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Oscar, a grande festa de Hollywood
 
 
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 E O OSCAR VAI PARA…
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Tom Hooper, vencedor de Melhor Direção do Filme "O Discurso do Rei": produção feita à risca para agradar a academia. Foto: Jason Merritt/AFP PHOTO

Se eu soubesse em que o acontecimento se transformaria nos anos posteriores, ficaria muito mais assustada. Mas eu me lembro de uma noite muito especial, uma noite alegre e uma reunião cheia de gente importante e de bons amigos [...] e um momento único para se encontrar com o elegante Douglas Fairbanks”.

Era o ano de 1929. A atriz Janet Gaynorn (1906-1984) recebeu o Oscar de melhor atriz diante de uma pequena reunião para 300 convidados. Era um evento tranquilo, um banquete no Hotel Roosevelt para reconhecer o trabalho dos profissionais do cinema e limpar um pouco a imagem, naqueles anos de moral reprovável e profissionalmente caótica da indústria cinematográfica. Nenhum dos assistentes poderia imaginar as dimensões que aquela festa alcançaria. Hoje, muitas décadas depois, a entrega de prêmios da Academia se transformou num espetáculo visto em todo o mundo por cerca de um bilhão de telespectadores. Um acontecimento que reúne as grandes estrelas de Hollywood para reconhecer seu trabalho e converter esse reconhecimento em negócio. Bilheteria, moda e meios de comunicação foram beneficiados com uma festa que rende milhões de dólares. Possivelmente, foi essa a visionária intenção de Louis B. Mayer (1882-1957), presidente da Metro Goldwyn Mayer (MGM), no dia em que decidiu criar a Academia. Mesmo que a versão oficial tenha sido a de um nobre pretexto para uma disputa profissional.

Mayer pediu a Cedric Gibbons (1893-1960), diretor artístico de seus estúdios, que projetasse uma mansão onde o dono da Metro residiria com sua família. A construção da casa deveria ser feita por seus empregados que, no entanto, negaram-se ao trabalho, pois queriam receber mais para fazer uma atividade que consideravam fora de suas responsabilidades. Assim, apresentaram a Mayer um orçamento tão alto pela obra que ele decidiu intervir. Reuniu-se com três colaboradores e concordaram em criar uma instituição que mediaria as disputas trabalhistas. As reuniões foram sendo realizadas e, dessa forma, foi-se consolidando a elite que mais tarde formaria o núcleo da Academia, uma instituição composta pelos membros considerados essenciais da indústria cinematográfica. Mayer se autonomeou presidente da recém-criada Academia de Artes e Ciências Cinematográficas (Ampas, na sigla em inglês). Douglas Fairbanks (1909-2000), um dos atores mais famosos da época, sugeriu que fossem entregues prêmios para reconhecer os méritos dos trabalhadores. Assim, surgiu a cerimônia do Oscar. Uma vitrine na qual se vê mais evidente do que nunca a interação entre história e cinema, entre as circunstâncias sociopolíticos e as produções de cada época. E que foi responsável por uma lista de filmes, atores e diretores, ganhadores e indicados, que, com maior ou menor sorte, conseguiram deixar sua marca na história do cinema.


Breve história do cinema

Asas, de William A. Wellman (1986-1975), e Aurora, de F. W. Murnau (1888-1931), foram os primeiro filmes a conquistar um Oscar. Ainda não havia favorito, nem apostas, muito menos festas luxuosas. Sequer existia o som. Janet Gaynor recebeu o prêmio de melhor atriz, mas seu nome aparecia em três das cinco indicações. Charles Chaplin (1889-1977) também recebeu um Oscar pela “versatilidade e genialidade” e, no entanto, seu trabalho não voltaria a ser reconhecido até 1971, com o prêmio humanitário Jean Hersholt, conhecido como Oscar humanitário. Ironias do destino. Tudo podia acontecer na época dos grandes escândalos. Os prêmios da Academia serviriam para limpar a imagem da indústria mais reprovada pelos norte-americanos.

