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Drogas, o contra-ataque é a informação
 
 
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 A METAMORFOSE DO TRÁFICO
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Dois camponeses recolhem folhas de coca nas cercanias do Coroico, Yungas (Bolívia)

Em razão do Dia Internacional contra o Abuso de Drogas, o Escritório das Nações Unidas contra Drogas e Crime (UNODC) apresentou um informe em Paris que demonstra que a produção de drogas ilícitas está diminuindo em alguns países tradicionalmente associados a essa prática. No entanto, estão em ascensão as drogas sintéticas.

Apesar da redução dos cultivos, que caíram mais de 30%, a Colômbia produz atualmente cerca de três quartos da cocaína consumida em todo o mundo. Isso faz com que o negócio do tráfico de drogas não tenha as mesmas características do início da década de 1990, quando Pablo Escobar reinava com seu cartel de Medellín na produção de pasta de coca. O mercado colombiano começou a mudar a partir de 1997, quando se viu obrigado a aumentar as lavouras de coca para compensar a redução da produção no Peru e na Bolívia, fruto das políticas governamentais de combate ao plantio.

O processo contrário ocorre com a produção de ópio em lugares como o Afeganistão, que abastece os mercados da Rússia e da Europa. No México, a produção estimada de ópio corresponde a cerca de 2% do total da produção mundial, mas quase toda a colheita é transformada em heroína, para venda nos Estados Unidos. Outra área de alta produção de ópio é o chamado triângulo dourado formado por Mianmar, Tailândia e Laos. Um dos maiores produtores mundiais de maconha continua sendo o Marrocos que, junto com o Líbano, é um dos principais fornecedores da Europa. No entanto, o informe alerta especialmente sobre a propagação das drogas sintéticas em países industrializados, sendo os Países Baixos um dos maiores produtores.

Segundo Stefano Berterame, epidemiologista do UNODC, o que facilita a produção desse tipo de drogas “é que é relativamente fácil produzi-las e às vezes não demandam as formas de tráfico exigidas por outras drogas, como a cocaína, produzida nos países andinos, e o ópio, no Afeganistão”. Segundo o especialista da ONU, “o que se precisa, basicamente, é um laboratório mais ou menos simples que pode ser montado em qualquer país. Assim, a distribuição é relativamente fácil”.

O desenvolvimento das novas tecnologias também facilita o narcotráfico. A Junta Internacional de Fiscalização de Entorpecentes (JIFD), por exemplo, afirma que “as mudanças tecnológicas, assim como a globalização do comércio e das finanças, criaram oportunidades não só para o avanço social, mas também para formas novas e tradicionais de delinqüência relacionada às drogas”.

A Junta enfatiza: “os grupos de traficantes de drogas utilizam as novas tecnologias com duas finalidades bem diferenciadas: melhorar a eficiência da entrega e distribuição de seus produtos por um meio que permite comunicações seguras e instantâneas; e proteger-se e resguardar suas atividades ilícitas das investigações dos órgãos de repressão, utilizando ações de contra-ataque”.

A JIFD informa que as “novas tecnologias permitem, por meio de mensagens codificadas, ocultar informação sobre o envio de remessas de drogas ilícitas e lavar o dinheiro proveniente do comércio de drogas mediante transferências eletrônicas”.


INTERNET E AS DROGAS
Ressaltando a importância da internet para o tráfico, vários organismos dos Estados Unidos atribuem o rápido aumento do número de laboratórios interditados por fabricação de metanfetamina à evolução da tecnologia e à utilização da internet. Segundo as autoridades, as fórmulas das drogas, antes secretas e zelosamente guardadas, agora estão ao alcance de qualquer pessoa que tenha acesso a um computador. Segundo a JIFD, não é necessário ser químico profissional para produzir anfetamina. Menos de 10% dos suspeitos detidos por fabricação ilícita de metanfetamina são químicos capacitados.

A tecnologia também permite aos membros das organizações de traficantes programar seus computadores para detectar tentativas de invasão (por parte de autoridades policiais, por exemplo) e usar técnicas de represália.