ENTENDER O MUNDO/DOSSIÊS
Gaudí, o arquiteto da natureza
 
 
Conheça Compreenda Saiba mais Participe Teste
    ARTIGO      VOCÊ SABIA?     GALERIA DE FOTOS      
 A ARQUITETURA DO SONHO
Imprimir Enviar Guardar
 
 
 
Ele foi um dos maiores expoentes do Modernismo espanhol. Seu nome: Antonio Gaudí. Sua profissão: gênio. Nasceu em 1852 em Reus, Tarragona. Era filho de um caldeireiro de Riudoms. Uma enfermidade reumática o impediu, desde a infância, de levar uma vida normal, pois era obrigado a permanecer muito tempo de repouso. Nesses momentos, ele se dedicava especialmente à contemplação da natureza e a freqüentar a oficina dos pais. Em 1870, mudou-se para Barcelona a fim de estudar arquitetura, então dominada pelas correntes neoclássicas e românticas.

Depois de alguns projetos menores e de freqüentar a oficina de Eudaldo Puntí, foi-lhe encomendado o projeto de uma vitrine de bronze, madeira e cristal para uma luvaria. A vitrine foi exposta no pavilhão espanhol da Exposição Universal de Paris, em 1878, e impressionou o rico e culto empresário Eusebio Güell Bacigalupi (1846-1918). A partir daí, Güell tornou-se o mecenas do arquiteto, com quem manteve uma relação profissional e de amizade durante quarenta anos.

A carreira do arquiteto, cujas obras são encontradas principalmente em Barcelona, pode ser dividida em quatro etapas. A primeira compreende o período que vai de 1878 a 1882 e inclui obras de tipo urbano e social, como seu projeto para a cooperativa dos trabalhadores de La Mataronesa. A etapa seguinte, que vai de 1882 a 1900 e durante a qual ele começou a trabalhar na igreja da Sagrada Família, foi marcada pelo esforço em superar os estilos históricos e conseguir uma plástica e formas estruturais próprias: dois aspectos básicos que definem o estilo de Gaudí.

Gaudí usou de maneira muito livre e pessoal a arte islâmica e os estilos gótico e barroco, como pode ser verificado na casa Vicens. Entre 1900 e 1917, sobreveio a terceira etapa, que representou o período mais criativo e inovador do arquiteto e na qual se desenvolveu seu estilo mais genuíno: são os anos da reforma da casa Batlló e da construção do parque Güell, a cripta da colônia Güell, a casa Milá — conhecida como La Pedrera — e as escolas da igreja da Sagrada Família.

Finalmente, de 1918 a 1926, ano em que morreu atropelado por um bonde, o arquiteto se concentrou na Sagrada Família, sua obra mais conhecida. Além desse templo, outras de suas obras mais destacadas são a cooperativa La Obrera Mataronense (1874-1885), a casa Vicens (1883-1888), El Capricho de Comillas, em Santander (1883-1885), a chácara Güell (1884-1887), o Palácio Güell (1886-1889), o palácio episcopal de Astorga, em León (1887-1893), o colégio Teresiano (1888-1889), a casa Botines, em León (1892), as adegas Güell (1895-1897), a casa Calvet (1898-1900), o parque Güell (1900-1914), a torre Bellesguard (1900-1916), a restauração da catedral de Maiorca (1904-1913), a cripta da Colônia Güell, em Santa Coloma de Cervelló (1898-1908-1917), a casa Batlló (1904-1906) e a casa Milá (1906-1910).

A morte de Antonio Gaudí, em 10 de junho de 1926, teve grande repercussão popular em Barcelona. O corpo foi enterrado alguns dias depois na capela del Carmen da cripta da Sagrada Família. Após sua morte, o autor e sua obra caíram no ostracismo durante algum tempo, até que correntes de vanguarda resgataram sua figura e passaram a apontar seus trabalhos como exemplo de modernização e renovação da arquitetura do século XX. Gaudí não apenas revolucionou a arquitetura, mas foi também um criador prolífico: desenhou móveis, mosaicos, elementos decorativos e grades de ferro forjado. O arquiteto foi um dos símbolos do movimento conhecido como Renaixença na Catalunha, o movimento que resgatou a cultura e a política catalãs buscando suas referências históricas na gloriosa Idade Média. Apaixonado patriota e defensor da arte, do paisagismo, da cultura e do idioma da Catalunha, Antonio Gaudí utilizou elementos tradicionais catalães de estilos como o neogótico, barroco, mudéjar e, inclusive, da geologia de Montserrat.


A SAGRADA FAMÍLIA

A grande igreja de inspiração gótica foi o projeto arquitetônico mais importante de Antonio Gaudí e seu sonho mais acalentado, apesar de não ter sido nem iniciada nem terminada por ele, que morreu antes da finalização das obras. A Sagrada Família começou a ser construída em 1882 por encomenda do livreiro Josep Maria Bocabella e sua Associação Josefina. Inicialmente, pelas mãos do arquiteto diocesano Francisco de Paula Villar, a obra estava destinada a ser somente uma igreja neogótica. Por discordâncias com o arquiteto Joan Martorell (assessor de Bocabella), Francisco de Paula Villar se demitiu e Gaudí (ajudante de Martorell) foi nomeado arquiteto do templo.

Gaudí planejou um novo conjunto de planta basilical: cinco naves com um cruzeiro de três, e um zimbório de 179 metros de altura. Após a morte de Gaudí, a obra ficou paralisada até 1954, quando se iniciou a construção da fachada da Paixão. Quintana, Puig Boada e Bonet Garí foram os arquitetos selecionados para continuar a obra. Desde 1986, a nave principal da Sagrada Família foi sendo construída de acordo com o projeto que Antonio Gaudí deixou pronto em maquetes de gesso na escala 1:10.

Quando Gaudí assumiu a obra, apresentou várias modificações no desenho original, como o conjunto de predomínio vertical de cinco naves e uma torre de 170 metros de altura.

O arquiteto passou o final de sua vida dedicando-se à construção da catedral até 1926, quando morreu atropelado por um bonde enquanto olhava, da rua, o andamento da obra.

Durante a Guerra Civil Espanhola (1936-1939), um incêndio atingiu a cripta da igreja e a destruiu. A construção só seria retomada em 1940.

Nos anos de 1980, as obras foram assumidas por Francesc Cardoner e, hoje em dia, são dirigidas por Jordi Bonet i Armengol, que introduziu a tecnologia informatizada. Atualmente são empregadas técnicas que incluem pré-fabricação de elementos e pré-tensão.

A construção é extremamente complexa. Das dezoito torres projetadas apenas oito estão prontas. Elas parecem iguais de longe, mas, de perto, percebe-se que não apresentam nenhum detalhe repetido. A igreja é formada por doze campanários que representam os apóstolos, que têm entre noventa e 112 metros de altura. Há também cerca de trezentas esculturas nas paredes internas e externas.

A obra ainda não foi concluída, mas talvez seja em 2026, ano do centenário da morte de Gaudí.

A fachada da Natividade e a Cripta do Templo, foram declaradas Patrimônio da Humanidade pela UNESCO, em 2005.


PARA SABER MAIS