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 SEGUNDA GUERRA MUNDIAL
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A Alemanha nazista perseguiu e massacrou seis milhões de judeus em nome do anti-semitismo

Segundo o historiador Eric Hobsbawm, “o contraste entre a Primeira Guerra Mundial e a Segunda é dramático: apenas 5% dos que morreram na Primeira Guerra eram civis; na Segunda Guerra esse número subiu para 66%”.

Assim, com milhares de inocentes mortos, podemos começar a contar a história do maior conflito já visto, perpetrado e vivido pela humanidade.

A Segunda Guerra Mundial (1939-1945) foi o palco de incontáveis delírios. Os mais famosos e horrorosos são: o de Adolf Hitler (1889-1945), que imaginou ser possível todo o planeta dominado por uma suposta raça superior; o do Holocausto judeu, que matou seis milhões de pessoas; e as bombas nucleares lançadas pelos EUA em Hiroshima e Nagasaki, que mataram cerca de duzentas mil pessoas no momento da explosão.

A Segunda Guerra Mundial é, portanto, o monstro que se esconde nas profundezas da tão propalada civilização, pois foi essa mesma civilização que a gerou. O conflito se estendeu por praticamente todo o mundo. Começou em 1º de setembro de 1939 e durou até 7 de maio de 1945, quando a Alemanha capitulou, e 2 de setembro do mesmo ano, quando o Japão se rendeu. Os principais beligerantes foram, de um lado, Alemanha, Itália e Japão, as chamadas potências do Eixo; do outro, França, Reino Unido, Estados Unidos, União Soviética e, em menor escala, China (as potências aliadas).

O conflito foi tão terrível que até hoje ainda causa vítimas. Um exemplo disso é a utilização dos foguetes russos Katyusha, usados na Segunda Guerra em bombardeios terrestres e que ainda hoje fazem matam milhares de inocentes — o último exemplo foi sua utilização no conflito entre o Hizbollah, do Líbano, e o exército de Israel, em 2006.

A Segunda Guerra envolveu países de todos os continentes, de forma ativa ou passiva, e produziu uma escala de destruição sem precedentes.
Matou mais de cinqüenta milhões de pessoas. Para se ter uma idéia, segundo os dados do censo demográfico brasileiro, feito em março de 1951, a população brasileira era então de 51.944.397 habitantes. Em 1945, ou seja, seis anos antes do censo brasileiro, a Segunda Guerra matou mais gente do que toda a população brasileira em 1951. É um número tão assustador que possibilita imaginar a seguinte e terrível hipótese: a Segunda Guerra matou tantas pessoas que seria como se fosse exterminada toda a população de um país continental como o Brasil, no começo dos anos 1950.

Certamente, são números tão absurdos que é difícil ter idéia ou compreender quão terrível foi a Segunda Guerra. Segundo o escritor húngaro Arthur Koestler, “três milhões de judeus mortos na Polônia nos causam uma inquietação moderada. Estatísticas não sangram; é o detalhe que conta”.

O jornalista Ricardo Bonalume Neto, especialista no assunto, afirma que “no total foram seis milhões de judeus europeus chacinados pelos nazistas, mais de vinte milhões de soviéticos mortos na maior campanha militar da história, a luta na frente leste”. Para ele, “a guerra foi um combate superlativo. Não envolveu apenas as Forças Armadas dos beligerantes. Toda a sociedade foi mobilizada para aquilo que se chamou de ‘guerra total’”.


ANTECEDENTES
A guerra foi, em muitos aspectos, uma conseqüência, após um difícil intervalo de vinte anos, das graves disputas que a Primeira Guerra Mundial (1914-1918) não resolvera. A frustração alemã depois da derrota em 1918 e os duros termos do Tratado de Versalhes, somados à intranqüilidade política e à instabilidade social que afetaram crescentemente a chamada República de Weimar (1919-1933), tiveram como resultado uma radicalização do nacionalismo alemão.

Segundo o doutor em história da USP, Marco Cabral dos Santos, o período entre 1919 e 1933 “ficou conhecido como República de Weimar e foi marcado pela tentativa de consolidação democrática numa economia frágil”.

Foi nesse ambiente que se deu a ascensão ao poder de Adolf Hitler, chefe do Partido Trabalhista Alemão Nacional Socialista, o partido nazista, que carrega em si um caldo de ideologia totalitária, ultranacionalista e anti-semita.

Depois de se outorgar plenos poderes em 1933, Hitler, que assumira o título de Führer, chefe militar do Terceiro Reich, promoveu o rearmamento da Alemanha, aproveitando-se da indecisão das potências européias em se oporem a seus desígnios. Decretou o serviço militar obrigatório na Alemanha e ordenou a ocupação militar da zona do Reno (Renânia), em março de 1936, numa transgressão unilateral do Tratado de Versalhes.

Nesse mesmo ano, Benito Mussolini (1883-1945), o ditador fascista da Itália, lançou-se à conquista da Abissínia (Etiópia), depois de haver estabelecido, em 1926, um protetorado na Albânia, que lhe permitia ocupar uma posição privilegiada no mar Adriático. O Duce firmou com Hitler um acordo secreto.

