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 PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL
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Os tanques de guerra foram utilizados pela primeira vez durante a Primeira Guerra Mundial

Um tiro de pistola perpetrado por um estudante nacionalista sérvio iniciou a Primeira Guerra Mundial (1914-1918). O disparo resultaria no atentado que matou o arquiduque Francisco Ferdinando de Habsburgo (1963-1914), herdeiro do trono do Império Austro-Húngaro — união dinástica dos territórios pertencentes à casa de Habsburgo, na Europa central e oriental. O império era formado por um mosaico de povos tão diferentes que nunca chegou a constituir um Estado integrado e sólido.

Francisco Fernando havia sido nomeado sucessor no trono imperial pelo imperador Francisco José (1830-1916). Sua nomeação tinha como objetivo o entendimento com os povos eslavos, aos quais Fernando pretendia dotar de total autonomia. Ele era odiado por toda a corte de Viena, a começar pelo próprio imperador Francisco José, que o indicara como sucessor por conveniência política. Fernando era tido pela corte como liberal demais e seu plano de dar autonomia aos eslavos tinha, na verdade, o objetivo de diminuir a influência da Hungria no império.

Em 28 de junho de 1914, quando Francisco Fernando e sua esposa Sofia Chotek, duquesa de Hohenberg, faziam uma visita oficial a Saravejo, então capital da Bósnia-Herzegóvina, tudo teve início. Primeiro, eles foram vítimas de um atentado a bomba, quando um nacionalista sérvio jogou uma granada contra a comitiva dos nobres. Depois, quando ambos já se retiravam da cidade, um jovem estudante sérvio matou-os a tiros de revólver.

Os atentados foram planejados por sociedades secretas terroristas, as quais existiam aos borbotões nos Bálcãs. Entre eles, os principais eram os nacionalistas sérvios. A Bósnia-Herzegóvina, à época, era o resultado de um processo histórico que, no Congresso de Berlim, após a Guerra Russo-Turca de 1877-1878, a tornara um domínio austro-húngaro, embora fossem ainda nominalmente duas províncias turcas. Em 7 de outubro de 1908, tais províncias foram definitivamente anexadas à Áustria-Hungria. A partir de então, foi criada uma nova constituição, que, por sua vez, gerou três colégios eleitorais e estabeleceu uma proporção fixa de assentos para cristãos ortodoxos, católicos romanos e muçulmanos no Parlamento. Tal medida suscitou o antagonismo dos nacionalistas sérvios, o qual culminou com o atentado terrorista no qual foi morto o arquiduque Francisco Ferdinando.

Assim começou o primeiro conflito mundial. Sua duração foi de agosto de 1914, com a declaração de guerra do império Austro-Húngaro à Sérvia, a novembro de 1918. Dele participaram EUA, França, Grécia, Itália, Japão, Montenegro, Portugal, Reino Unido, Romênia, Rússia e Sérvia pelo lado das “potências aliadas”; e Alemanha, Áustria-Hungria, Turquia e Bulgária pelo lado dos “impérios centrais”. O Brasil se posicionou do lado aliado.

Após o atentado, o conde Leopold Berchold (1863-1942), então ministro de Relações Exteriores do Império Austro-Húngaro, emitiu um ultimato à Sérvia — não antes, porém, de consultar a Alemanha, que seria sua aliada.

O ultimatum foi enviado em 23 de julho. Suas condições eram calculadamente inaceitáveis. Dois dias depois, os sérvios responderam aceitando a maioria das condições, porém, o esforço sérvio não teve resultado. O Império Austro-Húngaro queria mais que uma vitória na área diplomática. Queria a guerra e a eliminação da Sérvia, com sua posterior divisão com a Bulgária, outra aliada do Império Austro-Húngaro.

Berchold criara assim uma situação irreversível. A guerra tornou-se então questão de tempo.

Contudo, a Europa foi, à época, palco de grandes negociações diplomáticas, as quais buscavam resolver a questão antes do exército austro-húngaro entrar em ação contra a pequena Sérvia.


