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Os limites de exposição nas redes sociais
JULHO 2019
 
 
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A cada dia o interesse pelas redes sociais cresce e, por conseguinte, aumenta também o número de usuários. Todos querem ter acesso à vida de seus familiares, amigos e até mesmo de seus ídolos, celebridades, com um simples toque no celular. A princípio, criar um perfil numa rede social parece maravilhoso, deslumbrante. No entanto, é com passar do tempo que se percebe o quanto isso pode atrapalhar o dia a dia e até provocar uma reviravolta sem precedentes no cotidiano.

Atualmente, é muito raro encontrar alguém que é totalmente avesso às redes, fazendo vista grossa a ferramentas como Facebook, Instagram, Twitter, Whatsapp, Pinterest, LinkedIn, BeBee, Google +, Youtube, entre outras. A criação de um perfil em uma rede social vem acompanhada de uma necessidade de exposição, marcar posições políticas, comentar um evento, extravasar emoções, procurar emprego e chamar a atenção dos empregadores. Estar nas redes possibilita o contato com conhecidos e desconhecidos e pode ser útil em diversos aspectos. Mas, como a sociedade atual valoriza o espetáculo, é forte a tentação de expor o perfil para atrair, cada vez mais, likes ou seguidores. Na verdade, isso denota uma condição de autoafirmação.

É com extrema facilidade que se joga a vida dentro das redes sociais. São postados fatos e fotos com uma facilidade absurda. Comumente, coloca-se e compartilha endereços, locais frequentados pelos usuários, números de telefone, reclamações sobre locais de convívio, e até mesmo números de cartões de crédito, o que é uma ótima oportunidade para aproveitadores entrarem em ação com sistemas de clonagem, assaltos e até, muitas vezes, eventuais sequestros.



Atento para os números
Os números a seguir são resultado de uma pesquisa que revela como os internautas brasileiros (e no mundo todo) estão entronizando as redes sociais. Infelizmente, o cenário não é nenhum pouco animador. O número de jovens que cometeram suicídio cresceu 10% no Brasil e, portanto, é preciso falar sobre esse assunto. Esse apelo é em decorrência de um monitoramento feito pela agência de publicidade Nova SB, entre abril e maio de 2018, no Brasil, onde foram capturadas e analisadas 1.230.197 menções ao tema dentro das principais redes sociais. Em se tratando de conteúdo, 34,2% eram piadas ou memes. Esse tipo de comentário superou as opiniões (24,4%), as citações (22,1%), as notícias (7,5%), os relatos (6,3%) e os depoimentos (5,5%).

E o principal agravante desse monitoramento é que 18,3% das postagens avaliadas foram consideradas negativas ou preconceituosas, reforçando tabus ou até incentivando pessoas a atentarem contra a própria vida. Por outro lado, 28,8% das menções demonstravam conscientização sobre o tema e, em 52,8% dos casos, não havia um posicionamento claro por parte do usuário. A maioria esmagadora do conteúdo veio do Twitter (94,2%), que deixou para trás Facebook (5%), Youtube e Instagram (0,4% cada). Porém, de modo geral, o suicídio é um tópico periférico na web. Ele muitas vezes se restringe a grupos específicos de conexões — os grandes influenciadores digitais tendem a ficar de fora. Os estados que registraram mais menções foram Rio de Janeiro e São Paulo, representando, respectivamente, 27,5% e 17,9% desse material. Minas Gerais (9,9%), Pará (5,6%), Rio Grande do Sul (5,5%) e Santa Catarina (4,8) aparecem em seguida.


Notícias e comentários que se destacaram
A série do Netflix “13 Reasons Why”, sobre uma adolescente que tira a própria vida, e o jogo baleia azul, que promove a automutilação entre jovens, totalizaram 84% das publicações analisadas e esquentaram as buscas relacionadas ao tema durante o período em que o monitoramento foi feito. Tanto que a quantidade desse tipo de pesquisa no Google em um só mês de 2017 superou em duas vezes a da média de setembro dos últimos cinco anos. Vale salientar que esse mês em específico marca a principal campanha de prevenção do suicídio no país, a Campanha Setembro Amarelo.

Comentários envolvendo depressão (quase 8%) e intolerância (4%) também mereceram destaque. Colocar o assunto em pauta e apoiar quem atravessa momentos difíceis são duas das práticas essenciais para prevenir até 90% dos casos de suicídio, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS).