Na década de 1930, Frank Capra (1897-1991) ganhou três Oscars na categoria de melhor diretor e transformou três filmes em clássicos: O Horizonte Perdido (1937), Do Mundo Nada se Leva (1938) e Aconteceu Naquela Noite (1934), os dois últimos também premiados como melhor filme. Hollywood vivia sua época dourada ao mesmo tempo em que os Estados Unidos enfrentavam a Grande Depressão. Surgiam os gêneros cinematográficos; a comédia e o humor negro entrariam na moda. Anos despreocupados e cheios de luxo, que se traduziam em prestige pictures, filmes que definiam toda uma filosofia de produção e promoção. Entre eles, Aconteceu Naquela Noite, com Clark Gable (1901-1960) e Claudette Colbert (1903-1996). Quanto ao mundo da interpretação, uma jovem chamada Katharine Hepburn (1907-2003) começava a despontar (Oscar de melhor atriz em 1933 por Manhã de Glória).

A década de 1940 foi o início das grandes produções. E o Vento Levou, a superprodução de Victor Fleming (1889-1949), conquistou o Oscar de melhor filme em 1940 e deu uma estatueta a Vivien Leigh (1913-1967). A qualidade dos filmes não diminuiu com a eclosão da Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Nessa época, foram premiados pela Academia filmes inesquecíveis como Casablanca (1942), de Michael Curtiz (1886-1962); Como Era Verde Meu Vale (1941), de John Ford (1894-1973); e Os Melhores Anos de Nossas Vidas (1946), de William Wyler (1902-1981). Os temas bélicos e de caráter sociopolítico ganharam relevância: os documentários A Batalha de Midway (1942) e Por que Lutamos? (1943), respectivamente de John Ford e Frank Capra, são um bom exemplo. Mesmo assim, acentuou-se o gosto pelo estilo britânico, o que beneficiaria filmes como Rosa da Esperança (1942), de William Wyler, e Hamlet (1948), de Laurence Olivier (1907-1989).

Por outro lado, nessa mesma época, começou a ser elaborada a Lista Negra do macartismo — campanha anticomunista comandada pelo senador norte-americano Joseph McCarthy (1908-1957). Todos aqueles que defendessem ideias socializantes ou se negassem a denunciá-las seriam inscritos na lista. Como consequência, muitos foram afastados da comunidade cinematográfica e privados de opções de trabalho.

Na década de 1950, surge Ben-hur. Recorde histórico de Oscars: o filme de William Wyler, realizado em 1959, conseguiu 11 estatuetas, fechando, assim, uma década marcada pelo épico e pela criação da televisão. O invento iria influir notavelmente no estilo de alguns filmes, muitos deles ganhadores do Oscar de melhor filme: O Maior Espectáculo da Terra (1953), A Volta ao mundo em 80 Dias (1957) e A Ponte do Rio Kwai (1958). Também foi a época das grandes estrelas e dos grandes perseguidos. Humphrey Bogart (1899-1957), Vivian Leigh, Gary Cooper (1901-1961), Marlon Brando (1924-2004), Grace Kelly (1929-1982), Alec Guiness (1914-2000), Joan Woodward, Ingrid Bergman (1915-1982), Charlton Heston (1923-2008) e Audrey Hepburn (1929-1993). Todos eles foram premiados.

Outros, vítimas da “caça às bruxas”, foram excluídos. Entre eles, Lauren Bacall, Bette Davis (1908-1989) e Gregory Peck (1916-2003). Um momento representativo desse período foi a entrega de um Oscar ao diretor Elia Kazan (1909-2003), por A Lei do Silêncio (1954). Kazan, em princípio denunciado e, mais tarde, delator, foi premiado por um filme que narrava como uma testemunha de um assassinato era pressionada para denunciar o ocorrido.

