% em relação ao período entre 1990 e 1992, segundo relatório divulgado pela ONU. Mesmo assim, 795 milhões de indivíduos ainda sofriam dessa privação.

Em meados da década de 2010, a África subsaariana ainda tinha a maior prevalência de subalimentação do globo, em uma proporção de 23,2%. Nesse mesmo período, o norte da África havia conseguido alcançar uma porcentagem inferior a 5% de pessoas com subalimentação.

A Ásia também apresenta contextos diferentes dependendo da região. O sul teve uma redução na prevalência da subalimentação de 23,9% para 15,7% no período estimado, enquanto na Ásia Ocidental, o que agrava os problemas de fome são os conflitos civis e a grande proporção de imigrantes.

Já na América Latina e no Caribe, a porcentagem de pessoas que passam fome diminuiu de 14,7% para 5,5% desde 1990.

Um estudo publicado pela FAO em 2016 mostrou que a produção mundial de alimentos é suficiente para suprir a demanda das 7,3 bilhões de pessoas no mundo. Porém, cerca de uma em cada nove dessas pessoas ainda vive a realidade da fome. Isso é confirmado pela declaração da Unicef (Agência das Nações Unidas para a Infância) feita em fevereiro de 2017, segundo a qual confirma-se que 1,4 milhão de crianças, de quatro diferentes países da África – Nigéria, Somália, Iêmen e Sudão do Sul – correm risco iminente de morrer de fome. Tal pesquisa questiona a política internacional de combate à subnutrição crônica colocada em prática nas últimas décadas. Concentração da renda e da produção, falta de iniciativa política e desinformação e consolidação de uma cultura alimentar pouco nutritiva são alguns dos fatores que fazem parte desse cenário.

No ano de 2018, 39 países – 31 localizados na África, 7 na Ásia e 1 no Caribe – precisavam de ajuda da ONU para garantir alimento às suas populações. Os dados fazem parte do relatório “Perspectivas de colheitas e situação alimentar”, realizado pela FAO em 2018, que destaca que conflitos civis prolongados e deslocamento populacional contribuem para o aumento da insegurança alimentar na África Oriental e no Sudoeste Asiático. Além disso, os eventos climáticos extremos tem dificultado o acesso de populações aos alimentos em outras regiões.


PARA REDUZIR A FOME NO MUNDO
A FAO propõe quatro ações que podem ajudar a alcançar um mundo onde todos tenham o que comer: não desperdício de comida, produzir mais com menos; adotar uma dieta mais saudável e sustentável e defender o #FomeZero (campanha da FAO).

“Todos têm um papel na construção de um mundo com #FomeZero, mas países, instituições e pessoas precisam trabalhar em conjunto para alcançar este objetivo. A FAO estimula a estabelecer parcerias #FomeZero, compartilhar conhecimento e recursos, desenvolver estratégias e descobrir novas oportunidades para contribuir no combate à fome”, conforme dados do site de notícias da ONU.