Criando limites
Embora no século XXI a internet tenha adquirido muito mais poder do que já tinha, e a cada ano que passa se torna mais útil para todos, muitas pessoas (ou a maioria de usuários) não sabem o limite entre o público e o privado. Como já dito, o Facebook, Instagram e o Twitter, por exemplo, são algumas das redes sociais criadas para se comunicar e interagir com diversas pessoas, mas, atualmente, informações muito sigilosas e pessoais estão sendo compartilhadas. Essa superexposição pode levar muitos a vivenciarem situações bastantes constrangedoras como furtos e roubos, e até arruinar uma reputação. Para isso acabar ou diminuir, as autoridades deveriam reforçar leis como a Lei Carolina Dickmann (como ficou conhecida a Lei Brasileira 12.737/2012, sancionada em 30 de novembro de 2012 pela ex-presidente Dilma Rousseff, que promoveu alterações no Código Penal Brasileiro – Decreto-Lei 2.848 de 7 de dezembro de 1940 –, tipificando os chamados delitos ou crimes informáticos), e a Lei do Bullying (nova lei que veio para reforçar a regulamentação anterior de Combate ao Bullying – lei 13.185/2015. Essa legislação instituiu o Programa de Combate à Intimidação Sistemática –Bullying- em todo o território nacional).

As pessoas deveriam pensar melhor se vale pena se expor tanto. Deveriam discutir mais esse assunto tão polêmico em escolas, empresas, bares e em outros lugares, tentando conscientizar a todos a se exporem menos para não terem graves consequências mais tarde. Compartilhar demais é o ato comum que se tornou um dos maiores vilões virtuais da atualidade. É quando o feitiço se vira contra o feiticeiro: o usuário, no auge de sua ingenuidade, posta informações excessivas, por pura necessidade de compartilhar tudo o que faz, e esquece que tais informações são extremamente valiosas para os mal-intencionados. No final, esses usuários acabam tendo que pagar um preço alto por falar demais.


Para que servem e não servem as redes sociais
É importante criar um limite entre o que se quer que os outros saibam e o que eles realmente precisam saber. É esse limite que determina seu sucesso ou fracasso, é o que fará ser bem ou mal visto pelas pessoas. Se bem utilizadas, as redes servem para divulgar bons conteúdos, criar postagens úteis, ganhar notoriedade, procurar emprego, fazer networking, se comunicar com contatos pessoais e profissionais, influenciar positivamente as pessoas, divulgar um negócio e divulgar informações e compartilhar novos conhecimentos. Cada uma tem propósitos para atingir o objetivo a ser alcançado.

Por outro lado, o que não se aconselha fazer nas redes sociais é falar mal de alguém, sobretudo de chefes e/ou do emprego, fazer comentários negativos ou criar postagens contendo discursos de ódio (com preconceitos, racismos e/ou contendo apologias), criar conteúdos inapropriados, divulgar informações falsas de si mesmo ou de outras pessoas e divulgar informações sigilosas do trabalho. As redes sociais podem prejudicar a reputação e imagem de uma pessoa se ela a utiliza de maneira inapropriada, sem propósitos e intempestivamente.


Fake News
Pode-se afirmar que a maioria de usuários de redes teve, estão tendo e vão continuar tendo contato com as famosas fake news, que são, basicamente, notícias e anúncios falsos criados com diversos fins. Aqueles menos problemáticos geram apenas um boato engraçado ou, nos piores casos, atacam diretamente a credibilidade de uma empresa ou alguém. A tendência oportunista que as fake news carregam potencializam esse efeito dominó e, muitas vezes, com pouco ou nenhum investimento, o conteúdo mentiroso atinge milhares de pessoas.

A maioria dos usuários das redes socais já teve contato diário com notícias falsas e, muitas vezes, sem se dar conta disso, não verifica a autenticidade da notícia e passa para frente. O caso é que informação tem circulado todos os dias na internet, principalmente devido às ações de marketing digital aplicadas nas estratégias de produção de conteúdo para atingir seus públicos-alvo. Infelizmente, longe de ser um problema restrito aos canais de veiculação de notícias ou jornalistas, é uma questão que envolve todo profissional produtor de conteúdo para a realidade digital: mudanças no algoritmo da plataforma, informações confidenciais vazadas e fake news se tornaram os principais problemas que o Facebook vem enfrentado recentemente.

Um grande exemplo do poder das fake news pode ser observado com a epidemia de febre amarela e casos confirmados da doença. É consenso que o pânico foi causado devido à grande quantidade de informações falsas que foram compartilhadas nas redes. Um dos principais reflexos dessas notícias falsas foi o extermínio de macacos por um boato equivocado de que eles eram os vetores da febre amarela e que matá-los seria a solução para o problema.