O ambiente de tensão não se limitava ao continente europeu. Na Ásia, o Japão, em busca da hegemonia comercial, invadira a Manchúria — região do nordeste da China, junto à fronteira com a Rússia e a Coréia do Norte — em setembro de 1931, dando início à conquista do norte da China, em 1937, a guerra se ampliou para o resto do país.

Procurando isolar a União Soviética, o Japão fez um pacto anticomunista com a Alemanha, em 1936, ao qual a Itália aderiu no ano seguinte. Foi o chamado Pacto Tripartite, que estabeleceu o eixo Tóquio-Roma-Berlim.

A militarização da zona do Reno contribuiu para o desequilíbrio no continente europeu. Tirando proveito da crise provocada pela Guerra Civil Espanhola (1936-1939), Hitler, com o apoio das elites políticas e militares austríacas, anexou a Áustria (o Anschluss) ao Terceiro Reich, em março de 1938, e iniciou uma intensa campanha em favor da autodeterminação das minorias germânicas da antiga Tchecoslováquia.

Em 15 de março de 1939, Hitler proclamou, no castelo de Praga, um protetorado sobre a Boêmia-Morávia, enquanto a França e o Reino Unido se preparavam para a guerra.

Em abril de 1939, a Itália, por sua vez, anexou a Albânia. Em 23 de agosto, a Alemanha e a União Soviética firmaram um pacto de não-agressão (o pacto Ribbentrop-Molotov), o que permitia a Hitler lutar numa só frente quando irrompesse o conflito. O pacto continha cláusulas secretas sobre a divisão da Polônia e sobre o estabelecimento de esferas de influência soviéticas e alemãs nos países bálticos e na Finlândia. Seis dias depois, Hitler solicitou à Polônia o envio de um embaixador plenipotenciário para tratar de assuntos territoriais e não foi atendido. Em 1º de setembro de 1939, a Alemanha nazista de Adolf Hitler invadiu a Polônia. Dois dias depois, o Reino Unido e a França declararam guerra à Alemanha.

Segundo o jornalista Ricardo Bonalume, como Hitler já “abocanhara sua terra natal [Áustria] e pedaços da então Tchecoslováquia, os aliados ocidentais, França e Reino Unido, entraram em guerra para defender a Polônia. Foram quase seis anos de conflito em quase toda a Europa, boa parte da qual tomada pelos nazistas”.


A GUERRA
Depois do ataque alemão, tropas soviéticas invadiram a parte oriental da Polônia, que, conforme o pacto feito por Hitler e Joseph Stálin (1879-1953), ficou dividida entre a Alemanha e a União Soviética. Os exércitos alemães voltaram-se, então, para oeste, enquanto os franceses abrigavam-se na linha Maginot, sistema de fortificações de concreto que se estendia ao longo da fronteira franco-alemã. Em 30 de novembro, a União Soviética invadiu a Finlândia.

Em 9 de abril de 1940, tropas nazistas ocuparam a Dinamarca. Em seguida, Hitler desencadeou a “guerra relâmpago” (blitzkrieg) e tomou os principais portos da Noruega, enquanto sua aviação pousava em Oslo.

No mesmo dia instalou-se na capital norueguesa um governo “colaboracionista”, encabeçado por Vidkun Quisling (1887-1945) — político norueguês responsável pela organização da União Nacional, partido fascista que obedecia à orientação dos nazistas alemães —, que era então ministro da Guerra da Noruega e que facilitou a invasão alemã do seu país na Segunda Guerra Mundial — Quisling seria executado depois da vitória aliada.

As forças aliadas acorreram em socorro da Noruega, mas Hitler enviou grandes reforços para vencer a resistência. Em junho, os aliados tiveram que deixar o país, e o rei Haakon VII (1872-1957), da Noruega, refugiou-se na Inglaterra.

Segundo Max Boot, pesquisador no Council on Foreign Relations, “a blitzkrieg alemã de 1940 levou 44 dias para causar a rendição da França”.


HITLER NA FRANÇA
Em 17 de julho, a França firmou um armistício com a Alemanha. De Londres, entretanto, o general Charles de Gaulle (1890-1970), pelo rádio, exortava os franceses a continuarem a resistência contra os invasores alemães. O Terceiro Reich, sob o comando de Hitler, ocupou a França, o que, por sua vez, gerou a Resistência Francesa, da qual surgiu o mito do general Charles de Gaulle, o qual teve uma importantíssima atuação na Segunda Guerra Mundial, ao comandar de Londres a resistência à ocupação da França pelos nazistas, transformando-se no grande líder nacional dos franceses e dando-lhe expressão política mundial.

Outra figura que se tornaria mundialmente conhecida é a de Winston Churchill (1874-1965), o qual além de líder do Reino Unido durante toda a Segunda Guerra Mundial, também foi Prêmio Nobel de Literatura em 1953.

Ao falar da participação inglesa na Guerra, Churchill disse: “Perguntam-me qual é o nosso objetivo? Posso responder com uma só palavra: Vitória — vitória a todo o custo, vitória a despeito de todo o terror, vitória por mais longo e difícil que possa ser o caminho que a ela nos conduz; porque sem a vitória não sobreviveremos”.