Equilíbrio europeu
O atentado e o ultimatum colocaram em xeque a famosa “paz armada”. Esse período, que durou de 1871 a 1914, foi marcado pela exacerbação dos nacionalismos, o qual, por sua vez, foi resultado direto das políticas imperialistas adotadas à época por todas as grandes potências do mundo. A luta pelas colônias, principalmente as da Ásia e da África, colocava em posições opostas alguns países europeus. Junto a isso havia a inegável tendência para um nacionalismo beligerante na Europa. A maioria dos países desenvolveu, nesse período, sua indústria bélica, e acirrou os discursos e as posições políticas baseadas em uma mentalidade voltada para as glórias militares.

Segundo a mestra em ciências sociais Ana Paula Corti, “a essa conjuntura acrescentou-se uma série de disputas em regiões fronteiriças, com populações formadas por mais de uma nacionalidade, como na Alsácia e na Lorena (entre a Alemanha e a França), na Trentina e proximidades de Trieste (Itália e Império Austríaco), e na península Balcânica (disputada pela Rússia e pela Áustria)”.

O que mantinha a “paz armada”, no entanto, era um certo equilíbrio europeu fruto de uma organização que incorporava as grandes potências européias e que se baseava na Tríplice Aliança — um pacto defensivo firmado em 1882 entre Alemanha, Áustria-Hungria e Itália contra a ameaça de ataque da França e renovado periodicamente até a Primeira Guerra Mundial — e na Tríplice Entente — sistema de alianças entre Reino Unido, França e Rússia formado em 1907 e destinado a preservar o equilíbrio europeu e contrabalançar a aliança entre Alemanha, Áustria-Hungria e Itália.

Esses acordos eram ambos defensivos, porém, podiam operar ofensivamente em caso de conflito. A Itália, contudo, já começa a se afastar de Alemanha e Áustria-Hungria em função dos trabalhos do embaixador da França naquele país, Camille Barrère (1851-1940), que ocupou a embaixada francesa em
Roma de 1897 a 1924.

Tudo isso foi reforçado pelo problema existente no Adriático: os italianos e os austro-húngaros disputavam a Trentina e proximidades de Trieste, ou seja, tinham interesses opostos.

Com o afastamento da Itália, o fortalecimento da Tríplice Entente, o atentado e o ultimatum levaram o mundo ao conflito global.

A Rússia respondeu ao ultimatum do Império Austro-Húngaro com uma mobilização dos seus exércitos, o que, por sua vez, levou a Alemanha a uma resposta em favor da Áustria-Hungria.


A GUERRA
A situação foi ficando cada vez mais complicada até que no dia 1º de agosto de 1914 a Alemanha declarou guerra à Rússia. Começava a Primeira Guerra.

No dia seguinte, a Alemanha entregava um ultimatum a Bruxelas, exigindo a passagem de suas tropas pelo território belga. Como não recebeu uma resposta, a Alemanha invadiu a Bélgica, o que, por sua vez, levou o Reino Unido a entrar no conflito.

No dia 3, a cavalaria alemã invadiu a Bélgica e, no dia 5, intimou o general belga Gerard-Mathieu Leman (1851-1920) a se render. Ele se negou e suas tropas resistiram ao avanço alemão até o dia 16 de agosto.

Após superar as forças belgas, o exército alemão partiu para a invasão da França na expectativa de uma vitória rápida. Os alemães queriam concentrar suas forças contra a Rússia e alcançar um caminho para o mar.

De fato, a tropa alemã chegou a cinqüenta quilômetros de Paris, mas foi rechaçada na batalha do Marne (várias batalhas são agrupadas sob esse nome), entre 5 e 10 de setembro. Os alemães então se entrincheiraram ao norte, de onde tentaram dominar a região da Mancha. Porém, a “corrida para o mar” dos alemães foi frustrada por uma ofensiva anglo-francesa com apoio belga.

Em seguida ocorreu a vitória aliada em Ypres, na França (outubro-novembro de 1914), na frente ocidental, que se estabilizou numa linha em forma de um “S” alongado e mal traçado, que ia da Mancha à Suíça — hoje, ao redor da cidade de Ypres e ao longo do rio Yser, existem mais de 170 cemitérios militares e duzentos monumentos.