Na década de 1960, No Calor da Noite, que contava com Sydney Poitier como protagonista da trama, conquistou o Oscar de melhor filme em 1967. A história narrava a investigação de um assassinato numa cidade racista do sul do país por um detetive afro-americano. Era um reflexo das preocupações sociais da década. A década de 1960 seria agitada. John F. Kennedy (1917-1963) e Martin Luther King (1929-1968) foram assassinados. Os problemas sociais aumentavam. A Guerra do Vietnã (1961-1975) provocava protestos nas ruas. O cinema tinha duas saídas: ignorar e fazer musicais ou mostrar os problemas de seu tempo. Optaram pela primeira opção filmes premiados com o Oscar como: My Fair Lady (1964), O Homem que Não Vendeu Sua Alma (1966) e Amor, Sublime Amor (1962), que tinham um pano de fundo mais social. A segunda saída gerou filmes como: O Sol É para Todos (1962), que permitiu a Gregory Peck ganhar o Oscar; No Calor da Noite; e Adivinhe Quem Vem para Jantar (1967). Todos abordaram o tema do racismo. Por outro lado, Billy Wilder (1906-2002) denunciou o vazio da vida moderna com Se Meu Apartamento Falasse (1960), enquanto que em Farrapo Humano (1945) abordou o alcoolismo e, em Irmã la Douce (1963), a prostituição.

Na categoria de melhor filme em língua estrangeira, Ingmar Bergman (1918-2007) triunfou com seus dramas densos e obscuros. O diretor sueco recebeu um Oscar em 1961 por A Fonte da Donzela, e em 1962 por Através de um Espelho. Elizabeth Taylor e Katharine Hepburn também foram duplamente reconhecidas na maturidade de suas carreiras. A primeira por Disque Butterfield 8, em 1961, e Quem Tem Medo de Virgínia Wolf?, em 1967; a segunda, por Adivinhe Quem Vem para Jantar, em 1968, e O Leão no Inverno, em 1969.

Década de 1970. O Poderoso Chefão. Qualidade, bilheteria e diretores jovens. Francis Ford Coppola era um deles. Ganhou o Oscar de melhor filme em 1973 por O Poderoso Chefão e, em 1975, por O Poderoso Chefão II. O prêmio também concedeu a Coppola um feito histórico. Nunca antes uma segunda parte havia recebido um Oscar. A década de 1970 era dominada pela bilheteria. As arrecadações dos cinemas atingiam cifras vultosas. Hollywood parecia ter encontrado a chave do sucesso. Era a década de diretores como Martin Scorsese, Steven Spielberg, George Lucas e Brian de Palma. A década de A Guerra nas Estrelas (1977) e Tubarão (1975). Contudo, o Oscar mantinha a seriedade e apostava em cifras menos exageradas. Um Estranho no Ninho, em 1976; Noivo Neurótico, Noiva Nervosa, em 1978; O Franco Atirador, em 1979; e Kramer versus Kramer, em 1980, ganharam Oscars na década de 1970. Os dois últimos refletiam os efeitos da guerra do Vietnã, contra a qual Jane Fonda, ganhadora de dois Oscars de melhor atriz, posicionou-se em várias ocasiões.

Platoon levou para as telas, na década de 1980, a Guerra do Vietnã, que ainda era um tema candente, representando-o em toda a sua crueldade. Refletindo a face mais terrível do conflito, Oliver Stone ganhou dois Oscars em 1987, um de melhor filme e outro de melhor diretor. Assim, se inseria na linha de denúncia do cinema da época. As causas nobres eram caras à Academia: Carruagens de Fogo (1981) e sua crítica ao anti-semitismo; Gandhi (1982) e a não-violência; Conduzindo Miss Daisy (1989) e as relações raciais. No entanto, também havia espaço para os típicos favoritos dos membros da Academia, como Entre Dois Amores (1985) e O Último Imperador (1987). Até mesmo para filmes não tão fáceis: Gente como a Gente (1980), Laços de Ternura (1983), Rain Man (1988). E para os atores versáteis: em Touro Indomável (1980), Robert de Niro se revelava um gigante da interpretação.