Hitler tentou ocupar a Inglaterra por várias vezes e não teve sucesso em nenhuma delas. Essa heróica resistência deve muito à figura de Churchill, o qual participou ativamente da vitória dos aliados contra os alemães. O primeiro-ministro britânico realizou inúmeras viagens, costurou alianças e traçou estratégias militares fundamentais para a vitória aliada.

No que diz respeito ao lado oriental da guerra, o fracasso das investidas alemãs para conquistar o Reino Unido levou Hitler a mudar de idéia e decidir atacar a União Soviética; esse plano ficou conhecido como Barba-Roxa. Porém, antes ele resolveu consolidar de vez seu domínio na Europa, voltando-se contra os Balcãs.

A Romênia já havia sido dominada em meados de 1940. A tentativa de invasão da Grécia pela Itália, iniciada em outubro de 1940, encontrou forte resistência, o que fez com que a Alemanha precisasse socorrer sua aliada. Em março de 1941, os exércitos alemães ocuparam a Bulgária e trataram de organizar um governo satélite na Iugoslávia, em 17 de abril. Em seguida, parte da Grécia foi ocupada pelos italianos. Com a ocupação da ilha de Creta, entre 20 e 30 de maio, os alemães deram por concluída a campanha dos Balcãs.

Em junho de 1941, Hitler rompeu o pacto de não-agressão com os soviéticos, ao mesmo tempo em que procurava atrair as simpatias do Reino Unido e dos Estados Unidos, por assumir o comando da campanha contra o comunismo. No dia 22, declarou guerra à União Soviética, no que foi seguido pela Itália, Romênia e, mais tarde, pela Finlândia e pela Hungria. O Reino Unido e os Estados Unidos imediatamente apoiaram Stálin, mas a campanha nazista foi de início bem-sucedida.

As unidades alemãs conquistaram o norte do país e sitiaram Leningrado, enquanto pelo centro e ao sul se aproximavam de Moscou, dominando quase toda a Ucrânia. Em novembro, a contra-ofensiva soviética, com a ajuda do rigoroso inverno, conseguiu impedir a queda de Moscou, forçando as unidades motorizadas de Hitler a empreenderem a retirada. Na primavera de 1942, o exército soviético conseguiu recuperar grande parte do território ocupado.


Resistência européia
A “nova ordem” que Hitler impusera ao continente europeu apoiava-se na utilização de todos os recursos econômicos dos países ocupados, e o operariado era forçado a trabalhar na produção de material bélico. A população civil, que inicialmente parecia conformada, aos poucos começou a se organizar, por todo o continente, em pequenos mas decididos grupos de patriotas, para resistir à sistemática exploração nazista.

Assim, França, Noruega, Bélgica, Países Baixos, Itália, Iugoslávia, Tchecoslováquia, Grécia e a parte da União Soviética ainda ocupada pelos alemães viram surgir grupos que continuamente hostilizavam o inimigo, o que levou o comando nazista a adotar medidas de repressão, incluindo o massacre de civis. Findo o conflito, os culpados por esses delitos foram julgados no tribunal de Nuremberg por crimes contra a humanidade.


Guerra no Pacífico
Os Estados Unidos se mantiveram neutros de início, mas começaram em 1940 a cuidar de sua defesa. Em 1941, o Congresso americano autorizou um sistema de empréstimo e arrendamento (lend-lease), para facilitar as remessas de material bélico ao Reino Unido. A Alemanha passou a torpedear os navios norte-americanos, a fim de impedir a ajuda, o que levou os Estados Unidos a armarem seus navios e a comboiá-los com vasos de guerra. Em agosto o presidente americano Franklin Roosevelt (1882-1945) e o primeiro-ministro britânico Winston Churchill assinaram a Carta do Atlântico, que estreitava ainda mais a colaboração britânico-americana.

Enquanto isso, o Japão prosseguia em sua ofensiva na Ásia. Em 1941, o governo francês de Vichy, nome pelo qual ficou conhecido o poder executivo francês instalado na cidade de Vichy durante a ocupação do país pelos alemães, de 1940 a 1944. Sob a presidência do marechal francês Philippe Pétain (1856-1951) — o qual, apesar de ser considerado um herói francês da Primeira Guerra Mundial, foi acusado de colaboracionismo e alta traição pela França no final da Segunda Guerra Mundial —, o governo francês colaborou com o nazista e permitiu o estabelecimento de bases nipônicas na Indochina, colocando em perigo as colônias britânicas e americanas do Pacífico. Rapidamente, essas duas potências cortaram as relações comerciais com o Japão, com o que tornaram mais crítica a situação da rivalidade mercantil havia muito existente no Pacífico.

Os japoneses solicitaram que se celebrasse uma conferência com os Estados Unidos para discutir pacificamente as divergências. Os dois delegados ainda não tinham deixado Washington quando, no dia 7 de dezembro de 1941, os japoneses bombardearam a base norte-americana de Pearl Harbor, no Havaí, que representava um grande perigo para eles, pois a aviação e a esquadra ali estacionadas poderiam, a qualquer momento, atacar o Japão. No ataque, os norte-americanos perderam grande parte de sua força naval.

No dia seguinte, os Estados Unidos declararam guerra ao Japão e no dia 11 à Alemanha e Itália. Em janeiro de 1942, 26 nações lutavam contra os países do Eixo. Uma aliança celebrou a união das forças dessas nações, que passaram a se chamar Nações Unidas.