A partir desse conflito começa um terrível e para muitos soldados interminável guerra de trincheiras, a qual durou todo ano de 1915.

Segundo Ricardo Bonalume Neto, jornalista brasileiro especializado em assuntos militares, “durante a Primeira Guerra Mundial os dois lados tentaram, para quebrar o impasse da luta nas trincheiras, derrotar o inimigo com gases venenosos disparados por canhões. O mais conhecido era o gás mostarda, de cor amarelada”.
O pior das armas químicas, como o gás mostarda, era o fato de seu resultado ser exatamente o oposto do que imaginavam as tropas que o utilizavam. Segundo Bonalume, na era da “Primeira Guerra era difícil fazer um ataque bem-sucedido. Bastava o vento virar, e o gás mostarda podia se voltar contra o atacante”.

Esse terrível expediente foi utilizado em abril de 1915, na segunda batalha de Ypres, onde, pela primeira vez na história das guerras, os alemães empregaram gás venenoso — o gás mostarda —, provocando pânico e terror.

Além das armas químicas, a Primeira Guerra Mundial também marcou a utilização, também pela primeira vez, de tanques de guerra, ainda primitivos e em pequeno número. Na verdade, os tanques dessa época eram uma espécie de tratores blindados e armados, mas muito precários.


Frentes de Batalha
A Primeira Guerra Mundial foi palco de várias frentes de batalha. Além da frente ocidental, os conflitos se espalharam por muitas regiões. A campanha da Rússia, na frente oriental, foi marcada pelos ataques russos os austro-húngaros, que levaram inicialmente uma desvantagem, na Polônia. Esse confronto, porém, mudou com a participação das tropas alemãs, que gerou o avanço das potências centrais e conquista da Polônia e da Lituânia. Nessa frente, os russos perderam dois milhões de homens, a metade dos quais foram feitos prisioneiros. Apesar desse fortíssimo impacto em suas tropas, os russos, em 1916, foram capazes de contra-atacar na frente que ia dos Cárpatos ao Báltico e, como resultado indireto desse ataque, a Romênia entrou na guerra do lado dos aliados.

Nessa época, além da guerra, a Rússia enfrentava fortes problemas internos, os quais levaram à queda do czarismo em 23 de fevereiro (8 de março, no calendário gregoriano) de 1917 e à chegada dos comunistas ao poder.

Lênin (1870-1924), que chegou ao poder em outubro de 1917, após comandar a Revolução Russa, assinou o armistício de Brest-Litovsk com os alemães, que com isso foram capazes de levar suas tropas para frente ocidental. Pelo tratado do mesmo nome, firmado em 3 de março de 1918 a Rússia ainda lhes cedeu a Ucrânia, a Polônia, a Lituânia, a Finlândia, províncias do Báltico e a Armênia.

Na frente italiana, houve uma mudança de lado por parte da Itália. Apesar de fazer parte e ter assinado o acordo como membro da Tríplice Aliança, a Itália, em razão dos conflitos de interesses que tinha o Império Austro-Húngaro, não entrou na guerra ao lado das potências centrais. Entrou no conflito ao lado dos aliados após exigir o domínio do Adriático, por considerar-se herdeira de Veneza, e a anexação do Trentino ou Tirol do Sul. Isso foi possível após uma série de manobras diplomáticas e depois da assinatura de um tratado secreto em Londres (abril de 1915) pelo qual os aliados lhe prometiam o território tirolês pleiteado e uma parte das colônias alemãs a serem partilhadas após a guerra. Assim, em 23 de maio de 1915, a Itália declarou guerra ao Império Austro-Húngaro, iniciando uma luta de trincheiras ao longo do eixo Isonzo-Trieste. Em outubro de 1917, uma grande ofensiva dos poderes centrais rachou a frente e obrigou os italianos a se retirarem até Piave. Em junho de 1918, a Áustria atacou Piave, mas foi rechaçada. Esse insucesso, somado ao colapso total de suas forças na guerra, deu a vitória à Itália. Roma e Viena assinaram o armistício no dia 3 de novembro de 1917 e a Itália conseguiu a anexação dos territórios e ao domínio do Adriático.