Na década de 1990, A Lista de Schindler. Os prestige pictures voltaram? Era o que parecia. E respaldados por orçamentos multimilionários. Dinheiro e qualidade se juntavam naquela década. Um bom exemplo é A Lista de Schindler, de Steven Spielberg, premiado com o Oscar de melhor filme em 1994. O filme conquistou sete estatuetas. E na década de 1990, tudo se fazia de maneira grandiosa: produções gigantescas, montagens superlongas e um bom número de Oscars para o escolhido... Muitos dos vencedores da época entraram dessa forma na lista dos filmes mais premiados da história: Titanic (1997), com 11 estatuetas; O Paciente Inglês (1996), com nove; Dança com Lobos (1990), Shakespeare Apaixonado (1998) e A Lista de Schindler (1993), com sete... E assim por diante, com não menos de quatro.

A partir de 1997, quando o longa-metragem A Vida É Bela, do italiano Roberto Benigni, conquistou os prêmios de melhor ator, melhor filme em língua estrangeira e melhor canção, além de ter sido indicado a outros quatro Oscars, entre eles o de melhor filme e melhor diretor, o Oscar entrou em um processo de globalização, a qual foi consolidada em 2001.

Desse ano em diante, a Academia passou a premiar constantemente tanto filmes quanto diretores de outras nacionalidades. Pedro Almodóvar, diretor de Tudo Sobre Minha Mãe, recebeu o prêmio de melhor filme em língua estrangeira; depois, em 2003, o mesmo Almodóvar foi indicado ao Oscar de melhor diretor e recebeu o Oscar de melhor roteiro original pelo filme Fale com Ela.

Por sua vez, o cinema mexicano foi agraciado com a estatueta em duas ocasiões na atual década: em 2000, com Amores Brutos, de Alejandro González Iñárritu, e em 2002, com O Crime do Padre Amaro, de Carlos Carrera, ambos protagonizados por Gael García Bernal e candidatos ao prêmio de melhor filme em língua estrangeira. Como o argentino O Filho da Noiva, de Juan José Campanella, que esteve próximo de conquistar o Oscar em 2001.

Em 2005, o cinema espanhol comemorava mais uma estatueta dourada: Alejandro Amenábar erguia o Oscar de melhor filme em língua estrangeira por Mar Adentro, drama sobre a eutanásia, também indicado ao Oscar de melhor maquiagem. No mesmo ano, um uruguaio, Jorge Drexler, brindava a comunidade hispano-americana com uma estatueta. Em 2005, o cantor conquistou o Oscar de melhor canção por “Al Otro Lado del Rio”, tema composto para a trilha sonora do filme Diários de Motocicleta, do brasileiro Walter Salles, sobre a juventude de Ernesto “Che”’ Guevara.

No ano seguinte, O Jardineiro Fiel, do também brasileiro Fernando Meirelles, foi indicado nas categorias de melhor edição, melhor roteiro adaptado e melhor trilha sonora, e deu o Oscar de melhor atriz para Rachel Weisz. Ainda em 2006, o músico argentino Gustavo Santaolalla ganhou o Oscar de melhor trilha sonora por O Segredo de Brokeback Mountain, repetindo o feito no ano seguinte, por seu trabalho para o filme Babel.

Em 2008, Javier Bardem se tornava o primeiro ator espanhol a ganhar um Oscar, por seu papel como coadjuvante em Onde os Fracos Não Têm Vez, adaptação do romance de Cormac McCarthy levada às telas pelos irmãos Joel e Ethan Coen. E se em 2008 o Oscar foi para Bardem, em 2009 foi para Penélope Cruz, que recebeu a estatueta de melhor atriz coadjuvante por seu papel em Vicky Cristina Barcelona, de Woody Allen.