A entrada dos EUA na guerra foi decisiva para a vitória dos aliados.


Batalha de Stalingrado
Na frente russa, Hitler recuperava-se do contra-ataque soviético de 1941, organizando uma nova e grande ofensiva. Seu objetivo agora era a região petrolífera do Cáucaso. As forças nazistas penetraram na Criméia, que conquistaram facilmente. Em seguida, no verão de 1942, novamente atiraram-se contra Stalingrado (depois Volgogrado) que, em agosto, foi sitiada por um exército de 340 mil homens. A batalha que se seguiu foi uma das maiores da guerra, com enormes baixas de ambos os lados.

Uma das conseqüências mais terríveis que a Batalha de Stalingrado produziu foi a fome. Tanto que os moradores daquela cidade, quando ficaram cercados pelo exército nazista, desenvolveram um método para transformar a cola de papel de parede em substância alimentícia. Tal prática oferecia um perigo contra a vida, porém, era a única maneira para se fugir ao terror que é morrer de fome.

A importância estratégica da cidade russa resultava de sua posição na bacia do Volga. Se os nazistas dominassem tal ponto teriam acesso fácil à região petrolífera do Cáucaso. Por isso, o comando alemão concentrou nessa batalha uma enorme quantidade de homens e material bélico. Logo na primeira investida, os tanques da Wehrmacht alemã romperam as linhas de defesa soviéticas e chegaram às portas da cidade. A ofensiva, intensificada nos meses de setembro e outubro, permitiu que os alemães penetrassem na cidade após sangrentos combates.

Hitler assegurava que não havia força militar na terra capaz de expulsar os alemães de Stalingrado, mas, ainda assim, a cidade resistia. O objetivo da Wehrmacht era desarticular as tropas soviéticas e empurrá-las até as margens do Volga, para aí destruí-las. A cidade converteu-se num monte de ruínas, mas não pôde ser conquistada.

Em novembro, a ofensiva germânica contra Stalingrado foi detida. Imediatamente, o exército soviético atacou, comandado pelo marechal Georgi Konstantinovitch Jukov. Em 23 de novembro, as tropas soviéticas das frentes sul e norte, apoiados pelas forças do setor de Stalingrado, avançaram e cercaram as divisões alemãs que, durante todo o mês de dezembro, foram submetidas a severos bombardeios de aviação e artilharia.

Finalmente, em 10 de janeiro de 1943, os soviéticos iniciaram o extermínio dos invasores e, em vinte dias de combates, os alemães foram vencidos. Nesse último assalto morreram cerca de duzentos mil homens de ambos os lados, e mais de noventa mil alemães caíram prisioneiros, entre eles o marechal Friedrich von Paulus (1890-1957), comandante do setor de Stalingrado. Era a primeira grande derrota alemã e o curso da guerra começou a mudar.

A Batalha de Stalingrado começou em junho de 1942 e terminou em fevereiro de 1943. Foi o ponto máximo do avanço das forças alemãs ao leste da Europa. O resultado dessa batalha, para os nazistas, foi a morte de dois milhões de soldados alemães — provavelmente a maior derrota militar da Alemanha em toda a história.

Depois, em 2 de maio de 1945, as tropas russas tomariam Berlim. Apesar do que se imagina — que essa vitória foi uma espécie de golpe de misericórdia nos nazistas — o ataque russo não se resume apenas a isso. Os militares soviéticos praticaram terríveis atrocidades na Alemanha. Cerca de cem mil mulheres berlinenses foram estupradas pelos soldados russos. Dez mil delas se suicidaram, a maioria em função da humilhação do estupro.

Segundo o historiador militar britânico, Antony Beevor, os estupros praticados pelos soldados soviéticos foram resultado de uma “vingança, em razão das atrocidades que os alemães cometeram na União Soviética”. Para Beevor, “tal sentimento era encorajado pela propaganda militar russa. Bem antes das tropas russas chegarem a Berlim, os comissários políticos reuniam soldados em ‘encontros de vingança’, em que os participantes listavam familiares mortos e destruição de casas pela ofensiva do 3º Reich. Isso era feito para estimular os soldados ao combate”.

Beevor também conta que o “Exército alemão seqüestrou milhares de ucranianas e russas e as obrigou a trabalhar nos bordéis militares”. O historiador inglês diz que isso “é tão ou mais grave que o estupro [praticado pelos soldados russos], já que a violência sexual se prolongou por meses ou anos”. Porém, o que se vê é que no final do combate, a Segunda Guerra já havia conseguido transformar milhares de homens em animais, bestializar seres humanos e transformar o mundo em um mar de atrocidades.

O livro Uma mulher em Berlim, de uma autora anônima alemã, narra o caso de uma mulher alemã que acabou selando um pacto com um único oficial do Exército Vermelho, no intuito de que este a protegesse contra outros estupros. Ela trocava sexo por água potável, cigarro e alimentos com o oficial russo.