A campanha na Turquia foi marcada pela luta desse Estado para manter a integração do império otomano (ele duraria até 1922). A Turquia só entrou na guerra pelo lado das potências centrais em 29 de outubro de 1914. Essa decisão só veio depois de verdadeiras batalhas diplomáticas, que duraram cerca de três meses, se mostrarem infrutíferas. Esse embate diplomático ocorreu em Londres, Paris, Berlim e Constantinopla.

Seu primeiro movimento de guerra foi bombardear vários portos russos no mar Negro. Pouco depois lançou grande ofensiva contra a Rússia. Como a frente ocidental estava paralisada desde outubro, os aliados decidiram atacar Constantinopla através dos Dardanelos, para dar a mão aos russos e ameaçar as potências centrais pelo sudeste. Arquitetou-se então a campanha de Galípoli. Brilhante na concepção e inepta na execução, a campanha se estendeu até janeiro de 1916, sem êxito. O desembarque, apesar de tudo, serviu de precedente para as bem-sucedidas campanhas anfíbias da Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

A luta prosseguiria no Oriente Médio, onde as campanhas da Palestina e da Síria deram celebridade a Thomas Edward Lawrence (1888-1935), El-Orens para os árabes, Lawrence da Arábia para o mundo ocidental, dirigiu a revolta dos beduínos contra o domínio otomano. Ele se tornaria uma figura lendária ainda em vida. Lawrence da Arábia foi talvez o último soldado europeu do século XX capaz de proezas como criar novos países e de se destacar também como escritor e intelectual — seu livro Os sete pilares da sabedoria é considerada por muitos uma obra-prima do século passado.

Para o escritor Bernardo Carvalho, “Os sete pilares da sabedoria, de T.E. Lawrence, é mais do que um livro. São vários. É um dos relatos mais ricos já escritos sobre a tática da guerrilha, como lembra Gilles Deleuze (1925-1995), um declarado admirador, em Mil Platôs. É também a saga da constituição do mundo árabe contemporâneo. É a experiência mística e heróica de um homem no deserto. É o drama de consciência de um sujeito atormentado pelo fantasma da traição, por não ter podido cumprir suas promessas. É um livro de aventuras, um romance psicológico e uma tragédia. Mas é, antes de tudo, uma das grandes obras literárias do século XX”.

Nascido no País de Gales, em 1888, filho de numa família de origem irlandesa, Thomas Edward Lawrence estudou arqueologia em Oxford e, em 1911, fez parte de um grupo de pesquisadores num sítio arqueológico hitita às margens do Eufrates.

Com o estouro da Primeira Guerra, Lawrence se viu, graças aos seus imensos conhecimentos da língua e dos povos do deserto, fazendo parte dos quadros de soldados especializados do exército britânico.

Começou trabalhando para o serviço de inteligência inglês na cidade do Cairo, no Egito. Nessa época, o Império Otomano dominava boa parte do Oriente Médio. Os turcos, que acabaram se aliando aos alemães e austro-húngaros eram, portanto, inimigos do Reino Unido. Para vencê-los na região, os ingleses tiveram de costurar apoios e alianças entre as tribos árabes insurgentes. É nesse momento que a figura de Lawrence surge com toda sua força.
A guerrilha comandada por Lawrence da Arábia contribuiu para que as tropas britânicas capturassem Gaza, Jaffa e Jerusalém e, no outono de 1918, desbaratassem as forças turcas em Megido.

Segundo Bernardo Carvalho, talvez a maior frustração de Lawrence tenha sido “aberta pelo Tratado de Versalhes, quando ele compreendeu que fora abandonado pelos próprios ingleses. Fora usado como intermediário entre os beduínos e o Exército britânico na aliança contra os turcos. Com o armistício, viu-se obrigado a quebrar a promessa que fizera aos árabes, em nome dos ingleses, e a se resignar à nova configuração geopolítica do Oriente Médio dividido em zonas de influência britânica e francesa. O sonho de uma nação árabe independente tinha se transformado em miragem no deserto”. Esse desfecho colaborou muito para atual situação da região.