No entanto, atualmente os ganhadores de melhor filme não dão nenhuma pista com relação ao futuro: Gladiador (2000), um filme épico; Beleza Americana (2001), uma comedia ácida; Uma Mente Brilhante (2002), um biopic (filme baseado na vida de uma pessoa); Chicago (2003), um musical; O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei (2004), filme do gênero fantástico; Menina de Ouro (2005), um drama de mulheres sobre o ringue; um filme dramático de caráter social, Crash (2006); uma história de intriga e ação, Os Infiltrados (2007); um thriller, Onde os Fracos Não Têm Vez (2008); e uma comédia de amor e dinheiro, Quem Quer Ser um Milionário (2009); e um drama de guerra, Guerra ao Terror (2010), que deu o primeiro Oscar de melhor direção da história a uma mulher, Kathryn Bigelow. Só se sabe que o show deve continuar e continuará. Com novos vencedores e perdedores.


Vencedores e vencidos

Em toda batalha pelo triunfo sempre existem vencedores e vencidos. O maior vitorioso dos candidatos ao Oscar foi Walt Disney (1901-1966). O mago da animação e símbolo americano por antonomásia recebeu mais de 60 indicações e 26 estatuetas, principalmente por seus curtas de animação, mesmo que os filmes mais premiados da história do Oscar não tenham sido precisamente curtas: Ben-hur (1959), de William Wyler (1902-1981); Titanic (1997), de James Cameron; e O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei, de Peter Jackson, foram os mais premiados, com 11 estatuetas cada um. Quanto aos diretores, John Ford foi o que conquistou o Oscar mais vezes. Nada menos do que quatro, por O Delator (1935), As Vinhas da Ira (1940), Como Era Verde Meu Vale (1941) e Depois do Vendaval (1952).

No mundo da interpretação, a profissional mais premiada é Katharine Hepburn. Foi indicada 15 vezes e conquistou quatro vezes o Oscar. Entre os atores, os prêmios foram mais divididos. Tanto Walter Brennan (1894-1974) quanto Frederich March (1897-1975) e Spencer Tracy (1900-1967) levaram, cada um, três estatuetas para casa.

No entanto, nem todos têm a mesma sorte. Em 75 anos de cerimônia, a Academia também esqueceu de premiar grandes profissionais. É surpreendente que um mestre do suspense como Alfred Hitchcock (1899-1980), que dirigiu 60 filmes, nunca tenha recebido um Oscar de melhor diretor. No final, só obteve um Oscar humanitário. Outros diretores relevantes de nosso tempo também não foram premiados: entre os mais representativos está Stanley Kubrick (1928-1999). E em 2007, Martin Scorsese, depois de sete indicações ao Oscar (cinco como melhor diretor e duas como melhor roteiro), por fim, conseguia a estatueta de melhor diretor e a de melhor filme com Os Infiltrados. Outro caso parecido é o do compositor Ennio Morricone, autor de memoráveis trilas sonoras, que, depois de cinco indicações ao Oscar, foi premiado em 2007 com o Oscar humanitário por toda sua carreira.

Em 2006, o diretor Robert Altman recebeu um prêmio que era, na verdade, uma espécie de reparação histórica. Ele foi homenageado, aos 81 anos com uma estatueta. Altman jamais havia ganhado um Oscar na vida. Também não foram premiadas atrizes universalmente famosas, como Marilyn Monroe (1926-1962), Greta Grabo (1905-1990), Marlene Dietrich (1901-1992) e Rita Hayworth (1918-1987).

Já na ala masculina, destacam-se casos como o de Paul Newman (1925-2008), sem Oscar até 1987, quando foi premiado por A Cor do Dinheiro; e o de Cary Grant (1904-1986), que teve de esperar o Oscar humanitário concedido pela Academia em 1970. O mesmo se passou com Kirk Douglas, Deborah Kerr (1921-2007), Gene Kelly (1912-1996), Ernst Lubitsch (1892-1947) e Howard Hawks (1896-1977).