Guerra no Mediterrâneo
Os italianos lançaram no início de 1940 uma ofensiva na África, com o objetivo de conquistar o Egito e foram totalmente batidos pelos britânicos. Em socorro dos italianos veio o corpo africano (Afrikakorps) alemão, do marechal Erwin Rommel (1891-1944), que empurrou os ingleses de volta. Em julho de 1942, a ofensiva alemã contra o Egito foi detida na batalha de al-Alamein. Nesse momento, terminaram as esperanças da Alemanha de conseguir uma vitória rápida na África, mesmo porque as tropas de Rommel estavam exaustas e acossadas.

Em meados de outubro de 1942, chegaram reforços aliados ao norte da África. A superioridade numérica sobre as tropas alemãs era enorme e, em novembro, Rommel ordenou a retirada. As tropas alemãs recuaram gradualmente até Túnis, onde capitularam em maio de 1943. A derrota na África tirou de Hitler a possibilidade de atacar a América e modificou radicalmente o panorama da guerra.


Vitórias aliadas no Pacífico
Com as perdas sofridas pela aviação e pela marinha dos Estados Unidos no bombardeio de Pearl Harbor, o Japão conquistara superioridade bélica no Pacífico. Pôde assim invadir as Filipinas, forçando o exército do general Douglas MacArthur (1880-1964) a retirar-se para a Austrália, em abril de 1942. Os japoneses ocuparam as Filipinas e a Tailândia e lançaram uma ofensiva contra a Birmânia (hoje Mianmar), tomando Rangum (hoje Yangon), apesar do esforço dos aliados. Sucessivamente ocuparam então as colônias holandesas de Bornéu, Java e Sumatra.

Quando tentaram a conquista da Nova Guiné, procurando interceptar as linhas de comunicação aliadas, os japoneses foram derrotados nas decisivas batalhas aeronavais de mar de Coral e de Midway, em maio e junho de 1942. Em 7 de agosto, os aliados retomaram a iniciativa no Pacífico; os norte-americanos desembarcaram em Guadalcanal, a fim de ocupar as Ilhas Salomão, e, apesar da feroz resistência dos japoneses, conseguiram finalmente tomar o objetivo.

Nessa altura, a guerra no Pacífico mudara de curso. O Japão havia perdido seus porta-aviões de primeira linha e seus melhores pilotos. Em pouco tempo, as forças navais japonesas e aliadas estavam igualadas. A estratégia norte-americana no Pacífico consistia em utilizar forças navais e anfíbias para avançar pelas cadeias de ilhas até o Japão, enquanto forças terrestres, em menor escala, cooperavam com os chineses e os britânicos no continente asiático.


Invasão da Itália
Vencida a campanha da África, o general Dwight Eisenhower (1890-1969), comandante-supremo das forças aliadas, invadiu a Sicília, em julho de 1943, preparando a conquista da Itália. Os pára-quedistas aliados desceram sobre a ilha, seguidos pelo desembarque da infantaria. As forças italianas no sul ofereceram pouca resistência. No norte, porém, os alemães lutaram tenazmente para proteger o estreito de Messina, só tomado pelos aliados um mês depois.

Simultaneamente à campanha da Sicília, aviões aliados começaram o bombardeio da Itália. Após um forte ataque aéreo a Roma, o conselho fascista expulsou Mussolini (1883-1945) do governo, na noite de 24 para 25 de julho de 1943, e o rei Vítor Manuel III (1869-1947) convocou o marechal Pietro Badoglio (1871-1956) para chefiar o governo.

O novo ministro recebeu ordens de afastar todos os fascistas da administração pública e de negociar a paz com os aliados. A política aliada, contudo, consistia em não aceitar propostas de paz e insistir na capitulação do inimigo.

A capitulação incondicional da Itália foi assinada secretamente em 3 de setembro, mas só veio a ser anunciada no dia 8. Os alemães, que ainda ocupavam o país, prosseguiram na guerra. Reforçaram suas defesas no norte e no centro da Itália e continuaram lutando contra as tropas aliadas até o fim da guerra.

As tropas norte-americanas tomaram Roma em junho de 1944. Na primavera de 1945, os exércitos aliados capturaram Bolonha e avançaram até a fronteira com a Suíça. Em 29 de abril, os oficiais alemães solicitaram o armistício e, a 2 de maio, um exército de mais de um milhão de homens rendeu-se incondicionalmente. Terminava aí a campanha da Itália.


Ofensiva soviética
Enquanto a luta na Itália se desenrolava, a guerra na União Soviética chegava a seu terceiro ano, sem grandes modificações.

Em 15 de julho, o exército soviético assumiu pela primeira vez a ofensiva e, em setembro e outubro, avançou cerca de novecentos quilômetros e cruzou o rio Dnieper. Pelo sul, o avanço também foi muito rápido, alcançando o mar Negro. A ofensiva soviética de inverno fez com que os alemães se retirassem para novas posições na retaguarda.

O Exército Vermelho atacou depois em direção à Ucrânia, libertou Kiev e avançou para Odessa, no sul. No norte, a ofensiva chegou até a antiga fronteira da Polônia e conseguiu isolar a Alemanha da Finlândia. Apesar das vitórias aliadas, Hitler decidiu continuar a guerra, na esperança de que a invenção de novas armas lhe permitisse aniquilar o inimigo.