As fake news são o temor de muitas empresas que têm como papel a produção de conteúdo com seriedade, pois a credibilidade das informações compartilhadas tem sido deixada de lado apenas por quem publica e não a verdadeira fonte em si, prejudicando a criação de conteúdo relevante.

Hoje, é importante que as agências de marketing digital tenham ainda mais responsabilidade e profissionalismo na hora de redigir e gerar conteúdo, seja ele orgânico ou patrocinado. As novas tendências das ações de marketing e estratégia digital têm foco principal nas ações de marketing de conteúdo. Nessa busca de conteúdos redigidos com seriedade, é comum a contratação empresas especializadas em produção de conteúdo ou instalação de um setor dentro da própria empresa. Em ambas, há profissionais sérios para o trabalho que buscam fontes seguras para validar e fundamentar as informações divulgadas com credibilidade.

- Desconfiar das notícias sensacionalistas: fake news utilizam-se de manchetes polêmicas para incentivar um compartilhamento desatento.

- Verificar a veracidade da manchete: checar em mais de um site ajuda a identificar a veracidade das informações compartilhadas.

- A credibilidade não é apenas da pessoa que compartilhou: mesmo que seja por algum familiar ou amigo de confiança não é fator de credibilidade da notícia.

- Checar a fonte: veja a fonte original da notícia e se aparece em mais de um lugar.

Embora o objetivo de grande parte das ações de marketing digital seja criar campanhas e conteúdos que tragam engajamento e tenham ampla visibilidade pelos usuários, a problemática se dá, no entanto, quando um conteúdo está inserido em um padrão de estrutura comunicativa e promove-se por meio da distorção de fatos, disseminação de notícias, informações falsas e de caráter sensacionalista.


Redes sociais e eleições
As redes sociais foram fundamentais nas eleições majoritárias de 2018 no Brasil. Seu uso impulsionou a eleição do presidente Jair Bolsonaro, respingo da prática do uso delas na eleição do presidente Donald Trump nos Estados Unidos em 2016. Isso se justifica, também, porque o número de brasileiros nas redes em 2018 já passava dos 40 milhões, bem mais que os 8,8 milhões registrados em 2010, quando a presidente Dilma Rousseff foi eleita. Com tanta gente conectada, é de se esperar que o Facebook, Twitter e Whattsapp, por exemplo, fossem amplamente utilizados pelos candidatos. E a lei garante: de acordo com o Tribunal Superior Eleitora (TSE), a veiculação de campanhas do 1º turno esteve liberada na internet do dia 6 de julho até o dia 30 de setembro de 2018, por meio do artigo 57-B da Lei 12.034/09 do Governo Federal, desde que gerida pelo candidato, partido ou coligação.

Com a facilidade de acesso da ferramenta e a proximidade dos candidatos com seus eleitores, era de se esperar que a rede social fosse bastante utilizada de maneira correta ou não. De maneira correta, ao permitir, por exemplo, a realização de debates, exposição de novas ideias de maneira colaborativa, a livre expressão e o relacionamento franco entre ambas as partes. De maneira incorreta, a avalanche de fake news disparadas contra todos os candidatos, sem a presença do TSE para fiscalizar e punir culpados.


O que levar em conta nas eleições
Além das regras estabelecidas pelo TSE, algumas recomendações sobre o bom uso das redes sociais em época de eleições são extremamente importantes para definir por esse ou aquele candidato.

As redes sociais são ambientes para relacionamento. Nelas, saber falar é tão importante quando sabe escutar. Um candidato precisa dialogar, respondendo críticas e elogios, propondo questões que estimulem a interação e publicando conteúdo relevante.

É inevitável fugir das críticas, principalmente nas redes sociais. Assim, é importante que um candidato saiba como lidar com elas sendo franco e não deixando nada sem resposta. Uma crítica ou denúncia feita em um ambiente como esse pode se espalhar rapidamente.

O mesmo cuidado cabe aos eleitores. Críticas são bem-vindas quando forem construtivas e denúncias são ótimas, se forem verídicas. Em tempo de eleições, os nervos de eleitores e candidatos estão à flor da pele, por isso é importante escolher bem as palavras antes de publicá-las.

É importante variar os assuntos, pois as pessoas estão nas redes sociais para entretenimento, para conversar com amigos, para ver fotos, para ler matérias interessantes e não apenas para ler sobre política, por exemplo.