Outra região que ficou marcada pela Primeira Guerra Mundial foram os Bálcãs. Desde o início do conflito, os países aliados fizeram várias tentativas para se aproximar dos países do sudeste europeu e torná-los seus aliados. O resultado dessa política foi o surgimento da frente da Macedônia, que teve início, em outubro de 1915, com o desembarque de tropas franco-britânicas em Salonica.
Em 15 de setembro de 1918, as tropas francesas romperam a linha inimiga e avançaram até o dia do armistício alemão de 11 de novembro do mesmo ano, o qual consolidaria a vitória dos aliados. Portanto, durante três anos, a atuação de metade do exército búlgaro e da malária, que dizimava as tropas, imobilizaram mais de meio milhão de homens em Salonica.


BRASIL NA GUERRA
Em 26 de outubro de 1917, após o torpedeamento de vários navios cargueiros brasileiros por submarinos alemães, o presidente do Brasil, Wenceslau Brás Pereira Gomes (1868-1966), decidiu declarar guerra à Alemanha.

O Brasil não estava aparelhado para a guerra e por isso sua participação foi restrita. O governo brasileiro decidiu abrir os portos às unidades de guerra das potências amigas (os aliados) e a esquadra brasileira ficou responsável do patrulhamento do Atlântico sul, além de prestar auxílio operacional à esquadra britânica.
O país também enviou numerosos oficiais do exército para servir em regimentos franceses na frente ocidental. Também um grupo de aviadores navais realizou arriscadas missões de guerra ao lado da Royal Air Force inglesa.

A participação dos brasileiros no conflito também contou com uma importante missão médica, que contava com cerca de cem homens e que foi chefiada pelo doutor José Tomás Nabuco de Gouveia (1872-1940), e que participou da guerra na França.


RESULTADOS
A Primeira Guerra Mundial arrasou extensas áreas da Europa. Produziu um total de vítimas impossível de ser calculado. Contudo, fala-se entre dez e quinze milhões, computando-se mortos e feridos, entre militares e civis. O custo total do conflito atingiu, à época, a astronômica cifra de US$ 338 bilhões. Esse gasto levou o mundo para uma inexorável crise e desequilíbrio econômico. Revoluções derrubaram dinastias e o regime republicano estendeu-se pelo continente europeu. As moedas nacionais sofreram baixa, o câmbio ficou instável, a especulação e a inflação dispararam.

A crise econômica de 1929 foi um desdobramento dessa situação. O império austro-húngaro, de economia outrora modelar, viu-se reduzido a um estado sem expressão. Os Estados Unidos recomendaram um ano de moratória para todas as transações internacionais, em meio ao caos financeiro. Portanto, o resultado do primeiro conflito mundial foi tão terrível quanto a própria guerra, que ceifou milhões de vidas e levou milhares de jovens para os campos de batalha em nome de um nacionalismo frenético que então dominava principalmente a Europa. Em seguida, a Primeira Guerra Mundial (1914-1918) produziu a crise de 1929, a qual, por sua vez, propiciou a ascensão do projeto mais cruel de conquista do mundo: o nazismo.

A Alemanha nazista surgiu da revoltada daquele país com o Tratado de Versalhes e das pesadas indenizações de guerra cobradas aos alemães. Já a Europa central se dividiu em pequenos estados, os quais, por sua vez, resultou em inúmeros problemas, principalmente os relacionados às minorias. Essa fragmentação também foi um empurrão para as políticas imperialistas de países mais poderosos, como a Rússia, que tentavam buscar a hegemonia continental.
Tudo isso somado aos interesses cada vez mais poderosos da indústria bélica mundial, que se desenvolveu enormemente ao longo da Primeira Guerra Mundial, forjou o cenário para a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), a qual seria palco de atrocidades ainda maiores e de um nacionalismo ainda mais exacerbado, pois agora contava com a mobilização em massa da sociedade civil.

Segundo o historiador Eric Hobsbawm, foi “a Primeira Guerra Mundial que transformou os EUA em potência global”. Inegavelmente, foi dos escombros da guerra que emergiu a hegemonia capitalista dos EUA, mas também desses mesmos escombros surgiram o comunismo soviético e a sua utopia igualitária de escala planetária.