Invasão da Europa
Em 1941, Hitler concentrou sua aviação na frente soviética, o que permitiu à força aérea britânica, livre do perigo da invasão, o ataque ao continente europeu. Com o auxílio da aviação norte-americana, foram feitos ataques sistemáticos, dia e noite, aos grandes centros da Alemanha. O bombardeio de Berlim começou no outono de 1943, com bombas incendiárias e explosivas. No início de 1944, as forças aéreas aliadas contavam com um potencial bélico impressionante e os bombardeios sucediam-se com intensidade cada vez maior.

No verão de 1944, os alemães começaram a usar as famosas bombas voadoras, que eram foguetes pilotados automaticamente. À primeira série de foguetes, denominada V-1, seguiu-se a das bombas V-2, supersônicas. Grande quantidade desses engenhos de guerra foi lançada sobre o Reino Unido, mas a invasão aliada no continente não se deteve. O próprio Eisenhower observaria mais tarde que, se tivessem sido empregadas antes, essas “armas secretas” poderiam ter mudado o curso da guerra.

Numa conferência em Teerã, em novembro de 1943, Roosevelt, Churchill e Stálin decidiram o ataque à Europa ocupada. Em cumprimento às resoluções da conferência, em 6 de junho de 1944 (o dia D), 156 mil homens desembarcaram nas praias da Normandia, após atravessarem o canal da Mancha, na maior operação anfíbia da história.

Segundo Roberson de Oliveira, professor de história e autor do livro História do Brasil: análise e reflexão, “quando ocorreu o desembarque na Normandia, os alemães já haviam sofrido três derrotas estratégicas e históricas, e inúmeros generais já acreditavam que a derrota final era apenas uma questão de tempo”. Para ele, “é importante destacar que, na Segunda Guerra Mundial, morreram aproximadamente quarenta milhões de pessoas, dentre elas, cerca de vinte milhões de soviéticos (principalmente russos). Cabe, portanto, resgatar esses acontecimentos para atribuir, na proporção da sua contribuição, o reconhecimento aos povos que lutaram e morreram para derrotar o nazismo”.

O desembarque do Dia D foi acompanhado pelo ataque de pára-quedistas britânicos e norte-americanos, os quais desceram por trás das linhas alemãs na França e destruíram vias de comunicação e postos militares nazistas. As tropas invasoras entrincheiraram-se em abrigos improvisados na costa e dali lançaram uma grande ofensiva, com o apoio de tanques, artilharia pesada, aviação e o fogo dos navios, contra as fortificações alemãs. As tropas norte-americanas avançaram rapidamente em direção a oeste e, em 27 de junho, tomaram o importante porto de Cherburgo.

Depois desses êxitos iniciais, a frente estabilizou-se. O avanço aliado tornou-se mais lento, pois as forças alemãs organizaram uma resistência firme, aproveitando as defesas naturais da província da Normandia. Em 26 de julho, os norte-americanos concentraram suas forças e lançaram um forte ataque perto do povoado de Saint-Lô, conseguindo romper as linhas inimigas. Os alemães tiveram então de se retirar em toda a frente de batalha.

Em agosto, os aliados realizaram um novo desembarque no sul da França e encontraram pouca resistência. O novo exército moveu-se rapidamente e juntou-se a outras forças expedicionárias. Ao mesmo tempo, as organizações clandestinas de patriotas franceses somaram-se às forças aliadas e, por toda parte, surgiram grupos armados que atacavam os alemães pela retaguarda.


Batalha da Alemanha
Derrotadas, as tropas alemãs estacionadas na França retiraram-se para a linha Siegfried, grande muralha de ferro e concreto construída entre 1936 e 1939 para fazer frente à linha Maginot dos franceses, e que representava a última palavra em engenharia militar. Em alguns lugares, contava com sessenta fortes bem armados em cada quilômetro de extensão, e ao longo de toda a linha havia arame farpado, armadilhas para tanques e vários outros meios de defesa.

Em meados de setembro, os aliados, que até então haviam evitado um ataque frontal à linha, realizaram uma poderosa ofensiva contra Aachen, uma das mais importantes praças fortificadas do sistema. Em fins de outubro, a cidade, em ruínas, capitulou, e Eisenhower penetrou com suas forças pela brecha. Os alemães ainda tentaram uma contra-ofensiva na Bélgica, com o objetivo de cortar as linhas de abastecimento aliadas. O ataque, deflagrado em 16 de dezembro, teve êxito inicial, mas finalmente foi detido, na última tentativa do exército germânico de reverter a sorte da guerra.

A ofensiva final das forças de Eisenhower foi facilitada pelo ataque soviético na frente oriental. A 1º de abril de 1944, os exércitos aliados haviam cruzado o Reno e forçado a rendição de mais de trezentos mil inimigos, inclusive trinta generais. A frente rompeu-se, e os exércitos aliados chegaram até as fronteiras da Áustria e da Tchecoslováquia. No fim de abril, estavam às portas de Berlim.

Enquanto isso, as tropas soviéticas ocupavam a Finlândia, a Romênia e a Bulgária, e o marechal Tito (1892-1980) tomava o poder na Iugoslávia. O último satélite da Alemanha nos Balcãs a cair foi a Hungria, que em fevereiro de 1945 capitulou após encarniçada luta. Os exércitos de Stálin, em seguida, expulsaram os alemães da Letônia, Estônia e Lituânia, enquanto se preparavam para uma grande ofensiva contra Varsóvia.