Redes sociais são ambientes multimídia, onde pode-se fazer uso de imagens, links para reportagens e vídeos. Tudo isso pode contribuir para construir o perfil de um candidato ou para expressar as ideias de um eleitor.

Uma das grandes vantagens da internet é que todas as informações e opiniões expressas ficam arquivadas lá. Um candidato pode usar todo esse material como fonte de pesquisa para conhecer melhor seu eleitor. O search do Twitter, o Google Search Blogs e diversas outras ferramentas de monitoramento gratuitas podem ser utilizadas em blogs e redes sociais.

Para os candidatos, também vale o seguinte: um dos argumentos que mais motiva as empresas a participarem das redes sociais é que quer independente de sua vontade, estão falando dela lá. Então, é melhor estar nas redes sociais, mesmo que seja apenas para se defender.

Eleitores também podem utilizar as redes sociais para fiscalizar e garantir uma campanha eleitoral limpa e de acordo com as normas. O projeto Quem suja agora, vai sujar depois, por exemplo, utiliza o Facebook para denunciar e conscientizar sobre o excesso de propaganda eleitoral jogada nas ruas.


O que diz a lei
O que é um crime virtual? O crime virtual engloba todas as atividades criminosas realizadas por meio de computadores ou da internet. Podem ser empregados diversos métodos e ferramentas, tais como phishing, vírus, spyware, ransomware e engenharia social, geralmente com o objetivo de roubar dados pessoais ou praticar fraudes Equivoca-se quem pensa que o mundo virtual é livre de leis e de regras. Desde 2014, o espaço cibernético é regido pelo Marco Civil da Internet, que determina os direitos e deveres do internauta. A legislação prevê, ainda, punições a quem comete crimes virtuais, com o amparo do Código Penal e do Código Civil. Muitos dos crimes cometidos nas redes sociais já eram, e continuam sendo, os mesmos praticados no mundo real. A diferença é que os criminosos encontram na internet a facilidade de se esconderem atrás de perfis anônimos para cometer seus delitos. Há, ainda, quem atue com perfis reais, desconhecendo a legislação ou acreditando que seu ato passará impune.

Quem sofre um ataque nas redes sociais deve denunciar e fazer valer seus direitos. No entanto, nem todos sabem que estão sendo vítimas de um crime virtual. Os principais delitos na internet são relacionados aos crimes contra a honra, a liberdade pessoal e à falsidade ideológica.

- Injúria: ofender, xingar, chamar alguém de algo que se considera ofensivo, atingindo sua honra.

- Difamação: afirmar que alguém cometeu algo desonroso, como traição, afetando sua reputação.

- Calúnia: acusar alguém de um crime que não cometeu, dos três crimes contra a honra, esse o mais grave.

- Ameaça: ameaçar alguém, por escrito, palavra ou gesto, é um crime contra a liberdade pessoal.

- Falsidade ideológica: criar um perfil falso nas redes sociais se passando por outra pessoa.

Dentre os crimes mais praticados na internet estão: injúria e difamação (o Código Penal Brasileiro dispõe sobre a injúria e a difamação nos arts.139 e 140); furto de dados; utilização de softwares falsos; criação de perfis falsos e apologia ao crime.

Não há como evitar usar a internet, ela faz parte do cotidiano das pessoas. Até mesmo as crianças, que estão iniciando na atividade de “logados”, podem fazer bom uso dela em atividades escolares, por exemplo. No entanto, elas devem ter o acesso restringido pelos pais, visto que ficar conectado o tempo todo não faz nada bem à saúde física e mental. Existem outras atividades para serem feitas e outras formas de socialização interessantes, divertidas e instrutivas. Os pais devem estimular os filhos a encontrarem seus amigos, praticarem uma atividade física, assistirem a um filme e lerem um livro, por exemplo.

Quando a internet e sobretudo as redes sociais são utilizadas para informar, mobilizar e ajudar, ela torna-se nossa aliada. Aos pais, cabe orientar os filhos sobre como se comportarem nas redes sociais, da internet e fora dela, claro. Bom senso é fundamental para discernir o adequado do inadequado, mas para isso é preciso dialogar com crianças e jovens. As redes sociais são formadas por pessoas em busca de relacionamentos. Por trás de cada perfil existe um ser com ideias, vontades, gostos e motivações próprias. Com o número de usuários crescendo a cada dia, acredita-se que as redes sociais podem se tornar poderosas ferramenta de debate político para propor novas políticas públicas de forma colaborativa.


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