Como ganhar um Oscar?

Por que eles não conseguiram? Qual o segredo para afagar a tão desejada estatueta? Vários são os fatores que podem influenciar, num sentido ou em outro, a votação dos juízes. Certamente Hitchcock sempre se perguntou por que não havia sido escolhido para receber um Oscar. O motivo talvez resida no fato de a Academia não ter o costume de premiar filmes de suspense — somente um filme de suspense ganhou o prêmio de melhor filme em toda história do Oscar: O Silêncio dos Inocentes, em 1992. Também não tiveram muito sucesso gêneros como a comédia, os faroestes e os filmes de ação e aventura. São ideais para a bilheteria, mas não agradam muitos membros da Academia.

Como toda premiação, o Oscar guarda as suas idiossincrasias. Uma delas ocorreu na entrega das estatuetas em 1976. Atualmente, um dos filmes que participou do Oscar naquele ano é considerado um clássico do cinema; outro, um filme que muita gente sequer sabe que foi o ganhador das estatuetas de melhor diretor, melhor edição e melhor filme e que recebeu dez indicações, entre elas, melhor ator, melhor roteiro e melhor música. O Oscar de 1976, portanto, foi marcado por disputas um tanto quanto paradoxais: de um lado o hoje clássico Taxi Driver, estrelado por Robert de Niro; do outro, Silvester Stallone e seu longa Rocky, um Lutador. O pugilista Rocky Balboa acabou vencendo o taxista Travis Bickle. Quatro anos mais tarde, o mesmo Robert de Niro viveria um boxer, Jake La Motta, e obteria a estatueta de melhor ator.

Em 1976, também houve a disputa entre John G. Avildsen, diretor de Rocky, um Lutador, versus Ingmar Bergman, diretor de Face a Face. O prêmio ficou com Avildsen. O Oscar daquele ano também marcou outro feito de Silvester Stallone. Ele conseguiu ser indicado para os prêmios de melhor ator e melhor roteiro no mesmo ano. Somente duas outras pessoas haviam conseguido tal proeza: Charles Chaplin, com seu O Grande Ditador (1940), e Orson Welles, com seu Cidadão Kane (1941).

Os filmes preferidos pela Academia são os dramas. E se o filme é um biopic, melhor. Quase 30% dos filmes vencedores do Oscar são biopics, ou seja, 23 dos 77 filmes ganhadores. Outro gênero com sorte na cerimônia são os musicais: nove filmes do gênero receberam a estatueta, número excelente em vista da escassa produção.

Quanto à temática, mais de 50% dos prêmios de melhor filme foram dados a filmes que abordavam importantes temas sociais e políticos, que variaram de acordo com a época. Assim, na década de 1940 estavam em alta os dramas políticos, bélicos e raciais, ao passo que nas décadas de 1950 e 1960, a moda eram os dramas urbanos e policiais. Em 2006, o filme Crash — No Limite usou o trânsito de Los Angeles como palco para promover vários embates de ordem moral entre personagens étnica e socialmente diferentes. Mais uma vez a Academia privilegiou uma história recheada de dramas urbanos políticos e raciais.

A Academia também costuma premiar amplamente filmes que tratam do alcoolismo, da loucura e dos problemas psíquicos e físicos. No entanto, o tema mais frequente entre os vencedores sempre foi — e certamente continuará a ser — a família. Em todas as suas versões e variedades.