O ataque a Varsóvia iniciou-se em 12 de janeiro de 1945. Rapidamente, as tropas alemãs recuaram 250 km e perderam Varsóvia, Koenisberg, Dantzig (hoje Gdansk) e toda a Prússia oriental. A ofensiva prosseguiu em março, e teve início um período de bombardeio aéreo sobre a Alemanha como jamais se vira.

As tropas norte-americanas avançaram na Áustria e estabeleceram contato com o exército aliado que marchava pelo norte. No fim de março, iniciou-se um grande ataque soviético a Berlim: o Exército Vermelho cruzou o rio Oder, ao mesmo tempo em que norte-americanos e britânicos chegavam a cerca de setenta quilômetros da capital alemã. No fim de abril, a vanguarda das tropas soviéticas ocupou os subúrbios de Berlim e todos os edifícios do governo, enquanto Hitler ainda dava ordens de sua fortaleza subterrânea no edifício da chancelaria.

Em 30 de abril, o Führer nomeou o almirante Karl Dönitz (1891-1980) como seu sucessor e, em seguida, suicidou-se. Dönitz tentou continuar a guerra, mas os chefes militares se negaram a obedecê-lo e deram início à rendição em massa. No dia 2 de maio, os soviéticos dominaram a capital e, cinco dias mais tarde, o governo alemão rendeu-se aos aliados. Estava encerrada a batalha da Europa. A luta prosseguia no Pacífico.


Batalha da Ásia
No verão de 1942, os japoneses detinham ricos territórios e importantes posições na Ásia. Seu império estendera-se enormemente e o governo nipônico precisava proteger os novos domínios. Os constantes ataques norte-americanos a seus navios ameaçavam as linhas de suprimento. Os japoneses precisavam estabelecer bases militares na Nova Guiné e nas ilhas Salomão, no que foram impedidos pelos aliados.

Em meados de 1943, os aliados já haviam acumulado material e forças suficientes para tomar a iniciativa. O exército do general americano MacArthur (1880-1964) conseguiu progredir ao longo da costa a oeste da Nova Guiné e chegou ao golfo de Huon, após combates nas selvas que romperam as últimas defesas japonesas.

MacArthur continuou avançando e, em dezembro de 1943, chegou à ilha de Nova Bretanha. A esquadra do almirante Chester W. Nimitz (1885-1966), por sua vez, com a missão de preparar o ataque ao território japonês, cercou as ilhas Gilbert (hoje parte de Kiribati) e, mais tarde, as ilhas Marshall, que capitularam em janeiro de 1944. Os norte-americanos avançaram com dificuldade sobre as ilhas Marianas e, em outubro, ocuparam as ilhas Palau.

As Marianas foram imediatamente convertidas em base de operação de grandes aviões de bombardeio, que iniciaram o ataque aéreo ao Japão, castigando severamente cidades, indústrias e centros militares. O objetivo seguinte da estratégia aliada era a reconquista das Filipinas. Depois de longo bombardeio aéreo e naval, as tropas de MacArthur desembarcaram e tomaram a ilha de Leyte. A esquadra japonesa veio ao encontro da norte-americana e foi destruída, depois de três dias de combate. Em março de 1944, Manila se rendeu. Em março e junho do ano seguinte, os Estados Unidos capturaram as ilhas de Iwo Jima e Okinawa, depois de lutas sangrentas.

As forças aliadas achavam-se agora em condições de atacar o território japonês. O alto comando aliado, desejoso de abreviar a guerra no Oriente, em vista da expansão soviética pela Coréia, e ciente das baixas que uma invasão tradicional provocaria, decidiu utilizar uma nova arma. No dia 6 de agosto de 1945, um avião americano deixou cair sobre a cidade japonesa de Hiroshima a primeira bomba atômica, que destruiu 60% de sua área. Oitenta mil pessoas morreram queimadas ou em conseqüência da radiação, e outras setenta mil ficaram gravemente feridas.

Dois dias depois, em cumprimento a um acordo prévio com os Estados Unidos, a União Soviética declarou guerra ao Japão e moveu suas forças para atacá-lo pela Manchúria. Em 9 de agosto, os Estados Unidos lançaram uma segunda bomba nuclear sobre Nagasaki, que também sofreu enorme devastação. Os japoneses, ante essa demonstração de força, se renderam formalmente em 2 de setembro de 1945. A cerimônia de rendição ocorreu a bordo do encouraçado Missouri, na baía de Tóquio.


O Brasil na guerra
Da mesma maneira que na Primeira Guerra Mundial, o conflito da Segunda Guerra acabou atingindo também as nações latino-americanas. O Brasil entrou na guerra após navios mercantes brasileiros sofrerem ataques de submarinos nazistas. Em 22 de agosto, a pressão da opinião pública levou Getúlio Vargas (1883-1954), que até então havia mantido uma posição ambígua, a declarar guerra à Alemanha e Itália.

Segundo o jornalista Ricardo Bonalume, “o Brasil do regime autoritário do Estado Novo [1937-1945] entrou na Segunda Guerra ao lado dos EUA e das demais democracias ocidentais. O rompimento de relações diplomáticas com Alemanha e Itália e as bases cedidas aos americanos no Nordeste em 1941 tornavam o Brasil um país inegavelmente hostil ao Eixo”.

