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Jogos Olímpicos, a marcha eterna
 
 
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 ENTRE SACRIFÍCIO E RELIGIÃO
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Primeiro comitê olímpico, no qual estava Coubertin (segundo, da esquerda para a direita)

As primeiras referências aos antigos Jogos Olímpicos do mundo grego datam do ano 776 a.C. e aparecem nos escritos do sofista Hípias de Élide. Neles, pode-se perceber que se tratava de uma celebração de cunho religioso em honra a Zeus que era associada com as atividades esportivas. Segundo a tradição, os reis Ifitos, de Élide, e Licurgos, de Esparta, concordaram que, durante a celebração, cessariam todas as guerras no mundo grego.

A competição era disputada a cada quatro anos, entre os meses de julho e agosto, em Olímpia, de onde vem o nome Jogos Olímpicos. Ainda que na atualidade o termo “Olimpíada” seja utilizado como sinônimo de Jogos Olímpicos, na realidade, os antigos gregos o utilizavam para denominar o período de tempo que havia entre os jogos. Era uma forma extendida de medir o transcurso do tempo entre os gregos.

Inicialmente os Jogos duravam uma só jornada e eram compostos de uma única competição. Tratava-se de uma corrida ao redor de um estádio que tinha 192,27 metros (stadion). Posteriormente, os Jogos foram somando corridas de diferentes características.

A prova de velocidade em pista foi a única modalidade que foi disputada nas primeiras 13 edições das antigas olimpíadas. Mais tarde, foram incorporadas outras modalidades até que somaram as 12 clássicas: stadion (prova de velocidade de 192,27 metros), diadulos (corrida de cerca de 400 metros de ida e volta pelo estádio), dólico (corrida de resistência de aproximadamente 1.500 metros, mas que logo superou os 4.000), jabalina (arremesso de dardos), disco (primeiro era de pedra e logo passou a ser de cobre), salto em distância (era realizado com pesos nas mãos), luta livre (ganhava aquele que desse as costas três vezes para o adversário), pentatlo (integrado por cinco provas: stadion, salto em distância, disco, jabalina e luta livre), hípica (havia diferentes variedades), pankration (luta que terminava quando um dos lutadores se rendia ou morria) e hopolitódromo (corrida reservada para o último dia, na qual se disputava com armas).

O primeiro ganhador documentado da história é Corebus de Elis, cujo nome foi gravado no estádio como forma de garantir a imortalidade do vencedor. Os ganhadores eram homenageados ao regressar a seus povos com cargos e a garantia de comida por toda a vida. Podiam participar dos Jogos todos os cidadãos livres que não tivessem cometido assassinato ou heresia. Dentro deste grupo não estavam incluídas as mulheres, que também eram proibidas de presenciar a competição. Não se tratava apenas discriminação, mas também de evitar que as mulheres vissem os homens correrem completamente nus, assim como ditavam as regras. No entanto, com o passar do tempo, não foi possível mantê-las fora do estádio. Cinisca, irmã do rei Agelisau de Esparta, foi a primeira mulher que participou de Jogos Olímpicos e o fez ganhando uma disputa de carruagem puxada por quatro cavalos.

Mais tarde, foi permitida a participação de competidores de outras terras, e os Jogos se transformaram em uma atividade sobretudo esportiva, ainda que nunca tenham perdido o componente religioso. Começaram a aparecer casos de atletas que eram pagos por homens endinheirados para competirem a seu serviço, prática que se tornaria comum anos mais tarde, quando os Jogos chegaram a ser disputados em Roma.


Época de esplendor
A época de esplendor dos Jogos Olímpicos aconteceu entre os séculos VII e V a.C., quando começaram a chegar cidadãos das mais diversas colônias gregas e os jogos começaram a ser disputados em outras cidades, como Delfos e Corinto. Nesses séculos, foram alcançados os maiores índices de visitantes, com milhares de participantes nos Jogos, que chegavam a durar cinco dias. Um mês antes, os competidores deviam se apresentar no povoado de Elis, onde eram instruídos sobre as regras. Dois dias antes da competição iam a pé até a cidade de Olímpia.

Mas, com o passar do tempo e o avanço do Império romano, a civilização grega começou a se esfacelar. Dessa forma, uma tradição esportiva de mais de 1.100 anos começou a mostrar sinais de debilidade. O auge foi no ano 393 d.C., quando o imperador Teodósio I aboliu os Jogos alegando razões religiosas. Na realidade, a medida encobria uma intenção política, já que na tradição olímpica também habitava o sentimento de unidade dos diferentes povos que formavam a civilização grega.