Por retrospecto, personagens que enfrentam sérios problemas são os favoritos para ganhar a estatueta. Alcoólatras, portadores de deficiências físicas e mentais... todos eles já receberam ao menos um prêmio. Contudo, isso não pode ser entendido como uma regra. O universo da interpretação tem muitos outros fatores, um deles é a idade. Entre as mulheres, quase dois quintos das ganhadoras do Oscar de melhor atriz tinham menos de trinta anos, enquanto os homens dessa idade representam apenas 2% dos vencedores. A idade predominante entre os homens que ganharam o Oscar de melhor ator costuma ser de 40 anos. Investimentos Até a década de 1940, a MGM dominou as indicações e os prêmios. Contribuiu para a hegemonia o fato de o dono desses estúdios, Louis B. Mayer, ter sido o fundador e presidente da Academia e do Oscar, e por exercer um poder mais do que efetivo para pressionar os juízes. Durante a década de 1930, a MGM recebeu 153 indicações e 33 estatuetas. A Paramount se mantinha distante no segundo lugar, com 102 indicações e oito prêmios. Segundo afirmou Frank Capra numa ocasião, “os grandes estúdios têm os votos”.

Hoje, um dos mais importantes estratagemas para convencer os juízes é a promoção e o marketing a respeito do filme. A partir de novembro de cada ano, os estúdios preparam suas campanhas publicitárias para ganhar votos. Eventos, publicações, entrevistas dos protagonistas na televisão, páginas e páginas de publicidade e artigos nas revistas e jornais mais importantes. Tudo é comprável, e a indústria de fazer dinheiro, infinita. Quanto mais dólares um estúdio investe, mais possibilidades ele terá de ganhar um Oscar.

Talvez seja esse o verdadeiro espetáculo dos prêmios da Academia, a sua exuberância financeira. Mas o certo é que, muito tempo depois de sua criação, a cerimônia de entrega do Oscar, além de um negócio rentável, continua a ser uma noite muito especial. “Uma noite alegre e uma reunião cheia de gente importante e bons amigos [...] e uma ocasião única para se encontrar com o elegante Douglas Fairbanks”, como disse Janet Gaynor. Mesmo que hoje o galã não se chame Fairbanks e a reunião não seja mais no Hotel Roosevelt. Passados mais de 80 anos, mais de um bilhão de pessoas assistem pela TV ao encontro anual mais importante do cinema.


Investimentos

Até a década de 1940, a MGM dominou as indicações e os prêmios. Contribuiu para a hegemonia o fato de o dono desses estúdios, Louis B. Mayer, ter sido o fundador e presidente da Academia e do Oscar, e por exercer um poder mais do que efetivo para pressionar os juízes. Durante a década de 1930, a MGM recebeu 153 indicações e 33 estatuetas. A Paramount se mantinha distante no segundo lugar, com 102 indicações e oito prêmios. Segundo afirmou Frank Capra numa ocasião, “os grandes estúdios têm os votos”.

Hoje, um dos mais importantes estratagemas para convencer os juízes é a promoção e o marketing a respeito do filme. A partir de novembro de cada ano, os estúdios preparam suas campanhas publicitárias para ganhar votos. Eventos, publicações, entrevistas dos protagonistas na televisão, páginas e páginas de publicidade e artigos nas revistas e jornais mais importantes. Tudo é comprável, e a indústria de fazer dinheiro, infinita. Quanto mais dólares um estúdio investe, mais possibilidades ele terá de ganhar um Oscar.

Talvez seja esse o verdadeiro espetáculo dos prêmios da Academia, a sua exuberância financeira. Mas o certo é que, muito tempo depois de sua criação, a cerimônia de entrega do Oscar, além de um negócio rentável, continua a ser uma noite muito especial. “Uma noite alegre e uma reunião cheia de gente importante e bons amigos [...] e uma ocasião única para se encontrar com o elegante Douglas Fairbanks”, como disse Janet Gaynor. Mesmo que hoje o galã não se chame Fairbanks e a reunião não seja mais no Hotel Roosevelt. Passados mais de 80 anos, mais de um bilhão de pessoas assistem pela TV ao encontro anual mais importante do cinema.


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