Bonalume afirma que “até julho de 1942, o Brasil perdeu treze navios na guerra que os submarinos alemães faziam ao comércio dos aliados. Mas em agosto, o submarino alemão U-507 afundou seis embarcações nos mares do Nordeste. O Baependy teve 270 mortos, incluindo soldados do Exército. O Araraquara teve 131 mortos. O Aníbal Benévolo teve 150 mortos. O Itagiba teve 36 mortos. O Arará, que tinha parado para socorrer o Itagiba, teve vinte mortos. Só o pequeno veleiro Jacira, com seis tripulantes, escapou de ter vítimas”.

Novamente, o Brasil serviu de base para as forças aliadas, as quais utilizaram principalmente o litoral nordestino (Natal e Recife) como ponto de apoio.

O Brasil mandou então Força Expedicionária Brasileira (FEB), composta por 25.334 homens, para a Itália. Segundo o doutor em ciência política e general reformado do Exército, Carlos de Meira Mattos (1913-2007), a “Força Expedicionária (FEB), comandada pelo general Mascarenhas de Morais [1883-1968], além dos significativos elogios que recebeu dos generais Mark Clark e Crittenberger, aos quais esteve subordinada, mereceu do presidente Roosevelt, na sua mensagem anual à nação (1945), especial referência, sendo destacada, junto apenas com os norte-americanos e ingleses, pela excelência de sua operacionalidade”.

A ação dos soldados brasileiros na Segunda Guerra são magistralmente narradas por Joel Silveira em seu livro O inverno da guerra. Silveira, então com 26 anos, foi envidado por Assis Chateubriand (1892-1968) para cobrir a guerra pelos Diários Associados. Quando mandou seu repórter para o front, Chatô disse ao jovem jornalista: “Seu Silveira, me faça um favor de ordem pessoal. Vá para a guerra, mas não morra. Repórter não é para morrer, é para mandar notícias”.


Holocausto
Holocausto é o nome dado ao episódio de perseguição e massacre de judeus e outras minorias, em campos de concentração, promovido pelos nazistas entre 1933 e 1945.

Sua lembrança é tão terrível que, em 2007, a Assembléia Geral das Nações Unidas aprovou ontem uma resolução condenando a negação do Holocausto cometido pelos nazistas, em que seis milhões de judeus foram assassinados. A resolução, aprovada por consenso, “condena sem nenhuma reserva qualquer negação do Holocausto”. Em muitos países europeus dizer que o Holocausto não existiu é crime inafiançável.

Segundo Jayme Blay, engenheiro e presidente da Federação Israelita do Estado de São Paulo, o Holocausto nos dá uma missão: a de combatê-lo sempre. Para Blay, “ao combater o anti-semitismo contemporâneo e outras formas de xenofobia em nossa sociedade, estaremos salvaguardando a memória do Holocausto e, paralelamente, pondo em prática seu legado universal”.

Esse combate deve ser feito sem pestanejar, pois como disse Martin Niemoller, notável pastor luterano na época do nazismo: “Primeiramente, eles vieram pelos comunistas, mas, como eu não era comunista, me omiti. Então eles vieram pelos socialistas e pelos sindicalistas, mas, como eu não era nem um nem outro, não os defendi. Então, eles vieram pelos judeus, mas, não sendo judeu, não reagi. E quando eles vieram por mim, já não havia quem reclamasse por minha pessoa”.


Conseqüências da guerra
De todos os conflitos registrados na história, a Segunda Guerra Mundial foi o de maiores e mais profundas conseqüências. Calcula-se que de mais de cinqüenta milhões de pessoas foram mortas, entre elas um grande número de civis, aproximadamente 66% do total.

Os bombardeios às cidades e instalações industriais causaram imensas perdas materiais. A capacidade ofensiva das novas armas e táticas de guerra (transportes e bombardeios aéreos, porta-aviões, unidades de pára-quedistas, tanques com canhões potentes, bombas com autopropulsores — como os foguetes V-1 e V-2 que os alemães lançaram sobre Londres — e bombas atômicas) explica as grandes destruições e matanças produzidas, sobretudo, na União Soviética, Alemanha, Japão, França e Reino Unido.

As conferências de paz de Teerã, em 1943, de Yalta e de Potsdam, ambas em 1945, mudaram o mapa do mundo. Nelas foram firmadas as bases de um novo período histórico, no qual a velha Europa cedeu sua hegemonia às novas superpotências, que se consolidaram durante a guerra e depois dela: os Estados Unidos e a União Soviética. Esses países demonstraram ser os únicos com capacidade industrial e financeira para acumular um arsenal de armas nucleares de segunda geração (bombas de hidrogênio) e mísseis de alcance intercontinental para transportá-las.


Politicamente, o mundo cindiu-se, no pós-guerra, em duas poderosas facções: a democracia ocidental, em suas variadas formas, e o comunismo soviético, o qual duraria até o fim do século XX, quando ocorreu a extinção da União Soviética, a queda do Muro de Berlim e a criação da Comunidade de Estados Independentes (CEI). Portanto, a humanidade saiu da Segunda Guerra Mundial e entrou na era da Guerra Fria.


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